Porque qual outra explicação teria pra tudo o que tinha levado a aquela situação? Eu sempre fui um overthinker assumido, e havia sido diagnosticado com TDA + autismo grau 1 a poucos anos, então também tinha isso. Mas e se eu estivesse só julgando o cara mal? E se ele, sei lá, só cagasse muito grosso, e também estivesse tendo a sua debutagem simultânea com outro rapaz comigo? E sim, eram todos pensamentos que me corriam naquele instante, submerso - meus movimentos entrado em piloto automático, e quando dei por mim estava com 4 dedos dentro do cu do garoto que com um gemido leve de dor me trazia de volta pra terra. Esse era o limite, então.
"De-desculpa" exprimi sem jeito, no que ele respondeu olhando pra trás com aquela cara de cachorro perdido e me lançando outro daqueles sorrisos brisados dele, mas com um adicional inegável de safadeza no olhar. E não parou por aí. Ele começou a se esgueirar pra trás e mover-se pra minha direção, quase como se quisesse... um beijo? Eu decididamente não estava pronto pra aquilo, e meu primeiro reflexo foi desviar, mas as mãos dele foram pra minha camisa, e mais uma vez me peguei desprevenido. Ainda estava vestido!
Odiei que eu teria de frustra-lo mais uma vez, mas também não estava nem um pouco confortável com a ideia de ficar pelado na frente de outra pessoa. Eu era virgem por um motivo. Acreditem ou não, naquela época achava que tudo ia acontecer numa fantasia juvenil de "pessoa certa, lugar certo, hora certa", e isto... não era bem o que eu esperava. Eu então abaixei as calças e a cueca, mas mantive a camiseta. Era o melhor que podia.
Dei uma olhada pra frente, já que estava evitando conscientemente olhar para o Henrique pelas duas bolas foras consecutivas, e lá estava ele, com uma camisinha na mão. Recordo-me de vez ou outra ele haver mencionado em conversas que guardava sempre uma consigo, "pra emergências". "Nunca se sabe né pai."
A mesma expressão aérea e um sorriso frouxo e preguiçoso brotou nos lábios dele, mas seus olhos estavam mirando em direção ao meu pau, que naquele momento estava em riste, babando. Assim como o dele. Pensei em pegar no dele, talvez masturbar um pouco por cortesia, mas acabei decidindo não fazer por medo de, sei lá, dar idéia. Não tinha intenção de ser passivo naquela noite e nem em qualquer outro prospecto vindouro. Era pouco palatável pra mim o conceito de dar.
Mas o que eu sabia de sexo? Do meu corpo? Pouquíssimo, e encarando o de Henrique, todo lisinho e depilado, mais baixo do que eu, acho que 1,69?, magro mas torneado, surgia a tentação de paralisar diante das neuras de comparação ao meu, que era o oposto: peludo, de estômago alto e falso magro, apesar de ser alto e a gordura distribuída até decentemente dado o meu histórico de não-atleta (imaginem o corpo do Randy Marsh de South Park em um jovem adulto, que tal isso como imagem mental?)... mas ali estava ele olhando pra mim e de pau duro. Ou seria por causa do prensado? Ou só pelo imperativo hormonal de ser homem? Isso importava?
'Totalmente namoraria esse carinha', pensei comigo mesmo ao dar mais uma boa olhada naquele machinho, e dessa vez acho que consegui não dar com a língua nos dentes e pensar alto demais, porque ele apenas me entregou a camisinha e retomou a posição, empinando um pouco mais.
Avançando um pouco a fita dos segundos (que pareceram horas) onde pelejei pra colocar a camisinha e me acostumar com a viscosidade e a rigidez do látex, eu me aproximei de Henrique e dei as primeiras pinceladas. Puxei ele num impulso e, com o corpo colado no meu, tentei iniciar a penetração. A pressão na cabeça era incrível, mas temia estourar o preservativo se não lubrificasse melhor e removi, não havendo outra alternativa além de usar a saliva. Não que isso fosse um problema; me encontrava já viciado em chupar aquele cuzinho. E como chupei.
Várias cuspidas e escarradas depois, resolvi começar os trabalhos. Sabia que haveria dor, e mais uma vez consultei o meu palácio da memória pornográfico tentando encontrar uma maneira de distrai-lo quando ela ficasse realmente ruim sem ter que apelar a um beijo, e agarrei o peitoral do Henrique, fazendo carícias ao redor do mamilo. Estava presumindo que ele também fosse cabaço, e agindo sob essa assumpção, queria ser cuidadoso. Mas eu não era nenhum Sherlock, eu era um bocó de 22 anos com cabeça de adolescente, e toda aquela intimidade passou a me encabular de novo. Resolvi apelar a um plano de contingência.
Assim que senti o meu caralho inteiro dentro dele, decidi que não podia deixar escapar aquela oportunidade que a vida me deu de bandeja e deixei o tesão assumir o controle. Foda-se a vergonha, foda-se o sexo fofinho das minhas fantasias. Tudo aquilo estava prestes a ser jogado pela janela. Peguei o Henrique pelas ancas, e lambi-lhe no pescoço, dando chupões. O gosto do suor dele foi como um afrodisíaco que me abriu todos os poros. Senti ele se arrepiar, amolecendo no contato comigo e interpretei como uma luz verde.
Em seguida, tirei o meu pau todo dele, e de uma só vez, enfiei fundo. Ele deu um grito abafado, gaguejou pedindo calma, mas fiz ouvido de mercador e continuei metendo, inicialmente desordenado mas logo encontrando cadência. "Sempre quis te comer, desde a primeira vez que eu te vi", sussurrei no ouvido dele entre as socadas, no qual ele me devolveu um olhar atordoado, mas a mordida que ele deu nos lábios me dizia o que precisava saber. Dei um tapa na sua bunda e ele gemeu alto, mais de susto que de dor, e dei mais outro, e mais outro. O sádico dentro de mim tinha escapado de sua cela. "Seu gostoso do caralho, tu é a minha putinha hoje", e senti seu cu piscar ao redor do meu pau, aquilo me deixou maluco.
"Faz de novo isso", pedi e ele repetiu, enquanto explorava cada canto do seu cu com a minha rola. Não haveria lugar onde eu não metia dentro daquele rabo. Entretanto, todo aquele exercício começou a cobrar o esforço nas pernas e, com um toque nas costas, orientei Henrique para movermos a ação pro sofá de visitas. Ele andou meio mancando, franziu a testa de leve, uma ruga de confusão surgindo entre as sobrancelhas. Os olhos dele, já meio baixos, estavam marejados. Não houve uma careta brusca; apenas uma lágrima solitária que escorria devagar pelo canto do olho, brilhando contra a luz fraca. Mas quando olhei pro rosto dele... aquilo foi um soco no meu estômago. Ele não estava gritando, nem pedindo pra parar. Ele só estava lá, com aquele olhar perdido no teto, enquanto uma lágrima solitária escorria devagar pelo rosto, brilhando no escuro.
O tesão virou gelo na minha espinha. Ele parecia tão longe, tão... entregue, que me senti um covarde. Era como bater em alguém que não pode se defender. Soltei a pele dele como se tivesse queimado minha mão e recuei, a respiração presa na garganta, me sentindo o pior tipo de monstro. "Ei", chamei, a voz saindo falhada. Toquei o rosto dele, agora com cuidado, limpando a lágrima com o polegar.
Ele piscou devagar. "Machucou? Fala comigo, vem pra cá... desculpa, acho que eu perdi a mão", tentei me justificar.
"Hã?", ele soltou, a voz pastosa, olhando pra minha cara de pânico como se eu fosse um alienígena. "Que foi, mano? Parou por quê?"
Ele levou a mão ao rosto, tocou o molhado que eu tinha acabado de limpar e olhou pros dedos, depois soltou um riso frouxo, quase sem som. Fiquei estático, meu cérebro tentando computar se aquilo era verdade ou se ele estava em choque. Mas ele nem me deu tempo de surtar. Se ajeitou no sofá, abrindo as pernas daquele jeito largado que gritava disponibilidade, e me puxou pela barra da camiseta, minha armadura de algodão contra a disforia.
"Tá com medo de quê? Tá mec", ele provocou, a voz saindo arrastada, os olhos semicerrados focando no meu pau (que tinha murchado uns 30% no susto, mas já dava sinais de vida de novo). "O bagulho tá gostosinho... viaja não."
A validação dele foi como desligar o disjuntor da minha ansiedade. Se ele dizia que estava suave, quem era eu pra discordar? O cheiro dele, uma mistura de suor, desodorante vencido e o adocicado da maconha, invadiu meu nariz e calou o resto dos pensamentos intrusivos. "Senta aí..." ele murmurou, me puxando pelos ombros com uma força surpreendente para quem parecia feito de manteiga derretida a poucos minutos atrás.
Aproveitei que o Henrique tinha tombado um pouco para o lado no sofá de corino gasto pra recuperar o fôlego - ou só pra curtir a "onda" dele olhando pro ventilador de teto que girava devagar - e pesquei meu celular no bolso da calça jeans embolada no tapete. A tela acendeu, iluminando a sala escura: 21:19. Cinco chamadas perdidas da minha mãe e duas mensagens de áudio.Limpei a garganta, tentando dissipar qualquer resquício de gemido ou a rouquidão do tesão, e segurei o botão do microfone no WhatsApp com a mão trêmula.
"Oi, mãe, bênção...", minha voz saiu um pouco mais aguda do que o normal, corrigi na hora. "Não, tá tudo bem sim, desculpa a demora pra responder, é que eu tava aqui conferindo uns... cabos de rede que deram problema. Mas, nossa senhora, mãe, a senhora tá vendo esse tempo? Caiu um toró aqui agora que o mundo tá se acabando em água. O telhado aqui da loja tá parecendo que vai furar de tanto barulho."
"Eu fui tentar pedir um Uber aqui, mas tá dando, tipo, quarenta reais pra nossa casa, dinâmico absurdo. E nem tem moto-táxi rodando com essa pista molhada, é perigoso. Vou esperar dar uma estiada pra não pegar friagem e nem ficar ilhado na parada de ônibus, tá bom? Fica tranquila que eu tô seguro aqui dentro, tranquei tudo. Já já eu chego. Beijo, te amo."
Soltei o botão de enviar e o coração parecia que ia sair pela boca. Joguei o celular longe, no outro canto do sofá, rezando para o barulho da chuva ter mascarado a respiração pesada do Henrique, que agora estava desenhando círculos imaginários na minha coxa com o pé.
""Conferindo cabo de rede", é?" ele sussurrou, a voz pastosa, soltando uma risadinha anasalada que me deu vontade de socar e beijar ele ao mesmo tempo. 'Cala a boca, Zé" resmunguei, mas o alívio de ter despistado a Dona Sônia me fez relaxar os ombros no encosto do sofá. Pelo menos a chuva era uma desculpa universal.
Henrique, que parecia ter achado a minha performance pro WhatsApp a coisa mais engraçada do mundo, parou de rir aos poucos. O olhar dele mudou. O sorriso debochado de canto de boca deu lugar àquela expressão aérea de novo, mas com um peso diferente nas pálpebras. "Senta direito aí, pai..." ele murmurou, me puxando pelos ombros. Eu obedeci, meio no susto, ajeitando a postura no sofá de dois lugares. O espaço era minúsculo. Minha camiseta de estampa de anime, agora amarrotada, era a única coisa cobrindo meu tronco e eu tentei murchar a barriga instintivamente quando vi ele se mover.
Ele veio engatinhando por cima de mim, as pernas dele passaram uma de cada lado dos meus quadris, e ele se ajeitou ali, pairando sobre o meu colo. A proximidade era ridícula. Eu podia ver cada poro da pele morena dele, o suor brilhando no peito liso onde a correntinha de prata falsa balançava, e aquele olhar... aquele olhar semicerrado, vermelho da maconha, que parecia mirar dentro da minha alma, mas provavelmente estava só focando na sensação do meu pau - que, para minha sorte e orgulho, estava duro como uma rocha de novo - roçando na entrada dele.
Ele não desceu de uma vez. Foi um processo lento, quase agonizante de tão bom, típico da lerdeza dele. Henrique foi abaixando os quadris milímetro por milímetro, testando, acomodando. Eu assisti, hipnotizado, a minha ereção desaparecendo dentro dele. "Caralho, maninho..." a voz rouca vibrando, parecendo esquecer momentaneamente de manter a postura de cria. "Encaixou certo, hein... Tu tá gigante pai"
Eu queria responder, queria soltar uma frase de efeito ou um elogio poético, mas a única coisa que saiu foi um gemido vergonhoso e abafado. Minhas mãos, sem saber direito onde pousar, acabaram indo instintivamente para as coxas dele, apertando a carne firme. Ele subia um pouco, girava o quadril num arco preguiçoso e descia pesado, deixando a gravidade e a brisa fazerem o trabalho. Era uma mistura de câmera lenta com uma massagem interna que fritava meus neurônios. Ele estava de olhos fechados, a expressão serena, um sorriso frouxo brincando nos lábios toda vez que ele descia até o talo.
"Tá suave?" ele perguntou sem abrir os olhos, parando por um segundo lá embaixo pra reajustar a respiração, o rosto suado a centímetros do meu. "Tá... tá foda", consegui gaguejar, sentindo o suor dele pingar no meu peito.
Eu estava encarando a boca dele. Eu sabia das "regras" implícitas dessas interações com caras "sigilo", sabia que beijo era algo íntimo demais, reservado pra namoradinhas ou pra quem não era "do corre". Mas ali, com ele cavalgando em mim e me chamando de pai, meu cérebro de pudim desligou o freio. Ele parou o movimento do quadril por um segundo, pairando no ar, e me encarou com aquele olho meio fechado, meio curioso.
"Qual foi?" ele sussurrou, a voz arrastada, um sorriso de canto aparecendo. "Tá querendo, é?"
Eu não consegui responder. Só engoli em seco e levantei o queixo minimamente, num convite mudo e atemorizado. Ele não recuou. Não me empurrou, não me chamou de viado, não quebrou o clima. Pelo contrário. A expressão dele suavizou, Henrique deixou o peso do tronco cair para frente, os braços cedendo, e colou a boca na minha.
Não foi um beijo de cinema, técnico e bonito. Foi um beijo de gosto forte. Tinha o sabor amargo do tabaco do prensado, o salgado do suor e uma umidade quente que me invadiu de imediato. A língua dele era pesada, lenta, explorando a minha boca sem pressa nenhuma, com a mesma "preguiça" gostosa com que ele movia os quadris.
Para ele, talvez fosse só mais uma parte da brisa. Mas pra mim, sentindo a língua áspera dele roçar na minha e o hálito quente dele se misturar com o ar condicionado gelado da Lan House, foi como se o teto tivesse desabado. Eu fechei os olhos com força, minhas mãos subiram das coxas para a nuca dele, agarrando o cabelo curto, puxando ele pra mais perto, tentando prolongar aquele contato o máximo que eu pudesse. Gozamos praticamente juntos.
Lá fora, o céu de Manaus desabava em água. Mas ali dentro, no escuro, com o gosto dele na minha boca, eu não queria que aquela chuva parasse nunca mais.
Delícia de conto! Votado... Teve mais aventuras? Quero saber!