- Minha filha, juro-te por Deus, que somente ele e eu saberemos o que de seus lábios irão sair, se assim o quiser.
- Obrigada, significa muito pra mim, o que vou te contar, nunca contei. Preste atenção:
Talvez o senhor saiba que sou uma bailarina mundialmente famosa. Tenho esse lindo corpo esguio e um lindo rosto, fama e glória, mas trocaria tudo isso para ter uma pessoa que magoei e deixei, em nome do mundano da vida.
Meu pai era um homem rico e gentil, mas para que eu nascesse e viesse a respirar, minha mãe teve que deixar de respirar. Então, meu pai me criou. Não tardou para arranjar outra mulher, minha madrasta. O nosso relacionamento era um joqo de conseguir a atenção de papai. Quando este morreu, caí nas mãos dela.
Muito no fundo, bem no fundo, ela gostava de mim, e queria meu bem. Mas nunca vi ela dando uma risada em todo o tempo em que a conhecia.
- Olá Tiago, como vai? - disse ao me aproximar do nosso principal empregado no corredor luxuoso. Ele estava meio que "de guarda" na porta do quarto da minha madrasta.
Mesmo com a cara de bunda dele, eu mantive meu tom gentil. - Ela solicitou a minha "presença", né?
- "Ela" uma ova, senhorita! Você deve dizer "senhora Alcântara". A senhora Alcântara está muito irritada, e não solicita a presença, a senhora Alcântara mand... - perdi a paciência e quase mandei aquele puto ir se fuder. Abri caminho e entrei a força no quarto.
Ela estava sentada, numa poltrona que daria para você passar muito bem o resto da vida. Fumava um cigarro. Quando entrei, ela me olhou como se eu fosse algo que o gato trouxe do lixo.
Levei um dos maiores esporros da minha vida por não ter ido à aula de balé no dia anterior. Na verdade, estava menstruada, mas ela não queria saber. Ela se permitiu se agitar demais, uma velha daquela idade não se pode dar a esse luxo, embora luxo para ela não faltasse. Ela engasgou com o ar e a fumaça do cigarro, parecia que iria perder um pulmão, o vomitando pela boca. Gesticulou para eu pegar um copo d'água com uma rodela de limão, que estava no criado mudo. Para me vingar, fui bem lentamente, sem pressa nenhuma, para pegar o copo e ainda mais sem pressa para lhe entregar. Por mim ela poderia morrer ali mesmo. Mas no fundo, bem no fundo, eu gostava dela.
Fui forçada a ir para minha primeira aula de balé, por um arrombado Tiago de chofer. Também gostava dele. Mas se você não sabe o que é esnobe, vai passar a saber se olhar na cara dele.
Estava caindo o mundo na pior das tempestades quando cheguei lá. Não havia ninguém, apenas um longo espelho que percorria o grande espaço, barras cor de ouro, pinturas chiques nas paredes - era um lugar de bom-tom.
- Ora, uma aluna dedicada. - uma voz doce e linda falou atrás de mim, enquanto eu observava um quadro esquisito de um cara pelado de ponta cabeça.
Era a professora Flávia. A discrepância ficou evidente entre nós conforme olhei nós duas no espelho. Ela tinha os membros longos, incrivelmente flexíveis, mas grossos e fortes. As pernas dela eram as coisas mais certas que já vi na vida, mais elegantes e longas não vi até hoje. Tinha o cabelo em forma de juba de leão, preto, cheio e armado, passava só um pouco dos ombros, quando olhado de trás era um "V". Olhos azuis que viam sua alma, e uma boca linda. O que mais me marcou foi a sua expressão. A forma de seu rosto era perfeita, era tudo bem encaixado, mas ela possuía uma expressão muito doce, e me senti imediatamente atraída por ela assim que a vi.
Senti mortal vergonha quando olhei para mim mesma no espelho. Magra, estranha, pálida, de cabelo liso até parecer molhado e preto e meus olhos enormes de coruja negros, que me davam um ar de assustada. Minhas únicas qualidades eram que eu era alta e tinha uma cintura muito fina, me dando uma forma bela.
Ela guiava a conversa e vencia toda minha timidez natural, com aquele seu jeitinho meigo. Era uma mulher extremamente inteligente, até falava latim e francês e diversas outras línguas. Contei que me chamo Isa Alcântara, e ela me disse ser Flávia Vasconcelos.
Mal sabia eu que ao som desse nome, meu coração arisco já estava sendo domado.
Flávia era uma ótima professora. Naquele dia me ensinou o básico, alongamentos e alguns passos.
Mas tudo ficou em chamas ao final da aula...
- Ok, antes do fim, me deixe ver até onde sua perna vai.
Estávamos em pé, ela atrás de mim. Minha mão esquerda na mão esquerda d'ela, dando apoio a mim. A mão direita dela foi parar na dobra de meu joelho direito, e passou a levantar minha perna dobrada até bem alto.
Aquela cena vista do espelho me dava troços, o toque dela atrás de mim fazia todo meu estômago tremer. Corei nas bochechas e antes que me desse conta, o meio das minhas pernas estava escuro e úmido na meia-calça branca de ballet. Flávia notou, pôs a mão esquerda na lateral da minha garganta e tascou um beijão em mim, de língua. Os barulhos úmidos me excitavam. Passei a chupar a língua dela, abri o olho e a vi olhando, então sorrimos.
Deitei por cima dela, no chão, uma de frente da outra. Enquanto nos beijávamos, ela ia removendo minhas roupas, devagarinho, até que estava nua na parte de cima. Tirei e quase rasguei as roupas dela, enquanto me livrava do resto das minhas. Estava transloucada para devorar ela todinha, e aquele olhar safado de puta dela não estava ajudando.
Ela pôs seus pés atrás da cabeça, me oferecendo a coisa mais linda que já vi nessa vida, a vagina dela. Montei de vez por cima, e me esfregava nela com muito desejo, nós gemiamos olhando nos olhos uma da outra. Os clitóris dançando um no outro naquela pista lubrificada de nós duas... era tão gostoso. Agarrei o pescoço dela com pressão, ela adorou. Meu quadril fazia movimentos de ondas, mas Flávia era ainda melhor, seus movimentos me hipnotizavam. Ela agarrou meus seios e brincava com eles, minha resistência caiu de vez ali, junto a seus dedos hábeis. Senti que não estava mais aguentando, segurei, segurei mais, e saiu, saiu com toda a força que tinha, e conforme minha barriguinha tremia, arqueava e voltava, escorria e deslizava pelas nossas pernas todo aquele meu mel branco que a tanto tempo estava guardado. Uma boa quantidade entrou dentro dela, e quanto me afastei, ela estava pingando.
Quis mostrar pra ela o que sabia fazer (quase nada, tinha dezenove anos e era virgem), mas minha línguinha encaixou perfeita no clitóris dela, fazendo movimentos circulares, então meus lábios grossos beijavam, eu chupava de leve, como uma pena. Cinco minutinhos depois, estava engolindo um monte de líquidos e adorando.
Ela ainda queria acabar comigo. Fez pressão com sua mão esquerda um pouco abaixo do umbigo, afundando a mão em mim comigo deitada. Enquanto sua língua experiente brincava com meu clitóris. Aqueles dedinhos dela entravam dentro de mim e davam choquinhos nas minhas paredes internas, que se contraiam. Com precisão cirúrgica, ela encontrou meu ponto central, ele e os dedos dela viraram amantes e namoravam dentro de mim. Eu gemia desesperada, minhas pernas tremiam, então meu quadril subiu um pouco, e toda a minha barriga se contraiu. Flávia aliviou a pressão e tirou o dedo de mim, permitindo que um jato enorme de mel saísse. Ela voltou por cima, me beijando, me acariciando, chupando meu pescoço... Eu já estava acabada.
Ela trouxe um pirulito grande de morango. Ela me virou de costas, e puxou meu cabelo bem forte. Chupou minha garganta enquanto enfiava aquele pirulito bem no meu buraquinho mais apertado, devagar, isso me fez cosségas. Entrava e saia, entrava e saía, socava estocava, ao mesmo tempo me beijava e chupava minha língua.
Ela removia o doce de mim, e o usava ruidosamente como um pirulito é usado, olhando nos meus olhos cansados...
A aula durou três horas a mais. Nem preciso dizer que nunca mais faltei às aulas.
Nós namoramos por anos. Tiago descobriu, mas nunca contou nada para aquela porca da minha madrasta, caso contrário eu realmente teria que lidar com as ameaças dela que diziam que eu seria deixada sem um vintém quando ela morresse. Hoje Tiago é caseiro daquela minha mansão, e um velho esnobe.
Quando fui me tornando famosa, briguei com meu amor. Acabamos nos separando. Nunca mais entramos em contato.
Ontem, recebi uma notificação. Ela morreu a três anos de câncer. Ela me escreveu algo, antes de partir, mas somente me chegou em mãos ontem:
"Isa, não há raiva no meu peito. Há amor. Por todos os passos que dei nessa vida, aqueles que estavam ao lado dos seus foram os que mais me fizeram sorrir. Estou morrendo. Mas, caso eu possa fazer algo por você do outro lado, farei. Beijarei sua face quando triste estiver, a ajudarei para que sua carga seja leve, a pouparei do mal. Isa, eu te amo".