Quando Todos Querem a Atenção Dela.

Voltei para casa depois de quatro dias de viagem com aquela sensação estranha que aparece quando o corpo chega antes da cabeça. Estrada, reuniões, hotel frio e impessoal. Durante todo o tempo havia uma imagem recorrente, quase física: ela.
Quando abri a porta, já senti ela vindo para me receber. Aquela assinatura dela batom vermelho toda elegante e um sorriso olhando para mim.
Estava pronta para sair.
Sempre elegante, cabelo solto com aquele descuido calculado, maquiagem discreta. Nada exagerado. Nunca foi do tipo que precisa competir com ninguém. Quando ela entra em um lugar, a competição muda de eixo. A presença dela reorganiza o ambiente.
— Chegou na hora errada, pena que demoraram na estrada. Tenho um evento empresarial para ir agora.
Era impossível não rir. Quatro dias longe e encontro minha esposa exatamente no momento em que ela está prestes a sair para uma evento cheio de gente.
Mas havia algo naquela cena que sempre me provocou um tipo específico de desejo.
Ver ela assim.
Pronta para entrar em um lugar onde todos querem alguma coisa: atenção, negócios, proximidade, e saber que, de algum modo, ela domina esse território.
Antes de sair ela passou perfume, olhou rapidamente no espelho e me deu um beijo.
— Volto mais tarde. Preciso falar com umas pessoas importantes para nossos negócios.
A porta fechou.
Algum tempo depois o celular vibrou.
Mensagem dela.
“Fui falar com o cara que pode abrir aquela porta pra empresa.”
Segundos depois outra.
“Ele riu e disse: já entendi… teu marido é foda.”
Fiquei olhando para a tela com um sorriso que misturava orgulho e outra coisa mais difícil de nomear.
Eu conheço esses eventos. Conversas circulando em torno de dinheiro, projetos, oportunidades. Homens tentando parecer mais inteligentes e interessantes do que realmente são. E no meio disso tudo, ela.
Elegante, calma, segura e com certeza nesse dia solta.
Enquanto algumas tentam chamar atenção pela obviedade do gesto, ela faz algo mais raro: simplesmente ocupa o espaço. Escuta, responde, sorri no momento certo. E sem perceber, ou talvez percebendo perfeitamente, se torna o centro.
Eu sei o que acontece nesses lugares.
Sei que quando ela fala as pessoas inclinam um pouco mais o corpo. Sei que olhares ficam alguns segundos a mais. Sei que existe sempre aquela mistura de admiração, interesse e segundas intenções mal disfarçadas.
E curiosamente isso sempre me deu um tipo particular de desejo.
Não por ciúme.
Mas por saber que, no final da noite, aquela energia toda volta para casa.
Algumas horas depois ouvi o carro chegando.
Ela entrou rindo.
Os olhos mais brilhantes, o passo um pouco mais solto, o perfume misturado com o ar do eventoe um cheiro bebida.
— Você não acredita no que aconteceu.
Largou a bolsa no sofá e começou a contar tudo.
Quem apresentou quem. Quem prometeu uma reunião. Quem abriu uma possibilidade nova para o nosso negócio. Falava andando pela sala, gesticulando, com aquela energia elétrica de quem acabou de atravessar um ambiente cheio de estímulos.
Eu fiquei observando.
A mesma mulher que, algumas horas antes, havia saído impecável para uma sala cheia de executivos agora estava ali descalça na sala, contando histórias como se ainda estivesse dentro da festa.
Quando terminou, me olhou satisfeita.
— Acho que foi uma boa noite para nossos negócios.
Eu puxei ela pela mão.
— Foi.
Ela riu.
— Vou tomar um banho.
Alguns minutos depois ouvi a voz dela vindo do quarto.
— Vem aqui.
Quando entrei, o vapor do banho ainda estava no ar. Os cabelos dela estavam úmidos e ela vestia apenas uma calcinha. A elegância do evento havia sido substituída por algo mais íntimo — e curiosamente ainda mais poderoso.
Nos aproximamos nos beijando imediatamente.
O beijo começou com a calma de quem se reencontra depois de alguns dias, mas rapidamente ganhou outra intensidade ela pega meu pau e começa a massagear. Como se os quatro dias de ausência estivessem sido muito mais.
Caímos na cama ainda curtindo pele com pele, o toque.
Ainda nos beijando.
Passei a mão pelo corpo dela com aquela sensação familiar de redescoberta. Como se cada gesto confirmasse algo que eu já sabia, mas que ainda assim surpreendia.
Aproximei a boca do ouvido dela.
E comecei a falar.
Não alto. Quase como uma confissão.
Disse o quanto ela chamava atenção quando entrava em um lugar. O quanto as pessoas tentavam se aproximar, impressionar, disputar alguns minutos de conversa com ela.
Ela fechou os olhos.
Respirou fundo.

— Você sabe o quanto você é desejada. Todos com certeza querendo ter tua atenção.
— Sabe que mexe com a cabeça de todo mundo que está ao redor.

O corpo dela respondeu imediatamente, como se aquelas palavras tocassem algum ponto secreto entre nós.
Ela sempre negou isso para mim, mas agora está começando a assumir e se permitir sentir isso.
Agora, mesmo que inconsciente, ela está com uma tranquilidade natural do próprio magnetismo. Não como vaidade, mas como presença. Como quem sabe ocupar um espaço e não pede mais desculpa por isso.
E quanto mais eu falava, mais ela se soltada e o encaixe era ainda melhor e mais fluido.
Como se aquela mistura de desejo, admiração e cumplicidade fosse a verdadeira continuação da noite que ela havia acabado de viver lá fora.
Naquele momento eu percebi algo que sempre me fascinou nela.
A mesma mulher que dominava uma sala cheia de executivos, conversas estratégicas e olhares interessados…
Era também aquela que estava ali, respirando perto do meu rosto, gemendo alto entre um beijo e outro orgasmo isso se repetindo continuamente. Pedindo mais e pedindo para eu gozar que ela já estava entregue.
Sem plateia. Sem disputa. Só nós dois.
E talvez fosse exatamente isso que tornava tudo ainda mais intenso.
Porque o poder que ela exercia lá fora…
Era apenas a superfície de algo muito mais profundo que sentimos quando estamos nós dois existindo aqui dentro.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Quando Todos Querem a Atenção Dela.

Codigo do conto:
256916

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
15/03/2026

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