O porteiro só olha o número do meu chaveiro e me deixa passar. Lá dentro, o som grave faz o chão vibrar e o ar tem cheiro de perfume, lubrificante e vinho tinto.
Uma mulher de lingerie preta vem na minha direção. Não encosta. Encosta só o olhar e pergunta baixo: “Quer ver ou quer sentir?” Eu respondo: “Sentir. Se vocês quiserem.” Ela sorri e puxa o marido pela mão. Ele tem aliança e boca carnuda.
O quarto que escolhemos tem luz vermelha e espelho no teto. Eles não têm pressa. Ela tira minha camiseta primeiro, devagar, unha arranhando de leve minha barriga. Ele me beija o pescoço por trás, barba roçando, mão firme na minha cintura. Ninguém avança sem que o outro peça com o corpo.
Ela ajoelha e me provoca com a língua na base, só a ponta, me olhando enquanto faz. Eu seguro no cabelo dela, mas ela mesma guia minha mão: “Aqui, assim.” Quando ela me coloca na boca, é quente, molhado, com gosto de gloss de cereja. Ele morde meu ombro e desce a mão pela minha calça, me masturbando no mesmo ritmo que a boca dela.
A gente troca. Eu deito, ela senta no meu pau devagar, de costas, rebolando pra eu ver a gente se encaixar no espelho. Ele se posiciona na frente dela, e ela chupa os dois, alternando, gemendo com meu pau enterrado dentro dela. O quarto fica só som de pele batendo, respiração presa e os “vai” que escapam sem vergonha.
Quando eu aviso que vou gozar, ela sai de cima, me bate uma punheta rápida e me faz gozar na barriga dela. Ele lambe, olha pra mim e divide o gosto num beijo. Depois é a vez dela: ele come ela por trás enquanto eu enfio dois dedos na sua boca. Ela goza tremendo, arranhando o lençol, gritando um “caralho” que ecoa no corredor.
A gente fica ali, suado, rindo, dividindo água da mesma garrafa. Antes de sair ela beija minha boca devagar e diz: “Regra da casa: o que foi bom, a gente repete.”
Devolvo o chaveiro na porta com as pernas bambas. Na rua, o frio bate e eu ainda sinto o gosto de cereja e sexo na língua.
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