O Doce Sabor do Terceiro Encontro

O relógio da igreja matriz batia cinco da tarde quando entrei pela primeira vez na "Delícias da Vila". O cheiro era uma declaração de guerra contra qualquer regime de dieta: canela, chocolate derretido, baunilha e um toque de laranja cristalizada. Atrás do balcão de mármore, uma mulher de cabelos presos em um coque desajeitado e avental manchado de farinha ergueu os olhos.

— Primeira vez aqui? — perguntou Clara, a dona. Sua voz era como o creme de confeiteiro: encorpada, quente, ligeiramente doce.

Comprei um croissant de amêndoas. Ela o embalou com cuidado exagerado, como se fosse um presente. Seus dedos — curtos, unhas sem esmalte, mas com um anel de prata no dedo médio — roçaram os meus. Um curto-circuito silencioso. No segundo encontro, uma semana depois, pedi um café e um pedaço de torta de limão. Ela se sentou à minha mesa durante o intervalo da tarde. Descobri que tinha 34 anos, dois gatos (Romeu e Julieta), e uma cicatriz minúscula no canto do lábio inferior, de um acidente com uma forma de quiche. Descobri também que ria com os olhos meio fechados, e que seu perfume era de amêndoas amargas.

— Terceira vez é a vez — ela disse, no segundo encontro, ao me dar um brigadeiro de colher de presente. Seu olhar demorou um segundo a mais nos meus lábios.

Na terça-feira seguinte, a loja fechou mais cedo. "Manutenção do forno", dizia um aviso na porta. Mas quando bati, ela abriu com um sorriso que era só um desvio de pupila. O avental estava amarrado de um jeito diferente, mais frouxo. A confeitaria vazia cheirava a fermento e promessa.

— A manutenção é só amanhã — confessou, trancando a porta atrás de mim. — Hoje eu só queria sossego.

A cozinha dos fundos era um templo de aço inoxidável e calor. Tigelas de cobre reluziam penduradas. Clara desamarrou o avental enquanto eu olhava para uma batedeira profissional, fingindo interesse. Quando o pano caiu, ela estava de calça jeans apertada e uma regata preta. Seus braços, polvilhados de farinha até os cotovelos, tinham a força de quem amassa massa há anos.

— Quer ver meu glacê real? — perguntou, com um sorriso torto.

Não era um convite para uma aula de confeitaria.

Ela me empurrou contra a bancada de mármore gelada. Sua boca encontrou a minha com uma fome que nenhum doce saciaria. A cicatriz no lábio dela era um relevo minúsculo que minha língua explorou como se fosse um mapa. Suas mãos subiram por baixo da minha camisa, não com timidez, mas com a autoridade de quem sabe exatamente onde quer chegar.

— Três encontros — ela sussurrou contra meu pescoço, enquanto abria o botão da minha calça. — Eu nunca espero tanto.

Minhas costas bateram no mármore. Ela desceu o zíper com os dentes — um truque que certamente já havia ensaiado, mas que funcionou como um encantamento. Quando minha calça caiu, ela se ajoelhou. O chão da cozinha era frio, mas seus olhos, erguidos para mim, eram brasa. Sua boca — quente, úmida, com a mesma precisão que usava para decorar bolos — encontrou meu sexo. Lá estava a língua que provava caldas, os lábios que assopravam chocolate quente. Ela ria de leve contra minha pele, vibrando.

— Você treme como creme chantili quando é batido demais — murmurou, antes de aprofundar o movimento.

Tive que me segurar na borda da bancada. Farinha voava de seus cabelos a cada movimento de cabeça. O mundo reduziu-se ao som molhado e rítmico, ao cheiro de baunilha que exalava de sua nuca. Quando estava perto demais, puxei-a para cima.

— Não — disse, com uma voz que não reconheci. — Agora é minha vez.

Virei-a contra a bancada. Sua calça desceu num puxão. Ela não usava calcinha. Apenas um avental que agora pendia de um ombro. O mármore estava frio contra seus seios, e ela arqueou as costas como um arco. Entre suas pernas, o calor era tão intenso quanto o de um forno a 180 graus.

Entrei nela com a lentidão de quem prova um vinho antigo. Clara gemeu — um som grave, rouco, completamente oposto à sua doçura de balconista. Sua mão buscou a minha na bancada, entrelaçando os dedos. Farinha ficou entre nós, grudando na pele.

— Mais forte — ela pediu, mordendo o lábio onde estava a cicatriz.

O ritmo acelerou. A bancada rangeu. Uma forma de empadas caiu no chão com um estrondo metálico. Não nos importamos. Ela empinou o quadril, me recebendo inteiro, e seu grito final foi abafado por minha boca. Eu vim logo depois, num espasmo que durou tanto quanto o preparo de uma massa folhada — com camadas e camadas de tensão até o estalo final.

Ficamos ali, ofegantes, rindo no meio da farinha e do chocolate derretido que escorria de uma tigela esquecida.

— Você sujou meu mármore todo — ela disse, passando o dorso da mão na testa.

— Você sujou minha alma — respondi.

Clara me olhou por um longo segundo. Depois, com um gesto prático, pegou um pano de prato e começou a limpar a bancada.

— Quer ficar para o jantar? — perguntou, como se nada tivesse acontecido. — Vou fazer um fondant de framboesa.

Aceitei. Enquanto ela amassava farinha outra vez, agora nua sob o avental limpo, entendi que o terceiro encontro não era o fim. Era apenas a cobertura.


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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico dg17cm

Nome do conto:
O Doce Sabor do Terceiro Encontro

Codigo do conto:
259371

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
14/04/2026

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