Tudo começou quando resolvi voltar a malhar na academia do bairro… meu marido aceitou pagar a academia pra mim e todo dia de manhã, eu malhava antes de ir para o trabalho. Como chegava bem cedo na academia, comecei a perceber que além da galera que trabalhava cedo, também era um horário com muitos idosos.
Depois de malhar algumas semanas no mesmo horário, acabei conhecendo de vista algumas pessoas e sempre as cumprimentava. Assim comecei a fazer algumas amizades, dividia os aparelhos e tudo mais. Um belo dia precisei revezar o aparelho com um senhorzinho simpático. Notei que embora já tivesse mais idade, ele se cuidava e parecia bem atlético, mas sem ser muito musculoso. Ele se apresentou e disse seu nome: Luís Fernando, tinha 68 anos e era casado há 45 anos com a mesma esposa. Ele me contou que eles malhavam na academia, mas naquele dia ela ia a tarde pois cuidavam do neto para filha trabalhar e por isso revezavam o horário por causa do menino. Enquanto revezamos o aparelho de musculação, contei que estava casada a quase 1 ano e que admirava relações duradouras, perguntei o segredo e ele disse que sempre deixava a esposa ter razão. Rimos do conselho e terminei minha atividade naquele aparelho, cada um foi pro seu lado e seguimos nossas séries sem nos esbarrar novamente.
No dia seguinte, lá estava eu no mesmo local e no mesmo horário. Encontrei com Seu Luís e ele me perguntou se novamente podíamos revezar, disse que sim e seguimos. Notei que Seu Luís já estava relaxado puxando assunto, então fui deixando a conversa fluir. Terminei no aparelho que dividíamos e segui para o próximo, era na mesa flexora. (Nesse aparelho é necessário deitar de bruços e com a bunda pro alto. Levantando o peso com a parte de trás da perna em direção aos glúteos.) Seu Luís me acompanhou e sentou no aparelho do lado, puxando assunto. E eu conversando e respondendo suas perguntas de forma simpática e educada… quando terminei a série pra levantar do aparelho, Seu Luís me perguntou qual o músculo que trabalhava na mesa, apontei para a parte de trás da coxa, bem abaixo da bunda. Notei o olhar de Seu Luís pra minha bunda na legging, mas eu já sou acostumada a chamar atenção com a bunda então não me importei.
Seu Luís: minha filha, com todo respeito, acho que esse aparelho é dispensável pra você. Essa região aí já está bem trabalhada.
Eu: Nossa, Seu Luís, obrigada. Mas malho pra manter bonito! A idade chega, as coisas caem rs
SL: idade? - disse rindo - uma menina dessas…
Eu: já estou com 36, não sou mais uma garotinha. Preciso me cuidar, deixar tudo pra cima.
Rimos os dois.
SL: olha, seu marido tem sorte. Minha mulher na sua idade já não tava mais assim enxuta… já tínhamos 3 filhos e ela já estava mais relaxada com o corpo. Resolvemos correr atrás depois dos 50, aí o corpo já não tem a mesma elasticidade e mobilidade. Mas buscamos qualidade de vida.
Eu: mas esse é o caminho, seu Luís. Vou indo lá, preciso tomar banho e correr pro trabalho.
Me despedi e corri pro vestiário da academia. 30 minutos depois saia de lá com um vestido midi, preto e justo. Calçava tênis pois trabalho em pé e prezo pelo conforto. Na saída da academia esbarrei em seu Luís.
SL: minha filha, tá indo trabalhar?
Eu: estou sim, tô até atrasada… vou precisar pedir um uber porque se for de ônibus, vai ser pior.
SL: nada disso, te dou uma carona. Vim de carro hoje. Você trabalha longe?
Eu: não precisa, trabalho aqui no bairro mesmo. Vai dar pouquinho de uber, fica tranquilo.
SL: então aceite a carona, não vai me desviar muito do meu caminho. Vem, meu carro tá ali no estacionamento. (Disse apontando pra uma caminhonete preta, imponente e toda insulfilmada)
Eu: Seu Luís, não quero incomodar. Eu me viro.
SL: não, senhora. Já somos amigos, ora. Nada demais aceitar a carona e aproveitamos pra conversar mais um pouco.
Entrei no carro e realmente fomos conversando amenidades, guiava seu Luís até meu trabalho e ele dirigia enquanto me perguntava sobre meu casamento.
SL: me diga, querida. Seu casamento já chegou naquele momento que acabou a lua de mel e a rotina de trabalho fez dar uma esfriada?
Eu: olha, não posso dizer que esfriou… - respondi pensativa e sincera - mas demos uma abaixada no fogo nesses últimos 2 meses… mas já estamos planejando viajar pra comemorar nosso 1º aniversário de casamento.
SL: ah, é assim mesmo. Depois volta o fogo. É só a vida de vocês se acomodando e entrando no eixo da nova rotina de casal.
Balancei a cabeça positivamente e sorri. Então ele continuou:
SL: vou falar uma coisa pra você, menina. Seu marido tem sorte: uma moça bonita, educada, trabalhadora e simples como você é difícil de achar. Se fosse solteira te apresentaria meu filho mais velho que tá solteiro aos 43 anos. Seria um prazer ter mais intimidade com você, ter você na família.
Sorri e avisei que já estava no meu trabalho. Ele encostou o carro e quando eu ia descer, ele me puxou e me deu um beijo que pegou no canto da minha boca. Me assustei e ele se desculpou pelo beijo, disse que tava tudo bem e que só devia ter mais cuidado pois quase beijou minha boca. Ele sorriu sem graça… e juro que o ouvi sussurrar “seria uma delícia se fosse” quando desci do carro.

