Portas Trancadas e o Fogo no Quarto A suíte master do resort era o cúmulo da ostentação, daquele tipo de luxo cafona que só quem tem muito dinheiro e nenhuma vergonha na cara consegue bancar. O chão de mármore branco brilhava como um espelho, refletindo a luz do sol que entrava pelas janelas que iam do teto ao chão. A vista para o mar azul-turquesa era um espetáculo, mas, para aquelas cinco mulheres, foda-se a paisagem. A verdadeira tensão estava prestes a explodir do lado de dentro. O valet, um homem negro alto, com ombros largos e braços que pareciam esculpidos em pedra sob a camisa branca impecável, terminou de colocar a última mala no closet. Ele passou a mão pela testa suada, a pele escura brilhando sob as luzes de LED do quarto, e deu um sorriso educado. Aline estava encostada no batente da porta, o olhar cravado no peitoral do cara e descendo perigosamente pela linha do cinto. Ela engoliu em seco. Um calor absurdo subiu pelo pescoço da mãe de família. Na cabeça dela, a viagem já tinha começado muito bem. — Desejam mais alguma coisa, senhoras? — a voz do valet era um grave profundo que fez a espinha de Darlene vibrar. — Por enquanto, não, meu anjo — Darlene respondeu, mordendo o lábio com malícia e enfiando a nota de gorjeta no bolso da camisa do cara, os dedos demorando mais do que o necessário no peito dele. — Mas a gente liga se precisar de um... serviço de quarto mais pesado. O valet deu um sorriso de canto, sabendo muito bem o jogo que ela estava jogando, e saiu, fechando a porta com um clique suave. O cheiro de testosterona e perfume amadeirado ainda pairava no ar. Aline respirou fundo, fechando os olhos por um segundo para tentar acalmar o corpo que pulsava de expectativa. Ela precisava focar. A viagem não era só sobre perder a linha no resort; havia um plano, e ela precisava tirar as filhas do caminho para armar o terreno. Ela virou-se para Sophia e Laura, ajeitando a postura, arrumando o cabelo. — Meninas — Aline disse, a voz subitamente firme, metendo a mão na bolsa de grife e puxando dois cartões magnéticos. Ela jogou um para Sophia. — Peguem. Vão dar uma volta. Vão bater perna. Conheçam as piscinas, vejam onde ficam os bares. A gente precisa de meia hora aqui pra organizar a bagunça, desfazer as malas e decidir os horários dos jantares. Voltem em uma hora. Sophia pegou o cartão no ar com uma agilidade de gata. Os olhos da garota de 21 anos, delineados e afiados, cruzaram imediatamente com os de Dayse. A falsa santa estava parada perto do sofá, rígida, tentando puxar a barra do vestido vermelho de lycra vagabunda para baixo. Sophia deu um sorriso perverso, os olhos devorando a mulher mais velha. — Beleza, mãe. Vamos, Laurinha. Deixa as velhas fofocarem em paz — Sophia provocou, a voz carregada de veneno e ironia, sem tirar os olhos do decote de Dayse. — Tenta não rasgar esse vestido, tia Dayse. Tá tão embalado a vácuo que parece que vai estourar se você respirar fundo. Dayse ficou vermelha até a raiz dos cabelos, os lábios tremendo de indignação. O comentário atrevido de Sophia foi como um soco no estômago, mas, por trás da máscara de raiva, o corpo dela reagiu instantaneamente com um arrepio quente. Laura, a caçula de 19 anos, deu uma última olhada de soslaio para Darlene. A mulher espreguiçava-se no meio da sala, os peitos fartos quase arrebentando os fios do top de crochê. Laura mordeu a bochecha por dentro, sentindo a respiração acelerar, e saiu rápido, puxada pela irmã. Assim que a porta pesada de madeira maciça bateu e a trava eletrônica soou com um bipe agudo, o teatro acabou. O filtro foi pro espaço. Darlene foi a primeira a quebrar qualquer protocolo de decência. — Graças ao bom e velho caralho! — ela berrou, chutando os saltos altíssimos para longe, que voaram e bateram numa parede de espelho. Em três segundos, ela desabotoou o short, deixando-o cair no chão de mármore. Darlene não tinha o menor pudor. Caminhou apenas de top e calcinha até o frigobar, abriu a portinha de vidro, pegou uma garrafa de espumante, estourou a rolha na ignorância e deu um gole gigantesco direto do gargalo, o líquido dourado escorrendo pelo pescoço suado. — Puta que me pariu, que calor do inferno! — Darlene passou as costas da mão na boca. — Se eu passasse mais cinco minutos naquele carro eu ia explodir. Dayse continuava parada perto da mala, o vestido vermelho de lycra estrangulando seu corpo, apertando tanto que a dobra da sua virilha doía. Ela cruzou os braços, assumindo a sua insuportável pose de madre superiora. — Você é um animal de teta, Darlene. Um bicho. Nem desfizemos as malas, acabamos de chegar, e você já tá se esfregando pelos cantos e bebendo no bico da garrafa. Tem modos, não? Darlene gargalhou, uma risada rouca e debochada, caminhando até o sofá curvo de veludo branco e se jogando lá, largada. — Ah, cala a tua boca, sua santinha do pau oco de merda! — Darlene retrucou, apontando o gargalo da garrafa para a irmã. — Olha pra você, espremida nesse vestido de puta de zona que eu escolhi. Quem você acha que engana, Dayse? Com essa cara de julgamento, mas doida pra se perder no primeiro beco escuro desse hotel. Dayse ofegou, corando ainda mais. Ela abriu a boca para xingar a irmã de volta, mas a verdade é que ouvir aquilo, ser tratada daquela forma crua e escrachada, a deixava insana. Ela queria gritar, mas apenas apertou as coxas com força, sentindo o atrito da lycra e engolindo em seco, lutando contra a própria respiração que teimava em acelerar. Antes que Dayse pudesse retrucar, Aline cortou as duas. A voz dela era baixa e cortante. — Parem com essa porra agora. As duas. Chega. Sentem aí e calem a boca. O tom de Aline era tão sério que até Darlene parou de rir, segurando a garrafa no colo. Dayse caminhou dura até a poltrona, sentando-se com as pernas milimetricamente cruzadas. — Eu não mandei as meninas saírem pra gente brincar de casinha ou pra vocês ficarem medindo forças — Aline continuou, caminhando pelo quarto com uma expressão sombria. — A gente precisa ter uma conversa muito séria sobre esse fim de semana. Eu tenho um plano. Darlene franziu a testa, inclinando-se para frente. — Que plano, Aline? Achei que o plano era encher a cara, torrar no sol e arrumar confusão. Qual é o mistério? Aline não respondeu de imediato. Ela foi até sua bolsa Prada na mesa de jantar. Abriu o zíper, enfiou a mão num compartimento discreto e tirou de lá um frasco de vidro elegante e um saquinho hermético. Dentro, algumas das flores de maconha mais bonitas e potentes que o dinheiro podia comprar, além de dois baseados já perfeitamente bolados e espessos. Ela caminhou de volta para a sala e jogou tudo na mesinha de centro de vidro. Clack. Darlene arregalou os olhos. Um sorriso gigantesco rasgou o rosto dela. — Olha só pra Dona Aline! A mãe de família conservadora trouxe a bagaceira! Skunk do bom, caralho? Adorei a iniciativa! Vou acender um agora mesmo pra abrir os trabalhos! Dayse arregalou os olhos por trás dos óculos escuros. Ela arrancou os óculos do rosto, chocada, revelando os olhos castanhos arregalados de um horror teatral. — Aline... O que é isso?! Você enlouqueceu de vez? Maconha? Nós estamos com as suas filhas aqui! Se a gerência do hotel sente o cheiro disso, a gente tá na rua! — Calada, Dayse. Só escuta, porra — Aline cortou, fria como gelo, os olhos cravados na mesinha de vidro. Ela apontou para os baseados. — Isso não é só pra nós. Eu trouxe isso pra elas. Pra Sophia e pra Laura. O silêncio que caiu sobre a suíte master foi denso. Darlene travou com a garrafa de espumante no meio do caminho para a boca. Até para Darlene, aquilo era uma virada de chave imprevista. Dayse levou a mão ao peito. — Você... Você quer que as suas filhas fumem maconha? — Dayse sussurrou, a voz falhando, bancando a moralista assustada. Aline suspirou, pegou uma taça de cristal, serviu-se do espumante de Darlene e virou de uma vez. Encostou na parede de vidro, cruzando as pernas e encarando as duas com uma frieza assustadora. — Prestem atenção em mim. A Sophia tem 21 anos. A Laura tem 19. Elas têm o nosso sangue, meninas. E vamos ser honestas: o nosso sangue é quente, é curioso e não presta. Elas estão na idade de querer experimentar tudo, de chutar o balde. Aline apontou com a ponta da taça vazia para a mesinha. — Eu conheço as minhas filhas. Se elas não fumaram ainda, é só uma questão de tempo. E quer saber o que vai acontecer? Elas vão pra uma dessas festinhas de faculdade, vão entrar num carro qualquer e vão puxar qualquer prensado fedorento e cheio de química que um moleque oferecer pra elas. Eu não vou deixar isso acontecer. Eu sou a mãe delas. E eu protejo o que é meu. Darlene piscou várias vezes, processando a audácia da amiga. — Tá, Aline, eu entendo a superproteção, mas... você quer dar a erva pra elas? Assim, de bandeja? — Exatamente isso — Aline afirmou, a voz dura. — Eu quero que elas matem essa curiosidade aqui. Nesse resort. Num ambiente seguro, de portas trancadas se for preciso. Com uma erva de primeira linha que eu sei de onde veio e o que faz. E o mais importante: com a gente vigiando. Se elas vão rir até chorar, se vão comer o frigobar inteiro ou apagar no tapete, que façam isso na nossa suíte, com a gente cuidando delas. Onde ninguém de fora pode tirar vantagem. Dayse levantou da poltrona, revoltada. — Aline, isso é absurdo! Como você tem coragem de olhar nos olhos delas e oferecer maconha?! — Eu não vou oferecer, sua burra! — Aline rosnou, perdendo a paciência. — Vocês vão! É pra isso que eu preciso de vocês. Especialmente de você, Darlene. Aline apontou o dedo na cara da amiga. — Você é a tia "pra frente", a porra-louca. Vai parecer natural vindo de você. Numa resenha aqui no quarto, depois de uns drinks, você saca o baseado e oferece. Elas acham você o máximo da rebeldia. Vocês oferecem. Eu finjo que não vi, ou finjo que fico brava no começo e depois aceito pra não ser a mãe chata. A culpa de ter introduzido a parada é sua, Darlene. Mas o cuidado é meu. Vocês vão me ajudar ou não? Darlene ficou em silêncio por dez segundos. E então, soltou uma gargalhada monstruosa. A ideia era torpe, insana, mas incrivelmente prática na mente corrompida dela. — Caralho, Aline. Você é manipuladora num nível que me assusta. — Darlene se inclinou, pegando um dos baseados perfeitamente enrolados e cheirando a erva. — Imagina a cara daquelas duas chapadas. Vão ficar lentas, rindo do vento, falando besteira. Eu topo na hora. Pode deixar comigo. Eu faço as honras da casa. Aline deu um sorriso satisfeito e virou-se para Dayse. A falsa santa estava em pé, abraçada ao próprio corpo, ofegando levemente. — E você, Dayse? Vai ficar aí rezando ou vai colaborar? Dayse balançou a cabeça, cerrando os dentes. — É errado, Aline. Vocês vão corromper a cabeça das meninas! Eu não aceito isso! Mentira. Mentira deslavada. Na mente sombria e pervertida de Dayse, a ideia já estava fazendo estragos. Ela sabia o que a maconha fazia. Deixava o corpo mole, a guarda baixa. Tirava a marra. A mente de Dayse voou direto para Sophia. A garota arrogante, dona de si, que vivia a desafiando com o olhar. Dayse imaginou Sophia sob o efeito daquela erva pesada. Imaginou a garota deitada no sofá de veludo, os olhos semicerrados e vermelhos, a respiração pesada, a arrogância derretendo e dando lugar a uma vulnerabilidade total. Dayse imaginou como seria fácil dominar aquela situação. Como a garota ficaria dócil, carente, entregue. A simples imagem de Sophia chapada, rindo mole e perdendo o controle nas suas mãos, fez o corpo inteiro de Dayse esquentar de uma forma absurda. Ela apertou as pernas uma contra a outra novamente, sentindo um calafrio subir pela espinha. O tesão pelo controle era enlouquecedor. Dayse engoliu a seco, ajeitando o vestido e forçando uma tosse para limpar a garganta. Ela não podia deixar a máscara cair ainda. — Eu acho isso uma irresponsabilidade completa... — Dayse murmurou, a voz rouca, os olhos fixos na mesa de vidro, evitando encarar as duas. — Mas se vocês vão fazer essa loucura de qualquer jeito... Eu não posso impedir fisicamente. Eu vou ficar de olho pra garantir que elas não passem mal. Só isso. Darlene deu uma risadinha diabólica, percebendo perfeitamente o tom de voz alterado da irmã. Ela sabia ler Dayse como ninguém. — Claro, santinha. Você vigia o rebanho. A gente faz a fumaça subir. O jogo estava armado. As portas de vidro do resort brilhavam sob o sol, mas dentro daquela suíte master, as sombras já estavam tomando conta de tudo.
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