Maria Laura — As três revelações (1/3)

— Consigo imaginar-te em muitos cenários, mas não te imagino a corar.

— Mas por vezes coro, sim! Em que cenários me imaginas?

— Consigo imaginar-te num cinema, a rever o Breakfast at Tiffany's ou até mesmo o Vertigo, de vestido, saltos altos (na medida certa) e pernas cruzadas (sem pipocas).

1. Revelas que estás com frio. O vestido, com o ar condicionado do cinema, foi imprudente.

Pedes para te colocar a braço por cima dos ombros (o cinema, felizmente, tem alguma patine e, por conseguinte, as cadeiras não são poltronas com braços que mais parecem mesas de cabeceira, permitem essa aproximação física).

Depois da mão colocada por cima dos ombros, afastas-te ligeiramente para a frente, deixando um espaço entre as tuas costas e as costas da cadeira, para, de seguida, guiar a minha mão até à tua cintura.

Mas falta qualquer coisa ... onde está o vinco subtil, habitual, da roupa interior na cintura?

2. Está feita a segunda revelação, enquanto contrais com mais força as pernas cruzadas.

Será do frio do ar condicionado, será da mão a afagar o fundo das costas? Talvez seja dos dois, enquanto a cabeça está pousada no ombro e a Audrey dá mais uma festa no apartamento ou o James Stewart passa por baixo da ponte de São Francisco, irmã da ponte 25 de Abril (qual era o filme que estava a ser projectado, mesmo?).

Em todo o caso, não coras, aquele momento não foi escolhido aleatoriamente, tinha um objectivo e foi cumprido: uma pequena provocação que se irá estender durante, pelo menos, 45 minutos, até o filme terminar. Mais 5 minutos, até sair do cinema. Mais 20 minutos, até chegarmos a tua casa, depois de um vagaroso percurso a pé (não valia a pena ir de taxi, muito menos chamar um Uber). A minha mão, por sua vez, também ia passeando discretamente pela tua anca, a criar os seus próprios vincos, com os dedos, na ausência da inquilina habitual.

Finalmente chegámos. Ainda não trocaram a lâmpada que iluminava a tua porta. Estamos na sombra, invisíveis.

Procuras a chave na mala, sem pressa, enquanto me dizes para eu procurar (com pressa) também, ainda há uma terceira revelação por fazer...

Enquanto os meus olhos se fixam nas tuas mãos, dentro da tua mala, em busca do tilintar das chaves, arqueias ligeiramente as costas, para evidenciar a curva da cintura (e não só), e dizes-me: — Frio.

A minha mão desce ligeiramente: — Morno...

A tua joia (preciosa): — A ferver!

Ali esteve, durante toda a noite, entre as tuas nádegas, em movimentos subtis, cada vez que te contraias.

Era a terceira revelação (e não coraste).


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262022 - Maria Laura — A primeira vez que te vi (2/3) - Categoria: Fantasias - Votos: 1

Ficha do conto

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Nome do conto:
Maria Laura — As três revelações (1/3)

Codigo do conto:
262021

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
14/05/2026

Quant.de Votos:
1

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