E foi ali...
Naquela sala silenciosa, iluminada apenas pela televisão e pelas luzes fracas da casa...
Que cruzamos a linha do proibido.
Peguei delicadamente a mão de Helena.
Naquele instante, seu olhar já denunciava tudo aquilo que as palavras não eram mais capazes de esconder.
Sua respiração ficou mais pesada.
Seus lábios entreabertos.
Seus olhos...
Cheios de desejo.
Naquele momento, já não existiam mais rótulos.
Nem certo.
Nem errado.
Éramos apenas dois adultos consumidos por uma atração que, por tempo demais, fingimos não enxergar.
Sem dizer uma única palavra, Helena se aproximou.
Seus toques eram tímidos no começo...
Mas, a cada segundo, mais intensos.
Mais entregues.
Mais perigosos.
O tempo parecia ter parado.
Os sons da televisão já não existiam.
O mundo lá fora já não importava.
Só existíamos nós dois.
Nossos corpos.
Nossas respirações.
Nossos desejos.
Entre beijos intensos, carícias e provocações, cada toque parecia incendiar ainda mais aquilo que já havia saído completamente do controle.
Já não sabíamos mais quem éramos.
Sabíamos apenas que, a partir daquela noite...
Nada voltaria a ser como antes.
Tomados pelo calor daquele instante, nos entregamos por completo.
Respirações ofegantes.
Corpos suados.
Abraços apertados.
Corações acelerados.
Com um grito descontrolado ela gozou gritando meu nome e eu vendo e sentido aquele prazer fiz o mesmo.
O desejo havia vencido.
E, naquela noite...
Quebramos a única regra que jamais deveria ter sido tocada.
Quando tudo finalmente se acalmou...
Permanecemos ali.
Abraçados.
Em silêncio.
Sentindo o peso das escolhas...
E a intensidade de uma noite impossível de esquecer.
Continua...