Matheus estava aqui há apenas três dias e eu já não conseguia parar de pensar nele.
Era absurdo. Ele era meu sobrinho. Filho da minha irmã. Vinte e três anos. Eu, quarenta e dois. Casada. Respeitável. Mas toda vez que ele passava pela sala sem camisa, suado da corrida matinal, eu sentia um calor que não sentia há anos.
Naquela tarde de domingo, o Paulo tinha saído com os meninos para o futebol. A casa estava silenciosa. Eu estava na cozinha, preparando um café, quando Matheus desceu. Short de basquete baixo na cintura, sem camisa, cabelo bagunçado.
— Bom dia, tia… — disse ele, voz rouca de quem acabou de acordar. Parou atrás de mim, perto demais. Senti o calor do corpo dele nas minhas costas.
— Bom dia, querido. Dormiu bem? — respondi, tentando manter a voz normal.
Ele se esticou para pegar uma xícara no armário acima de mim. Seu peito roçou de leve no meu ombro. Meu corpo inteiro arrepiou.
— Dormi… mas sonhei estranho — murmurou, ainda atrás de mim. — Sonhei com você.
Eu ri, nervosa.
— Comigo? Que sonho estranho.
Ele não riu. Colocou a xícara na bancada e ficou ali, o corpo quase encostando no meu.
— Não foi estranho não, tia. Foi… bom.
O silêncio ficou pesado. Eu sentia meu coração batendo forte. A blusa fina que eu estava usando deixava os mamilos marcados. Ele percebeu. Eu sabia que ele percebeu.
— Matheus… — comecei, sem saber o que dizer.
Ele baixou o rosto, a boca perto da minha orelha.
— Relaxa, tia Carla. Eu sei que você é casada. Só… você tá diferente ultimamente. Mais linda. Mais mulher.
Ele deu um passo para trás, pegou a xícara e saiu da cozinha como se nada tivesse acontecido.
Eu fiquei ali, encostada na bancada, pernas tremendo, a calcinha molhada.
Eu ainda estava encostada na bancada da cozinha, o coração batendo forte, quando ouvi os passos dele subindo a escada. Fechei os olhos por um segundo, tentando recuperar o fôlego. “Mais mulher”. Duas palavras simples, ditas pelo meu próprio sobrinho, e meu corpo inteiro reagiu como se eu tivesse 20 anos de novo.
Fui até o quarto, tranquei a porta e me olhei no espelho. A blusa fina marcava os mamilos duros. O short jeans curto deixava metade da minha bunda à mostra. Eu estava molhada. Molhada de verdade. E o pior era que não era só tesão físico… era um tesão perigoso.
Porque eu não era mais a tia Carla certinha que todo mundo conhecia.
Há meses eu vinha vivendo uma vida dupla. O Pedro, meu aluno de 22 anos, me fodia na sala de aula, no carro, no motel barato depois da aula.
— Tia? Posso entrar?
Era o Matheus.
— Desculpa incomodar… só queria saber se você tem carregador de iPhone. O meu ficou na mala.
Entreguei o carregador, mas ele não saiu. Ficou ali, olhando para mim. Olhando de verdade. Desceu os olhos lentamente pelo meu corpo, parando nos meus seios, na curva da cintura, nas coxas.
— Tia… você tá bem? Tá vermelha.
Eu ri, nervosa, cruzando os braços para tentar esconder os mamilos que insistiam em ficar duros.
— Tá calor hoje, né? — respondi, repetindo a mesma desculpa de mais cedo.
Ele deu um passo para dentro do quarto. Fechou a porta atrás de si, sem tirar os olhos de mim.
— É… calor. Mas eu acho que não é só o calor, né?
O silêncio ficou denso. Eu sentia o coração martelando no peito. Se ele soubesse o que eu tinha acabado de escrever pro Pedro… se ele descobrisse que a tia “perfeita” vira uma puta pra aluno dela… tudo desmoronaria.
E mesmo assim, eu não pedi pra ele sair.
Em vez disso, mordi o lábio inferior e respondi baixinho:
— Matheus… você não devia falar essas coisas pra mim.
Ele sorriu, aquele sorriso safado que me desmontava.
— Eu sei, tia. Mas você também não devia ficar me olhando do jeito que tá olhando.
Ele deu mais um passo. Agora estava perto o suficiente pra eu sentir o calor do corpo dele.
E eu, pela primeira vez, não recuei.