— O motorista está quietinho, né? — sussurrou Anne, seus lábios tocando a pele do pescoço de Lucas. — Acho que ele sabe.
Larissa soltou uma risadinha baixa. — Todo mundo sabe só de olhar pra gente. — Ela ajustou o decote do vestido, mostrando ainda mais pele. — Você tá bem aí atrás, professor?
Lucas engoliu seco. “Professor”. A forma como ela dizia aquilo, com uma pitada de provocação, fazia seu pau, ainda sensível, dar um pequeno pulso dentro da calça. Ele assentiu, sem confiança na voz.
— Tô ótimo.
A casa de Anne era um apartamento compacto no último andar de um prédio antigo, com uma varandinha que dava para os fundos de outras construções. Ela pagou o motorista com uma nota que tirou do sutiã — um movimento tão natural que fez Lucas estremecer — e os três subiram as escadas em silêncio, só o som de seus passos e a respiração um pouco mais ofegante de Larissa, que estava à frente.
Dentro do apartamento, o ar estava quente, parado. Anne acendeu uma pequena lâmpada de sal na mesa de centro, lançando um brilho âmbar e suave na sala. Cheiro de incenso e do perfume doce dela.
— Bebida? — ofereceu Anne, já indo em direção à cozinha aberta.
— Água, por favor — disse Lucas, a garganta seca.
— Eu quero mais vodka — Larissa declarou, deixando cair os sapatos altos no chão com dois baques suaves. Ela se esticou, arqueando as costas, e o vestido vermelho subiu ainda mais nas coxas. Lucas não conseguia desviar os olhos. — Relaxa, Lucas. A noite é jovem.
Anne voltou com uma garrafa de água e um copo de vodka pura para Larissa. Bebeu um gole direto da garrafa de água antes de entregá-la a Lucas, seus olhos fixos nele com uma intensidade que ele conhecia bem — era o olhar dela quando estava no controle, quando tinha um plano.
— Lari, lembra daquela vez no chalé da sua tia? — Anne perguntou, sentando-se no braço do sofá, perto de Lucas.
— Como esquecer? — Larissa riu, sentando-se no sofá em frente, abrindo as pernas apenas o suficiente para ser provocante. Ela bebeu um pouco da vodka. — Foi ali que você percebeu que gostava mais do que só beijar.
Anne sorriu, um sorriso íntimo e cheio de história. Ela deslizou do braço do sofá e ficou de pé entre os dois, olhando para Lucas.
— Eu contei pra Larissa sobre o seu… gosto especial — ela disse, a voz suave como seda. — E ela achou a coisa mais excitante do mundo.
Larissa assentiu, colocando o copo na mesa. — Achei. Sempre gostei de ser observada. E adoro sua namorada. A combinação é perfeita.
Anne então começou a dançar lentamente, sem música, apenas para o ritmo interno dela. Seus quadris balançavam, suas mãos subiam pelo próprio corpo, dos quadris aos seios, que ela apertou levemente por cima do tecido do vestido. Ela mantinha contato visual com Lucas, mas suas palavras eram para Larissa.
— Lari, vem cá.
Larissa obedeceu imediatamente, levantando-se e se aproximando por trás de Anne. Ela era mais alta, e envolveu a amiga com os braços, as mãos se encontrando no abdômen de Anne. Começaram a se mover juntas, uma sinuosidade única, um corpo com duas mentes. Larissa enterrou o rosto no pescoço de Anne, beijando, mordiscando. Anne inclinou a cabeça para o lado, oferecendo mais pele, e seus olhos se fecharam por um segundo, um gemido escapando.
Lucas estava hipnotizado, a mão fechada no colchão do sofá. Ele não se tocava, obedecendo à ordem anterior de apenas observar. Mas cada nervo em seu corpo estava em chamas.
Anne abriu os olhos e olhou diretamente para ele. — Tira a roupa, Lucas. Quero te ver também.
Suas mãos tremiam ligeiramente enquanto ele tirava a camisa, o jeans, a cueca, até ficar completamente nu sob a luz âmbar. O ar frio do apartamento arrepiou sua pele, mas a vergonha foi engolfada por uma onda de excitação ainda maior quando viu o efeito que sua nudez causava nas duas. Larissa soltou um “nossa” admirativo, e Anne mordeu o lábio inferior, seu olhar percorrendo o corpo dele com posse e prazer.
— Agora, senta aí — Anne ordenou, apontando para a poltrona mais afastada, com vista perfeita para o centro da sala. — E não toque em si mesmo. Só assista.
Lucas se moveu até a poltrona, sua ereção dolorida e imponente. Ele se sentou na beirada, as mãos firmes nos apoios de braço.
O que se seguiu foi um espetáculo coreografado para um público de um só homem. Anne e Larissa se beijaram profundamente, suas línguas se entrelaçando, as mãos explorando. Larissa despiu Anne primeiro, puxando o vestido preto pelos ombros e deixando-o cair no chão. Anne ficou apenas de calcinha fio dental preta e sutiã rendado. Seu corpo era uma obra de arte — firme, tonificado, com curvas generosas e a marquinha de biquíni que Lucas adorava. As tatuagens — uma pena no ombro, um símbolo infinito na costela — pareciam ganhar vida com a respiração ofegante dela.
Larissa, então, pediu para que Anne a despiesse. Anne fez isso com lentidão deliberada, desabotoando cada botão atrás do vestido vermelho, puxando o zíper com os dentes. O vestido caiu, revelando um corpo igualmente espetacular. Larissa não usava sutiã, seus seios eram menores, mas pontudos, com mamilos eretos e cor de rosa. Sua calcinha era minúscula, vermelha como o vestido, e desaparecia entre as nádegas grandes e perfeitas que haviam sido o centro das atenções de Lucas a noite toda.
No sofá, Larissa se deitou de costas, puxando Anne para cima dela. Anne a cavalgou, não com penetração, mas com atrito, seus corpos se esfregando, seus sexos úmidos se encontrando mesmo através do tecido ínfimo das calcinhas. Os gemidos eram mais altos agora, sem a necessidade de se conter. Lucas via os músculos das coxas de Anne tensionando, via as unhas de Larissa afundando nas costas da amiga.
— Lucas — Anne chamou, sem parar seu movimento. — Está gostando do seu presente?
Ele só conseguiu anuir, a voz presa na garganta. O suor escorria pelo seu peito.
— Quer ver mais de perto? — Larissa perguntou, sua voz embargada pelo prazer.
Anne desceu de cima dela e, de mãos dadas, as duas se aproximaram de Lucas. Ficaram de pé diante dele, a poucos centímetros, seus sexos úmidos e inchados no nível de seus olhos. O cheiro delas era intoxicante — doce, salgado, proibido.
— Pode tocar? — ele rosnou, a contenção prestes a quebrar.
Anne e Larissa trocaram um olhar. — Pode — Anne concedeu. — Com a língua.
Era uma ordem. Lucas não precisou ser pedido duas vezes. Ele se inclinou para frente, suas mãos ainda firmes na poltrona, e estendeu a língua. Anne guiou sua cabeça suavemente, primeiro para seu próprio sexo, que ele lambeu com devoção, saboreando o gosto único dela, misturado com o resto do sêmen dele e a excitação da noite. Depois, Larissa puxou sua cabeça para si, e ele a serviu com igual entusiasmo, perdendo-se na textura, no sabor ligeiramente diferente, nos gemensos altos que ela soltava quando ele achava o clitóris dela.
Elas se apoiavam uma na outra, suas mãos nos cabelos dele, guiando-o, encorajando-o. Até que Anne puxou-o para trás, pelos cabelos.
— Chega. Agora eu quero você dentro de mim.
Ela o puxou para cima e o levou até o sofá, onde Larissa já estava deitada de lado, observando com olhos pesados de desejo. Anne o empurrou para sentar e, de frente para ele, abaixou-se em seu colo, guiando seu pau para dentro de si com um movimento suave e profundo que arrancou um gemido gutural de ambos.
Ela começou a cavalgar, lenta no início, depois com um ritmo crescente e feroz. Larissa se aproximou por trás de Anne, beijando seus ombros, apertando seus seios, e então desceu uma mão entre as pernas deles, esfregando o clitóris de Anne em sincronia com as estocadas.
— Isso… Assim… Meu voyeur… Meu corno lindo… — Anne sussurrava, seus olhos fechados, a cabeça jogada para trás no ombro de Larissa. — Você gosta de me ver sendo comida? Gosta de me ver gozar com ela?
— Adoro — ele confessou, as mãos agarradas aos quadris de Anne, ajudando no movimento. — É a coisa mais linda.
— Então olha — Larissa ordenou, sua voz rouca ao pé do ouvido de Anne. — Olha como ela tá gozando pra você.
Anne começou a tremer, seus músculos internos se contraindo violentamente ao redor de Lucas, seus gemidos se transformando em um grito abafado contra a boca de Larissa, que a beijava profundamente. Ver as duas se beijando enquanto Anne tinha um orgasmo intenso em cima dele foi o estopim. Lucas explodiu dentro dela, com uma força que fez seu corpo inteiro estremecer, sua visão escurecendo por um segundo.
Ele ficou lá, ofegante, ainda dentro de Anne, que desabou sobre seu peito, suada e tremendo. Larissa se deitou ao lado deles no sofá apertado, uma mão ainda acariciando a costa de Anne.
Por longos minutos, só se ouviu a respiração pesada dos três. A luz âmbar pintava seus corpos entrelaçados de sombras douradas.
Anne foi a primeira a falar, sua voz um sussurro rouco contra o peito de Lucas.
— Ainda é Natal, amor. E a Larissa ainda não ganhou seu presente.
Lucas abriu os olhos e encontrou o olhar de Larissa. Ela sorriu, lenta e sensual.
— É verdade — Larissa disse. — E eu sou uma menina muito, muito carente.
Anne se moveu, levantando-se devagar e deixando Lucas sensível e exposto. Ela estendeu a mão para Larissa.
— Vem, amiga. Hora de você conhecer meu namorado… de verdade.
E, puxando Larissa pela mão, Anne a guiou para o chão, em frente a Lucas ainda sentado no sofá. Larissa ajoelhou-se, seus olhos percorrendo o corpo dele, que já mostrava sinais de despertar novamente, impulsionado pela cena e pela promessa do que estava por vir.
— Ensina ela, amor — Anne disse, de pé atrás de Larissa, passando os dedos pelos cabelos loiros da amiga. — Ensina como você gosta.
Lucas respirou fundo, o sabor das duas ainda em sua boca, a visão de seus corpos entrelaçados queimada em sua retina. O presente de Natal, de fato, estava só começando. E ele, o voyeur, o corno consentido, estava no centro de tudo, pronto para a próxima lição.