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Duas semanas. Foram duas semanas sem nada.
Depois daquela segunda vez no apartamento do Márcio, as coisas no trabalho continuaram absolutamente normais — pelo menos na frente dos outros. Ele com as reuniões dele, eu com os projetos. Mas a verdade é que a gente não teve mais nenhum momento a sós. O Márcio viajou na semana seguinte para um cliente em São Paulo, passou quatro dias fora, e quando voltou estava atolado de coisas para resolver. Eu também tive meus corres, e ainda tinha que voltar para Pará de Minas no fim de semana para ver minha namorada.
A gente se via nos corredores, trocava uns olhares que só a gente entendia, mas era só. No whats, algumas mensagens bestas de trabalho, nada que desse bandeira. Mas eu confesso que me peguei várias vezes olhando para a foto dele no celular de novo, relembrando. Principalmente à noite, quando a cabeça esfriava e o corpo esquentava.
Na segunda-feira da terceira semana, recebo uma mensagem dele no começo da tarde:
"Fred, amanhã às 14h tenho reunião com o X (era o nome do cliente) na região do Belvedere. Você vai precisar me acompanhar para apresentar o projeto da obra dele. Separa as pranchas."
Achei estranho porque eu não lembrava de nenhum cliente no Belvedere, mas ele era o gerente, eu era o analista. Se ele estava pedindo, eu ia.
No dia seguinte, me arrumei um pouco melhor, separei o material e esperei. Ele apareceu na minha mesa perto das 13h30 e falou:
— Vamos com o meu carro, Fred. É rápido.
Entramos no carro e ele estava com aquele ar sério de sempre, terno bem cortado, gravata azul escura, barba feita. Mas algo no jeito dele de dirigir, mais calmo, menos apressado, me deixou levemente desconfiado.
— Márcio, qual é o nome do cliente mesmo? — perguntei, olhando as pranchas no colo.
Ele demorou um segundo para responder.
— Depois eu te falo.
— Como assim "depois"? — ri, meio sem graça. — Você não lembra o nome do cliente? Posso ter pegado as pranchas erradas!
Ele me olhou de lado e abriu um sorriso que eu já conhecia. Aquele sorriso safado, de canto de boca, que eu tinha visto no bar e dentro do carro dele nas outras vezes.
— Não tem cliente nenhum, Fred.
Gelei na hora. Não de medo, mas de choque.
— Como assim não tem cliente?
— Eu inventei. Precisava te ver.
Fiquei em silêncio por uns segundos, processando. Ele tinha acabado de mentir para a empresa, me tirar do escritório em horário de trabalho, e tudo isso pra quê? Pra me ver.
— Você tá doido, Márcio — falei, mas minha voz saiu mais baixa do que eu queria.
— Tô. Duas semanas, Fred. Duas semanas sem conseguir te pegar. Você acha que eu aguento?
Senti um calor subir pelo pescoço. Ele estava falando sério. E o pior é que eu também estava sentindo falta. Muita falta.
— Para onde a gente tá indo então?
— Para um apartamento meu. É aqui perto, no Belvedere mesmo.
— Seu? Você tem outro apartamento? — perguntei surpreso.
— Era da época de solteiro. Depois que fiquei noivo, coloquei para alugar. Está mobiliado ainda. Mas está vazio agora, o último inquilino saiu faz um mês e ainda não entrou outro.
— E a sua noiva? — perguntei, e a pergunta saiu mais séria do que eu queria. — Ela sabe que você vem aqui?
Ele me olhou de novo, agora mais sério também.
— Ela nem lembra que esse apartamento existe, Fred. Está no meu nome, eu que cuido de tudo. Ela nunca vem aqui. Pode ficar tranquilo.
Quis acreditar nele. Na verdade, meu corpo já estava acreditando, porque eu já estava me ajeitando no banco, sentindo o pau crescendo dentro da calça só de imaginar onde aquilo ia dar.
Chegamos num prédio bonito, porteiro educado, elevador silencioso. O apartamento era no sétimo andar. Quando ele abriu a porta, eu entrei e dei uma olhada. Era um apartamento de solteiro mesmo: sala ampla, sofá de couro, TV grande, cozinha americana. Tinha um ar de lugar pouco usado, mas estava limpo, arrumado. Os móveis estavam sem aqueles panos de proteção, então dava para ver que ele tinha preparado o lugar — ou pelo menos arejado antes.
— Você arrumou isso aqui? — perguntei, ainda em pé no meio da sala.
— Dei uma passada ontem à noite. Queria que estivesse ok.
Aquilo me pegou. Ele tinha pensado em tudo. Planejado. Inventado uma reunião falsa, ido ao apartamento na noite anterior, preparado o espaço. Tudo para me ter de novo.
— E se alguém vier aqui? — perguntei, ainda com aquele restinho de preocupação. — Tipo porteiro, síndico, sei lá?
— Ninguém vem. O apartamento está vago, não tem visita marcada, não tem nada. Pode ficar tranquilo — ele repetiu, e dessa vez a voz dele estava mais rouca, mais próxima.
Ele se aproximou por trás e encostou o corpo no meu. Senti o pau dele duro na minha bunda, mesmo por baixo do terno. Fechei os olhos. Aquele contato, depois de duas semanas, era como um choque. Meu corpo respondeu na hora.
— Eu vou tomar um banho — falei, me afastando um pouco, com a voz mais ofegante do que eu queria.
— Fred...
— Eu vim do escritório, Márcio. Me deixa tomar um banho, me preparar. Você espera.
Ele entendeu o recado. Claro que entendeu. Eu não estava fugindo. Eu estava me preparando para ele.
Me indiquei o banheiro da suíte e entrei. Fechei a porta, tirei a roupa, liguei o chuveiro. A água caiu morna, gostosa, e eu fiquei ali por uns instantes só respirando, sentindo o calor da água e o calor do meu próprio corpo. Passei a mão atrás, me limpando, me preparando. Queria estar pronto para ele. Dessa vez, queria que fosse perfeito.
Não sei quanto tempo fiquei ali, talvez uns cinco, sete minutos. O suficiente. Mas o suficiente também para o Márcio não aguentar esperar.
Ouvi a porta do banheiro abrir. Virei o rosto e vi ele entrando no box. Completamente pelado.
Não tinha mais terno, não tinha mais gravata, não tinha mais nada. Só ele. O corpo dele molhado pela água, o pau já duro e apontado para mim, os olhos escuros fixos nos meus.
— Não deu para esperar? — perguntei, com a voz já trêmula.
— Não — ele respondeu simplesmente. E me puxou pela nuca.
Foi a primeira vez que a gente se beijou na boca.
E que beijo. Um beijo molhado, quente, com a água escorrendo entre nossos rostos. A boca dele tinha gosto de café e desejo. A minha estava sedenta, se abrindo, querendo mais. Nossas línguas se encontraram e eu gemi dentro da boca dele. Ele apertou minha nuca com uma mão e minha bunda com a outra, me puxando contra o corpo dele. Senti o pau dele encostar na minha barriga, duro, quente, latejando.
Enquanto a gente se beijava, levei a mão para baixo e segurei o pau dele. Estava enorme, babado de tesão. Comecei a masturbar ele ali mesmo, debaixo d'água, sentindo cada pulsada, cada reação. Ele gemia dentro da minha boca, e a água escorria, e o box estava cheio de vapor, e tudo era quente e molhado e intenso.
— Não aguentei mais esperar — ele falou contra meus lábios. — Duas semanas, Fred. Duas semanas pensando em você assim. Você não sabe o que é.
— Sei sim — respondi, e apertei o pau dele com mais força. — Também pensei.
Ele me olhou nos olhos por um segundo, como se avaliasse se eu estava falando sério. E eu estava. Muito sério.
Então eu me abaixei. Me ajoelhei ali no box, com a água caindo nas minhas costas, e coloquei o pau dele na boca.
Foi diferente das outras vezes. Mais intenso, mais urgente. Eu chupei ele com vontade, com fome, sentindo a água escorrer pelo rosto dele e cair sobre mim. A pele do pau dele estava quente, lisa, e eu passava a língua pela cabeça, sugava, engolia fundo. Ele apoiava as mãos na parede do box, jogando a cabeça para trás, gemendo alto.
— Fred... assim você vai me fazer gozar antes da hora.
Tirei da boca por um instante, olhei para cima:
— Vai nada. Você aguenta.
E voltei a chupar.
Mas ele não aguentou. Ou melhor, não quis aguentar. Ele me puxou para cima, me virou de costas e empurrou meu peito contra a parede fria do box. A água continuava caindo, batendo nas nossas costas. Eu apoiei os braços na parede e empinei a bunda, instintivamente. Já sabia o que vinha. E queria.
Senti as mãos dele na minha cintura, apertando forte. Depois o pau dele encostando, roçando na entrada, molhado de água e do meu cuspe.
— Quer? — ele perguntou no meu ouvido, com aquela voz rouca que me deixava louco.
— Sem camisinha — falei, e eu mesmo me surpreendi com o que tinha dito. — Quero sentir você. Pele na pele.
Ele hesitou por um segundo.
— Tem certeza?
— Tenho. Vai.
E ele foi.
A cabeça do pau dele forçou a entrada e eu gemi, um gemido longo e molhado, misturado com o som da água. Dessa vez doeu um pouco mais, era pele na pele mesmo, sem o deslize da camisinha, mas também era mais quente, mais real, mais dele dentro de mim. Ele foi entrando devagar, respeitando meu tempo, mesmo com o tesão latejando. E quando entrou tudo, quando senti as bolas dele encostarem na minha pele, soltei o ar que nem percebi que estava segurando.
— Tá doendo? — ele perguntou, parado.
— Um pouco... mas tá bom. Tá muito bom. Me come.
Ele começou a se mover. Primeiro lento, estocadas curtas, deixando eu me acostumar. Depois mais firme, mais fundo. Eu estava com os braços apoiados na parede, a testa encostada no azulejo frio, a bunda empinada, tomando cada estocada. A água caía nas nossas costas, escorria entre nossos corpos, e a cada metida eu gemia, e ele gemia junto.
— Que delícia, Fred... — ele falou, apertando minha cintura. — Você é muito apertado... muito gostoso...
— Mete mais — pedi. — Mete fundo.
E ele metia. As estocadas ficavam mais fortes, mais rápidas, e eu comecei a rebolar, empinar mais, fazer movimentos de vai e vem para acompanhar o ritmo dele. A gente se encontrou ali, no meio do box molhado, dois corpos se comendo como se não houvesse amanhã.
Então ele me puxou pelo pescoço, me fazendo arquear mais, curvando minhas costas. Minha cabeça foi para trás, encostou no ombro dele. Ele continuava metendo, e agora eu sentia cada centímetro do pau dele me preenchendo, e a mão dele no meu pescoço não apertava forte, era mais um domínio, um controle. Eu estava entregue.
— Você é meu — ele sussurrou no meu ouvido, repetindo aquelas palavras da primeira vez. — Meu.
— Sou... — gemi. — Sou seu...
Senti o pau dele pulsar mais forte dentro de mim. Ele estava perto. E eu também. Meu próprio pau estava duro, latejando, encostando na parede fria a cada estocada.
— Goza dentro — falei, quase num sussurro. — Goza fundo, Márcio.
Ele gemeu alto, um gemido rouco, e cravou as unhas na minha cintura. As metidas ficaram mais curtas, mais urgentes, e então ele deu uma última estocada, bem funda, e eu senti o pau dele pulsar, pulsar, pulsar, jorrando dentro de mim. O calor do gozo dele me preenchendo, pele na pele, sem nada entre nós. Aquilo me levou ao auge. Eu gemi junto com ele, e meu pau explodiu contra a parede do box, sem eu nem precisar encostar a mão. Gozei sentindo ele gozar dentro de mim, os dois no mesmo ritmo, no mesmo gemido, na mesma água que caía.
E no último instante, ainda sentindo as pulsadas dele, eu levei uma das mãos para trás e agarrei a bunda dele, puxando com força, como se quisesse que aquele pau entrasse ainda mais, que aquela gozada fosse a mais funda possível. Ele gemeu mais alto quando fiz isso, surpreso e excitado, e ficamos ali, grudados, eu puxando ele contra mim, ele pulsando dentro de mim, a água caindo sobre nossos corpos tremendo.
Ficamos assim por quase um minuto. Em silêncio. Só respirando. Só sentindo.
Ele foi o primeiro a se mexer. Saiu de dentro de mim devagar, e eu senti o vazio. Aquele vazio que já conhecia, mas que dessa vez era mais intenso, porque tinha sido sem camisinha, porque tinha sido o gozo dele dentro de mim.
— Vou me secar — ele disse, ainda com a voz rouca. Me deu um tapa leve na bunda e saiu do box.
— Já vou — respondi.
Ele fechou a porta de vidro e me deixou ali, sozinho, com a água ainda caindo. Fiquei parado por um minuto, talvez dois, sentindo a água bater nas costas e escorrer pelo corpo. A cabeça estava a mil. Tudo que tinha acontecido. A reunião falsa. O apartamento secreto. O beijo molhado. E ele me comendo sem camisinha, pele na pele, gozando fundo.
E então eu senti.
Uma sensação nova. Algo morno escorrendo por dentro da perna. A porra dele. Era a primeira vez que eu sentia aquilo. A porra de outro homem saindo de mim. Fiquei ali, parado, deixando a água levar. Não era nojo, não era arrependimento. Era só... novo. E estranhamente íntimo. Passei a mão atrás, me limpando com calma, enquanto a água ajudava. Fiquei mais um tempo ali, me certificando de que estava tudo limpo. Depois fechei o chuveiro e me sequei.
Quando saí do banheiro, enrolei a toalha na cintura e entrei no quarto. O Márcio estava deitado na cama, de barriga para cima, ainda nu, mas com uma toalha jogada por cima da cintura também. Estava com o celular na mão, franzindo a testa, digitando alguma coisa.
— Respondendo e-mail? — perguntei, ainda me secando o cabelo com outra toalha menor.
— O cliente de São Paulo. Nada urgente, mas chato — ele respondeu sem tirar os olhos da tela.
Sentei na beira da cama e olhei o relógio na mesinha. Ainda eram 15h. Uma hora e pouco no apartamento. O escritório só fechava às 18h, e eu podia registrar o ponto de saída até umas 19h, 20h, sem problema. Ainda ganhava hora extra.
— São três da tarde — falei, quase rindo.
Ele me olhou por cima do celular.
— Sério?
— Sério. A gente ainda tem um tempão. Posso voltar pro escritório lá para as sete, bater o ponto e ainda levar uns trocados a mais no fim do mês.
Ele soltou uma risada curta, daquelas que sacode o peito.
— Então você está literalmente ganhando dinheiro para transar, Fred.
— Tô — respondi, e ri também. — E não é pouco não. Com hora extra e tudo.
Ele deixou o celular de lado e apoiou a cabeça no travesseiro, ainda rindo.
— Então descansa aí — disse. — Já que a gente tem tempo, vai dar para relaxar um pouco, responder umas mensagens do trabalho...
Eu me ajeitei do lado dele, sentindo o colchão firme, e peguei meu próprio celular.
— A gente só precisa tomar cuidado para não responder os mesmos e-mails ao mesmo tempo — comentei, sem tirar os olhos da tela. — Aí pega mal.
— Imagina — ele falou, virando o rosto para mim com aquele sorriso safado. — Dois analistas respondendo o mesmo e-mail, no mesmo minuto, de lugares diferentes.
— Dois analistas não — corrigi, e fiz uma pausa curta antes de completar. — Um gerente e um analista. Ainda pior.
O Márcio parou de digitar. Não disse nada, mas eu vi pelo canto do olho o sorriso dele mudar. Não era mais o sorriso safado de antes. Era um sorriso mais lento, mais contido, que ficava entre o canto da boca e os olhos. O tipo de sorriso de quem acabou de ouvir algo que mexe com o ego, daquele jeito bom.
Ele largou o celular sobre o peito e virou a cabeça na minha direção. Me olhou por uns segundos, como se estivesse me avaliando. Ou melhor, como se estivesse confirmando algo que ele já sabia.
— Gerente e analista — repetiu, baixo, como se saboreasse as palavras. — É. Isso mesmo.
Não precisei olhar diretamente para ele para saber o que estava passando. Estava na voz. Estava no tom mais pausado, mais grave. Não era uma provocação, era uma constatação. Ele tinha gostado de ouvir aquilo. E eu tinha gostado de falar.
Voltei a olhar para a tela do celular, mas confesso que não estava prestando atenção em mais nada. Só sentia o corpo dele ao lado, a respiração tranquila, e aquele silêncio gostoso de dois caras que sabem exatamente o que estão fazendo. Eu era o analista. Ele era o gerente. No escritório, ele mandava. Na cama, ele mandava também. E eu gostava de estar ali, subordinado nos dois sentidos, sem precisar fingir que não.
— Isso não vai dar problema, né? — falei, voltando ao tom de brincadeira, mas com uma ponta de provocação. — Você, gerente, eu, analista... se alguém descobre...
— Ninguém vai descobrir — ele cortou, e a voz já não tinha mais brincadeira. Era séria. Era a voz do chefe. — Eu cuido disso.
E eu acreditei. Porque ele sempre cuidava. Porque era assim que funcionava: ele no comando, eu entregue. E os dois, no fundo, adorando cada segundo.
Ficamos ali deitados, cada um com seu celular, mas aquele momento já tinha mudado o ar do quarto. Não era mais só descanso. Era uma afirmação silenciosa do que a gente era — e do que a gente gostava de ser.
E eu pensava: se alguém me dissesse dois meses atrás que eu estaria deitado com um homem num apartamento secreto, com a porra dele ainda dentro de mim, respondendo e-mail do trabalho enquanto ganhava hora extra, eu ia rir. Mas ali estava eu.
fred24