O Márcio estava realmente ocupado com os e-mails atrasados, dava para ver pela testa franzida e pela velocidade com que os dedos dele deslizavam na tela. Eu até tentei fazer o mesmo, mas confesso que não tinha muito o que responder. Meu projeto estava em dia, a reunião falsa não tinha gerado demanda nenhuma, e a verdade é que minha cabeça estava longe do trabalho. Estava ali, naquele quarto, naquele cheiro de sexo e banho que ainda pairava no ar.
Fiquei um tempo rolando as notícias, respondi uma mensagem besta no grupo da empresa, fingindo normalidade. Mas comecei a sentir algo. Uma situação que eu sabia que acontecia quando a pessoa recebe o gozo de alguém, mas que naquele contexto era nova pois eu era essa pessoa. Uma pressãozinha, um aviso do corpo.
Precisava ir ao banheiro.
Não era xixi. Era outra coisa. Afinal, ainda tinha algo do Márcio em mim.
— Márcio, licença — falei, me levantando da cama e segurando a toalha na cintura.
— Uhum — ele respondeu, sem tirar os olhos do celular.
Entrei no banheiro, fechei a porta e sentei no vaso. E ali, sozinho, no silêncio do banheiro, comecei a prestar atenção em tudo que meu corpo estava sentindo.
A musculatura voltando ao normal, primeiro. Uma sensação de relaxamento, de algo que esteve preenchido e agora estava vazio — ou quase vazio. Porque quando forcei um pouco, senti sair mais um pouco dele. A porra do Márcio saindo de mim. Fiz uma careta involuntária ao escutar aquele som. É super constrangedor. Quem já passou por isso sabe. Não tem como disfarçar, é um barulho que entrega tudo. Mas o Márcio estava do outro lado, atento nos e-mails, então acho que nem percebeu.
Fiquei ali, deixando o corpo fazer o que precisava, e comecei a pensar.
Era a terceira vez que eu dava para ele. A penetração tinha sido mais fácil, mais prazerosa. Eu já conseguia relaxar mais rápido, meu corpo já entendia o que vinha. Mas ainda tinha aquela dorzinha inicial, das primeiras estocadas. Uma dor que não era bem dor — era um desconforto gostoso, uma ardência que fazia minha cara se contorcer num misto de prazer e sofrimento. E essa careta era sincera. Não era performance. Era o corpo reagindo.
Mas a dor depois da transa, aquela ardência chata que eu senti após a primeira vez, já não existia mais. Agora era só a musculatura voltando, como se meu corpo estivesse dizendo: "Já sei o que é isso, já sei como lidar."
E pensar que eu estava ali, filosofando sobre as reações do meu corpo, como se já estivesse planejando as próximas vezes. Porque era isso que meu cérebro fazia, mesmo sem eu querer. Já pensava em "próximas". Já pensava em estratégias. Sem camisinha ou com camisinha? Se o lugar não desse para limpar direito, melhor de camisinha. Entre uma oporttunidade de dar para ele mas que tenha que ser com camisinha e não dar pra ele por não ter como se limpar depois, óbvio que eu vou dar pra ele de camisinha. Mas se pudesse escolher... agora eu podia dizer com propriedade: preferia sem.
Sentir tudo dentro, pele na pele. O gozar fundo, a porra jorrando. Era o auge do macho marcando presença. Era o auge do Márcio me marcando como dele e me entregando o máximo do prazer que causei nele. Era primitivo, era animal, era real. E eu gostava.
Fiquei ali por alguns minutos, mas parecia uma eternidade. Cada sensação era nova e ao mesmo tempo familiar. Até que me recobrei, me levantei e fui usar a duchinha para me limpar. A água morna ajudou, e quando forcei de novo, saiu mais um pouco do Márcio. O som, de novo, constrangedor. Mas fazia parte.
Me sequei, enrolei a toalha na cintura e voltei para o quarto.
O Márcio continuava na cama, na mesma posição, com o celular na mão. A luz da tela iluminava o rosto dele, e ele ainda estava nu, a toalha jogada por cima da cintura. Me deitei ao lado dele, como antes.
— Resolveu? — ele perguntou, ainda digitando.
— Resolvi — respondi, e fiquei olhando para o teto por um instante.
Foi quando me dei conta da hora. Já passava das 16h30. O escritório fechava às 18h, e eu ainda precisava bater o ponto. Comecei a pensar na logística da saída. Se a gente chegasse junto, mesmo que em horários diferentes, alguém poderia notar. E depois de tudo que tinha acontecido naquele dia, a última coisa que eu queria era dar bandeira.
— Márcio — falei, virando o rosto para ele. — Acho melhor eu voltar de táxi para o escritório. E você ir direto para casa. Assim a gente não chega junto e não dá bandeira.
Ele parou de digitar e me olhou.
— Você acha que é uma boa ideia?
— Acho. Mais seguro para os dois.
Ele ficou em silêncio por uns segundos, me olhando. Parecia estar avaliando alguma coisa. Então perguntou, com um tom um pouco mais sério:
— Você não se importa? Não vai achar que eu estou te... sei lá, dispensando?
Percebi na hora o que ele estava pensando. Ele não queria que eu me sentisse como uma puta que é despachada depois do sexo. Achei aquilo estranhamente respeitoso, vindo de um homem que minutos atrás estava me chamando de tudo quanto era nome.
— Márcio, fui eu que sugeri — respondi, virando de lado para encará-lo. — O que a gente está fazendo exige muito sigilo. Dos dois. Então é melhor a gente não dar mole. Sem brechas na empresa, cuidado com celular...
— Isso é verdade — ele concordou, assentindo.
— E de vez em quando a gente até precisa ir para reuniões de verdade — continuei, rindo um pouco. — E você precisa chamar outras pessoas também.
Ele abriu um sorriso. Mas antes que pudesse responder, eu completei, num tom de brincadeira:
— Mas só para reunião de verdade mesmo, viu...
Fingi um ciúme, daqueles de provocação. Ele percebeu na hora. Virou de lado na cama, me puxou pela nuca e me deu um beijo dominador. Desses que calam qualquer gracinha. A boca dele veio com força, a língua invadiu a minha, e eu fechei os olhos.
Quando ele se afastou, a voz dele estava mais grave:
— Eu sou seu homem...
E antes que eu pudesse responder, ele retornou a pergunta:
— E pra você? Só eu sou seu homem?
Ainda com os olhos fechados pelo beijo, respondi:
— Sim, só você é meu homem, macho...
Ele ficou me olhando por mais um instante, como se gravasse aquilo. Depois pegou o celular e olhou a hora.
— Já são quase cinco — disse.
Levantou da cama e começou a se vestir.
Eu fiquei deitado, apoiado no cotovelo, admirando. Ele foi vestindo a cueca primeiro, aquela boxer preta que eu não tinha visto antes porque ele entrou pelado no banheiro. Depois a calça social, subindo devagar pelas pernas. A camisa, abotoando botão por botão. E então o cinto, passando pelas argolas da calça com aquele som de couro que me dava arrepios. Por último, a gravata, que ele ajustou com precisão em frente ao espelho do quarto.
O filho da puta estava fazendo aquilo de propósito, de costas para mim. Cada movimento era uma provocação silenciosa. A roupa social me deixava louco — e ele sabia. Era o símbolo da superioridade dele na empresa. O terno, a gravata, o cargo de gerente. E eu ali, deitado na cama, nu, enrolado numa toalha, sendo o analista dele em todos os sentidos.
Aquilo me subiu um tesão que eu não esperava. Achei que depois do banho eu estaria satisfeito. Não estava.
Levantei da cama, fui até ele por trás, segurei pelos ombros e empurrei. Ele caiu de costas na cama, surpreso, mas sem resistir. Montei por cima dele, apoiando os joelhos no colchão, e comecei a desabotoar o terno e a camisa que ele tinha acabado de fechar.
— Márcio, ainda são 17h — falei, com a voz mais baixa. — Você tem mais algum tempo?
— O que você quer, Fred?
— Mais um tempo com meu macho... pode?
Ele me olhou com aquele sorriso safado, mas ainda tinha um fio de razão:
— Mas vai se atrasar para bater o ponto, não?
Cheguei perto do ouvido dele e sussurrei:
— Vou fazer hora extra hoje. Imagina, nós dois aqui e eu recebendo dinheiro por isso...
Ele riu, mas a risada foi interrompida pela minha boca descendo pelo pescoço dele. Eu estava por cima, e aos poucos senti o pau dele começando a dar sinal de vida por baixo da calça social. O meu já estava duro, mas como eu ainda estava de toalha, ele não via. E honestamente, naquele momento, eu não sentia necessidade de que ele tocasse meu pau. Meu tesão ali era completamente independente disso. Nosso sexo funcionava assim: ele era o macho, o ativo; eu era a fêmea, o passivo. E eu adorava.
Fui tirando a roupa dele com calma, beijando o peitoral, descendo pela barriga. O terno foi se abrindo, a camisa também. Era impressionante como aquela roupa social me deixava puto e safado ao mesmo tempo. Ali estava simbolizada a posição dele sobre mim na empresa. Ele, gerente. Eu, analista. Ele, chefe. Eu, subordinado. E eu queria brincar mais ainda com aquilo.
Parei por um instante e perguntei, com um sorriso malicioso:
— Não vai atrasar muito seu próximo compromisso, chefe?
Ele me olhou. A palavra "chefe" pairou no ar por um segundo. E eu percebi que ele poderia ter entendido "próximo compromisso" como uma provocação sobre a noiva. Na verdade, eu não tinha pensado nisso. Não seria tão sacana assim. Mas quando me dei conta, tentei consertar:
— Não estou falando da sua noiva, viu...
Antes que eu terminasse a frase, ele me puxou para cima, me beijou dominante, com muita língua, e respondeu:
— O meu compromisso agora é com você.
E deu uma apertada na minha bunda, unhando.
— Hummmm... — foi tudo que consegui responder.
Voltei a descer pelo corpo dele, passando a língua em tudo. Ele não era bombado, mas era definido. Um tanquinho discreto que eu percorria com a ponta da língua, olhando para ele de baixo, com o olhar mais safado que eu conseguia fazer.
Quando cheguei perto do cinto, comecei a soltar o pino do furo, bem devagar. Passei a mão pela barriga dele, arranhando, e depois pelo pau dele por cima da calça. Já estava duro, mas eu sabia que ficaria muito mais.
Puxei o cinto pela argola, soltei o botão, desci o zíper. E apareceu a cueca preta, boxer, que eu não tinha visto antes — porque no banho ele entrou já pelado. A cueca estava com marcas de pré-gozo molhando o tecido. O pau dele levantava o elástico, que jurava que ia conseguir segurar tudo ali dentro, mas não ia.
Subi um pouco, voltei a beijar a barriga dele, já abaixo do umbigo. Fui descendo com a boca, passei a língua no pau por cima da cueca. E dei uma leve mordidinha.
— Que tesão... — sussurrei.
Nessa hora, eu me ajoelhei no chão, puxei ele mais para a beirada da cama. Minha toalha já tinha caído, e meu pau batia na beirada do colchão. Ele não tocou nele, e eu não esperava que tocasse. Não era disso que se tratava.
O Márcio balbuciava, com a voz já rouca:
— Isso, vai... hummmm...
E eu ali, delirando. O cheiro dele estava me hipnotizando. O pau super limpo pelo banho, um cheiro de pele mesmo, de homem. E é nessas horas que a gente começa a perder totalmente o controle.
Com as duas mãos, puxei a cueca dele lentamente, olhando nos olhos dele. Ele me olhava de volta, de cima para baixo. Até que o pau saltou da cueca e pulsou firme. Segurei com uma mão, passei pela pele sem puxar, só sentindo. De cima até a base. Fiz isso por alguns segundos, até terminar de tirar a cueca pelas pernas dele. Então voltei a segurar o pau e passei a língua de baixo até a cabeça, molhando bem.
E coloquei na boca.
De olhos fechados, sentindo cada centímetro. Chupei com vontade, queria aquele pau duro novamente. Duro do jeito que eu gostava. Enquanto chupava, arranhava a barriga dele com a mão. E no meio do tesão, me veio um pensamento: será que eu estava deixando marcas que a noiva dele poderia perceber?
Parei de chupar por um instante e provoquei:
— Sua noiva vai perceber esses arranhões na barriga... rs
— Não vai, Fred — ele respondeu, com a voz ofegante. — Eu invento qualquer coisa. Mas continua, vai... está muito bom... continua...
E ele mesmo pegou minha mão e fez passar pela barriga e pelo peitoral dele, arranhando. Queria mais. Eu continuei chupando, deixando o pau dele muito babado. Porque para o que eu estava planejando, eu precisava daquele pau muito babado. Muito mesmo.
Parei de novo e perguntei, com uma voz mais provocante:
— Márcio, aqui não tem gelzinho, né...
Falei no diminutivo de propósito. Soaria provocador. Eu queria me sentir a fêmea dele, e essas coisas me faziam me sentir assim na hora.
— Não, não tem — ele respondeu.
Acho que ele jurou que eu ia ficar só no oral até ele gozar. Mas não era o que eu queria. Levantei, fui até a janela e fechei mais a cortina, deixando o quarto um pouco mais escuro. Apaguei a luz. Voltei a me ajoelhar na frente dele e chupei mais um pouco, babando muito mesmo. Cuspi na cabeça do pau dele, espalhei com a língua.
Então me levantei, subindo pelo corpo dele, lambendo de baixo para cima. Cheguei no ouvido dele e sussurrei:
— Não tem problema. Mas deixa eu controlar, tá?
Cuspi na minha mão e passei no meu cuzinho. Fiz isso mais umas duas vezes, deixando bem molhado. Depois peguei o pau dele, apontei para a entrada, e voltei a deitar por cima do peitoral dele, com meu rosto ao lado do dele.
E fui descendo o bumbum, controlando.
O pau dele entrou com mais facilidade do que antes. A foda de poucas horas atrás tinha deixado o caminho mais aberto, e o tanto que eu babei no pau dele ajudou. Mesmo assim, cada centímetro era sentido. E eu fui narrando no ouvido dele:
— Hummm... deixa eu controlar, Márcio... tá entrando... hmmm... pqp... dá para sentir tudo...
— Hummm... isso, desce, vai... sem camisinha tô sentindo tudo... apertadinho... puto... isso...
Eu ia sentando aos poucos, escutando ele perder o controle e me chamar de puto, de safado. Até que senti o pau dele todo dentro de mim.
— Hummm... pera, Márcio... espera eu acostumar... entrou tudo... tá muito duro...
Ele estava dentro de mim, pulsando, quente. E começamos uma troca de palavras cada vez mais quentes e absurdas, beirando ali o limite extremo da submissão.
— Tá duro sim, Fred... estou todo dentro de você... você é meu, seu puto, safado...
Eu estava com os braços apoiados perto dos ombros dele, e ele me puxava como se estivesse me abraçando, para que eu escutasse cada palavra sussurrada. Comecei a rebolar um pouco, e ele iniciou um leve movimento subindo o quadril. Mas eu não queria assim. Eu estava por cima.
Levantei o corpo sem tirar ele de dentro de mim. Falei para ele segurar minha cintura. E comecei a subir e descer. Bem lento, olhando para cima, jogando a cabeça para trás. Ele me ajudava com as mãos na cintura. Até que ele passou a segurar pelo bumbum, e eu acabei contraindo, apertando ainda mais o pau dele dentro de mim. Senti mais pressão, uma ardência mínima, mas gostosa.
— Aiii... hummm...
— Que foi? Tá doendo? — ele perguntou.
Ele deve ter percebido que eu apertei também o pau dele. Para ele, devia estar perfeito. Mas ainda assim perguntou.
— Uhummm... tá doendo um pouquinho, mas está gostoso, Márcio... me fode, filho da puta... continua... me fode... fode sua putinha... fode...
Nessa hora eu já não estava em mim. Falei putinha mesmo, no feminino. Se eu estava dando para ele, escondido de tudo e todos, dando para o cara que é noivo, no sigilo e como uma fêmea... ali, naqueles minutos de transe, calor e tesão, eu era a putinha dele sim. E aceitei isso.
— Quer que eu te chame de putinha, é? Quer? — ele perguntou, com a voz mais intensa.
— Quero... me chama de putinha... de safada... me chama do que quiser, macho... filho da puta... me fode...
E as sentadas estavam cada vez mais fortes. Eu praticamente tirava o pau dele inteiro de mim e sentava de novo, sentindo entrar tudo. Subia até sentir a cabeça do pau dele e descia de uma vez. Hoje, com certeza, eu ficaria ardido depois dessa.
Voltei a curvar o corpo por cima dele, deitando no peitoral. Eu estava ficando exausto. Não tinha prática nessa posição ainda.
E perto do ouvido dele, eu disse:
— Fode sua putinha... goza gostoso... goza gostoso dentro... quero sentir sua porra dentro de mim mais uma vez...
Eu estava muito perto de gozar. Ia sujar ele todo. Mas não teve como controlar quando ele disse:
— A putinha quer que eu goze dentro, é? Pede, vai... pede...
— Vai, filho da puta... goza dentro, vai... vou embora sentindo você dentro de mim... me come...
Peguei uma mão dele e comecei a chupar dois dedos, como se fosse um pau. Com vontade, gemendo. E senti o pau dele pulsar e jorrar porra dentro de mim. Mais uma vez, o meu chefe e meu macho gozando dentro de mim. Marcando território.
Eu não tinha gozado ainda. Mas sentia o pau dele ainda duro lá dentro. Até que ele continuou a foder e me pegou de surpresa: me virou de frango assado e veio por cima, com minhas pernas nos ombros dele. A cama foi para frente com as estocadas. Ele voltou a colocar os dedos na minha boca, e eu chupei.
— Puto, vou querer te foder sempre... — ele disse.
E eu acabei gozando. A visão do pau dele entrando em mim, com ele por cima, não deu para aguentar. Gozei muito, chegou a vir no meu rosto. E nisso, meu cuzinho fez pressão no pau dele, apertando. Ele acabou gozando mais uma vez. Não senti aquele jato de porra dentro — deve ter sido pouco —, mas ele gozou e urrou, caindo por cima de mim.
Ficamos ali por alguns minutos, os dois exaustos, sujos, respirando pesado. Até que a consciência foi voltando, e eu comecei a rir. Ele também.
— Fred, desculpa pelas palavras, cara... — ele disse, ainda ofegante. — Acho que foram pesadas demais... rs
— Cara, relaxa... na hora ali do ato a gente fala de tudo mesmo... mas foi muito bom! Eu que deveria estar com vergonha...
— Pelo quê?
— Você me chamando de putinha... safada...
Ele me olhou, ainda deitado ao meu lado.
— Se quiser eu paro. Eu senti que você estava curtindo... mas na próxima eu paro.
Virei na cama, cheguei perto do ouvido dele e sussurrei:
— Só entre nós dois pode, meu macho.
E apertei o pau dele, já mole.
— Deixa eu voltar pro banheiro e tomar um banho — falei, me levantando. — Deixa eu me arrumar primeiro.
Fui pro banheiro, sentei no vaso e tentei forçar para sair a porra dele que eu tinha acabado de fazer jorrar em mim. Pela segunda vez no mesmo dia. Acho que eu estava começando a aprender como lidar com aquilo. Entrei no chuveiro, me limpei bem. Um pouco ardido ao passar a água, mas nada muito diferente da primeira vez. Talvez pelas minhas sentadas realmente terem sido fortes.
Terminei o banho, me vesti. O Márcio entrou em seguida para tomar o dele. Quando ele saiu, eu já estava pronto: mochila nas costas com as pranchas da obra, cara de quem estava indo embora do trabalho.
Eram 18h30.
— Vou de táxi mesmo — falei. — Tenho que correr para bater o ponto.
Ele veio até mim para se despedir. Me olhou de cima para baixo, aquele olhar de homem mais alto, e brincou:
— Gostou de ser chamado de putinha e recebendo para estar aqui comigo? Tá quase uma mesmo... brincadeira, rs.
— E não é uma má ideia — respondi, rindo. — Na próxima vou cobrar mais, rs.
— A próxima está agendada, rs?
Fiz uma pausa, respondi um pouco mais sério, mas sem quebrar a graça:
— Deixa eu processar tudo que aconteceu hoje... depois a gente olha a agenda. Deixa eu ir, rs.
Ele me deu um beijo. Daqueles de homem mais alto e a garota mais baixa — comigo ali, entregue. Apertou meu bumbum e segurou pela nuca.
— Hoje foi muito bom. Segredo nosso. Até amanhã na empresa.
— Até.
E eu fui embora. Desci o elevador, passei pelo porteiro, peguei um táxi perto da Lagoa Seca. O carro foi deslizando pelas ruas de BH, e eu olhando pela janela as pessoas correndo na orla, vivendo suas vidas normais, sem nem imaginar que minutos atrás eu estava com um homem me tratando como se eu fosse a fêmea dele. Uma putinha. E o pior: ninguém sequer imaginando que esse homem tinha gozado dentro de mim, e que com certeza ainda tinha dele dentro de mim enquanto eu atravessava a cidade.
Cheguei na empresa por volta das 19h40. Subi, bati o ponto. O escritório estava vazio, as luzes já apagadas na maioria das salas.
E eu ri por dentro.
Estava recebendo hora extra para servir meu chefe.
fred24