Isso aconteceu no dia 13 do mes passado e meu marido nem sonha com a maioria das coisas.
Festa junina do condomínio.
A quadrilha já tinha acabado. O som do sanfoneiro ainda ecoava. As crianças corriam com balões e bandeirinhas. O cheiro de milho cozido, canjica e cachorro-quente preenchia o ar. Luzes coloridas penduradas entre as árvores. E eu, Pamela, 38 anos, mãe, esposa, na barraca do beijo.
Não foi ideia minha.
Foi da comissão organizadora. "A gente precisa de uma mulher bonita pra atrair público." Eu ri na hora. "Vocês estão falando com a pessoa errada." Mas eles insistiram. E eu, boba, aceitei, me senti lisonjeada.
O Antônio estava com a minha sogra. Fernando estava em algum lugar — provavelmente na barraca da cerveja. Eu tava na barraca. Vestida como uma verdadeira caipira de festa junina: camisa rosa de mangas curtas, com listras brancas verticais e bordados florais vermelhos nas mangas. Amarrada na frente, deixando parte da cintura à mostra. Calça de cintura alta em tom vinho, com estampa xadrez discreta, ajustada ao corpo — o que destacava meu bumbum de um jeito que eu não tinha planejado, mas que tava funcionando. Brincos grandes e vermelhos. No cabelo — liso, de comprimento médio, um loiro escuro na altura dos ombros — um arquinho prendia os fios para trás, e um pequeno chapéu de enfeite completava o visual.
Valores:
• Beijo na bochecha: R$ 2,00
• Selinho na boca: R$ 5,00
O Primeiro Foi Meu Pai
Ele se aproximou devagar. O olhar de pai que vê a filha e se orgulha. Olhou pra mim, olhou pro cartaz, olhou pra mim de novo. Sorriu.
— Uau! Que moça linda na barraca do beijo. Quanto custa?
— Cinco reais, seu moço. Entrei na brincadeira.
— E é na boca?
— É na boca. Respondi toda manhosa balançando a cabeça.
Ele deu um sorriso. Ficamos ali trocando beijinhos. Eu ria, ele ria, minha mãe ria. Ele contou os beijos no dedo, brincando.
— Já deu 10 beijinhos, moço.
— Ahhh, tudo que é bom acaba, né?
— Pois é.
Demos gargalhadas. Eu, ele, minha mãe, e umas três pessoas que estavam na fila. Meu pai foi embora com a cara mais feliz do mundo. Eu fiquei com o coração quente. Pai é pai. Mesmo com 38 anos, eu ainda sou a menina dele.
A Mãe
Minha mãe apareceu com a minha tia.
— Pamela! — minha mãe gritou. — Vou beijar minha filha!
— Mãe, na boca?
— NA BOCA!
— Bora então!
— É CINCO REAIS! EU PAGUEI!
Ela pagou. Se inclinou. Me beijou. Na boca, de língua kkk. Molhado. Gosto de canjica.
— Você beija bem, filha.
— Beijo melhor que você, mãe.
— Mentirosa.
— É genética. Eu herdei do meu pai.
Minha tia também beijou. Mesmo gosto. Mesma risada. Me chamou de linda. Disse que eu parecia a rainha da festa.
Elas foram embora rindo.
Aí vieram os meninos tarados.
Não eram meninos. Eram homens. Casados. Pais de família. Com aliança no dedo, barriguinha de cerveja, camisa xadrez aberta. Eles chegaram em grupo, se cutucando, rindo, olhando pra mim. Olhar de quem já tinha tomado três cervejas e achava que tava no direito de tentar a sorte. Chegaram em grupo. Um deles, mais corajoso, veio na frente.
— E aí, gata? Beijo na boca é cinco?
— É cinco, seu moço.
— E se eu quiser com língua?
— Cinquenta.
— E se eu quiser mais?
— Mais o quê? Mais beijo? Só beijo. Barraca do beijo. Não é barraca do sexo.
Eles riram. Pagaram. O primeiro veio. Me beijou. Na boca. Ele tentou colocar a língua. Eu não deixei. Fechei a boca. Ele desistiu.
— Você é muito gostosa.
— Obrigada. Próximo.
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O segundo. Ele veio com vontade. Pagou, beijou, e colocou a mão na minha bunda. Eu puxei a mão dele.
— Só beijo, seu moço.
— Mas você é tão...
— Gostosa, eu sei. Já ouvi isso. Só beijo.
Eles me cercaram. Um beijou meu pescoço enquanto o outro mordeu minha orelha. Senti uma mão quente na minha cintura por dentro da camisa.
Meu corpo traiu.
Arrepiei toda. Dos pés à cabeça. Um tremor que subiu pela espinha e se espalhou igual fogo. Meus olhos reviraram sozinhos. Soltei um gemido — um som baixo, esganiçado, que saiu da minha garganta sem permissão. Parecia um "ahnn" misturado com suspiro, que terminou num tremor de lábios. Foi um gemido de surpresa, de tesão, de "isso não devia estar acontecendo, mas meu corpo não liga". Meu corpo tremeu. Mordi os lábios.
Eles saíram, rindo, se cutucando. Foram embora. Um deles ainda olhou pra trás e mandou um beijo.
Fiquei ali olhando com a boca aberta, hipnotizada, olhando eles indo embora, sem acreditar no que tinha acontecido. Toda boba. Toda atrapalhada. A mão na boca. O coração batendo igual sino de igreja. De tesão mal resolvido. De culpa.
E aí me bateu uma vergonha tão grande que eu queria sumir. Uma vergonha misturada com tesão. Uma vergonha misturada com raiva. Raiva de mim. Raiva deles. Raiva do Fernando que não tava ali. Raiva de tudo.
Uma dupla de amigos. Eles estavam sem as esposas. Vieram com piadinhas.
— O que é que uma mulher bonita faz na barraca do beijo?
— Fica bonita, ué. Beija. Cinco reais.
— A gente paga o dobro, a gente ganha dois beijos?
— Ganha dois beijos. Um de cada vez.
Pagaram. O primeiro me beijou. O segundo também. Esse passou a mão na minha cintura, descendo devagar. Eu segurei o pulso dele.
— Só beijo, moço.
— Mas você é tão gostosa...
— O milho é gostoso. Lá na barraca do milho. Vai.
Ele riu. Foram embora.
Teve o que veio com a esposa.
Ela tava do lado. Rindo. Pagaram juntos. A esposa me beijou primeiro — na boca, um selinho. Depois o marido. Ele passou a mão nas minhas costelas, de levinho, fingindo que era sem querer. Eu olhei pra ele. Ele olhou pra esposa. Ela deu um tapa nele.
— Para de ser sem vergonha, seu safado.
— Foi sem querer!
— Foi sim. Você quer é beijar ela de novo.
— O beijo já foi — eu disse, rindo. — Próximos.
Teve o que veio com a filha.
A menina tinha uns 12 anos. Ela pagou, beijou minha bochecha (não quis na boca), e saiu correndo. O pai ficou.
— A senhora é muito bonita — a menina disse antes de sair.
— Você também, linda.
O pai se inclinou. Me beijou.
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Teve o que passou a mão na minha bunda.
Foi rápido. Um toque na lateral, enquanto eu beijava ele. Senti. Virei. Dei um tapa no peito dele.
— Só beijo, seu moço. Barraca do beijo. Se quiser mais, a barraca do casamento é lá no fundo.
— Mas você é muito gostosa.
Ele foi.
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A barraca fechou.
Minhas pernas doíam de ficar em pé.
Minha sogra chegou com o Antônio no colo. Ele tava dormindo. Ela me entregou.
— Cansou, filha?
— Cansei, Dona Lúcia.
— Você foi a mais bonita.
— Sei. Ouvi isso a noite inteira. Estava quase acreditando kkk.
Ela riu. Me abraçou.
Fernando chegou.
— Pronta? — ele perguntou.
— Pronta.
Entramos no carro. O Antônio no colo.
Eu olhei pela janela e pensei nos beijos. Nos que foram carinhosos. Nos que foram tarados. Nos que pediram mais. Nos que agradeceram.



Aí que ficam mais sem noção ainda e atirados
negao34 quando bebem então já viu
Verdade sempre tem os sem noções querendo aparecer
negao34 a maioria eram gente boa familias... mas sempre tem os sem noção
Boa tarde Pâmela Que delícia de relato, nessa barraca só tinha tarados hein kkk
charmer obrigada fico feliz em compartilhar minhas experiencias com vcs
Nossa, que delícia de relato... super insinuante... excitantemente leve e sensual! Parabéns!
Que tesão
yeonin nós mulheres passamos por isso o tempo todo... bjs
Oie. Nossa, que legal essa aventura, com a carga de sensualidade, sem ser sobre sexo explícito. E esse tipo de situação é a que mais acontece, né? Sensacional! Parabéns! Bxos.
Que delícia