Desde a experiência que tive com o Matheus, nunca mais rolou de novo. Não que a gente finja que nunca aconteceu, mas nunca conversamos sobre o episódio. Às vezes aquela manhã surge numa conversa por meio de indiretas ou piadocas. Não é exatamente um tabu entre a gente, mas é algo que ficou para trás. Até que chegou uma sexta-feira e passamos a noite toda na rua bebendo. Era nosso programa favorito. Já era hora de ir embora. Entramos no carro pra ele me deixar em casa. A madrugada estava no ponto mais escuro quando ele estacionou no posto. A cidade inteira parecia ter desistido de existir naquela hora — só o zumbido do letreiro de neon e o cheiro de gasolina e asfalto molhado. Eu estava no banco do carona, o corpo quente, mergulhado em álcool, doido pra ir pra casa. Mas o Matheus não saiu do carro. Ficou ali sentado, apenas olhando para frente. — Você não vai abastecer? — perguntei. Ele não respondeu. Ficou mais uns longos segundos olhando para frente, até que abriu a porta do carro e respondeu, já do lado de fora enquanto andava, sem olhar pra trás: — Vou ao banheiro. Vem. Eu até queria mijar, mas não no banheiro imundo de um posto de gasolina. Afinal de contas a gente já tava indo pra casa. Então não sai do carro e fiquei acompanhando com os olhos enquanto Matheus atravessava o posto em direção ao banheiro. Ele tinha um jeito de andar que me hipnotizava. O barulho da bota no chão, a jaqueta se movimentando no corpo dele. Tudo era arte. Eu comecei a ficar com tesão. Quando ele entrou pela porta, algo em mim ferveu. Sem perder mais tempo, eu saí do carro e bati a porta atras de mim enquanto ia determinado em direção ao banheiro também. Senti que era melhor eu começar a obedecer. Quando entrei, Matheus estava em pé, mijando em um dos vasos. Fechei a porta atras e mim e fiquei ali, parado, admirando enquanto ele terminava. Um jato grosso de mijo claro saia daquele pênis flácido, branco. A cabeça vermelha era convidativa. — Quero você de novo — disse ele, quebrando o silêncio enquanto balançava o pau após terminar de mijar. Era obvio que eu queria também, mas fazer um charme sempre alimenta o tesão. Então resolvi fingir que não queria. — Vamos lá pra casa. A gente bota uma música, continua bebendo... — Eu quero te ter aqui. Nesse banheiro sujo — disse ele olhando em volta. O banheiro estava sujo e cheirava a mijo e desinfetante. Centenas de homens devem ter passado por ali naquele dia. Imaginei quantos paus já não ficaram expostos ali. Eu desviei o olhar, o queixo tenso. — Eu sei que você também quer — disse ele. — Você é seguro demais, Matheus. Ele riu baixo, já tirando o casaco e pendurando em qualquer lugar. — Sua resistência só me deixa com mais tesão. ___ O cheiro de mijo de homem tomava conta do lugar. As paredes de azulejo amarelo, o chão manchado, a luz do teto piscando num ritmo impreciso: três segundos de claridade, dois de breu. O som de um zumbido elétrico preenchia o vazio. Matheus se aproximou de mim e sem aviso segurou minha cintura, me virando de costas pra ele. Pude sentir seu volume na minha bunda. Meu pau começou a despertar. — Não, Matheus. Não aqui. Isso é loucura. — É exatamente por isso que eu quero. Pela loucura. O cheiro dele tão próximo já me deixava bambo. A barba espessa na minha nuca não me deixava fugir. — Vou trancar a porta então — eu disse. — Não vai. Eu tentei me soltar dele, a mão estendida para a maçaneta. Matheus segurou meu pulso com força, me girou e me empurrou contra a parede de azulejos. O impacto foi seco, o som ecoou, o frio do azulejo contra as costas. — Solta, Matheus. Isso não é legal. Eu quero ir embora. — Você quer ir embora? — Matheus segurou meu queixo, me forçando a olhar nos olhos dele. — Olha pra mim e fala de novo. Eu desviei o olhar. Tava difícil fingir que eu não queria. — Eu quero ir embora — consegui dizer. — Então por que seu pau tá duro? — perguntou o Matheus enquanto segurava meu volume por cima da minha calça. Minha ficou boca seca. Não respondi. Ele encostou o corpo dele contra o meu, me pressionando contra o azulejo. O cheiro de suor e tabaco invadiu meu nariz, misturado ao odor forte do banheiro. — Você veio comigo. Entrou no carro. Me seguiu até o banheiro. Não me diga que você não queria isso. Eu tentei me soltar, empurrando o peito dele com as duas mãos. — Para, Matheus. Tá doendo. Para com isso. — Tá doendo onde? — Matheus apertou o meu quadril contra o dele, roçando o pau duro dele contra o meu pau duro. — Aqui? Prendi a respiração. Meu corpo traiu minha cena. — Para — repeti, a voz mais fraca. — Você não quer que eu pare — disse Matheus, a voz grossa perto da orelha. — Você quer que eu te force. Balancei a cabeça em negativa, mas já não era convincente. Matheus não precisava de resposta. Ele se afastou o suficiente para puxar minha calça para baixo, o frio do ar contra a pele. Tentei recuar, mas a mão de Matheus prendeu minha nuca contra o azulejo. — Eu vou te usar, Gustavo. E você vai deixar. — Não vou deixar. — Então continua lutando — disse Matheus, sem pressa, sem irritação. — Você já percebeu que assim eu vou gostar mais. A mão de Matheus deslizou pela minha barriga, os dedos roçando a pele quente. Sem querer eu gemi. — Você gosta disso — Matheus continuou, a boca colada no ouvido. — Você gosta de sentir cheiro de homem. Cheiro de suor, de mijo, de porra. Você é uma putinha, Gustavo. E puta gosta de ser tratada assim. Virei o rosto, tentando me esquivar da boca de Matheus. — Eu não sou sua putinha. — Você é. E sabe disso. Matheus me forçou de joelhos no chão. O cheiro de urina era mais forte ali embaixo. Eu respirei fundo e senti o tesão subir como uma febre. — Sente esse cheiro — ordenou Matheus, apontando para o ar. — Sente o cheiro de todos os homens que botaram o pau pra fora aqui hoje. Consegue distinguir o meu? Tentei virar o rosto, a mão tentando empurrar a de Matheus. — Não, Matheus, para. Isso é nojento. — Você diz que é nojento, mas seu pau tá babando. Seu pau não mente, Gustavo. Respirei fundo. O ar entrou quente, ácido, úmido, e senti o corpo todo contrair de desejo. Matheus se sentou na pia, as pernas abertas, o pau pra fora pelo fecho da calça. Estava duro, brilhante, a pele escura e as veias saltadas. — Vem cá. Hesitei. — Se eu tiver que chamar de novo, você não vai gostar. Me aproximei ainda de joelhos, o corpo tremendo, a boca seca. — Eu... eu não quero. — Segura ele — ordenou Matheus, a voz baixa e inegociável. Eu obedeci. Era a primeira vez que ele me permitia tocar naquele pau. Eu não podia acreditar não quão generoso ele estava sendo. Resistir estava me dando frutos. Segurei naquele mastro rígido e mergulhei o nariz na cabeça rosa do pau dele. Senti o cheiro forte, quente, concentrado. O suor, o calor. Minha boca se abriu sozinha, a língua querendo tocar a pele. A luz apagou por dois segundos. Na escuridão, senti a mão de Matheus me guiar contra a ponta do pau. A luz voltou. — Chupa. Passei a língua lentamente, sentindo o gosto da pele, do suor, o calor. — É melhor não... — eu disse tentando me afastar. Matheus segurou meu cabelo e o puxou de volta. — Você não vai a lugar nenhum. Eu comecei a lamber de novo todo o corpo daquele pau rígido. A cabeça roçou a língua, o gosto forte e único de Matheus. — Abre a boca — ordenou. Eu abri. Matheus cuspiu. O cuspe quente, grosso, caiu direto na minha garganta. — Engole. Eu engoli. O corpo tremeu, o pau pulsou e soltei um gemido involuntário. — Você não pode fazer isso — tentei falar, mas a voz saiu trêmula. — Eu não quero isso. Por favor, para. — Você não quer? — Matheus inclinou o corpo, a mão ainda firme no meu cabelo. — Você pode me pedir pra parar. Mas só se olhar nos meus olhos. Ergui meus olhos. A mão de Matheus apertou levemente meu rosto, com uma firmeza que não era violenta, mas era incontornável. — Vai, pede pra eu parar. Permaneci em silêncio. — Eu sabia. Matheus me forçou a virar de quatro no chão. O azulejo frio contra os joelhos, o cheiro de mijo e desinfetante nos pulmões. — Agora eu vou te foder — disse Matheus, a voz calma como se desse uma instrução de trabalho. — E você vai ficar parado aguentando porque é isso que você quer, mesmo dizendo que não. Senti o Matheus abaixando minha roupa. Os dedos dele abriram minha bunda, a saliva quente escorreu. Tentei engatinhar para frente, fingindo que ia me levantar, tentando chegar à porta. Matheus segurou minha cintura com uma mão e me puxou de volta com força. — Você quer mesmo sair? Logo hoje que eu vou comer esse rabo? — Eu não quero assim — eu disse, a voz rouca, fingindo. — Não quero mais. — Mentira! — ele gritou. — Você quer me dar desde o dia que te fiz de escravo na sua casa. Era verdade. E eu não me movi mais. A ponta do pau de Matheus pressionou a entrada do meu cu. Não entrou, apenas pressionou, esperando a resistência. Meu corpo tremia. Era tesão puro — Por favor, Matheus... não. — Fica quieto senão vai ser pior. Não respondi. De repente, um homem abre a porta. Eu de quatro no chão, a roupa abaixada. Matheus ajoelhado atras de mim com o pau pra fora. Eu e matheus olhamos para ele, congelados. Um homem moreno, usando um uniforme do posto. Os olhos arregalados. Antes que alguém dissesse algo, ele saiu batendo a porta. A mão de Matheus segurou a minha nuca. — Não vamos interromper. Agora pede pra eu te fuder. Eu não respondi. Precisava manter a resistência. — Eu mandei você pedir — disse ele me dando um tapa na bunda. — Por favor mestre — a voz saiu baixa, quase inaudível. — Por favor o quê? — Me fode, por favor. Matheus empurrou. A dor veio quente, uma fenda de fogo e pressão, e eu gemi alto — um som que era metade agonia, metade entrega. — Tá doendo — sussurrei. — Eu sei. Relaxa. O pau avançou outro centímetro, e mais outro, até entrar inteiro, pulsando dentro do corpo do meu corpo. — Você é meu — Matheus disse, a voz baixa, a mão firme na nuca. — Seu cu é meu. Suas vontades são minhas. Você não vai a lugar nenhum. E ele começou a se mover. Os golpes eram profundos, exatos, ritmados. O meu corpo era levado ao ritmo que ele estocava. Meu rosto suado, os gemidos já sem disfarce. Ele me comia como se estivesse guardando essa vontade desde sempre. — Mete, Matheus. Fode esse cuzinho que agora é seu pra sempre. Matheus metia cada vez mais fundo, o saco dele batendo na minha bunda. O barulho estava alto, mas nenhum de nós ligava mais. — Geme, sua putinha. Mostra pro teu macho que você tá feliz com essa pica no rabo. E eu gemia cada vez mais alto. Olhava para trás e a visão era mágica. Ele segurava minha cintura com as duas mãos enquanto estocava com vontade. O suor escorrendo pelo rosto. Vários tapas ardiam na minha bunda. Era o paraíso. — Me da porra, Matheus! — gritei sem querer. — Enche meu cu com seu leitinho. Matheus acelerou o ritmo. Era a primeira vez que ele fazia algo que eu pedia. Meu corpo se abriu inteiro, cada centímetro cedendo, aceitando. O cheiro de urina, o gosto de saliva, o peso de Matheus, o calor da porra que estava prestes a vir. Matheus gozou com um gemido rouco, o corpo tremendo, a mão ainda me segurando contra o chão, enquanto seus movimentos desaceleravam. A luz apagou de novo. Na escuridão, ouvi a respiração de Matheus se acalmando, senti o corpo do amigo se inclinar sobre o meu. A mão de Matheus passou na minha testa, afastando os fios molhados de suor. — Você tá bem? — a voz era baixa, agora sem a aspereza. Assenti no escuro. — Sim. A luz voltou. Ele tirou o pau de dentro e ficou encarando meu cu. — Bota esse leite pra fora. Quero ver. Com o tesão que eu tava, eu faria qualquer coisa que ele mandasse. Fiz forca, meu pau ainda duro latejou e o gozo começou a escorrer quente pela minha coxa. Com a mão, Matheus espalhou a própria porra por toda minha bunda, como se marcasse o território e finalizou com um último tapa que ecoou por todo o banheiro, agora silencioso. Ele se levantou e me estendeu a mão, me puxando para levantar também. Limpou as mãos e passou pelo meu rosto. Limpou a canto da minha boca, minha testa que brilhava de suor. Os dedos passaram devagar, como quem limpa algo precioso depois de uma tempestade. — Você não gozou ainda — disse ele cortando o som da nossa respiração. Me encostei na pia, ao lado do Matheus e apoiei a cabeça no ombro dele, o corpo ainda mole, a respiração irregular. — Não importa. Foi perfeito. Matheus passou a mão no meu cabelo, numa carícia que era quase paternal. — Eu vou buscar um presente — disse ele de repente. Matheus saiu do banheiro e a porta se fechou. Fiquei sozinho lá, o cheiro de urina ainda no ar, mas agora mascarado pelo cheiro de sexo. O corpo quente e dolorido, o pau ainda duro e latejando sem ter sido tocado. Ouvi vozes do lado de fora — Matheus falando baixo, uma risada rouca, o som de passos no concreto. Quando a porta se abriu de novo, Matheus entrou acompanhado. O homem que vinha com ele era alto, forte, com os ombros caídos de quem trabalha longas horas em pé. O uniforme azul-marinho do posto estava manchado de graxa e suor, a camisa desabotoada no peito revelando uma pele morena lisa. O cabelo castanho, bagunçado, colado na testa por uma fina camada de suor. A barba por fazer, olhos cansados, mas com um brilho curioso. Aquele rosto era familiar. Eles entraram e o cheiro que entrou com ele era diferente: gasolina, cigarro, suor de trabalho. Um cheiro de homem, tão afrodisíaco. — Esse é o Luiz — disse Matheus, com a voz calma, como quem apresenta um amigo. — Ele trabalha aqui. E vai te fazer um favor agora. Agora, olhando mais de perto, eu me lembrei. Aquele era o homem que tinha flagrado a gente no chão do banheiro minutos antes. Senti o corpo inteiro reagir. O pau pulsou mais forte. A boca secou. Luiz parou na minha frente, as mãos nos bolsos, o olhar baixo, meio sem jeito. — Seu amigo aí me explicou o que você gosta — disse Luiz, a voz grossa, um sotaque diferente. Olhei para Matheus, que estava encostado na parede, os braços cruzados, o olhar fixo, expectante. — Eu disse que te daria um presente — disse Matheus. — Esse é o presente. Luiz abriu o fecho da calca e colocou o pau pra fora. Mesmo não tão duro ainda, era visivelmente maior que o do Matheus. Preto, longo e imponente. O uniforme sujo, o cheiro de gasolina, tudo era combustível. — Vai — disse Matheus. — Faz o que você sabe fazer. Hesitei por um segundo. Olhei para Luiz, que me encarava com uma mistura de timidez e excitação. Depois olhei para Matheus, que sorria com aquela calma que só ele tinha. — Você não precisa pedir permissão — disse Matheus. — Você já tem. Eu me aproximei de Luiz, sentindo o calor que emanava de sua pele. Segurei aquele pau enorme, que agora já estava duro como rocha e, olhando para o Matheus, comecei a chupar. A boca encontrou o pau de Luiz, a pele salgada, o gosto de suor e trabalho. Luiz gemeu baixo, a mão encontrando minha cabeça, me guiando, invadindo minha boca com movimentos que pareciam que ele estava penetrando alguém. Matheus observava, aquele olhar de posse e prazer, o corpo imóvel, o controle absoluto. Eu só estava fazendo aquilo porque ele autorizou. E isso me dava mais tesão ainda. Coloquei meu pau pra fora e comecei a me tocar. Enquanto eu me masturbava, Luiz fodia a minha boca, a cabeça do pau batendo na minha garanta. Eu olhava para o Matheus e ele continuava imóvel, de pé, encarando a cena como se fosse uma obra de arte produzida por ele. — Goza na boca dele — disse Matheus. Engasga ele na sua pica e joga leite lá dentro. Luiz aumentou o ritmo. Seu gemido era alto, bonito, soava como música pra mim. Ele segurou meu cabelo com mais força, o ritmo aumentou e os gemidos ficaram mais altos. Estava vindo. Quando senti o gozo quente do Luiz escorrer pela minha garganta, meu corpo todo tremeu. Eu não tirava os olhos do Matheus. Pressionei minha mão contra o meu pau e gozei também, pela primeira vez naquela noite. Um homem me servindo pica e outro homem me assistindo. Me senti desejado. Inteiro. Realizado. O banheiro ficou em silêncio. Luiz guardou o pau melado como estava, ajeitou a calça, e saiu mudo, com um aceno de cabeça. A porta se fechou. Matheus se agachou do meu lado. — Você tá bem? Assenti, o rosto molhado, o corpo exausto. — Feliz? — perguntou Matheus. Eu sorri. — Feliz. Ele passou o braço em volta dos meus ombros e me puxou pra mais perto. — Vamos pra casa. Você precisa descansar. Com essa fala eu soube que presente não era sobre gozar. Era sobre ele me fazer sentir inteiro.
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