SEXO VULNERÁVEL

Depois dos últimos acontecimentos, Matheus e eu tínhamos nos aproximado mais. Eu havia reparado que a dinâmica da nossa amizade tinha mudado um pouco. E eu estava gostando disso.
        Antes fazíamos mais programas boêmios, com cerveja, droga e outros amigos envolvidos. Agora, nosso universo tinha se expandido e não por mim, mas por ele. Não que eu não quisesse ser mais próximo dele, eu queria muito. Mas eu já estava conformado que o que ele tinha pra me oferecer era aquilo.
        Agora, nos encontramos para almoçar, ir ao cinema, tomar um sorvete juntos, passear, conhecer um lugar novo, às vezes com outros amigos juntos e muitas vezes só nós dois. Além, disso, as saídas e curtição de madrugada continuaram, sempre regados de bebida e conversa boba, que é o tipo de coisa que nos uniu.
        E eu sentia o perigo disso.
Um dia, estávamos cada um na sua casa, trocando mensagens e vídeos de humor duvidoso. Sem nada pra fazer, ele me chamou para ver um filme. Nada além disso. Até ali, nenhuma insinuação. Mas a essa altura, eu já estava craque em ler as intenções dele.
Eu nunca tinha entrado na casa do Matheus sem estar bêbado. Parecia um território proibido em horário comercial. O chão estava limpo, não havia copos espalhados nem música alta. Era só a casa dele. E eu estava ali, sóbrio e consciente.
A sala estava arrumada e era bem decorada. Tinha uma estante de livros, um jogo de sofá preto, uma TV enorme na parede. Eu me sentei como se fosse um convidado de verdade, não o Gustavo sujo que ele já tinha usado em um banheiro de posto de gasolina. Mas eu me lembrava. O tempo todo.
Enquanto enfrentávamos a árdua missão de escolher um filme bom no catálogo, falamos algumas besteiras, rimos de nós mesmos e nos desarmamos. Estávamos plenamente à vontade.
Depois de muito rolar a tela a procura do filme ideal, eu sugeri “God’s Own Country”, fingindo que a escolha tinha sido casual. Na verdade, eu sabia muito bem o que aquele filme iria causar.
— Você quer alguma coisa? — perguntou, antes de dar o play.
— Água — respondi, com um sorriso. — E a sua atenção pelo resto do dia. Mas só agua já ajuda.
Ele riu, balançando a cabeça enquanto ia até a cozinha. Eu ouvi o barulho da geladeira, do copo sendo enchido. Enquanto isso me ajeitava no sofá. Confesso que diante de tudo que estava passando na minha cabeça, meu pau já estava meio saliente no short de tactel. Peguei uma almofada e coloquei no meu colo. Quando ele voltou, me entregou a água e sentou de novo. Perto o suficiente pra eu me arrepiar.
A distância entre a gente era respeitosa demais. Quase educada. Mas não era estranha. A gente ria junto, se provocava, falava da vida como dois amigos que se conhecem há tempo suficiente para não precisar de filtro.
        Ele deu o play e, enquanto a tela mostrava os créditos iniciais, eu provoquei:
— Você tá diferente — eu disse, sem planejar.
— Como assim?
— Não sei. Mais quieto. Parece um pouco sem jeito. Tá menos... Matheus.
Ele riu baixo, mas não foi um riso debochado.
— Deve ser por causa da novidade do programa. Nunca ficamos aqui em casa juntos tanto tempo sem beber.
— Pois é — eu disse, inclinando o corpo um pouco para o lado dele. — Mas não precisa de álcool pra eu querer você, Matheus. Você já sabe disso.
O silêncio que veio depois foi mais carregado do que qualquer tapa que ele já tinha me dado.
Ficamos olhando para a TV. O filme caminhava e eu atento mais na reação dele sobre o filme do que no filme em si.
— Que cara babaca — disse Matheus, do nada.
Eu olhei pra ele. Johnny, o protagonista do filme, tinha acabado de transar com um cara e logo em seguida foi escroto com ele.
— Ele compensa um vazio existencial com sexo casual — expliquei.
Alguns minutos depois, ele falou novamente:
— Por que você disse aquilo? — perguntou, com a voz mais baixa.
— Porque é verdade — respondi sem pretensão de fingir.
        — Ele engoliu seco e voltou a olhar para a televisão.
        Pra lá da metade do filme, Johnny tinha conhecido alguém que mudaria sua forma de experienciar o mundo e, depois de uma cena brutal de sexo sujo, ele começa a descobrir que é na profundidade que mora o verdadeiro prazer.
        — O cara parece que não sabe o que é afeto — disse Matheus, me surpreendendo.
        — Ele literalmente não sabe. Ele tá aprendendo agora com esse rapaz.
        — Olha lá! Se beijaram pera primeira vez — ele disse, apontando para a televisão.
        — E você, Matheus? Já beijou um homem?
A pergunta saiu sem filtro. Ele desviou o olhar por um segundo, depois voltou a me encarar.
— Não.
— Por quê?
— Nunca quis beijar um homem. Não até...
Ele parou.
— Não até o quê?
Matheus passou a mão no rosto. Não era um gesto nervoso. Era o gesto de quem está organizando os pensamentos. Organizou tanto que não quis falar.
        — Deixa pra lá — ele cortou.
        Voltei a olhar para a TV. Os dois homens agora estava nus, de corpo e alma, expondo suas vulnerabilidades de pois do sexo. Senti que eu e Matheus estávamos nus também, mais vulneráveis do que nunca.
        — Por que você acha que eles transaram primeiro e só depois deram o primeiro beijo? — perguntei reflexivo.
        — Não sei — respondeu ele tentando entender. — Isso é meio louco, né? Todo mundo beija antes de transar.
        Eu olhei pra ele.
        — E por que você nunca me beijou, então?
        Matheus sentiu o peso da pergunta. Pareceu sem ar.
        Olhamos de volta para a TV. Depois de alguns minutos, ele começa, sem desviar os olhos do filme:
        — Eu disse que nunca quis beijar um homem, até que...
        — Até o que, Matheus?
— Não até querer beijar você, porra. Você sabe disso.
Eu não esperava que ele fosse dizer isso tão direto. Meu coração deu um pulo.
— Tô sabendo agora — falei, tentando manter a voz firme. — Eu não imaginei...
— Então, agora sabe.
O silêncio voltou. Diferente. Não vazio, mas cheio de tudo que a gente tinha feito e tudo que a gente ainda não tinha feito. E todas as palavras que tínhamos acabado de trocar pairavam sobre ele.
— E agora? — perguntei.
Ele se virou para mim, o corpo todo agora virado na minha direção.
— Agora eu não sei o que fazer com isso — disse ele esfregando o rosto com as duas mãos. — Eu tô tentando lidar com isso há semanas, mas não sei o que tá acontecendo.
— Posso te beijar? — perguntei com coragem.
Ele me olhou por um longo instante. A mão estava apoiada na coxa, os dedos inquietos. O tempo estava parado.
— Eu quero — disse, a voz mais baixa.
Eu me aproximei. Não tinha pressa. Não tinha medo. Ele desviou o olhar por um segundo. Foi a primeira vez que eu vi Matheus hesitar de verdade.
— Tô nervoso — disse, com um sorriso que era quase confessional.
— Nervoso? Você?
— É novo pra mim, Gustavo...
— Não tem jeito certo — eu completei. — Tem só o jeito que a gente quer. É só querer.
Ele se aproximou mais. O rosto dele ficou a centímetros do meu. Eu já sentia a respiração dele. O hálito. Um cheiro que já era familiar tomou conta do meu nariz.
— Gustavo...
— Não fala nada. Só vem.
Eu fechei os olhos. Ele respirou fundo e, então, segurou meu rosto com as mãos firmes. Devagar como quem toca algo frágil.
Então eu senti.
Os lábios dele tocaram os meus. Leves, inseguros, mas com intenção. Um toque que não pede permissão porque já tem licença.
Ele se afastou por um segundo, os olhos ainda nos meus, buscando uma confirmação.
— É diferente... — disse, a voz baixa.
— Não precisa explicar. Só sente.
Eu trouxe seu rosto de volta. Dessa vez, ele não hesitou. O beijo foi mais longo, mais firme. A língua encontrou a minha, devagar, descobrindo um território que ele nunca tinha pisado. Foi molhado e acolhedor. Firme e macio ao mesmo tempo. Tinha sabor de hortelã com vitória.
Eu senti a mão dele deslizar pela minha nuca, me puxando para perto. Ele estava mais seguro agora. Aprendendo no ritmo. O Matheus que eu conhecia estava ressurgindo.
— Gustavo.
— Hm?
— Isso é esquisito.
Eu ri contra os lábios dele.
— Esquisito bom ou esquisito ruim?
— Bom — ele disse.
E a gente se beijou por um longo tempo — até o filme acabar. Sem que a gente percebesse, Johnny já havia superado seus conflitos internos e estava feliz ao lado do homem que amava.
Quando o silêncio voltou, ele encostou a testa na minha.
— E agora? — eu perguntei.
— Agora eu quero mais — respondeu ele, a cara de safado.
A gente se levantou. Ele me puxou pelo pulso até o quarto, sem o peso de quem está no comando. Éramos só dois homens querendo a mesma coisa.
O quarto era simples. Cama desarrumada, roupa jogada na cadeira, a luz do sol entrando pela fresta da cortina. Ele sentou na cama e eu fiquei na frente dele, entre as pernas abertas.
— Deita — ele disse.
Eu deitei. Ele se ajoelhou sobre mim, o corpo cobrindo o meu, o peso familiar, mas com uma diferença. Era o peso de quem está presente.
Ele abaixou o rosto e me beijou de novo — mais lento, mais cuidadoso. A mão dele deslizou pela minha barriga, subindo a camisa, tocando a pele quente.
Eu senti o cheiro dele. O cheiro de pele limpa, de sabonete, de Matheus em um dia comum.
— Tira a sua roupa — eu pedi.
Ele obedeceu. A camisa subiu, os pelos do peito apareceram, a pele branca que eu já conhecia, iluminada pela luz da rua.
Eu toquei o peito dele. Passei a mão entre os pelos. Senti o corpo dele responder. A gente se despiu sem pressa. Um ajudando o outro. Peça por peça, como quem desembrulha um presente que já sabe o que é, mas quer sentir o papel rasgar devagar.
Quando a gente ficou nu, ele ficou parado. Olhando para mim e eu olhando pra ele.
— Sabe que... — eu comecei a falar, mas hesitei. Não sabia se era a hora.
— O que foi? — ele perguntou.
— É que é a primeira vez que eu vejo você assim. De verdade, despido totalmente de roupas e de jogo.
Ele estendeu a mão e tocou o meu rosto.
— Tá vendo agora.
Ele deitou sobre mim. O corpo quente contra o meu, a pele colada, o pau roçando no meu. A gente se beijou enquanto se tocava. Sem pressa de chegar a lugar nenhum.
A mão dele envolveu meu pau. Devagar. A pele quente, o movimento suave. Eu gemi contra a boca dele. Ele apertou mais, o ritmo aumentou. Eu fiz o mesmo com ele. Os paus melados.
Não tinha dominação nem submissão. Eram só duas mãos se movendo no ritmo do desejo, molhadas e determinadas
O som da respiração, o barulho da mão contra a pele, os gemidos que não eram pedidos nem ordens. Era só corpo cedido.
Enquanto me beijava, ele abriu minhas pernas com facilidade. Eu já estava entregue. Se encaixou no meio. Agora minhas pernas contornavam a cintura dele com a força de quem não quer deixar escapar.
Ele ajeitou o pau e eu senti ele molhado na portinha do meu cu. Estava tão melado que não precisaria lubrificar. Ele ficou sarrando a pica dura na portinha do meu cu enquanto me beijava. Eu sentia o coração dele batendo forte dentro daquele peito peludo contra o meu. As mão dele passeavam pelo meu pescoço braços.
Ele parou de me beijar e ficou me olhando. Sua mão continuou em movimento, subindo pelo meu braço, passado pelo ombro, pescoço, até chegar no meu rosto. Ele passou o polegar no meu lábio e eu abri mais a boca. Fechei meus olhos e pude sentir o dedo dele invadindo o espaço da minha língua. Chupei seu dedo enquanto gemia. O pau dele pulsando na porta do meu cu.
Ele tirou o dedo, lambeu minha boca e empurrou de leve a cabeça do pau pra dentro de mim. Eu soltei um leve gemido de dor.
— Tá doendo? — ele perguntou.
— Tá — eu respondi sem precisar fingir mais nada. — Mas continua.
Ele enfiou a língua na minha boca e empurrou o pau mais um pouco. Eu gemi mais alto.
— Não para, Matheus. Continua.
Ele começou um lento movimento de vai e vem, e cada vez que ele empurrava, ele ia mais fundo. Até que ele estava todo dentro de mim. O pau e a língua. Eu segurei a bunda dele pra que ele ficasse um instante parado lá dentro. Ele entendeu. Não se mexeu.
Então eu fui relaxando, a respiração ficando suave, a perna abrindo mais. E ele entendeu. Começou a estocar bem lentamente, me fazendo gemer baixinho. Ele beijava meu rosto, minha boca, meu peito e não parava de meter.
A velocidade foi aumentando e eu gemia cada vez mais alto. Ele sussurrava no meu ouvido enquanto socava.
— Eu quero fuder esse cuzinho pro resto da vida.
— Fode, Matheus. Fode que ele é seu.
Ele então pegou minha mão e colocou no meu pau. Fez um movimento de punheta e soltou. Eu continuei. Era o que ele queria. Quanto mais ele socava no meu cu mais eu gemia. Ele suado em cima de mim enquanto eu me punhetava.
A velocidade foi aumentando. Da socada e da punheta.
— Eu vou gozar!
— Eu também!
Ele gozou primeiro. O corpo inteiro se contraiu, os dedos apertaram meu ombro, e eu senti o gozo quente me preencher. A cada jato de porra que ele soltava, o pau dele pulsava dentro de mim. Ele urrava como um animal.
Eu gozei logo depois, o corpo se arqueando contra o dele, a boca aberta, gemendo enquanto falava o nome dele. O ainda dentro de mim.
O corpo dele caiu sobre o meu. O quarto ficou em silêncio. Os dois ofegantes, suados, unidos em um só.
Ele se virou para mim. Não disse nada. Apenas passou a mão no meu rosto e me beijou de novo.
Esse era o Matheus que eu nunca tinha visto. E era com ele, junto com as outras versões dele que eu já conhecia, que eu esperava viver todas as minhas futuras primeiras vezes.
Foto 1 do Conto erotico: SEXO VULNERÁVEL


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Categoria:
Gays

Data da Publicação:
16/07/2026

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