A ESPOSA DO CARRANCUDO



Vou te falar... às vezes acho que teve dedo de meu Padim Ciço nessa história. O homi não falha. Porque, olha só, fico pensando... E se eu tivesse me casado? E se eu tivesse passado direto por aquele poste? Não gosto nem de pensar na possibilidade de talvez nunca ter conhecido a mulher do carrancudo. Muito embora... bom, deixa pra lá. Deixa eu te contar essa história direito.
Me chamo Bruno. Sou lá de Aroeiras, Paraíba. Minha vida estava até ajeitadinha por lá. Eu era doido pela Celinha. Íamos nos casar em dezembro e eu estava terminando de construir nosso barraquinho. Mas, do nada, ela me deixou. As más-línguas diziam que ela andava frequentando muito a Peixaria do Seu Isaías.
Depois daquilo, meu mundo desabou. Não havia mais muito o que fazer por lá. Resolvi vir pra São Paulo com a cara e a coragem.
Cheguei quase sem dinheiro, arrumei um cafofo ali perto da rodoviária Tietê e estava mais perdido que cego em tiroteio.
Até que um dia dei de cara com uma vaga de pizzaiolo. O anúncio estava colado num poste perto do boteco onde eu costumava almoçar. Perguntei a um vendedor ambulante onde ficava a pizzaria. Era perto. Segui as instruções e fui.
Quem me recebeu foi Seu Armando, o dono. O carrancudo. Me encarou daquele jeito que, na hora, pensei comigo, esse cabra nunca vai me contratar.
Cara fechada. Acho que aquele homem nunca sorriu na vida. E, vou te falar, não era um sujeito bonito, não. Não que eu repare em homem, mas o bicho era judiado. Agora, o miserável trazia um ás na manga. Era casado com Anita. Ela acompanhava a entrevista também.
E rapaz...
Até hoje não entendo como aquele homem arrumou uma mulher daquelas. Se existe vocabulário pra descrever Anita, eu não conheço. Só sei que ela apareceu na sala e a entrevista ficou muito mais difícil.
Conversava olhando nos olhos, ria fácil. Pele clara, cabelos lisos caindo até os ombros. Estava levemente acima do peso... e era justamente esse detalhe que deixava a danada ainda mais gostosa. Aquela boca, aquelas pernas... e aqueles pezinhos então? Pra acabar comigo. Sentada ali na minha frente, de minissaia jeans e pernas cruzadas, você acha mesmo que dava pra prestar atenção nas perguntas do carrancudo?
Ah! Tenho certeza que dei manota. Se ele não me pegou espiando as coxas dela umas três vezes, pegou quatro.
Bom, pra minha sorte, o pizzaiolo deles pediu as contas de uma hora pra outra. Estavam apertados. E eu estava ali, disposto a começar no mesmo dia e sem fazer muita exigência. Ainda assim, o carrancudo quis fazer um teste. Lembro até hoje. Fiz uma meia pepperoni, meia baiana. Deu certo. Saí de lá empregado.
Os dias foram passando e me adaptei rápido. Só apanhei um pouco do tempero da pizza de frango com Catupiry, que era a preferida da Anita. Ela vivia aparecendo na cozinha pra experimentar o molho e dizia:
— Agora sim.
Depois ficava ali conversando enquanto eu abria a massa. Perguntava da Paraíba, queria saber como era minha família, ria das minhas histórias. Quando me dava conta, já havia deixado a pizza passar do ponto.
Foi aí que me compliquei. Botei coisa na cabeça. Meu problema é esse. Me iludo fácil. Pego um sorriso e transformo numa declaração de amor. Carente? É... talvez sim.
Sonhava com ela quase todo dia. Jurava que ela estava dando bola pra mim. Ainda mais depois do dia em que peguei ela no telefone com a Cris, uma amiga dela que vivia aparecendo por lá. Falavam de mim, dava pra perceber.
— Ah, ele é de Aroeiras...
— É uma gracinha...
— Esses dias até sonhei com ele...
— Para, menina... sou casada.
Aqueles risos.
Rapaz... fiquei no céu.
Mas sabe qual era o problema? Anita era assim. Calorosa com quase todo mundo. Sempre sorrindo, sempre falando com a mão no braço da gente.
Aí murchei. Principalmente quando comecei a achar que, com o nosso entregador, a coisa era diferente. O cabra vivia jogando sorrisinhos, e ela parecia corresponder. Bom... sei lá.
Talvez fosse só ciúme bobo meu. Mas eu passava o expediente na cozinha, abrindo massa e de olho nos dois. Anita costumava ficar sentada num banco alto atrás do balcão. Quase sempre de vestidinho. Bastava cruzar as pernas para muito cliente se perder todo.
Seu Paulo, um coroa safado que morava na rua, que o diga. Mas esse até já nem pedia mais pizza. Ia lá, puxava assunto e enrolava o tempo que desse. Só pra olhar mais um pouquinho.
E vou julgar como?
Anita fazia todo mundo se sentir importante. Às vezes eu achava que era só o jeito dela. Outras... ficava com a impressão de que gostava de perceber os homens olhando, desejando.
Numa sexta, dessas de emenda de feriado, o movimento caiu bastante. O povo foi viajar. Naquele dia Anita estava atrás do balcão e aquele cara lá em cima, feito gavião. Conversavam como sempre. O carrancudo, lá no escritório, parecia acostumado. Não demonstrava o menor incômodo.
Às vezes cochichavam, outras caíam na risada. Numa hora ouvi o safado dizer baixinho:
— Tira ela pra mim, vai...
A resposta veio no mesmo tom.
— Deixa de ser tarado, menino.
Logo depois fez silêncio.
Eu estava abrindo a massa de uma meia portuguesa, meia calabresa. Cheguei mais de lado e dei aquela espiada pelo vão da cozinha. Mas puta que pariu... acho que demorei pra ir ver.
Descalça, sentada naquele banco alto, Anita cruzava as pernas naquele exato instante.
Ô bicha gostosa.
Ela deu uma risadinha sapeca e beliscou o braço dele. Tive a impressão de que ele guardou alguma coisa no bolso.
Quando o pilantra notou que eu estava de olho, ficou vermelho na mesma hora. Naquele instante tive certeza de que algo aconteceu. Será… que era a calcinha dela no bolso daquele miserável?
Cacete...
Nunca descobri. Até hoje aquela cena me tira o sono.
Dois meses depois eu já estava muito mais próximo da Anita. E, por incrível que pareça, até o Armando andava menos carrancudo comigo.
Numa noite, já no fim do expediente, ficou só eu e ele na pizzaria. Armando abriu uma cerveja e começou a contar como tinha montado aquele negócio, o quanto a Anita ajudou desde o começo. Nesse dia até acertamos uma empreitada na casa deles. Queria ajeitar o piso do quintal e arrumar um muro que vivia dando infiltração e precisava de um acabamento melhor. Como sempre fui um faz-tudo, topei na hora. Também andava precisando de dinheiro. O aluguel do cafofo pesava no bolso.
E assim foi. Toda segunda, quando a pizzaria fechava, eu aparecia na casa deles logo cedo. O carrancudo pegava no pesado também.
Mas era foda. Era difícil acertar o nível do contrapiso com Anita ali, lavando roupa no tanque, naqueles vestidinhos curtinhos. Às vezes eu me perdia vendo o sabão escorrer pelas pernas dela até os pés. Quando dava por mim, o chão estava todo torto.
E sabe aquele motoboy?
Foi mandado embora.
Nunca soube direito o motivo. Só lembro que, durante alguns dias, o clima entre Anita e Armando pesou de vez. Armando até pediu pra dar um tempo na reforma do quintal. Quase não se falavam. Quando precisavam falar um com o outro, falavam comigo.
"O fornecedor ligou."
"A conta de luz está pra vencer."
Virei praticamente o pombo-correio daquele casamento.
Mas um belo dia os dois apareceram diferentes. Eu e Dona Fátima, que fazia a limpeza, já ajeitávamos as coisas quando eles chegaram de mãos dadas, sorrindo. Bem diferentes.
Pensei na hora.
Treparam.
Armando dava muito mole. Porque, olha... com uma mulher daquelas, e feio daquele jeito, o certo era que erguer as mãos pro céu e agradecer.
Deixei de lado a ideia de que existia alguma chance com Anita. Na verdade, conhecendo melhor a história dos dois, fiquei até meio comovido. Armando, embora carrancudo, era louco por ela. E quem não era? Mas não vou ser hipócrita aqui. Continuava desejando aquela mulher cada dia mais, mas fazia um esforço danado pra não deixar a tentação me vencer.
A vida seguia, até que aconteceu uma coisa... esquisita. Resolveram que todo mundo ia usar uniforme da pizzaria. Frescura. Pior que a ideia foi da Anita. Me deram uma camisa vermelha com o logo da pizzaria, uma calça bege de sarja e, pra completar a humilhação, um chapeuzinho patético.
Saí do banheiro vestindo aquilo.
Anita me viu e caiu na risada.
— Nossa... ficou bem!
Desceu do banco. O vestido subiu um pouquinho e vi um pedaço da calcinha branca.
Puta merda...
— Tá vendo? Ficou bom, Bruno. — disse Armando lá de dentro do escritório.
Não respondi. Dei só um sorrisinho amarelo. Estava era puto da vida.
— Mas esse chapeuzinho... precisa mesmo?
Anita chegou perto de mim. A mão dela escorregou pelo meu peito.
— Tá uma gracinha.
— Tô me sentindo meio ridículo.
As mãos subiram até minha gola e ela começou a ajeitar a camisa.
— Ah, não fala assim. Tá lindo.
Deu um tapinha no meu peito.
— Olha pra você... tá muito mais elegante.
Falei descendo o olhar pelo corpo dela. Como ainda estava puto com aquele uniforme ridículo, nem fiz questão de disfarçar.
Ela sorriu e puxou o vestido pra baixo.
— Preciso de um número maior. Esse vive me pregando peças.
— Ah, não... eu adoro essas peças.
Saiu sem pensar.
A gente se olhou e caiu na risada. Pela cara dela, acho que não esperava aquela resposta.
Anita levantou os olhos. Havia um jeito de me encarar que fazia o coração acelerar. Então arrisquei. Minha mão foi quase sozinha até a cintura dela.
As mãos voltaram ao meu peito. Agora ajeitavam os botões da camisa.
— Estamos muito felizes de ter você trabalhando aqui, Bruno.
Passou pelos meus ombros e me abraçou.
Cacete...
Minhas mãos subiram devagar pelas costas dela.
— Você é muito competente... responsável.
Sem perceber, apertei um pouco mais a cintura dela, senti o vestido subir.
— Aquele imbecil do último pizzaiolo... ficou dois anos aqui e saiu sem acertar a pizza de frango com Catupiry, né amor? — comentou o carrancudo.
— Verdade.
Ela respondeu encostando o rosto no meu. Sorriu.
Nossos lábios quase se tocaram.
Depois voltou o rosto para o marido, que acompanhava a cena sentado na cadeira.
— Amor... o vestido.
Ela se afastou, o tecido subiu além da conta. Dava pra ver quase toda a calcinha branca de renda. Levemente transparente.
— Ops...
Ajeitou o vestido rapidamente.
O telefone tocou bem na hora e ela foi atender.
Fiquei ali parado feito idiota, sem entender nada.
Caramba... o que foi aquilo? O que acabou de acontecer?
Já ia me afastando quando Armando chamou:
— Ah! Segunda pode aparecer lá em casa. Acho que dá pra terminar aquela reforma.
— Sim... dá sim.
Eu ainda estava meio anestesiado.
Então fui pra cozinha.
No dia seguinte tudo seguiu como se não tivesse acontecido nada demais. Anita continuava do mesmo jeito de sempre. Gentil, sorridente, mas sem me dar motivo nenhum pra pensar besteira. Armando chegou na cozinha, deu dois tapinhas nas minhas costas, provou a coxinha que eu fazia, ideia minha pra aumentar a receita da pizzaria, e elogiou.
A semana voou. Trabalhamos feito condenados naquele fim de semana e, como combinado, lá estava eu na segunda-feira.
Diferente dos outros dias, foi o próprio Armando quem veio abrir o portão. Seguimos pelo corredor até os fundos, onde tocávamos a reforma.
Anita estava lá.
Sentada num sofazinho velho da varanda, fazia as unhas dos pés.
— Bom dia, Bruno! Não repara, não... Daqui a pouco te dou um abraço. Essa etapa aqui é a mais delicada.
Caramba...
Fiquei parado.
A vista foi subindo devagar por aquelas pernas. Ela usava um vestido leve, curtinho, e o tecido havia subido um pouco. A calcinha vermelha de renda, da mesma cor das unhas, aparecia sem que ela parecesse se importar. E, pelo jeito, nem o carrancudo ligava. Isso, pra mim, era o mais esquisito. Acontecia de novo.
Nem sei quanto tempo passei assim. Armando me arrancou do transe com um toque na cintura.
— Você pinta esse lado do muro. Eu venho de lá.
— Tudo bem.
Respondi no automático.
Tentei pintar aquela parede. Tentei mesmo. Mas, na boa, não tinha como. E o clima também andava esquisito. Anita, sempre tão falante, mal abria a boca. Armando, bom... esse nunca foi de conversar muito, mas naquele dia parecia mais fechado ainda. De vez em quando eu flagrava ele me encarando. Depois virava pra Anita. E eu fazia igual. Primeiro ele. Depois ela.
Sabe aquelas cenas de filme de bangue-bangue em que ninguém saca a arma, mas todo mundo sabe que alguma coisa vai acontecer? Era bem daquele jeito. Dava até pra escutar o vento passando.
— Se eu não falar, vocês dois ficam aí mudos, né?
Ela disse se espreguiçando no sofá. Esticou o braço, puxou o rádio da mesinha e ligou.
Passava o programa do Eli Corrêa. Tocava Odair José, depois Waldick Soriano. Daqui a pouco entrou Bartô Galeno.
Sem querer, querendo, meus olhos voltaram pra ela. O vestido havia subido ainda mais. Enquanto esperava o esmalte secar, mexia devagar os dedos dos pés, mordiscava o lábio de vez em quando e, quando notou que eu acompanhava cada movimento, sorriu.
Cacete...
O que aquela mulher queria?
Me deixar louco?
Alguns minutos depois, Anita levantou.
— Não querem tomar um cafezinho? Fiz um bolo.
— Vai lá, Bruno. O bolo tá bom. Eu já tomei café.
Fui até a cozinha atrás dela, ainda tentando entender o que, afinal, estava acontecendo.
Quando entrei, Anita fazia a calcinha escorregar devagar pelas pernas. Recebeu meu espanto com aquele jeitinho sapeca, estendeu a peça na minha direção e, antes que eu dissesse qualquer coisa, levou um dedo aos lábios, pedindo silêncio.
Segurou minha mão e me puxou até o quarto.
Assim que entramos já estávamos nos beijando com fome, um atropelando o outro. Não pensei, não raciocinei. Só fui. Era errado. Era estranho. Mas eu queria.
— Precisamos ser rápidos... — disse entre um riso e outro, abrindo de uma vez os botões da minha camisa.
Empurrei ela na cama. Abri a calça, tirei o danado pra fora e gostei da expressão dela.
Eu sabia que o tempo era curto. Mesmo assim, a vontade falou mais alto. Primeiro me joguei entre as pernas dela. Abocanhei sua boceta, chupando com vontade, subindo e descendo a língua pelo grelinho durinho. Suas mãos agarravam o lençol com força. Ela mordia o próprio braço tentando conter qualquer barulho, mas, de vez em quando, um gemido escapava. E aquilo me deu um tesão danado.
— Vem... me fode. Bem forte.
Me levantei beijando aquela boca gostosa. Ajeitei o pau e entrei fundo. Ela abriu aquele sorriso que já vinha acabando comigo fazia tempo. Perdi a cabeça. Dei um tapa no rosto dela. O estalo ecoou pelo quarto. Ela fechou os olhos por um instante, sorriu de canto e pareceu que ia dizer alguma coisa. Não deixei. Minha mão subiu até o pescoço dela enquanto eu continuava metendo com força.
— Sua putinha.
Perdi completamente o juízo.
Puxei as alças do vestido com tanta gana que rasgaram. Enquanto uma mão continuava no pescoço dela, a outra apertava seu seio. Torcia o mamilo enquanto ela se arqueava na cama e, filha da mãe... continuava sorrindo.
As pernas dela começaram a tremer. Aquele jeito de me prender fez meu corpo inteiro entregar os pontos. Gozei. Quando tudo acabou, dei um passo pra trás, tentando recuperar o fôlego, e ajeitei a calça.
Ela se levantou. O vestido escorregou pelo corpo até cair no chão.
Meu Deus...
Que mulher.
Nos beijamos outra vez, agora sem aquela pressa maluca, só aproveitando mais alguns segundos.
Depois ela riu e me empurrou de leve.
— Vai... e fala que o bolo tava uma delícia.
Abri a porta e dei de cara com uma mancha no chão.
Caralho...
Que porra era aquela?
Olhei de novo.
Era porra mesmo. De verdade!
Puta merda...
Quando voltei pro quintal, ainda tentava entender aquela maluquice.
— O bolo tava uma delícia.
Falei.
Armando me lançou um meio sorriso e voltamos ao serviço. Anita apareceu mais um pouco pra ajudar a pintar a parede. Ou talvez só pra nos distrair com aquele short minúsculo. Terminamos a reforma antes mesmo do almoço.
No dia seguinte ninguém comentou absolutamente nada. Continuamos trabalhando como sempre. E foi aí que comecei a reparar melhor nos dois. Era fato. Anita era apaixonada pelo carrancudo.
Então o que foi aquilo?
Loucura.

PS: Dedicado a Anita. Saudades.

Vicente Braga                        

Foto 1 do Conto erotico: A ESPOSA DO CARRANCUDO


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A ESPOSA DO CARRANCUDO

Codigo do conto:
267468

Categoria:
Cuckold

Data da Publicação:
16/07/2026

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