—————-
Katia tinha o gosto do vinho ainda na boca quando olhou de novo para Déb e sentiu tudo ficar nítido, como se o quarto dobrasse a luz sobre aquele corpo. Não havia dúvida para ela: Déb era Thomás. Saber isso não diminuía o desejo; pelo contrário, tornava tudo mais urgente e gentil ao mesmo tempo. Ela se levantou, abriu a minigeladeira do quarto do motel e pegou duas latas de gin com energético que tinham trazido; derramou nos copos descartáveis e ofereceu um a Déb. O líquido gelado desceu rasgando a garganta e trouxe um formigamento que prometia intensidade.
Déb veio até ela devagar, cada gesto medido. As unhas postiças vermelhas roçaram a pele do braço de Katia com uma precisão que parecia estudada — não havia pressa, havia cuidado. Katia percebeu como Thomás, mesmo ali, em sua forma feminina, mantinha a atenção aos mínimos detalhes: ajeitar a alça caída, prender uma mecha de cabelo, beijar com paciência. A gentileza tornava o desejo mais afiado.
Quando se beijaram, o beijo começou terno e virou voraz em segundos. As bocas se devoraram, a língua de Déb quente e decidida. Katia puxou Déb para a cama; os corpos tropeçaram nos lençóis e, no impulso, as duas se encaixaram de um jeito que parecia ter acontecido sempre. Déb deixou a boca cair na pele de Katia, subiu pelo pescoço, chupou o mamilo com vontade. Katia gemeu, arqueou as costas e, numa mistura de retribuição e fome, passou as unhas pela pele de Déb, sentindo a textura do batom e a peruca sob as mãos.
Déb desceu para entre as pernas de Katia com uma reverência feroz. As unhas postiças traçavam a anatomia da coxa, deixando pequenos caminhos de arrepio, enquanto a boca se abria sobre a carne que Katia tanto amava. O batom deixava marca e sabor, a língua era firme e habilidosa, e Katia se perdeu: gemidos baixos saíam de sua garganta, um som instintivo que dizia “sim” a cada movimento. Quando Déb sugou com força e depois alternou para lambidas rápidas, o primeiro orgasmo a levou numa onda que fez suas mãos se cravarem nos lençóis.
Nesse ínterim, Katia sentiu o volume e a rigidez pressentirem-se entre as pernas de Déb. Sabia que o marido, mesmo ali, era o seu marido — e que o pênis que agora formava parte daquela cena seria o meio pelo qual Déb a penetraria. A ideia a excitou intensamente e a deixou curiosa para misturar o roce final com a penetração real.
Déb levantou-se um pouco, ajeitou a peruca, e olhou nos olhos de Katia com uma expressão de total entrega; foi um pedido e uma garantia. Com a mesma mão que segurava a cintura de Katia, ela guiou o próprio corpo — e o pênis, rígido e quente — até a entrada da vagina de Katia. O contato inicial foi delicado, quase cauteloso: a ponta entrou, saiu, entrou de novo, medindo-se. Katia segurou o ombro de Déb com força e inclinou a cabeça para trás, soltando um gemido mais alto quando a penetração entrou firme.
As unhas postiças de Déb fincaram-se nas coxas de Katia em alguns golpes ritmados, deixando marcas rosas que arderam e chamaram mais desejo. Katia, em resposta, passou as próprias unhas pelas costas de Déb, arranhando com vontade, traçando linhas que a faziam gemer. O som que veio de Déb era um misto de prazer e necessidade — um sussurro de nomes, um “meu amor” quase implorado entre cada investida. Katia percebeu que amar aquele homem em suas diferentes formas significava também aceitar a intensidade que ele agora trazia.
O ritmo ficou mais firme. Déb avançava e recuava com comprimento e vontade, o pênis batendo com precisão contra o ponto que fazia Katia perder o controle. Ao mesmo tempo, as duas se rebolavam, roçando os corpos — às vezes deslizando pele contra pele como amantes femininas, outras vezes segurando o eixo da penetração com a mão que fechava ao redor da cintura. Havia um balanço sexual e íntimo: a penetração dava a sensação de completude, o roce lateral adicionava uma fricção deliciosa que cutucava o clitóris e os lábios maiores simultaneamente.
Katia mordia o lábio até sentir gosto de sangue e gemia alto, soltando ordens sussurradas e pedidos: “Mais forte. Devagar. Não para.” As unhas de Déb cravaram-se nas suas costas em um momento, fazendo-a puxar o ar com um arfado. Ela revidou, arranhando os ombros e a nuca de Déb, marcando a pele com determinação. As unhas postiças fizeram cortes leves que doeram e aqueceram ao mesmo tempo, cada marca era um lembrete tátil da intensidade daquela noite.
Num ponto, Katia inclinou-se pra frente e agarrou os quadris de Déb; com a outra mão, passou o dedo por seu ânus novamente, com mais firmeza, enquanto Déb continuava a penetrá-la com movimentos longos e constantes. O arrepio que subiu por Déb quando Katia tocou ali foi evidente: ela prendeu o ar e arqueou a coluna, a cabeça caída em volta do ombro de Katia. A resposta afirmou para Katia que aquele caminho posterior a excitava — e o contraste entre a penetração frontal e a carícia anal criou uma ligação elétrica que os levou a outro nível.
As investidas se tornaram quase bestiais: Déb penetrava com força e sem hesitação, enquanto as coxas de Katia se fechavam ao redor do corpo, buscando mais pressão, mais atrito. Katia sentiu as pulsações no pênis, sentiu o calor que escorria entre os dois, sentiu as unhas encrostarem levemente na própria pele. Em sincronia, a boca de Déb às vezes mordia o ombro de Katia, às vezes descendo para mamilo, e as duas gritavam e suspiravam em uníssono.
Então tudo acelerou: Katia empurrou de encontro, fazendo com que a penetração ganhasse profundidade; Déb respondeu com estocadas mais rápidas e mais longas, as unhas cravando-se mais fundo; Katia agarrou o lençol, a cabeça lançada para trás, o peito explodindo em gemidos contínuos. O orgasmo veio com violência e doçura ao mesmo tempo — uma onda que começou no ventre e subiu para cada músculo, lhe fazendo arquear o corpo inteiro e soltar um grito longo que se perdeu nas paredes do quarto. Déb atingiu o clímax quase no mesmo instante, o corpo tremendo enquanto os espasmos internos apertavam ao redor do pênis, e um jorro quente aqueceu a entrada que as unia.
Por alguns segundos houve apenas respirações pesadas, corpos suados e marcas de unhas espalhadas pela pele. Katia ainda sentia a rigidez do membro dentro dela enquanto Déb murmurava palavras de amor e agradecimento, com a voz de Thomás embutida em cada som. Ela passou as mãos pelo cabelo molhado da peruca e beijou o rosto de Déb, sentindo os lábios molhados e o sabor salgado do prazer recente.
Eles ficaram assim, colados, o lençol amassado ao redor, trocando beijos rasos e carícias tímidas. Katia apoiou a testa na de Déb e suspirou:
— Eu te vi. Eu te vejo.
Déb respondeu, sem forças, com os olhos brilhando:
— Obrigado por me aceitar.
O silêncio que se seguiu não era vazio; era cheio de algo novo e sólido. A noite no motel, o gin com energético na geladeira, os corpos marcados e as vozes ásperas criaram uma memória que ninguém mais poderia apagar. Katia sabia que aquilo mudava tudo: havia descobertas a conversar, rotinas a ajustar, mas também havia uma profundidade nova no afeto que agora incluía todas as formas do marido — e um prazer que ela desejava repetir.
secretossegredos