Ana Martha — Além da Aliança.



Ana Martha — Além da Aliança.
Um conto erótico de

Categoria: Heterossexual

Data: 10/08/2026 19:29:14

Assuntos: Academia, Adultério, Bar, Casada, Desejo, Drama, Empresária, Encontros, Flerte, Heterossexual, Infidelidade, Mulher Casada, Romance Extraconjugal, Mulher Madura, Sedução, Traição, Vida Dupla.

Ana Martha era casada com Tufão havia mais de 18 anos. O casamento dos dois, apesar de alguns acontecimentos ao longo desse tempo, permanecia sólido. Muito disso se devia ao fato de ambos serem extremamente focados em seus negócios. Sobrava pouco tempo para brigas, discussões ou dramas desnecessários. Quando precisavam tomar decisões importantes, faziam isso de maneira objetiva, quase empresarial.

Tufão era empresário do ramo de produtos agrícolas e carnes, Além da sua carreira na área da segurança privada. Fazia distribuição em mais de quinze unidades espalhadas por cidades da região do Alentejo e Algarve. Ana Martha, por sua vez, havia construído seu próprio império no ramo imobiliário. Começara praticamente do zero e, ao longo dos anos, transformara a empresa em uma referência regional, controlando uma fatia considerável do mercado e fazendo do nome da companhia sinônimo de qualidade.

O casamento também deu frutos: três filhos. As raparigas mais velhas, já estavam a Estudar no Colégio Militar em Lisboa, começavam a sua formação para futura jornada profissional. O filho mais novo ainda estudava no colégio dirigido pela avó materna.

Com o passar dos anos, Ana Martha havia se tornado uma mulher madura, segura e consciente de que o tempo chegaria para todos. Só que, desde muito cedo, decidira que envelheceria da melhor maneira possível. Cuidar de si mesma não era uma obrigação, mas parte de sua rotina.

Frequentava o salão regularmente e já havia experimentado Pilates, crossfit, academia e diversas outras atividades. Com o tempo, acabou permanecendo principalmente na academia e no Pilates. A situação ficara ainda mais confortável depois que começou a delegar algumas funções dentro da empresa, conquistando algo que durante muitos anos parecia impossível: tempo livre.

Já Tufão tinha um perfil bastante diferente do dela na administração dos negócios. Era mais centralizador. Como seu negócio agriculta que estava espalhado por diversas cidades, gostava de acompanhar pessoalmente algumas operações, verificar o funcionamento das lojas e conversar diretamente com os gerentes. Isso fazia com que passasse boa parte dos dias fora de casa. Também paralelamente exercia atividade de coordenação e direção de segurança privada em Part time   

E, ao longo daqueles mais de 18 anos, Tufão aproveitou algumas dessas ausências para ter casos extraconjugais. Não eram relacionamentos. Eram casos. Diversões passageiras que, para ele, terminavam tão rápido quanto começavam.

Ana Martha descobriu alguns deles. Tufão não era exatamente habilidoso em esconder rastros e, algumas vezes, deixava evidências suficientemente claras para que ela entendesse o que estava acontecendo. Ela, entretanto, nunca fez um escândalo.

Na visão de Ana Martha, havia limites que não deveriam ser ultrapassados. Desde que Tufão não trouxesse doenças para casa nem aparecesse com um filho fora do casamento, ela preferia ignorar.

Em suas reflexões, chegou inclusive a racionalizar aquilo. Se o marido podia se relacionar com outras pessoas, ela também poderia. Durante muito tempo, aquela ideia permaneceu apenas como um pensamento. Até que deixou de ser.

Aos 42 anos, Ana Martha era uma mulher baixa, com 1,69 metro de altura e 57 quilos. Não se preocupava particularmente com o peso. Seu foco estava no percentual de gordura, que mantinha entre 14% e 17%. Tinha olhos castanhos e cabelos lisos da mesma cor, compridos até pouco abaixo das escápulas. Seus traços eram delicados, assim como a boca fina. Havia recorrido a procedimentos estéticos ao longo dos anos, incluindo implantes de silicone e uma lipoaspiração, sempre buscando um resultado que considerasse proporcional. Não queria exageros. Seus seios haviam ganhado volume e destaque, mas continuavam harmoniosos com o restante do corpo. O mesmo cuidado se refletia nas pernas e nos glúteos, resultado de anos de academia e disciplina. Aos olhos de quem a conhecia, Ana Martha simplesmente parecia uma mulher que se recusava a permitir que a passagem do tempo definisse sua aparência.

Depois de descobrir algumas das traições de Tufão, ela não passou imediatamente a traí-lo. O que mudou primeiro foi seu comportamento.

Durante anos, sua própria consciência a fizera estabelecer limites: era casada, era mãe, tinha uma empresa e uma imagem a preservar. Aos poucos, porém, começou a questionar essas próprias restrições.

Não aconteceu de uma hora para outra. Ana Martha não se transformou repentinamente em alguém que saía com qualquer homem. Seu processo foi muito mais gradual e, sobretudo, pragmático.

Começou pelas roupas. Passou a usar peças mais justas, decotadas e um pouco mais curtas. Nada que, isoladamente, pudesse ser considerado uma mudança radical. Era a frequência que fazia diferença. Aos poucos, aquele tipo de roupa começou a aparecer cada vez mais em seu guarda-roupa.

Depois vieram os passeios sozinha. Cinemas, restaurantes, shows. Ana Martha passou a desfrutar da própria companhia e, nesses lugares, não se incomodava em conversar com homens, sorrir para eles ou até mesmo flertar.

Nunca, entretanto, ultrapassou essa linha. Até então. Nunca havia beijado outro homem. Isso estava prestes a mudar.

Nos últimos meses, Tufão começou a chegar em casa cada vez mais cansado. Dormia sempre que tinha oportunidade, estava mais estressado, reclamava de tudo e demonstrava pouca disposição até mesmo para aquilo que costumava gostar. Viajar era um exemplo. Durante anos, as viagens haviam sido uma das coisas que mais uniam o casal. Agora, Tufão parecia sempre encontrar algum motivo para evitá-las.

A cama também esfriara. A vida sexual dos dois nunca foi exatamente uma rotina diária, mas tampouco era previsível. Quando havia vontade, não importava o dia da semana, os compromissos do dia seguinte ou o horário. Podiam passar horas juntos e, se fosse necessário, atravessar a madrugada.

A mudança incomodava Ana Martha. Não por ciúme. Por preocupação. Tufão já havia passado dos 52 anos e nunca fora exatamente um homem cuidadoso com a própria saúde. Trabalhava demais, dormia pouco e mantinha uma rotina profissional intensa.

Foi em uma tarde de domingo que Ana Martha finalmente encontrou uma resposta. Tufão dormia profundamente enquanto ela organizava algumas coisas no closet. O Telemóvel dele estava sobre um móvel quando começou a receber notificações consecutivas. Uma. Duas. Três. Ana Martha olhou. Não pretendia mexer no aparelho, mas alguma coisa em sua cabeça disse que talvez fosse importante. Pegou o telemóvel. As mensagens eram de uma mulher. Ana Martha ficou alguns segundos parada, olhando para a tela. Depois levou o aparelho consigo e entrou no banheiro, trancando a porta. Tufão não acordaria tão cedo.

Ela começou a ler. O que encontrou não parecia com os casos anteriores. Aquela relação já durava alguns meses. Havia intimidade nas mensagens, preocupação, carinho. Pela maneira como Tufão escrevia, não parecia apenas uma aventura. Havia sentimento. Foi isso que doeu. Ana Martha devolveu o telemóvel exatamente ao lugar onde estava e desceu para a piscina. Sentou-se, abriu uma água de coco gelada e ficou em silêncio. A culpa era de Tufão. Disso não tinha dúvida. Mas, enquanto pensava, Ana Martha começou a encontrar uma pequena parcela de responsabilidade em si mesma. Não porque fosse uma esposa ruim. Não porque tivesse abandonado o marido. Mas porque, na primeira vez em que descobrira uma traição, deveria ter conversado. Deveria ter deixado claro que não aceitava aquilo. Talvez, se tivesse feito isso naquela época, aquele relacionamento atual nem existisse. Talvez.

Enquanto tomava outro gole da água de coco, uma velha frase voltou à sua cabeça. Se o marido podia se relacionar com outras pessoas, ela também podia. Só que, dessa vez, aquela frase tinha mudado. Não era mais uma justificativa. Era uma decisão.

Durante toda a semana, Ana Martha se comportou como se não soubesse de nada. Continuou tratando Tufão com o mesmo carinho, conversando normalmente e mantendo a rotina do casal. Por dentro, entretanto, alguma coisa havia mudado. Ela começou a agir.

Se antes ia ao salão a cada quinze dias, passou a ir semanalmente. Mudou o horário da academia. O período da manhã era tranquilo demais, frequentado principalmente por aposentados. Ela passou a treinar à noite, quando a academia ficava mais cheia, mais jovem e muito mais movimentada.

No Pilates, continuou pela manhã. Foi ali, conversando com as fisioterapeutas mais jovens e solteiras, que começou a descobrir lugares onde poderia sair sozinha. Na cabeça de Ana Martha, a academia era o ambiente que oferecia as melhores possibilidades. Mas também era o mais arriscado. Ali, ela poderia encontrar pessoas conhecidas. E, principalmente, seria muito mais fácil ser reconhecida. Ainda assim, decidiu tentar.

Na segunda-feira, pouco depois das 19h30, Ana Martha chegou à academia. Tufão ainda não havia voltado para casa, mas, como sempre fazia quando sua rotina mudava, ela avisou ao marido para onde estava indo. Ele não demonstrou qualquer interesse especial. Para Tufão, Ana Martha estava apenas fazendo o que sempre fizera. E talvez essa fosse a melhor parte.

A academia estava exatamente como ela imaginava. Cheia! Havia gente jovem por todos os lados, música, conversas, olhares e uma atmosfera de flerte quase permanente. Ana Martha era apenas mais uma mulher bonita naquele ambiente, mas rapidamente percebeu que não passava despercebida. Alguns homens já haviam reparado na aliança de ouro em seu dedo e mantinham distância. Outros olhavam, sorriam e desviavam o olhar quando eram flagrados. Um ou dois, que já sabiam quem ela era, chegaram a cumprimentá-la. Ana Martha retribuiu todos os cumprimentos com simpatia. Não revelou nada.

Na quarta-feira, porém, aconteceu algo que ela não esperava. Artur. Advogado que Ana Martha havia contratado dois anos antes para cuidar de questões empresariais de sua agencia imobiliária, ele ainda prestava consultoria sempre que surgia alguma questão jurídica mais delicada. Até então, Ana Marta só o conhecia de terno. Sério. Reservado. Profissional. Na academia, Artur parecia outro homem.

As roupas esportivas deixavam evidente um corpo que ela jamais imaginara por trás dos ternos. Ana Martha percebeu isso imediatamente. E se surpreendeu ao perceber que gostou do que viu. Artur se tornou, naquele instante, uma possibilidade.

Ana Martha sempre parecera uma presa fácil aos olhos de quem a observava. Mas, naquela semana, ela começava a descobrir que talvez fosse justamente o contrário.

Ela não estava sendo caçada. Estava escolhendo a caça.

Na quinta-feira, Célia decidiu não ir à academia. Durante a tarde, recebeu uma mensagem de Tufão. Ele não voltaria para casa naquela noite.

Tinha saído cedo para ir na herdade no Alentejo e resolver outros assuntos onde possuía dois supermercados, e precisava permanecer por lá porque alguns compromissos haviam ficado pendentes. Precisaria estar novamente na unidade logo cedo.

Ana Martha leu a mensagem duas vezes. Conhecia o marido. E sabia que havia uma boa possibilidade de que aquela noite fosse passada ao lado da nova amante.

Curiosamente, não sentiu raiva. Sentiu liberdade. Se Tufão estava disposto a passar uma noite longe de casa, ela também poderia fazer o mesmo. E aquela oportunidade não seria desperdiçada.

Ana Martha chegou mais cedo em casa e foi direto para o quarto. Havia ouvido, durante a semana, uma das fisioterapeutas comentar sobre um barzinho que era bastante frequentado, que funcionava de quinta a domingo ( STOR CAFÉ ). Era justamente o tipo de lugar onde ela não costumava ir. E talvez fosse exatamente por isso que deveria começar. Não queria encontrar ninguém conhecido. Então, quinta-feira parecia uma boa escolha.

Tomou um banho demorado e permaneceu alguns minutos diante do espelho, ainda enrolada na toalha. Pensou. Depois tomou uma decisão.

Escolheu uma blusa de cetim branca, com detalhes em renda, alças finas e decote em V. Deixou o sutiã de lado. Vestiu uma calça jeans justa, de cintura alta e azul-clara, que valorizava suas pernas e seu corpo. Nos pés, colocou uma rasteirinha nude. Escolheu uma bolsa branca estruturada e algumas bijuterias discretas.

Nada de jóias. Nada de marcas caras. Nada que chamasse atenção para quem ela era. Ela queria aventura, não imprudência.

Quando terminou de se arrumar, voltou a olhar para o espelho.Gostou do que viu. Estava elegante, bonita e, ao mesmo tempo, simples. Perfeita para desaparecer naquele ambiente.

Já passava das 20 horas quando Ana Martha entrou em sua Volvo XC60 Ultra. Seguiu em direção ao bar, mas, no meio do caminho, seu pragmatismo falou mais alto. Chegar a um bar dirigindo aquele carro poderia chamar atenção demais. Ela precisava pensar.

Pouco depois, entrou no estacionamento de um Vip Executive Santa Iria Hotel de rede próximo. Sabia que o local permitia que pessoas que não fossem hóspedes deixassem seus carros ali mediante pagamento. Era perfeito. Estacionou, conferiu se estava tudo bem e permaneceu alguns minutos dentro do veículo.

Depois chamou um Uber Black. Quando a corrida foi confirmada, saiu do carro e caminhou até a rua. Mesmo tentando agir naturalmente, percebeu alguns olhares. No hotel, alguns homens haviam reparado nela. Nada que a incomodasse.

Ao entrar no Uber, percebeu que o motorista também a observou. Era um homem por volta dos 40 anos. Discreto, não fez qualquer comentário. Apenas lançou alguns olhares rápidos pelo retrovisor. Confirmou o endereço.

Célia sentiu um frio na barriga. Respirou fundo.

— O senhor conhece o local?

— Conheço. Nunca fui, mas já fiz algumas corridas para lá.

— Entendo. Me recomendaram. Disseram que é um lugar animado, com muita gente.

— Isso é verdade. É bem animado. Som alto, samba ao vivo, muita gente. Mas geralmente levo grupos de amigos. É a primeira vez que levo uma pessoa sozinha para lá.

Célia deu um pequeno sorriso. Aquilo confirmou uma suspeita que já começava a incomodá-la.Ela destoava. Talvez mais do que imaginara. Mas já estava no caminho. Voltar atrás não fazia mais sentido.

Às 21h15, o Uber parou próximo ao bar. Célia pagou a corrida em dinheiro. Não queria deixar registros desnecessários. O motorista, antes que ela saísse, entregou um cartão de visita.

— Vou ficar trabalhando a noite toda. Se precisar voltar, pode me chamar.

Célia gostou da ideia de ter um plano B.

— Obrigada.

Desceu do carro. Respirou fundo. E entrou.

Havia uma banda tocando ao vivo. A música estava alta, mas o público não era tão grande quanto ela esperava.

Célia procurou uma mesa. Encontrou uma próxima à parede, para duas pessoas. Sentou-se de frente para a banda, ficando de costas para a parede, como sempre fazia quando queria observar um ambiente sem ficar excessivamente exposta.

O lugar era limpo, tinha boa circulação de ar e um forte cheiro de perfume e cigarro eletrónico misturado ao de cerveja.

Um garçom de bigode branco aproximou-se e entregou o cardápio. Ana Martha abriu. Leu. E imediatamente teve a sensação de estar no lugar errado. Ela não pertencia àquele ambiente. Mas não iria embora.

Pediu uma porção de batatas fritas e uma cerveja, sorrindo educadamente para o garçom. Pouco depois, a cerveja chegou. E, alguns minutos mais tarde, apareceu Erick. Moreno, negro, alto, magro e com os cabelos trançados, ele se aproximou e simplesmente se sentou à mesa de Ana Martha.

Ela achou aquilo deselegante. Ao mesmo tempo, percebeu que aquela abordagem direta era apenas mais uma diferença entre aquele lugar e os ambientes que costumava frequentar.

— Meu nome é Erick.

— Prazer.

— E você?

Ana Martha hesitou por uma fração de segundo.

— Kátia.

O nome saiu naturalmente.

Erick sorriu. E começou a falar e falar muito. Muito mais do que Ana Martha esperava.

— Eu adoro esse lugar. Sempre venho com meus amigos. Nunca vi você por aqui. Imagino que não venha muito.

Ana Martha apenas sorriu.

— Assim, não sendo um pré-julgador... — continuou ele. — Mas você não parece ser o tipo de pessoa que frequenta um lugar desses. Pela sua cara, imagino que nunca tenha vindo aqui. Você não parece ser o tipo que vai a um bar. Ou a qualquer bar.

Ana Martha ouviu tudo com atenção. Não ficou ofendida. Na verdade, estava aprendendo. Aquelas primeiras palavras deixavam claro o quanto chamava atenção. Ela não era tão discreta quanto imaginara.

— Erick, não é? — perguntou, sorrindo.

— Isso.

— Realmente nunca vim aqui. Nem a qualquer ambiente parecido. Estou aqui para conhecer. Me disseram que era um lugar divertido e com pessoas legais. Então resolvi vir.

Fez uma pequena pausa.

— Mas estou deixando tão evidente assim que não sou daqui?

Erick riu.

— Muito.

Ana Martha ergueu uma sobrancelha.

— Você claramente está se destacando. Não que não possa vir, mas não é exatamente o público que costuma frequentar aqui.

Ele sorriu.

— Mas, como disseram para você, aqui tem pessoas boas. E eu sou uma delas.

Erick levantou-se.

— Quer sambar comigo?

Ana Martha quase riu.

— Até gostaria, mas não sei sambar.

Erick colocou as mãos no rosto, teatralmente.

— Nossa!

Ela sorriu.

— É sério.

— É que eu te achei bem gata, Kátia. Aí queria descobrir se você também samba bem. Comigo, né?

— Entendo. E obrigada pelo elogio.

Ana Martha apontou discretamente para a própria aliança.

— Mas eu sou casada.

Erick olhou para o anel.

Depois para ela.

Percebeu.

— Ah.

O interesse dele diminuiu imediatamente.

— Então está explicado.

Ana Martha sorriu. Erick se despediu e voltou para a mesa dos amigos. Ela permaneceu ali. Mexeu no telemóvel. Ouviu música. Observou as pessoas. Outros homens se aproximaram. A estratégia, porém, era quase sempre a mesma.

— Vamos sambar?

Ana Martha recusava. Não sabia sambar. E aquilo começou a se tornar um problema. Depois de uma hora e meia, percebeu que não estava conseguindo se integrar. Pediu a conta. Chamou outro Uber. E voltou para o hotel.

No caminho, sentiu uma frustração que não esperava. Não imaginava que seria tão difícil. Ela sabia que era atraente. Os olhares que recebera naquela noite haviam deixado isso claro. O problema era outro. Ela ainda não sabia onde encontrar alguém que também fosse atraente para ela.

No hotel, pegou o carro e iniciou o caminho de volta para casa. Dirigiu devagar. Pensou em tudo o que acontecera. Talvez tivesse escolhido o lugar errado. Talvez estivesse exigindo demais. Talvez precisasse reduzir um pouco o filtro.

Naqueles ambientes, não deveria esperar o mesmo tipo de abordagem a que estava acostumada em restaurantes sofisticados, eventos empresariais ou círculos sociais mais próximos dos seus.

Aquilo ela já sabia. O que ainda não sabia era se conseguiria se adaptar. A primeira tentativa de Ana Martha, saindo sozinha com a intenção de conhecer outros homens, havia sido uma deceção. Mas não era o tipo de mulher que desistia depois de uma tentativa. Ela sabia o que queria. E, mais importante, havia finalmente decidido que iria atrás disso.


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Ficha do conto

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tuga069

Nome do conto:
Ana Martha — Além da Aliança.

Codigo do conto:
269844

Categoria:
Confissão

Data da Publicação:
14/08/2026

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