A salvação do pastor



O sol de Brasília batia forte sobre o templo de vidro e concreto da Igreja do Avivamento Profético quando Mateus chegou, de mochila nas costas e o coração apertado entre a culpa e a esperança. Tinha 22 anos, cabelo castanho desgrenhado, corpo magro de quem nunca foi à academia, e olhos de cachorro abandonado que pareciam pedir perdão pelo simples fato de existir.

Há três meses frequentava os cultos. Sentado sempre na última fileira, anotando versículos, tentando sentir o que os outros sentiam quando levantavam as mãos e choravam. Ele queria ser curado. Precisava ser curado. Cada noite, antes de dormir, ainda sentia o peso das mãos do ex-namorado, o gosto de cigarro e cerveja nos beijos furtivos, a vergonha quente que subia pelo peito quando se olhava no espelho e reconhecia o desejo.

Hoje ele iria pedir ajuda de verdade.

O pastor André saiu do escritório com aquela postura de quem carrega o mundo sobre os ombros largos. Tinha 48 anos, barba grisalha espessa e bem cuidada, cabelo curto militar. Era do tipo que já fora atlético na juventude — jogara rugby na faculdade — mas que os anos, a cerveja nos churrascos de domingo e a preguiça de meia-idade haviam transformado em algo imponente, pesado. Seus ombros ainda eram largos, mas a cintura se alargara, a barriga formava uma saliência firme sob a camisa social de manga curta, e o peitoral... o peitoral era a única parte que ele mantinha orgulhoso, coberto de pelos escuros que escapavam pelo colarinho aberto.

André era conhecido. Nas redes sociais, compartilhava posts de políticos conservadores, pregava contra a "ideologia de gênero", fazia piadas sobre "sapatão" nos cultos de homens, e era tratado como pai espiritual por centenas de fiéis. Hétero, casado há vinte anos, pai de três filhos. Uma fortaleza de moralidade.

Mateus esperou até o último fiel sair. A igreja ficou vazia, o silêncio só quebrado pelo zumbido do ar-condicionado. Ele bateu na porta do escritório, trêmulo.

— Pode entrar — a voz grave respondeu.

O escritório cheirava a couro velho, madeira e incenso barato. O pastor André estava atrás da mesa, tirando os óculos de leitura, olhando para o rapaz com aquela expressão entre piedade e autoridade.

— Mateus, né? O novo. O que foi, filho? Parece que viu fantasma.

Mateus engoliu seco. Sentou na cadeira rígida, as mãos suando nas calças jeans.

— Pastor... eu preciso de ajuda. Eu estou... lutando. Com a homossexualidade.

André ergueu uma sobrancelha. Não havia surpresa no rosto, apenas um interesse aguçado. Ele se inclinou para frente, os cotovelos na mesa, e Mateus notou os antebraços peludos, fortes, veias saltadas.

— Continue — disse André, a voz baixa.

— Eu tentei tudo. Oração, jejum, até namorei uma menina da igreja por duas semanas. Mas não adianta. Eu ainda sinto... ainda penso em homens. Eu não quero ser assim, pastor. Eu quero ser normal. Eu quero ser salvo.

As lágrimas vieram. Mateus chorou, o rosto entre as mãos, o corpo tremendo. Ele não viu a forma como André o observava. Não viu os olhos do pastor percorrendo o pescoço fino do rapaz, a clavícula visível na camiseta gola V, a forma como o sol da janela delineava a silhueta esguia.

André sentiu algo se mover no estômago. Não era piedade.

— Levanta — ordenou, a voz mais rouca do que pretendia. — Vamos para a sala de aconselhamento. É mais... privada.

A sala ao lado era menor, sem janelas, iluminada apenas por uma lâmpada amarelada. Havia uma mesa estreita, cadeiras, e um sofá de couro velho. André trancou a porta. O clique foi alto, definitivo.

— Tira a camisa — disse ele, virando-se para Mateus.

— O quê?

— Você quer ser curado? A cura começa pela humilhação. Pela exposição. Deus precisa ver sua vergonha para purificá-la. Tire a camisa.

Mateus hesitou, mas a autoridade naquela voz era absoluta. Ele tirou a camiseta, ficando nu do torso, a pele clara, os mamilos pequenos e rosados, a barriga lisa subindo e descendo com a respiração ofegante. Ele sentiu-se exposto, vulnerável, e algo naquilo — ser ordenado, ser visto — fez seu pênis reagir traiçoeiramente na cueca.

André notou. Seus olhos fixaram na barriga do rapaz, descendo, vendo a protuberância crescente na calça jeans.

— Você está excitado — constatou, a voz sem emoção, mas os olhos brilhando. — Isso é bom. Significa que o demônio está à mostra. Não se esconda de mim, Mateus. Eu sou seu pastor. Eu preciso ver tudo para expurgar.

O pastor se aproximou. Sua massa corpulenta dominava o espaço. Ele parou a centímetros do rapaz, que podia sentir o calor do corpo maior, o cheiro de sabonete masculino barato e desodorante, algo terroso por baixo.

— Tire as calças — ordenou André.

— Pastor, eu...

— Agora.

Mateus obedeceu, as mãos trêmulas. A calça jeans caiu no chão. Ele ficou apenas de cueca boxer preta, a ereção evidente, constrangedora, pulsando contra o tecido. Ele tentou cobrir com as mãos, mas André agarrou seus pulsos com força surpreendente.

— Não se cubra. Isso é exatamente o que precisamos enfrentar.

André não soltou os pulsos. Ele os segurou acima da cabeça do rapaz, obrigando Mateus a ficar de pé, esticado, exposto. O pastor olhou para baixo, para o corpo fino, a cueca esticada, e sentiu a própria respiração acelerar. Seu coração batia forte, uma batida antiga, proibida, que ele havia enterrado há décadas sob camadas de repressão, casamento, filhos, Bíblia.

Mas agora, aqui, com esse rapaz submisso, tremendo, cheirando a medo e desejo reprimido... algo quebrou.

— Você quer ser curado? — André sussurrou, a barba raspando a bochecha de Mateus. — Eu vou te curar. Vou fazer você sentir o que é ser homem de verdade.

Ele soltou um pulso apenas para agarrar a nuca de Mateus, puxando-o para um beijo brutal. Não era carinho. Era conquista. Sua barba áspera arranhou a pele suave do rapaz, sua língua forçou entrada, dominando, explorando. Mateus gemeu, surpreso, mas não resistiu. Seu corpo derreteu contra o do pastor, a ereção pulsando, confusa, assustada, mas viva.

André empurrou o rapaz para trás, até as costas baterem na mesa estreita. Com um movimento violento, virou Mateus de bruços sobre a madeira.

— Pastor...

— Cala a boca. Isso é para seu bem. Você precisa sentir a verdadeira masculinidade. Precisa ser tomado, possuído, purificado pela força.

André tirou a própria camisa. Seu torso se revelou — vasto, peludo, os peitos grandes com mamilos escuros e grossos, a barriga saliente mas firme, coberta de pelos que desciam em trilha escura até a cintura da calça. Ele se sentia poderoso, invencível, um deus de carne e barba dominando o altar da própria hipocrisia.

Tirou a própria calça. Sua ereção saltou livre, imensa, mais grossa e longa do que qualquer coisa que Mateus já vira. A cabeça roxa e brilhante de tesão, as veias saltadas, as bolas pesadas e peludas balançando.

— Isso é o que um homem de verdade tem — grunhiu André, esfregando-se contra as nádegas pálidas de Mateus. — E você vai receber. Vai receber até aprender.

Ele cuspiu na mão, lubrificando-se de forma rústica, e posicionou-se. Mateus segurava as bordas da mesa, os dedos brancos de tanto apertar, o rosto virado para o lado, os olhos fechados.

— Pastor, eu sou virgem... eu nunca...

— Melhor — André rosnou, e empurrou.

A penetração foi seca, brutal, despreparada. Mateus gritou, uma mistura de dor e algo mais profundo, mais antigo. André não parou. Ele avançou, centímetro por centímetro, sentindo o calor apertado, úmido, inexplorado, sentindo o poder absoluto de estar invadindo, tomando, marcando.

Quando estava completamente dentro, encostado nas nádegas do rapaz, André parou por um segundo, ofegante. A visão — seu pênis desaparecendo entre as nádegas pálidas, o corpo pequeno esticado sob o dele, a submissão total — era o mais erótico que ele já experimentara. Mais que qualquer noite de casamento, mais que qualquer fantasia reprimida na juventude.

— Diga que é meu — ordenou, a voz rouca. — Diga que você é meu.

— Eu sou seu, pastor — Mateus gemeu, as lágrimas escorrendo, mas o corpo respondendo, o ânus apertando em espasmos que não eram apenas dor. — Faça o que quiser comigo.

André começou a mover-se. Lentamente primeiro, sentindo cada centímetro da carne quente, depois mais rápido, mais forte. A mesa rangia, batia contra a parede. O som de pele batendo em pele — as coxas grossas e peludas do pastor contra as nádegas lisas do rapaz — ecoava na sala pequena, obsceno, ritualístico.

— Você gosta, não gosta? — André grunhia, pegando os cabelos de Mateus, puxando a cabeça para trás, dominando totalmente. — Diga que gosta. Diga que quer isso.

— Eu quero... — Mateus chorava, mas seu pênis, preso contra a mesa de madeira, vazava pré-gozo, deixando a madeira escura e molhada. — Eu quero, pastor. Me cure. Me machuque. Me faça homem.

As palavras detonaram algo em André. Ele acelerou, transformando-se em máquina de carne, de suor e barba. Seus peitos peludos esfregavam nas costas do rapaz, seu hálito quente ofegava no ouvido de Mateus, suas mãos marcavam os quadris finos deixando hematomas que durariam dias.

— Isso é para expulsar o demônio — André gritou, perdendo completamente o controle, falando coisas que não acreditava, que sabia ser mentira, mas que excitavam ainda mais. — Isso é para fazer você hétero. Senta no meu pau. Senta e aprende.

Ele puxou Mateus para cima, virando-o, sentando-o na borda da mesa. O rapaz envolveu as pernas na cintura do pastor, e André o penetrou novamente, agora de frente, vendo o rosto contorcido de prazer e dor, os olhos revirando, a boca aberta em gemidos silenciosos.

— Toca em você — ordenou André. — Toca e goza. Quero ver você gozar enquanto eu te fodo.

Mateus obedeceu, a mão trêmula indo para o próprio pênis. Cinco bombadas e ele explodiu, jorrando branco quente sobre o próprio estômago, o rosto se contorcendo em êxtase absoluto, gritando o nome do pastor como se fosse uma oração.

— André... André... meu Deus...

A visão do rapaz gozando, apertando-se em espasmos ao redor de seu pênis, o rosto angelical perdido no prazer — foi demais. André agarrou os ombros de Mateus, enterrou-se até as bolas, e soltou um rugido animal, profundo, que parecia vir dos anos de repressão acumulados.

Ele gozou. E gozou. E gozou.

Jorros quentes, profundos, enchendo o rapaz, escorrendo, marcando território. André tremia todo, as pernas bambas, a visão embaçada. Nunca na vida havia sentido um orgasmo assim. Era como se estivesse sendo esvaziado e preenchido ao mesmo tempo.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pela respiração ofegante dos dois.

André olhou para baixo. Para o rapaz, nu, coberto de sêmen, suor, lágrimas. Para seu próprio pênis, ainda pulsando, saindo do corpo do outro. Para as marcas vermelhas nos quadris de Mateus.

E então a realidade voltou.

Como um choque elétrico, a culpa, o horror, o terror do que acabara de fazer. Ele se afastou como se queimado, tropeçando nas calças caídas, buscando as roupas com mãos trêmulas.

— Se vista — disse ele, a voz áspera, irreconhecível. — Agora.

Mateus levantou devagar, confuso, ainda flutuando na pós-coisada. — Pastor, eu...

— Não fale comigo — André não olhava para ele, vestindo a calça com movimentos bruscos, quase rasgando o zíper. — Isso não aconteceu. Você entendeu? Isso nunca aconteceu.

— Mas eu pensei que...

— Você não pensou nada. Você é um garoto doente, confuso, e eu... eu perdi o controle. Foi uma fraqueza. Uma tentação do diabo.

André finalmente olhou para Mateus, e seus olhos eram de ódio — não para o rapaz, mas para si mesmo, projetado. — Saia daqui. E se contar a alguém, eu nego. Eu digo que você tentou me seduzir. Que você é um pervertido. Ninguém vai acreditar em você. Sou o pastor André. Sou respeitado. E você é ninguém.

Mateus se vestiu com mãos trêmulas, o rosto vermelho de vergonha, as lágrimas voltando. Ele não entendia. Momentos atrás havia sido tão... tão intenso. Tão conectado. Agora era lixo.

— Vai — André apontou para a porta, a voz tremendo. — E nunca mais volte. Nunca mais chegue perto de mim.

Mateus saiu. A porta bateu.

André ficou sozinho no meio da sala, o cheiro de sexo impregnado no ar, ainda sentindo o calor do corpo do rapaz em seu pênis. Ele caiu de joelhos, não para orar, mas porque as pernas não seguraram. Enterrou o rosto nas mãos.

— Meu Deus... o que eu fiz...

Foi quando ouviu.

Um som vindo do armário ao lado. Um estalo. O som de algo se movendo.

Seu sangue gelou.

Ele se levantou devagar, as pernas bambas, e se aproximou do armário de madeira escura. A porta estava entreaberta. Ele nunca a deixara assim.

Com a mão trêmula, puxou a porta.

Dentro, entre caixas de som e equipamentos de projeção, Lucas — o filho do tesoureiro, dezessete anos, responsável pelas multimídias — encolhia-se no chão, os olhos arregalados, o celular firmemente na mão, a tela ainda gravando.

— Eu... eu posso explicar... — gaguejou o garoto.

André sentiu o chão sumir sob seus pés. Sentiu a vida acabar.

— O que você viu? — sussurrou, a voz de morte.

Lucas engoliu em seco. Seus olhos percorreram o corpo ainda suado do pastor, a barba desgrenhada, a calça mal fechada. E então, com uma audácia que parecia não ser sua, ele disse:

— Eu vi tudo, pastor. E eu... eu também quero ser curado.

André encarou o garoto. Encarou o celular. Encarou a porta trancada atrás de si.

E percebeu que o jogo só estava começando.

(Continua)


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Nome do conto:
A salvação do pastor

Codigo do conto:
270741

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
25/08/2026

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