Oficina do Carlão

Oficina do meu pai, na ponta do bairro. Desde os quinze eu já enchia a mão de graxa, já sabia o nome de cada porca, já levantava o capô melhor que muito mecânico formado. Aos dezoito o velho só administrava por fora: conta, fornecedor, nota. Quem abria a porta de manhã, quem puxava a grade, quem enfiava a mão no motor — e em outras coisas — era eu.
Negro, grosso, pau pesado pra caralho. E eu descobri cedo que a oficina não era só pra consertar carro.
Era pra consertar homem.
A grade ainda estava meio aberta quando o primeiro chegou.
Seu Renato. Casado, casa grande no alto da rua, carro importado, fala fina de quem se acha. Sempre me olhava de cima, aquele jeito de “você é o pretinho que conserta o meu carro”. Racista de merda. Mas o olho dele descia. Sempre descia.
Naquele dia o ar-condicionado “não gelava”. Mentira. Ele já tinha vindo três vezes no mês.
— Entra, seu Renato. Fecha a porta.
Ele fechou. Eu já estava com a calça suja de óleo, sem camisa, suor escorrendo no peito. Ele ficou parado, engolindo seco.
— O senhor veio mesmo pelo ar, ou veio buscar o que o senhor tanto finge que não quer?
Ele tentou se fazer de ofendido. Não durou dez segundos. Eu cheguei perto, peguei a mão dele e enfiei na frente da minha calça. O pau já estava duro, grosso, quente, marcando tudo.
— Isso aqui, seu branquinho metido. É isso que o senhor vem farejar toda semana.
Ele gemeu baixo, vergonha e tesão misturado. Eu virei ele de costas contra a bancada, puxei a calça social dele até o meio da coxa. Cueca de marca, bunda branca, lisa, de homem que nunca sujou a mão. Eu cuspi no dedo, enfiei dois de uma vez. Ele arqueou.
— Cala a boca. Se a mulher do senhor souber que o coroa racista tá aqui abrindo o cu pro mecânico preto, o bairro inteiro ri.
Passei óleo de motor na pica — aquele cheiro forte, sujo — e enfiei. Ele engasgou. Eu não fui devagar. Segurei o pescoço dele, encostei a boca no ouvido e fodi duro, a bancada tremendo, ferramenta caindo no chão.
— Fala. Fala que gosta de linguiça preta.
Ele falou. Quebrado, choroso, puto. “Gosto… gosto da pica preta… me fode, Carlão…”
Gozei fundo, segurando ele contra a bancada até acabar. Tirei o pau pingando, limpei na cueca dele e dei um tapa na bunda.
— Próxima semana o “ar” quebra de novo. Pode vir.
Ele saiu cambaleando, arrumando a gravata, o rabo escorrendo porra.
Padre Luís. Carro da paróquia, aquele Uno velho da igreja, sempre “fazendo barulho no motor”. Mentira também. O homem vinha de batina por baixo do sobretudo, tesão estampado.
Na terceira visita eu já não fingi.
Fechei a oficina no horário do almoço. Ele ajoelhou no chão de cimento, beijou o pau sujo de graxa, lambeu o saco, pediu bênção com a boca cheia. Eu segurei a cabeça dele e fodi a garganta até o padre engasgar, baba e óleo misturado no queixo.
— Padre puto. Padre da igreja com o cu latejando pra negro.
Virei ele sobre o capô do próprio carro da paróquia. A batina subiu. A bunda branca, peluda, já estava mole de tanto ele se preparar em casa. Enfiei sem pena. Ele rezava e gemia ao mesmo tempo, um negócio doente, lindo.
— Em nome do pai… ah, porra… do filho… mais fundo, filho…
Eu ri. Empurrei até o talo, segurei os braços dele pra trás e gozei dentro, bem fundo, enquanto ele tremia no capô. Depois fiz ele lamber o pau limpo, de joelhos, olhando pra mim.
— Domingo o senhor sobe no púlpito com o cu cheio da minha porra. Amém.
Ele disse amém. Com a boca suja.
Thiago. Dezenove, universidade, corpo de academia, bunda alta, redonda, daquelas que a calça jeans marca tudo. Filho do seu Renato. O pai vinha escondido; o filho veio assumido.
Entrou um dia depois da aula, mochila no ombro, olho já baixo.
— Meu pai falou que você… que aqui…
— Seu pai leva. Agora o filho também quer?
Ele corou. Mas já estava duro. Eu travei a porta dos fundos, o portão da rua ainda aberto o suficiente pra qualquer vizinho desconfiar. Empurrei ele contra a parede de tijolo. Puxei a calça. A bunda era um pecado. Lisa, firme, cuzinho rosado piscando.
— Viciado. Igual o pai. Só que mais puto.
Ele pediu pra eu não contar. Eu fodi ele em pé, uma perna no ar, a mão na boca pra ele não gritar. O rapaz gozou sem eu sequer tocar no pau dele, só de levar. Ficou viciado de verdade. Voltava duas, três vezes na semana. “Só um pouco, Carlão… só a cabeça…” Mentira. Saía mancando, o rabo aberto, viciado na pica preta igual o coroa racista que ele tem em casa.
Às vezes eu fodia os dois no mesmo dia. Pai de manhã, filho no fim da tarde. Nunca contei pra nenhum dos dois. O tesão era exatamente esse.
Seu Milton, da padaria da esquina. Gordo, suado, avental farinhento. Trouxe o furgão “com problema na suspensão”. Eu levantei o carro, ele ficou embaixo olhando minhas pernas. Quando desci, já sabia.
Enfiei ele dobrado no banco de trás do próprio furgão, no fundo da oficina, cheiro de pão misturado com porra. Ele gemia grosso, pedia pra eu não parar, chamava de nego gostoso. Gozei nas costas suadas dele, passei o pau na farinha que tinha no avental e mandei ele voltar pro balcão assim mesmo.
— Vai vender pão com cheiro de porra, seu padeiro safado.
Ele foi. Sorrindo.
Policial da viatura que às vezes parava na frente “pra ver se tava tudo certo”. Homem durão, farda justa, cabelo raspado, jeito de quem manda. Um dia entrou sozinho, depois do expediente, e trancou a porta.
— Ouvi falar das coisas que acontecem aqui.
Eu encostei nele na parede, sem pressa.
— Então o senhor veio prender ou veio dar?
Ele não respondeu com a boca. Respondeu abaixando a calça da farda, de frente pro espelho sujo da oficina, pedindo pra eu foder o cu dele olhando. Queria se ver levando. Queria a farda puxada, o cassetete caído no chão, o negro da oficina comendo o sargento até as pernas tremerem.
Eu fodi ele contra o capô da viatura — a porra da viatura, Carlão — segurando o colete, cuspindo nas costas, chamando ele de puto fardado. Ele gozou na porta do carro da polícia. Eu gozei dentro. Depois limpei o pau na própria farda dele.
— Se o batalhão souber que o sargento abre o rabo na oficina do preto…
Ele só falou, rouco:
— Então fecha a boca e chama de novo semana que vem.
Fechei a grade. Lavei a mão com aquele sabão amarelo de oficina. O pau ainda latejava.
Amanhã eu abro de novo.
E tem sempre um motor pra “olhar”.
Um homem pra enfiar.
Eu sou o Carlão.
A oficina é minha.
E o bairro inteiro, de um jeito ou de outro, já levou.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Oficina do Carlão

Codigo do conto:
271599

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
06/09/2026

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