O gosto. A textura. O calor. A forma como ele preenchia sua boca, pesado, vivo, pulsando contra a língua. Ela fechou os olhos e sentiu de novo a sensação daquele primeiro segundo: quando viu o pau endurecer na sua frente, quando a mão tremeu ao segurá-lo, quando a pele quente e lisa deslizou entre os dedos. Tinha sido absurdo. Absurdo e viciante. Desde então, a vontade não tinha diminuído. Só crescido.
Não parava de pensar nisso. O relógio no celular marcava 2h37. O grupo dormia espalhado pelos quartos do hotelzinho simples. Todos exaustos. Todos, menos ela.
Vanessa se levantou devagar, tentando não acordar Mariana, que ronca levemente. Vestiu uma camiseta larga e um short de pijama, sem calcinha — por que se incomodar? — e saiu na ponta dos pés. O corredor estava escuro. Desceu as escadas, sentindo a madeira rangendo sob os pés, e saiu pela porta dos fundos, que levava a um pátio de terra batida, rodeado por um muro baixo e algumas árvores.
O ar da madrugada era fresco, mas não o suficiente para apagar o calor que queimava entre suas pernas. Ela se encostou no muro, respirando fundo, os olhos fechados.
Preciso de mais.
Encostou em uma parte isolada e escura. Não tinha ninguém naquele horário.
Aproveitou para posar a mão sobre seu sexo e começou a se tocar lembrando do rapaz da cachoeira.
Ela aumentava o ritmo, lembrando de quando o viu nu, depois quando a descobriu e por ultimo, quando sentiu aquele membro na boca.
Estava em outro mundo.
Foi então que ouviu um barulho suave. Um riso abafado, seguido de um suspiro. Alguém também não conseguia dormir.
Ela andou um pouco, do outro lado do pátio, Lucas estava sentado em um banco de madeira, olhando para o céu estrelado. O quietão do grupo. Magro, cabelo castanho desarrumado, sempre com um livro ou fones de ouvido. Nunca tinha olhado pra ela de outro jeito que não fosse amizade.
Conhecia ele desde o primeiro ano no colégio.
Eles estavam isolados. De madrugada.
A necessidade apertou.
Vanessa se aproximou devagar, os pés descalços na terra fria. Lucas virou a cabeça, surpreso.
— Vanessa? O que você tá fazendo acordada a essa hora?
Ela parou a um metro de distância, as mãos tremeram levemente.
— Eu… não consegui dormir. Vim tomar um ar.
Lucas acenou com a cabeça, voltando a olhar pro céu.
— Eu também não. A cama é uma merda.
Vanessa o observou. Ele usava uma camiseta justa e um short de moletom. Não era atlético. Mas estava sozinho. E aquilo mexia com a cabeça dela de um jeito estranho.
Ela levou um tempo longo demais para conseguir abrir a boca.
— Lucas…
Ele virou pra ela, sobrancelhas levemente erguidas.
— O que foi?
Vanessa engoliu em seco. O coração batia tão forte que doía.
— Eu… eu preciso te pedir uma coisa. Mas eu não sei como falar isso.
Lucas cruzou os braços, curioso.
— Pode falar. Tá tudo bem.
Ela mordeu o lábio inferior, sentindo o gosto do próprio suor. O rosto queimava.
Não era fácil falar isso com alguém, especialmente com um conhecido de anos.
— É que… eu tô com uma vontade. Uma vontade meio… absurda. E eu não sei explicar direito. Só… só sei que eu preciso. Agora.
Lucas franziu a testa, confuso.
— Que tipo de vontade?
Vanessa baixou o olhar pro chão. A voz saiu baixa, quase um sussurro.
— De… de te chupar.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Ela sentiu o rosto pegar fogo. Queria sumir. Queria que a terra abrisse.
Lucas ficou quieto por um longo momento. Quando falou, a voz saiu um pouco trêmula.
— Você tá falando sério?
Ela só acenou com a cabeça, ainda sem conseguir olhar pra ele.
— Eu… eu não sei o que tá acontecendo comigo — admitiu, as mãos tremeram. — Mas eu preciso. E eu… eu não sei por que escolhi você. Só sei que escolhi.
Ela não podia admitir que naquele momento qualquer pau servia. Seria vergonhoso demais.
Lucas ri nervoso, coçando a nuca. Mas o riso não durou. Ele a olhou fixamente, como se tentasse decidir se aquilo era real ou uma brincadeira de mau gosto.
— Você sabe o que tá pedindo, né?
— Eu sei.
Ele olhou ao redor, como se esperasse alguém aparecer. Depois voltou o olhar pra ela. Havia algo diferente no rosto dele agora. Uma mistura de descrença e algo mais quente.
— E se a gente for pego?
— A gente não vai ser. Por favor…
Lucas hesitou mais um instante. Depois um sorriso torto, quase desafiador, apareceu no canto da boca.
— Tá. Mas se eu for embora daqui arrependido, a culpa é toda sua.
Vanessa não respondeu com palavras. Ajoelhou-se na frente dele e puxou o short de moletom pra baixo. O pau de Lucas surgiu, menor e mais peludo do que o outro. Diferente. Novo.
Ela o segurou com uma mão, sentindo a textura áspera dos pelos contra os dedos. Não era liso nem imponente. Era macio em alguns pontos, áspero em outros. O cheiro era menos intenso, mas ainda masculino: um misto de suor, sabonete barato e algo terroso.
Lucas soltou o ar pela boca quando ela passou a língua na ponta, experimentando. Era menos salgado. Mais suave. Interessante.
Ela o levou pro chão, deitando-o na terra fria. A poeira grudava nos joelhos, mas ela não ligava. Lucas gemeu baixo quando ela fechou os lábios em torno da cabeça, devagar, saboreando. Os pelos roçavam nos lábios dela — uma sensação estranha, nova, excitante.
Foi aí que ele se mexeu.
Sem pedir, sem avisar, Lucas puxou a camiseta dela pra cima, expondo os seios. O ar frio da madrugada fez os mamilos endurecerem imediatamente. Ele prendeu a respiração.
— Porra… — murmurou, a voz rouca. — Você é muito mais gostosa do que eu imaginava.
As mãos dele subiram, tímidas no começo, depois mais firmes. Apertou, amassou, passou o polegar pelos mamilos enquanto ela chupava com mais vontade. Vanessa gemeu com a boca cheia, sentindo o prazer dobrado: o pau dele na língua e as mãos dele nos seios, agora sem nenhuma hesitação.
— Assim… isso… — ele gemeu, os quadris subindo. — Não para. Porra, não para…
Vanessa acelerou. A língua girava na glande, a mão apertava a base. Lucas arqueou as costas, os dedos afundando na carne dos seios dela.
— Você tá me matando… — ele ofegou, quase rindo. — Desde quando você é assim?
Ela não respondeu. Só engoliu mais fundo.
Lucas não durou muito. Com um gemido abafado, gozou na boca dela, o jato quente e espesso. Vanessa engoliu tudo, os olhos lacrimejando. O gosto era diferente. Mais suave. Mais dela agora.
Ele ficou deitado na terra por alguns segundos, respirando fundo, as mãos ainda nos seios dela.
— Caralho… — murmurou, quase pra si mesmo. — Eu não esperava isso de você. De verdade.
Vanessa se levantou devagar, passando a língua nos lábios. A camiseta ainda erguida, os seios à mostra.
— Eu também não.
Lucas a ajudou a se ajeitar, mas os olhos continuaram nos seios dela por um segundo a mais do que o necessário. Depois puxou a camiseta dela pra baixo, com um meio sorriso.
— Você é cheia de surpresas, hein.
Ela riu baixinho, ainda ofegante.
— Acho que eu também não me conhecia.
Ficaram em silêncio por um momento. Só o som dos grilos.
— A gente não pode contar pra ninguém — ela disse.
— Eu sei. — Ele passou a mão no cabelo, ainda meio atordoado. — Mas… se você tiver essa vontade de novo… me chama.
Vanessa olhou pra ele. O sorriso que surgiu no rosto dela foi pequeno, mas verdadeiro.
— Tá.
Quando voltou pro quarto, Mariana ainda dormia. Vanessa se deitou, os lençóis frescos contra a pele quente. Fechou os olhos.
Dois homens. Dois gostos. Duas sensações completamente diferentes.
E, pela primeira vez, uma pergunta quieta se formou na mente dela:
O que mais eu ainda não sei sobre mim?
Ela não tinha resposta.
Mas, naquela noite, a pergunta não assustava.
Só excitava.




