Lucas tinha dezoito anos e um rabo que não cabia direito na calça. Branco, cintura fina, coxa fechada, bunda grande, redonda, pesada, daquelas que mexem sozinhas quando ele anda até a cozinha. Gay calado. O pai, Seu Olavo, era o resto da cidade: fazendeiro, chapéu, voz de quem manda em homem e em vaca, ódio de viado como se viado apodrecesse pasto. Naquela cidade, fofoca andava mais rápido que moto. Do quarto do menino saía uma porta baixa para o quartinho de despejo. Colchão velho no chão, cadeira quebrada, cheiro de sabão e mofo. Janela estreita. Dali se via um pedaço do quintal: o tanque de concreto, o pé de goiaba, o muro baixo. Valdir chegou primeiro. Capataz. Negro, casado, dois filho, suor de curral ainda no pescoço. Tinha passado a tarde no pasto e, antes de vir, tinha metido na mulher no quarto dos fundos da casa dele. A buceta dela ainda tava no pau: cheiro azedo, meleca esfriando na cueca, gosto de mulher grudado na pele. Bateu duas vezes. Lucas abriu. Valdir entrou, fechou, já puxando o zíper. O pau saiu pesado, meio mole ainda da foda de casa, veia marcada, cabeça brilhosa de porra e de buceta. Empurrou o pau na cara do menino. — Chupa. Tá com gosto da minha mulher. Chupa essa merda. Lucas ajoelhou. Engoliu. Sentiu o ranço doce da buceta da capataza misturado com suor de saco e couro de montaria. Valdir segurou a cabeça e fodeu a boca, sujo, cansado, tesudo. — Tira a calça. Arreganha. Lucas deitou de bruços no colchão. Valdir abriu as nádegas com as duas mãos, cuspiu no cu branco, esfregou a cabeça suja de mulher bem na olhota e enfiou de uma vez. O menino soltou um gemido abafado no travesseiro. O pau do capataz entrou grosso, quente, ainda escorregadio da outra xota. Valdir fodeu pesado, barriga suada batendo na bunda, mão na nuca. — Esse rabo… porra. Todo dia eu meto na minha e saio querendo meter aqui. Fecha. Isso. Agride o pau. Metia fundo, puxava quase inteiro, enfiava de novo. O cu do Lucas fazia barulho molhado. Valdir cuspia nas costas do menino, passava a mão na própria testa suada e enfiava o dedo sujo na boca dele. — Chupa o suor, puto. Chupa. Gozo do capataz veio grosso, dentro, até o fundo. Ele ficou parado, pau pulsando, leite enchendo. Quando tirou, um fio branco escorreu pela bola do menino até o colchão. A porta do quarto abriu. Tadeu. O comedor da cidade. Solteiro. Homem de mulher casada, de viúva, de prima. Reputação de macho. Tinha prometido ao Lucas: comia aquele rabo uma vez, e o menino calava a boca pra sempre. Ele parou no vão do quartinho. Viu. Ouviu. Reconheceu a voz do Valdir. — Porra nenhuma… Valdir ainda tava com o pau pingando em cima da bunda aberta. — Fecha essa porta. E fecha a boca na rua. Tadeu fechou. Calça já apertando. Abaixou, tirou o pau. Menor que o do capataz, mas duro, vermelho, vazando. Ajoelhou atrás do menino, cuspiu na mão, passou na cabeça e meteu de uma vez no cu já frouxo e melecado. — Caralho, Lucas… se alguém souber que eu to comendo cu de homem… acabou. Tu não conta. Fodia nervoso, rápido, mão no quadril branco. Valdir ficou do lado, passando o pau sujo na boca do menino de novo. — Limpa. Tem leite meu e tem buceta da minha mulher ainda. Lucas chupava. Tadeu metia. O quartinho cheirava a xota alheia, cu arrombado e suor de curral. O portão da frente rangeu. Olavo. Lucas empurrou os dois para o fundo. — Tranca. Não respira. Ele não entra aqui. A tranca rangeu. Lucas saiu, fechou, arrumou a camisa, passou a mão no cabelo. O pai entrou falando alto. — Lucas! Cadê o sal grosso? Cadê o fubá? — Acabou, pai. — Acabou o caralho. Pega o dinheiro e vai no Nestor. Sal, fubá e uma caninha. Anda. E não fica conversando com vagabundo na porta. Lucas voltou um segundo, abriu um dedo da porta: — Fica quieto. Ele nunca entra. Eu volto. Fechou. O portão bateu. No quartinho os dois mal cabiam. Peito no peito. Cheiro de porra. Pau ainda inchado, mas ninguém mexia em ninguém. Valdir falou baixo, quase no dente: — Se esse homem abrir essa porta, eu to morto. Casado. Capataz. Ele me mata no pasto. Tadeu encostou a cabeça na parede. — E eu? Tu acha que a cidade vai continuar me chamando de comedor se souberem que eu tava com o pau no filho do Olavo? Acabou. Bar, rodeio, tudo. — Então cala a boca e fica parado. — Tô parado. Mas esse teu pau ainda tá duro, hein. — O teu também, porra. Não encosta. — Não to encostando. Tô falando. Silêncio. Só a respiração. Valdir passou a mão no próprio pau uma vez, parou. — O menino demora no mercado. — Demora. E daí? — Daí nada. Só to falando. Tadeu riu no nariz, sem graça. — Tu come a mulher e vem comer o filho. Eu como metade da cidade e vim comer o mesmo rabo. Os dois hétero trancado num quartinho. Se isso vazar… — Não vaza. Cala. Lá fora, Olavo foi pra cozinha. Abriu a janela do fundo. Acendeu o cigarro. Do muro subiu Biu. Vizinho. Negro. Casado. Pau que a cidade só falava em cima de mulher. A esposa no chuveiro — a gente ouvia a água do outro lado. Biu já vinha com a calça no meio da bunda. — O menino? — Foi no mercado — Olavo falou. — Mete logo. A mulher tua ainda tá no banho? — Tá. Cinco minuto. Abre. Olavo baixou a calça até o joelho, segurou a beira do tanque e arreganhou. Bunda grande, branca queimada nas beira, cu escuro, usado, peludo. — Cuspe direito, porra. Ontem tu entrou seco. — Ontem tu pediu seco. Biu cuspiu grosso, abriu com os dois polegares e enfiou o pau preto até as bola. Olavo gemeu no concreto. — Isso. Fundo. Bate nesse cu. — Fala baixo, fazendeiro. Teu filho pode voltar. — Ele foi a pé. Mete. Biu fodeu curto e fundo, tapa na carne, saco batendo. — Esse rabo teu… a cidade inteira te chama de macho e tu toma rola no tanque. — Cala a boca e fode. Mais fundo. Segura a cintura. — Tá gostoso, Olavo? — Tá. Não para. Quero leite dentro. Do quartinho a fresta pegava tudo. Valdir falou sem tirar o olho: — O homem… o homem toma no rabo. Olha o rabo dele, Tadeu. Tadeu já tinha a mão no pau do capataz. — Olha. O Olavo. Pedindo leite. — Não encosta em mim. Tadeu encostou. Virou o Valdir de lado contra a parede. Cuspiu no dedo. Enfiou um. Valdir fechou o dente. — Tira. Tira essa porra. Eu não sou isso. O dedo não saiu. Girou. Valdir empurrou o quadril pra frente e o cu veio atrás, sozinho. — Porra… Tadeu… não faz isso… eu tenho mulher… eu tenho filho… — Teu patrão também. E tá levando preto até o talo. No tanque, Biu puxou o cabelo grisalho do Olavo. — Abre mais. Quero ver esse cu comendo. — Tá comendo, porra. Acabou logo. Goza. — Gozo quando eu quiser. Rebola. Olavo rebolou. Cu chapando. Biu deu dois tapa e riu no pescoço dele. — Machão da fazenda. Puta no quintal. — Cala. Mete. No quartinho Tadeu tirou o dedo, cuspiu no pau e encostou a cabeça no cu do capataz. Valdir falou no travesseiro de ninguém: — Não mete. Não mete, Tadeu. Eu não como homem. A cabeça entrou. Valdir soltou um barulho feio e empurrou o rabo pra trás. — Merda… merda… não tira agora… não tira. Tadeu meteu curto, colado, mão na boca do outro. — Fala. Fala que tá gostoso. — Não tá… porra… tá… não fala isso… mete fundo, caralho. Valdir xingava e rebolava. Pau batendo sozinho na parede, vazando. Tadeu fodia o capataz olhando a janela: o pau preto saindo e entrando no cu do fazendeiro, a voz do Olavo pedindo leite, o tapa, o “acaba logo”. No tanque Biu gemeu. — Vou gozar. Segura. — Dentro. Tudo dentro. Enche. Biu enterrou e gozou. Olavo gozou no cimento, sem mão, jato longo, gemendo feio contra o tanque. — Sai devagar. Biu saiu. A porra caiu no chão. Subiu o muro. Sumiu. Olavo puxou a calça, limpou o cu com a ponta da camisa, acendeu outro cigarro. A voz já tava de patrão de novo. No quartinho Tadeu ainda metia. Valdir gozou na madeira sem pôr a mão, cu agarrado, xingando baixo: — Filho da puta… acaba… acaba dentro. Tadeu gozou fundo. Ficou parado. Os dois sujos. Ouvindo o Olavo fumar. Portão. Lucas. Olavo gritou: — Demorou, menino. Põe isso na despensa e vai banho. Tá com cara de quem andou aprontando. Lucas passou pelo quarto. Abriu um dedo. Viu os dois. Viu o pau ainda dentro. Viu a porra. Viu a cara. Fechou. No quintal, Seu Olavo apagou o cigarro no tanque, em cima da mancha que ainda não tinha secado.
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