Eu sempre fui a que cuida.
A que escuta, acolhe, resolve, segura.
A que percebe o que os outros não dizem e encontra um jeito de estar presente.
Mas comigo é diferente.
O que eu sinto, o que eu penso, o que me atravessa… quase sempre fica aqui dentro.
Eu fecho.
Não necessariamente porque não queira falar. Às vezes porque nem sei como abrir aquilo. Às vezes porque passei tanto tempo sendo forte que aprendi a simplesmente guardar.
E você percebe.
Há algum tempo, você vem percebendo.
Não é de hoje.
Não começou porque um dia eu desabei.
Você já vinha encontrando essas portas fechadas muito antes de eu entender que alguém poderia entrar nelas.
E o mais bonito é que você não entra fazendo barulho.
Você não invade.
Não força.
Não exige que eu explique aquilo que ainda não consigo explicar.
Você simplesmente chega.
E cuida.
Cuida do que eu não digo.
Cuida do meu silêncio.
Cuida quando eu estou cansada.
Cuida quando alguma coisa me atravessa e eu tento fingir que não atravessou.
Às vezes você me lembra que eu sou forte.
Às vezes me acalma.
Às vezes só fica.
E talvez você nem perceba o tamanho disso.
Porque eu passei boa parte da vida acreditando que ser forte significava não precisar ser cuidada.
Até perceber que uma coisa não anula a outra.
Eu continuo sendo forte.
Continuo sendo a mulher que segura tanta coisa.
Mas existe uma diferença quando alguém olha para essa força e consegue enxergar a mulher que existe atrás dela.
Você enxerga.
E quando eu fecho uma porta, você não tenta derrubá-la.
Você encontra a maneira de chegar até mim.
Por isso, talvez o nosso lugar seja justamente esse:
onde eu fecho, você cuida.
Não porque eu seja fraca.
Mas porque, com você, eu não preciso ser forte o tempo inteiro. ??nyxdedomGravata
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