Os dias foram passando, mas eu não conseguia me afastar de José. Pelo contrário: quanto mais tentava tratar aquilo como um segredo passageiro, mais ele se infiltrava na minha rotina.
Às vezes, ele aparecia no estacionamento do hospital durante o meu expediente. Eu recebia uma mensagem, olhava para a tela e sentia o coração acelerar. Inventava uma desculpa, saía por alguns minutos e ia encontrá-lo. Eram encontros rápidos, imprudentes, carregados da tesão de saber que eu deveria estar trabalhando e de que alguém poderia notar minha ausência.
Eu, por minha vez, sabia que bastava vê-lo para esquecer, por um instante, todas as razões que tinha para manter distância. Entre beijos apressados e carícias escondidas, aqueles encontros se tornaram uma espécie de vício. Às vezes, ele me provocava até eu perder a noção do tempo; aquele pau grosso, aquela boca safada, e a pressa tornava tudo ainda mais excitante. Depois eu voltava ao hospital tentando recompor a expressão, ajeitando a roupa e fingindo que tinha saído apenas para resolver alguma coisa, escorrendo esperma por minha bunda, minhas pernas.
Eu sabia que estava brincando com o risco. E, ainda assim, continuava.
No trabalho, eu conversava bastante com uma colega de 37 anos. Ela era casada, religiosa e tinha uma aparência discreta, mas era muito bonita, magra e elegante. No começo, tentou me alertar. Dizia que eu estava colocando em perigo coisas importantes por causa de uma aventura e que, cedo ou tarde, aquilo poderia deixar de parecer excitante.
Eu ouvia, mas nem sempre levava o conselho a sério. Quando contava alguma história mais picante, percebia que ela ficava atenta. Às vezes fazia perguntas; outras, ria e mudava de assunto. Eu interpretava aquele interesse como curiosidade, embora não pudesse saber com certeza o que se passava na cabeça dela, mas ela tinha um jeito fogosa, não dava para esconder.
Um dia, mostrei a José uma foto comum da minha colega. Ele olhou por alguns segundos e disse que ela era atraente, que não a dispensaria. O comentário me surpreendeu. Até então, eu tinha pensado nela apenas como alguém que me aconselhava, uma pessoa fora daquela história. De repente, José a tinha colocado dentro da conversa, e isso mudou o jeito como eu a enxergava.
Não gostei de perceber que havia compartilhado a imagem dela sem pensar se ela ficaria confortável com aquilo. A observação de José ficou ecoando, e junto dela veio uma sensação incômoda: eu estava deixando que a nossa intimidade atravessasse limites que não eram só meus.
Mesmo assim, naquela noite, quando ele me escreveu, respondi como sempre. Eu ainda não sabia o que faria com o que tinha começado. Só sabia que cada encontro tornava mais difícil fingir que tudo continuava sob controle, ainda bem que meu noivo não percebia nada.
Terminava minhas conversas com José tão excitada, que ainda me mastubava, antes de dormir, pensando nele, desejado-o. Imaginado ele fudendo com minha colega. Que loucura!