Foi pelo Instagram que conheci José. Ele tinha 38 anos, era solteiro, moreno, forte e bonito de um jeito que me fez reparar nele antes mesmo de trocarmos muitas palavras. Começamos conversando sobre coisas banais. Depois, as mensagens foram ficando mais frequentes, mais longas, mais íntimas.
Eu contava a ele coisas que não costumava dividir com meu noivo. José sabia escutar, fazia perguntas e parecia entender os silêncios entre uma frase e outra. Sem perceber direito quando aconteceu, comecei a esperar pelas mensagens dele. A amizade virtual foi ganhando uma tensão própria, até que nossas conversas passaram a brincar com limites que eu nunca tinha imaginado cruzar.
Eu sentia desejo por ele. E sabia que era correspondida.
Meu noivado seguia em frente, os planos do apartamento também, mas isso não apagava a expectativa que crescia cada vez que o nome de José aparecia na tela. Dizia a mim mesma que era só uma fantasia, uma distração. Ainda assim, quando ele sugeriu que nos encontrássemos, não consegui dizer não.
Marcamos numa quinta-feira à noite, no Shopping Iguatemi. Saí do trabalho com o celular na mão e uma inquietação que eu tentava disfarçar até de mim mesma. No caminho, reli as últimas mensagens. Quando finalmente o vi, reconheci de imediato o sorriso que já conhecia pelas fotos, só que ao vivo ele parecia mais próximo, mais real, mais difícil de ignorar.
Conversamos por alguns minutos. José sugeriu que fôssemos até a casa dele, que ficava perto do shopping. Eu hesitei. Sabia que aceitar significava atravessar uma linha. Mesmo assim, fui.
No apartamento, a conversa mudou de tom. O silêncio entre uma frase e outra parecia carregar todas as mensagens que tínhamos trocado. José se aproximou devagar, dando espaço para que eu recuasse. Não recuei. Quando nos beijamos, senti a expectativa acumulada se transformar em algo concreto.
A noite tomou outro ritmo. Houve beijos, carícias e uma intimidade que me surpreendeu pela atenção com que ele percebia minhas reações. Eu me senti desejada, logo estava apenas de calcinha fio dental, suas mãos e boca passeavam sobre meu corpo, eu delirava. Apesar de transar com meu noivo, aquele pau era muito mais grosso e duro como pedra, comecei a chupar era uma delícia, ele me puxou e caiu de boca em minha buceta, era um fetiche meu a tempos, nunca tinha sido chupada na buceta, entrei em êxtase, o primeiro gozo veio em segundos.
Foi uma experiência intensa, diferente de tudo o que eu tinha vivido até então. Quando me despedi de José, levei comigo uma mistura de euforia, espanto e culpa. Olhei o relógio: ainda chegaria antes das dez.
Em casa, tentei recuperar a naturalidade. Falei com meu noivo, respondi às perguntas sobre o trabalho e segui a rotina como se aquela quinta-feira tivesse sido igual às outras. Ele não desconfiou. Eu, porém, já não conseguia fingir que nada tinha acontecido.
Nos dias seguintes, tentei convencer a mim mesma de que tinha sido apenas uma noite. José não exigia nada; continuava conversando comigo como antes, e talvez isso tornasse tudo mais difícil. Falávamos do cotidiano e, sem demora, voltávamos à lembrança daquele encontro. Eu sentia falta das conversas, da cumplicidade e da sensação de que, com ele, podia revelar partes minhas que mantinha escondidas.
Quando José perguntou se eu queria vê-lo outra vez, comecei a escrever que não. Apaguei a resposta. Pensei no meu noivo, no apartamento que planejávamos comprar, na mulher que eu acreditava ser.
Então digitei: “A gente conversa.”
Enviei a mensagem sabendo que aquela história já não era apenas uma fantasia guardada no celular. E que, dali em diante, cada escolha minha teria um peso diferente.