Meu nome é Jorge e vou contar uma história que aconteceu comigo.
Trabalhei em uma pequena fazenda no interior de São Paulo. Na época eu tinha 24 anos e era o único empregado de serviços gerais. A fazenda pertencia ao Sr. Irineu, um senhor na faixa dos 65 anos. Ele ficara viúvo há poucos anos e agora morava sozinho — um católico fervoroso, de postura rígida e voz baixa.
Trabalhava também a Dona Eulália, que chegava cedo, preparava as refeições e fazia a limpeza da sede. Vinha de carona com o filho e, por volta das 14 horas, voltava para a cidade de carona com o Sr. Irineu. Ele sempre ia para a cidade à tarde e só regressava depois que escurecia. Como meu expediente terminava às 17h, nunca o via chegar de volta. Parece que, além dos negócios, ele ajudava na igreja local.
Um dia vi o Sr. Irineu sair por volta das 9h e retornar cerca de uma hora depois. Junto com ele veio uma moça. Vim a saber depois que era uma de suas netas e se chamava Luiza. Era mês de julho, período de férias escolares. Vi de longe ela cumprimentar Dona Eulália com naturalidade, o que me fez entender que não era a primeira vez que vinha passar uns dias na fazenda.
No dia seguinte, depois do almoço, precisei ir até o galpão velho para pegar algumas cordas. Era um galpão grande, de uns vinte metros por dez, com parede apenas em uma das laterais. O restante era aberto, com cercas e divisórias de madeira usadas no manejo dos animais. Havia muita coisa largada por ali: ferramentas enferrujadas, sacos vazios, pedaços de madeira e objetos esquecidos pelo tempo.
Separei as cordas e sentei num banco torto que havia no fundo do galpão para fumar. Dali eu tinha uma boa vista do caminho que levava até a sede. Foi quando vi aquela moça, a neta do Sr. Irineu. Usava um vestido branco leve, quase transparente sob a luz da tarde. O vento ocasional colava o tecido contra o corpo, revelando com delicadeza a forma alongada das pernas e o contorno suave dos seios. Andava sem pressa pela propriedade, como quem explorava o lugar com uma curiosidade contida, quase secretamente prazerosa.
Veio vindo na direção do galpão. Entrou pela outra ponta e começou a caminhar entre as coisas amontoadas, tocando algumas com a ponta dos dedos, observando tudo com atenção. Não me viu. Continuei sentado, apenas observando, sentindo uma estranha quietude se instalar em mim.
De repente apareceram alguns cães: uma cadela e três machos. Eles se dirigiram direto para ela. Um dos machos montou a cadela ali mesmo, encaixando-se com força e começando a empurrar as ancas num ritmo seco, instintivo e insistente. A moça parou. Ficou imóvel. Os olhos presos naquela cena crua, animal, quase hipnótica. Havia algo na sua postura — a respiração que se alterava, o leve tensionar dos ombros — que denunciava mais do que simples curiosidade.
Levantei-me devagar e me esgueirei até uma pilastra de madeira de onde pudesse enxergar melhor sem ser notado. Fiquei a uns dez metros dela. O cachorro continuava acoplado à cadela, o corpo tensionado, o movimento das ancas cada vez mais profundo e urgente. Luiza, com a mão direita, ergueu lentamente a barra do vestido branco. Os dedos deslizaram com uma hesitação quase cerimoniosa até o meio das próprias pernas e começaram a acariciar a pele ali.
Então um dos outros cães soltou um ganido agudo e pulou em cima da dupla. Com o susto, o primeiro se descolou da cadela. Seu membro ficou exposto — grosso, avermelhado, brilhante de umidade, ainda latejando no ar quente da tarde. Outro cão trepou imediatamente na cadela e começou a se unir a ela com pressa.
A moça suspirou. Um suspiro longo, carregado de uma excitação que ela não conseguia mais disfarçar. Como se estivesse sob um feitiço, aproximou-se do cão que ainda tinha o membro exposto. Eu peguei o celular, abri a câmera, coloquei no zoom máximo e comecei a gravar, o coração batendo com uma intensidade que eu mal reconhecia.
Ela se ajoelhou ao lado do animal. Com a mão trêmula, quase reverente, segurou aquele membro inchado e úmido. Com a outra mão continuou se tocando por baixo do vestido. O cão correspondia, flexionando as ancas num movimento frenético contra a palma dela, o corpo inteiro vibrando de instinto puro.
Pelos movimentos do quadril dela, pelos suspiros curtos e pelo jeito como a cabeça se inclinava para trás, percebi que ela chegara ao orgasmo. O corpo tremeu de forma visível, uma onda que percorreu as coxas e a cintura. Soltou o cachorro, levantou-se devagar e ficou olhando a própria mão — aquela que havia segurado o membro do animal. Cheirou os dedos com uma atenção quase devota, os olhos semicerrados, e depois passou a língua lentamente sobre a pele, como quem prova algo proibido e, ao mesmo tempo, profundamente desejado. Foi então que reparei em sua expressão. Não havia nela qualquer traço de candura ou inocência — pelo contrário, revelava-se ali, com assustadora clareza, a mais pura perversidade.
Eu estava tão tomado por aquilo que perdi o equilíbrio por um instante. Ao dar um passo para trás, pisei numa lata velha. O barulho metálico ecoou alto no galpão.
Ela se virou de súbito. Nossos olhares se cruzaram.
Ficamos paralisados por alguns segundos que pareceram longos demais. Eu ainda com o celular na mão. Ela com a respiração ofegante, o vestido amassado, a expressão dividida entre o susto e algo mais escuro, mais íntimo. Depois, como se despertasse de um transe, virou-se bruscamente e correu de volta para a sede.
Fiquei observando até ela desaparecer dentro da casa. Desliguei o celular. Caminhei até a velha churrasqueira abandonada, o corpo ainda em alerta, a pele quente. Abri a braguilha, tirei o membro — duro, latejando, já umedecido — e me toquei ali mesmo, com uma urgência antiga e intensa, enquanto a imagem dela ainda queimava atrás dos meus olhos.
Naquela noite, o quarto abafado do alojamento tornou-se uma prisão de desejo. O vídeo rodava em looping no celular — os contornos do corpo de Luiza sob o vestido branco, o movimento ritmado dos quadris, a forma como a mão dela se fechava com atenção quase devota, o som dos suspiros que eu captara por acaso. Cada frame era uma punhalada silenciosa de desejo.
Meu corpo não se acalmava. O membro permanecia tenso, latejando entre as pernas mesmo quando eu tentava desviar o pensamento. Qualquer outra coisa. Mas era inútil. A imagem daquela moça — cabelos escuros caindo sobre o rosto, pele dourada pelo sol da fazenda, o jeito como as pernas tremiam no instante final, a expressão concentrada enquanto a mão se movia — não me dava trégua.
Gozei tantas vezes que perdi a conta. A primeira foi lembrando do momento exato em que ela se virou e nossos olhares se cruzaram. A segunda, do som metálico da lata que denunciou minha presença. A terceira foi daquela expressão de de perversidade enquanto lambia a mão lambuzada.
Passei o dia seguinte em estado de alerta constante.
Cada vez que Dona Eulália se aproximava, meu coração disparava. Cada vez que o carro do Sr. Irineu passava, eu me encolhia atrás de qualquer coisa. Mas Luiza não apareceu. Nem no almoço, nem à tarde. Dona Eulália comentou com alguém — acho que com o filho, ao telefone — que “a menina estava com dor de cabeça e ficou no quarto”.
Eu sabia. Ela estava evitando. Ou processando. Ou as duas coisas ao mesmo tempo.
À noite, deitei na cama dura do alojamento com o celular na mão. Abri o vídeo de novo. Dessa vez, pausei num frame específico — o instante em que ela levava a mão aos lábios, os olhos semicerrados, a curva suave do quadril marcada sob o tecido claro. O caminho que minha mente já percorrera mil vezes.
Toquei-me com lentidão, sem pressa. Saboreando cada imagem, cada lembrança, cada detalhe que o corpo dela ainda guardava na minha memória.
No outro dia, depois do almoço, fiquei meio de tocaia perto da sede. Quando o Sr. Irineu já estava entrando no carro com Dona Eulália, fiz um sinal discreto. Ele parou e me esperou. Fui me aproximando. Pelo canto do olho vi que Luiza estava parada na porta, imóvel, observando.
Parei a uns vinte metros e falei, sem subir a voz:
— Seu Irineu, depois preciso falar com o senhor.
Ele me olhou com uma expressão meio desentendida, mas assentiu. Depois entrou no carro com Dona Eulália e os dois seguiram.
Dei uma última olhada rápida para Luiza, que ainda permanecia na porta. Virei-me e fui em direção ao galpão.
Fiquei por ali fazendo de conta que arrumava a bagunça. Empurrava as velharias, arrastava caixas, fazia barulho de propósito. Esperando para ver se o peixe mordia a isca.
Depois de um tempo, ouvi uma voz feminina me chamando.
— Jorge.
Me virei. Era ela. Estava parada na entrada do galpão, a silhueta recortada contra a luz da tarde. Olhei na direção dela.
— Esse é o seu nome, certo?
Assenti com a cabeça.
Ela foi direta, sem rodeios:
— Olha… não sei o que você viu, mas não pode contar pro meu avô.
Havia tensão em todo o corpo dela. Os ombros um pouco encolhidos, a respiração curta. Mas não era só medo. Havia também expectativa. As mãos tremiam de leve ao longo do corpo. Os olhos brilhavam, úmidos, alertas.
Passei a mão nas mangas da camisa, como se estivesse tirando pó, e me dirigi devagar na direção dela. Parei a uns três metros de distância.
Fitei bem seus olhos. Absorvi, sem pressa, todas as sensações daquele momento: o medo, a angústia, a excitação contida, o desespero disfarçado. Meu pau endureceu na hora, pesado dentro da calça.
Deixei o olhar descer pelo corpo dela, demorando-me em cada detalhe, me deleitando com a vulnerabilidade exposta.
Era uma garota bonita, com talvez um metro e setenta de altura, olhos claros, cabelos pretos lisos ate o meio das costas, rosto simétrico, seios que pareciam fartos, corpo bem proporcional, um ar jovial e movimentos elegantes.
Encarei-a e percebi que seus olhos estavam marejados.
Suspirei e baixei a vista para o chão à frente dela. Fiquei alguns segundos em silêncio, como se estivesse pensativo. Depois levantei a cabeça e voltei a encara-la novamente.
— Eu não quero contar pro seu avô o que eu vi.
Senti a tensão que preenchia o ar entre nós afrouxar um pouco, como se uma corda esticada tivesse sido afrouxada.
— Mas agora estou ocupado com essas coisas. Amanhã, depois que seu avô sair, passa por aqui pra gente conversar. Vou te esperar.
Ela assentiu com a cabeça, o gesto curto e submisso, como o de uma criança pega em flagrante. Virou-se devagar e seguiu de volta para a sede.
Fiquei olhando até a porta se fechar atrás dela. O balanço daquele corpo jovem ainda ficou impresso na minha retina. Mas foi a lembrança da expressão de pura perversidade no rosto dela, no instante em que lambeu a mão lambuzada com a secreção do pau do cachorro, que me fez despertar de verdade.
Era aquela Luiza que eu queria.