Ela estava cheia de más intenções naquela noite, eu que não as notei, pelo menos não de inicio. Eu já estava deitada e pronta para dormir quando ela mandou mensagem dizendo que precisava de mim, que estava sozinha e que tinha medo de ser perigosa para si mesma. Fazia tempos que ela não tinha dos seus surtos depressivos, fiquei preocupada e decidi não arriscar, peguei os últimos ônibus da noite e fui em direção a sua casa. Quando cheguei, ela veio sorridente em minha direção, me deu um beijo no rosto e me puxou pelas mãos para dentro de casa dizendo que na realidade estava muito bem e que queria apenas companhia, -”Não fica brava comigo, de outra maneira sei que você não viria!!” . Até tentei ficar, mas sem sucesso, quando ela abria aquele sorriso lindo era impossível ficar com raiva. Nos sentamos no sofá para assistir TV e comer, ela havia comprado pizza e vinho, - que admito ter colaborado para a minha não raiva-. Ela se sentou sobre os joelhos e apoiou uma da mãos em meu ombro, eu estava sentada de frente, e não ousava olhar para ela, mas eu sentia a respiração dela bem próxima a mim, como se estivesse cheirando meus cabelos. Ela me parecia tão sedutora. Possuía cabelos longos lisos e negros, olhos castanhos que lembravam os de um gato. Ela estava usando apenas uma camiseta preta do Pearl Jam e uma calcinha. Ela não fazia uso de perfumes ou cosméticos, mas possuía um cheiro natural, como se sua personalidade fosse tão vibrante, que necessitava exalar através de sua pele. Eu respirava fundo para poder sentir melhor, e enquanto passeava nesses meus devaneios, senti seus dedos passando sobre a minha perna. Ela cochichou suavemente no meu ouvido dizendo; “vamos para o quarto?”. Eu não sabia direito o que estava acontecendo ali, me senti um tanto perdida, mas assenti. Preferi acreditar que ela estava apenas com sono e que queria dormir. Nos deitamos na cama e ela passou um dos braços sobre a minha barriga, de forma que o seu nariz pudesse passear pelo meu pescoço, após alguns instantes ela o beijou e eu senti o meu corpo inteiro se arrepiar. Eu fiquei completamente tensa nesse momento, por que a essa altura não daria mais para ter duvidas; ela estava dando em cima de mim! Então pedi para que ela parasse, disse que não ficava com mulheres e perguntei o que ela queria com tudo aquilo. Ela se pôs sobre meu corpo, me olhou bem fundo nos olhos e disse; “Você!” E me beijou na boca. Foi como uma alucinação, parecia errado achar aquilo tão belo. Ela passou as mãos por baixo da minha blusa e a levantou para que pudesse beijar os meus seios, eu estava de punhos cerrados, ainda muito tensa, mas consentindo com seus movimentos. Eu sentia uma excitação tão forte percorrer o meu corpo, que parecia que ele iria se partir. Eu nunca gostei de ser tocada, apenas suportava, em todos os momentos em que estive com homens, o toque era quase como uma tortura, era como se minha pele repelisse. Pela primeira vez o toque de alguém não me causou repulsa, pelo contrario, as mãos dela fazia com que meu corpo ardesse como eu nunca poderia conceber como possível. Mudamos de posição e eu fiquei deitada por cima, foi quando tive um momento de contemplação, ela estava tão bela naquela meia luz, sua boca entre aberta, ela sempre me olhava nos olhos, os cabelos escorridos sobres os seios... Eu sentia minha boca ardendo de desejo, eu precisava beijar o corpo dela para tentar aplacar a minha vontade. Quando cheguei nos seios ela me pediu para coloca-lo inteiro na boca e sugar bem forte. Ela soltou um gemido tão bonito e delicado com esse movimento, parecia sentir um imenso prazer com aquilo. Um sentimento de descontrole começou a se apossar de todo o meu corpo. O problema é que eu gosto de estar no controle, então aquela sensação ao mesmo tempo que me maravilhava, também me assustava. Então eu simplesmente congelei! Me deitei de costas para ela e disse que aquilo estava errado, e se estragasse a nossa amizade? Como nos olharíamos amanhã? Deveríamos apenas dormir.
Fiquei de costas, ela em silencio sem se mexer. O som do gemido dela estava ressoando na minha cabeça como música, exalava toda a sua beleza feminina, mulher que sente e que gosta de sentir prazer. Meu coração estava disparado, eu mal conseguia controlar a minha respiração. Ela deve ter notado isso, se aproximou sutilmente e no meu ouvido me disse; "se você quiser, amanha fingimos que nada disso aconteceu", ela falava enquanto pegava a minha mão e colocava por entre as suas pernas e começou a rebolar na minha mão, -"amanhã acordaremos como boas amigas, vamos na padaria juntas falando sobre coisas aleatórias, tomaremos café, você volta comigo e me ajuda a preparar o almoço... hm... ta vendo só como você me deixa?". Ela estava completamente molhada, e sentir os meu dedos deslizando nela, fez com que aquela sensação de descontrole voltasse ainda com mais força. -"Eu sou lésbica?" Eu me perguntava e naquele momento tive certeza que sim. -"Eu sou lésbica!" Pensar isso me trouxe um sentimento estranho de alívio misturado com vaidade e orgulho, dessa vez eu resolvi mergulhar naquele sentimento de descontrole e fazer o que estava com vontade de fazer. Não estava mais tensa, estava feliz! Eu senti a necessidade forte de extravasar aquele desejo, e aparentemente ela também. Nos amamos intensamente naquela noite, eu tive a sensação de que meu corpo não era suficientemente forte para aguentar aquilo.
Orgasmos nunca são ruins, mas o daquela noite foi diferente, aquele orgasmo aconteceu no corpo inteiro, na pele, nos ossos... Um orgasmo longo e intenso. Me senti mais mulher, mais bonita, mais forte! Desfalecemos juntas, abraçadas, aliviadas, felizes...