Eu saí aquele dia com certo ar faceiro de quem decidiu flertar livremente. Não havia nada que eu amasse mais que minha solterisse. Olhar quem eu quisesse, quando quisesse, sorrir, paquerar, mesmo que não desse em nada, essa liberdade tinha um Q libertador. Vi algumas belas mulheres altas, todas altas, inclusive, faço um parenteses para chamar atenção para o quanto isso era engraçado; um grupo de três mulheres de 1,85 cada uma, todas andando juntas. Eu me divertia ao olha-las e pensar em como se conheceram, qual o critério para andarem juntas, além de serem muito altas? Todas lindas e altas. Claro que eu não achava que tinha chance com nenhuma delas. Obviamente era muito areia para o meu caminhãozinho. Eu as apelidei carinhosamente de: Meninas altas do grupo das meninas altas. Até que percebi o olhar de uma delas em mim, ela se virava, sorria, me olhava de cima a baixo com um sorrisinho malicioso de canto de boca. Não estou acostumada com isso, geralmente sou eu quem flerto, aquilo era novo e me deixou nervosa!! Fiquei, como boa lésbica, emocionada, caidinha por aquela menina alta. Era uma festa do dia da Consciência negra da minha cidade, eu estava com uma amiga e com uma amiga da minha amiga, que conheci naquele dia. Menina legal, alegre, bonita, mas até aquele momento do flerte com a menina alta, eu não tinha olhado ela de outro jeito que não fosse do da amiga da minha amiga. Acontece que quando ela percebeu esse movimento meu e da menina alta, e que poderíamos acontecer ali de maneiras bem safadinhas, ela resolveu colar em mim, grudou no meu braço, forçou papo, conversava colada no meu rosto. Confesso que achei um tanto inconveniente, tentei afasta-la um pouco, ter um mínimo de distância, mas definitivamente queimou o meu filme com a menina alta. Quando a olhei, os lábios dela se comprimiram num breve esgar, como quem desaprovava a situação, mas não tem motivos para contestá-lo. Fiquei me sentindo meio galinha mas nem era minha culpa. Cedi ao destino, e na impossibilidade de retomar aquele flerte, fiquei no flerte inconveniente. (Pelo menos ali de início era). Eu tinha bebido um pouco e a amiga também. Vou passar a chama-la de Erica. (Que pode ou não ser um nome ficticil). Erica me chamou para dar uma volta e me conduziu para uma parte da praça da cidade que estava vazia, era bem num finalzinho de um jardim. Ali, apesar da pouca iluminação, foi quando eu percebi que ela era muito bonita. E estava muito afim de mim, e eu com minha distração não notei. Quando digo ela estava afim, é porque ela estava muito afim. Ela me colocou contra a parede e começou a me beijar e a gemer no meu ouvido com certo ar desesperado, como se estivesse faminta. Aquilo mexeu demais comigo. Ela pegou a minha mão e enfiou dentro da própria calça, pedindo e sussurrando; "por favor, por favor...", e foi quando percebi que ela estava completamente encharcada. Conforme eu movimentada e deslizava os meus dedos ela gemia mais alto e se contorcia. Eu senti a sua barriga se contraindo seguido de um breve silencio que noticiava um orgasmo, então, ela soltou um gemido, tão delicioso de ouvir, que até hoje quando lembro, quem fica encharcada sou eu. Ela gozou ali no meio da praça, e ficou abraçada comigo por um tempo, respirando forte, enquanto se recuperava. Fechou o zíper, e voltamos para a festa. Eu estava com cheiro de buceta, e preciso confessar que nem vontade de lavar as mãos eu tive, queria ir para casa e dormir com esse cheiro delicioso. Eu ofegante estava, ofegante fiquei. Fiquei pensando nela a noite toda depois que cheguei em casa. Aquele gemido dela no meu ouvido quase me mata! Eu poderia parar por aqui, mas preciso de pontos finais e não gostaria que ficassem sem saber da reviravolta. Caras leitoras, vocês acreditariam se eu contasse que Érica é hétero? Eu não disse Bi. Eu disse HÉTERO. Sei que as meninas lésbicas que estão lendo isso sabem que estou dizendo a verdade, pois, não duvido que já passaram por algo assim. Eu descobri que ela namorava um rapaz! E descobri, pela boca dela, que ela não poderia ficar comigo. Ah, minhas queridas lésbicas de plantão, o erro é sempre se apaixonar por uma hétero! Hoje, ao olhar para trás, a impressão que tenho, é que Érica resolveu que iria enlouquecer uma lésbica, e mirou em mim, não sei porque. Embora ela dissesse que nada parecido com aquilo que houve na praça, poderia acontecer novamente, ela quis ser próxima e presente em minha vida. Descobri que ela morava perto da minha casa, e dali em diante ela começou a ir sempre em minha casa, começamos a caminhar juntas, estudar juntas, conversar por horas... O fato é que mesmo com tanta proximidade, não tivemos novamente a oportunidade de ficar a sós. Isso só aconteceu um mês depois quando meus pais foram visitar minha avó na zona rural. Ela chegou na minha casa às 10h00 da manhã me pegando de surpresa. Eu devo admitir que ainda estava louca por ela e ainda não tinha conseguido me livrar daquele som do gemido dela do meu ouvido e que tanta convivência com ela naquele mês, para mim, foi como uma tortura. Foram horas e dias ouvindo o barulhinho bom da risada dela. Sentindo de longe o cheiro do cabelo quando ela mexia nele. Lidar com aquele olhar penetrante nos meus olhos, aquele sorriso gostoso... Devaneios a parte, quando ela percebeu que eu estava sozinha em casa, ela veio para cima de mim como se estivesse com uma sede de três dias no deserto. Que beijo bom. Ela me beijou de novo daquele jeito ardente, gemendo no meu ouvido, ofegante, intensa. Eu fiquei completamente fora mim. Naquela altura, tudo que eu queria era deixar a minha língua completamente aberta e lamber a buceta dela, e queria que ela estivesse tão molhada como no primeiro encontro. Eu queria ela que ela segurasse a minha cabeça contra a buceta dela e se esfregasse com força lambuzando todo o meu rosto. Queria ver ela tendo um orgasmo forte, queria ver o corpo dela se contorcendo e tremendo inteiro. Queria ver ela gritando, convulsionando de prazer. Minha boca ardia de desejo, eu sentia o meu corpo pulsando. Fiquei completamente cega de desejo. Mas em meio aquele beijo ardente, ela disse que não podia e que aquilo era errado e tentou se desvencilhar dos meus braços. Eu a levantei e a joguei na cama e montei sobre ela, mesmo ela dizendo que não, eu dizia que iria mostrar para ela o que era ser amada por mulher, como era ter o corpo apreciado por uma lésbica, disse que daria a ela o maior prazer da vida dela, e arranquei o botão da calça dela com força em vez de abrir, foi quando ela se desesperou, e então eu abrir a sua camisa do mesmo modo, sem desabotoar, apenas rasguei com força enquanto os botões caiam para o lado. Confesso que perdi as estribeiras e que fiquei cega e surda por alguns instantes, foi quando, num estalo, percebi que passei dos limites e enxerguei em sua face o NÃO estampado, tive um choque de realidade desolador. Eu me desculpei e me levantei completamente sem jeito. Ela se recompôs e foi embora. Fiquei reflexiva e pensativa por meses sobre aquele descontrole e desejo absurdos que me fizeram agir tão impulsivamente. Dali em diante ela tentou me contatar novamente, disse que me queria, ia a minha casa e também ao meu trabalho dizendo que estava pronta, mas eu fiquei tão sem chão com tudo aquilo que nunca mais pude sentir por ela o que sentia antes. Me sentia culpada, eu estava fazendo o que mais julgo os homens por fazer. Foi estranho. Seguimos rumos diferentes e hoje, quando a vejo, parece só mais uma pessoa passando pela rua. Ela se casou com um médico, faz medicina também, parece bem e feliz e nunca mais senti nada por ela. Na verdade foi como se a loucura tivesse passado e agora eu pudesse vê-la novamente, e como eu a via era como a menina inconveniente da praça. Ela me enfeitiçou com o beijo dela e por um momento de cegueira aguda eu não a vi mais, só depois do estalo que pude voltar para o meu eixo. Mas, voltando agora para o começo desta história. Ainda se lembram da menina alta? Pois bem, anos depois, exatamente dois namoros que tive depois daquele acontecido na praça, eu a reencontrei. E devo dizer a vocês que foi uma das histórias mais incríveis da minha vida. Mas em outra oportunidade conto como isso aconteceu.
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