DO OUTRO LADO DO MURO

O sol da tarde batia de raso, transformando o quintal dela num palco dourado. Eu estava na varanda, bebendo uma cerveja e fingindo que não via, mas é impossível não notar. Lá estava ela, estendendo as roupas no varal. A camiseta branca, fina e molhada pelo suor do trabalho doméstico, colava no corpo sem qualquer cerimônia. Sem sutiã, os seios volumosos se desenhavam com uma clareza quase cruel sob o algodão. Ela se movia com um jeito de quem não se preocupa em ser observada, balançando os quadris arredondados ao ritmo de uma música só dela.
Eu a observava há meses. A rotina era a mesma: duas ou três vezes por semana, o espetáculo se repetia. Mas naquele dia foi diferente. No meio de uma prega de um lençol, ela ergueu a cabeça e nossos olhares se cruzaram. Eu não desviei. E ela também não. Em vez de se envergonhar ou se apressar em se cobrir, um sorriso lento se abriu no rosto dela. Um sorriso que não era apenas de cortesia. Era provocador. Cúmplice. Ela segurou o olhar por mais três segundos, demorados como horas, antes de voltar para as roupas, agora com um balanço mais intenso nos quadris.
Aquilo mexeu comigo. Aquela confirmação silenciosa, aquele convite sem palavras. Acabei com a cerveja em um só gole e entrei em casa, mas a imagem dela ficou na retina.
Depois daquele dia, a dinâmica mudou. Quando eu estava na varanda ou no quintal, ela sempre encontrava uma desculpa para estar lá também. Regar as plantas, arrumar uma cadeira, apanhar um objeto caído. As conversas começaram com um "boa tarde" de cortesia, mas logo evoluíram. Ela perguntava pelo meu dia, comentava sobre o clima. Eu devolvia, tentando ser casual, mas cada frase era carregada de eletricidade. O ar entre nós, separado apenas pelo muro, parecia crepitar.
"Ela não está em casa?", perguntou ela um dia, referindo-se à minha esposa, que estava viajando.
"Não, volta só no fim de semana."
"Que bom... digo, que pena pra você", corrigiu, mas o sorriso traiu a intenção. "Fica aí só, sem ninguém pra conversar."
"Ah, tem você do outro lado do muro", repliquei, jogando a isca.
Ela mordeu. "Sempre. Quando precisar de uma companhia... ou de um copo d'água, é só bater."
Certa tarde, eu estava consertando uma cerca no fundo do meu quintal quando a vi lutando com um saco de adubo pesado. Ela tentava erguê-lo, mas o peso a fazia perder o equilíbrio.
"Deixa eu te ajudar com isso", ofereci, sem pensar duas vezes.
"Ah, não quer incomodar..." começou ela.
"Não é incomodo nenhum", respondi, já escalando o muro baixo que dividia nossas casas. Em segundos, estava do outro lado. Perto dela.
O cheiro dela se misturava ao do adubo e ao sol quente. Era um perfume doce, de suor e sabonete. Eu agarrei o saco com facilidade e o carreguei até perto das plantas. Ela me observava, os olhos brilhando.
"Muito obrigada. Você é um salvador."
"Qualquer hora", disse, limpando o suor da testa com as costas da mão.
Ficamos em silêncio por um instante, apenas nos olhando. A proximidade física era diferente agora. O muro não estava mais entre nós. Posso sentir o calor emanando do corpo dela.
"Então...", começou ela, brincando com um fio do cabelo escuro, "como eu pago por essa força toda? Estou sem grana hoje."
"Não precisa pagar", respondi, a voz mais grave do que pretendia.
"Humm... mas gosto de ser justa", disse, aproximando-se mais um passo. "Posso te oferecer uma xícara de chá gelado. Ou um copo d'água. Acho que você precisa."
Aceitei com um gesto de cabeça. Ela me guiou até a cozinha, os quadris balançando a cada passo. Dentro de casa, o cheiro dela era mais forte. O ambiente era feminino, com toques delicados por toda parte. Enquanto ela preparava o chá, eu me sentei à mesa, observando-a. A camiseta colada nas costas molhadas, a linha do sutiã marcada na pele, a calça curta que revelava as coas firmes. Ela sabia que eu estava olhando. E gostava.
"Adoça?", perguntou, virando-se com o copo na mão.
"Não, obrigado", respondi, mas o que eu queria dizer era sim. Sim para tudo o que ela estava oferecendo.
Ela me entregou o copo, os dedos roçando os meus. Uma faísca percorreu meu braço. Ela não se afastou. Ficou ao meu lado, a mão apoiada na mesa, muito perto da minha.
"Sabe...", disse ela, a voz mais baixa, quase um sussurro, "meu marido trabalha até tarde hoje."
Eu não disse nada. Apenas encarei a boca dela, depois os olhos, depois a boca novamente. Ela entendeu a mensagem. Lentamente, como se testando o terreno, ela se curvou e seus lábios encontraram os meus.
Foi um beijo diferente. Lento, mas faminto. Explorador. Suas mãos subiram pelo meu pescoço, os dedos se entrelaçando no meu cabelo. Eu a puxei para perto, minha mão encontrando a cintura dela e atraindo-a para o meu colo. Ela sentou, encaixando-se perfeitamente contra mim. O beijo se aprofundou, e com ele, meu desejo.
"Isso não deveria acontecer", murmurou ela contra meus lábios.
"Eu sei", respondi, antes de beijá-la novamente.
Minhas mãos encontraram a barra da camiseta dela e deslizaram por baixo, sentindo a pele quente e macia. Ela respirou fundo quando minhas palmas roçaram a costela dela. Continuei subindo, até encontrar o peso dos seios. Ela arqueou as costas, empurrando-os mais contra minhas mãos. O bico duro roçou a minha palma, e ela gemeu baixinho.
Ela começou a se mover sobre mim, um ritmo lento e deliberado que me deixou louco. Com um movimento rápido, ela tirou a camiseta por sobre a cabeça e a jogou no chão. Fiquei sem ar por um instante. Eram mais lindos do que eu imaginara. Cheios e firmes, com os mamilos escuros e eriçados.
Ela se inclinou, pressionando-os contra o meu rosto. Eu os cobri de beijos, mordiscando e sugando, enquanto ela suspirava meu nome. Suas mãos desceram pelas minhas costas, até encontrar a bainha da minha camisa e puxá-la para cima. Eu me ajudei, tirando-a e jogando-a longe.
Nossos corpos nus se encontraram. Pele contra pele. O calor dela me envolveu como uma onda. Eu a levantei com facilidade, carregando-a até o balcão da cozinha, onde a sentei. Meus joelhos se abriram, me encaixando entre as pernas dela. Ela me abraçou com as pernas, puxando-me para perto.
"Me pegue", sussurrou ela, os olhos cheios de desejo. "Agora."
E foi o que eu fiz. Eu a entrei lentamente, sentindo cada centímetro dela se abrindo para mim. Ela era molhada, apertada, perfeita. Cada movimento era uma descoberta, cada gemido uma sinfonia. Eu a peguei com força, com a fome de quem esperou por aquilo por muito tempo. O balcão batia contra a parede em um ritmo insistente, acompanhando nossos corpos.
Ela se contorcia sob mim, as unhas marcando minhas costas. "Não pare", pedia ela, entre ofegas. "Por favor, não pare."
Eu não parei. Aumentei o ritmo, mergulhando mais fundo a cada vez, até senti o corpo dela se estremecer em um orgasmo violento. Ela gritou meu nome, a voz embargada pelo prazer. Foi o que me levou ao limite. Gozei dentro dela em ondas quentes e intensas, um gozo preso.
Ficamos assim por um longo tempo, eu ainda dentro dela, nossas respirações voltando ao normal. A testa dela apoiada no meu ombro, meu rosto enterrado no cabelo dela. O cheiro do sexo se misturava com o cheiro do chá que ela nunca me serviu.
Depois, ela me empurrou suavemente. Eu me afastei, o ar frio do choque pós-coito me envolvendo. Ela desceu do balcão, as pernas um pouco trêmulas. Apanhou a camiseta do chão e vestiu-a sem olhar para mim. Eu fiz o mesmo.
"E agora?", perguntei, a voz rouca.
Ela se virou, os olhos me encontrando. "Agora você volta para o seu quintal e eu volto para o meu. E amanhã, quando você me ver estendendo roupa no varal, você vai fingir que nada aconteceu."
"É isso que você quer?", perguntei, a dor da rejeição começando a se instalar.
Ela sorriu, um sorriso triste e, ao mesmo tempo, satisfeito. "É o que precisa ser."
Eu não disse mais nada. Apenas assenti e saí pela porta dos fundos, voltando para o meu quintal.

Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook



Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Contos enviados pelo mesmo autor


275819 - O ANIVERSÁRIO DO MEU AMIGO DEPOIS DO RODEIO - final - Categoria: Traição/Corno - Votos: 0
275816 - O SEGREDO DAQUELA NOITE DE RODEIO part 1 - Categoria: Traição/Corno - Votos: 0

Ficha do conto

Foto Perfil maisqueumcurioso
maisqueumcurioso

Nome do conto:
DO OUTRO LADO DO MURO

Codigo do conto:
275814

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
29/10/2026

Quant.de Votos:
0

Quant.de Fotos:
0