O ANIVERSÁRIO DO MEU AMIGO DEPOIS DO RODEIO - final

O convite chegou por mensagem, um simples "aniversário aqui em casa, churrasco rolando, se veste". Marcos sempre foi assim, direto. Rafael me ligou logo em seguida.
— Vai ser esquisito?
— Vai ser aniversário dele. Vamos, aguenta a barra. Mas, olha... se ela te passar a mão na bunda de novo, eu não me responsabilizo.
Rimos, mas a piada tinha peso. Desde aquela noite no rodeio, um silêncio denso se instalou entre nós três. Eu, Rafael e Juliana. Nunca mais falamos sobre. Era como se tivéssemos assinado um pacto não-verbal, guardando aquele segredo numa caixa trancada no fundo da alma.
A casa de Marcos estava cheia. Cheiro de carne na brasa, música ambiente, crianças correndo. O normal. Tão normal que me dava um nó no estômago. Marcos, já com algumas cervejas a mais, abraçou a gente ruidoso.
— Caralho, vocês vieram! Tá todo mundo aqui! Vamos beber!
Ele se perdeu entre os convidados, e eu fiquei com Rafael perto da churrasqueira, tentando parecer relaxado. Foi quando ela apareceu. Juliana. Vestia um vestido de verão leve, justo nos lugares certos, e um sorriso que não chegava até os olhos. Nos serviu uma cerveja, os dedos roçando os nossos de forma casual demais.
— Que bom que vocês vieram — disse, o olhar parado por um segundo a mais em cada um de nós.
O dia foi se arrastando entre conversas fiadas e risadas forçadas. Cada vez que eu cruzava com Juliana na cozinha ou no corredor, era uma espécie de choque elétrico. Uma memória do toque da pele dela, do cheiro dela, da forma como o nome dela soou nos lábios de Rafael e meus, sussurrado no escuro do acampamento.
Foi perto do fim da tarde, o sol já baixo, que ela nos encontrou sozinhos de novo. Marcos tinha ido "tirar um cochilo" na sala, a cabeça caindo para o lado em um poltrona.
— Vocês dois sumiram depois daquele rodeio, hein? — a voz dela era baixa, quase um sussurro conspiratório.
Rafael, sempre mais ousado, encostou na churrasqueira.
— A gente estava esperando outro convite.
O sorriso dela finalmente atingiu os olhos.
— Então acho que vocês vieram ao lugar certo.
Ela se virou e voltou para a festa, deixando uma trilha de perfume e suspense no ar. Rafael me olhou.
— Puta merda. Ela vai fazer isso.
— Ela não vai fazer nada, Marcos está ali. — respondi, mas nem eu acreditava na minha própria negação.
Meia hora depois, Marcos foi de fato para o quarto. Juliana o acompanhou. Rafael e eu trocamos um olhar de pura tensão. Continuamos ali, tomando mais uma cerveja, fingindo ouvir a história de um colega de trabalho dele. Dez minutos depois, ela voltou. Veio direto na nossa direção.
— Podemos conversar um minutinho? No quarto de hóspedes. É a porta do final do corredor.
Não era uma pergunta. Era um comando. Meu coração bateu tão forte que achei que iam ouvir.
O quarto era pequeno, neutro, com uma cama de casal bem feita e uma janela que dava para o quintal. Ela trancou a porta. O clique do fecho soou alto demais. Rafael e eu ficamos de pé, parados, como dois adolescentes pegos em flagrante. Ela se sentou na beira da cama, o vestido subindo um pouco nas coxas.
— Precisamos falar sobre o que aconteceu — começou ela, a voz firme, mas com uma tremida sutil. — Sobre aquela noite. Eu não consegui tirar da cabeça. De jeito nenhum.
O silêncio no quarto era mais pesado que qualquer conversa. Eu olhei para Rafael. Ele olhou para mim. Nós olhamos para ela.
— Eu também não — consegui dizer, a voz rouca. — Nem um dia.
Ela levantou e se aproximou de Rafael, pousou a mão no peito dele.
— E você?
Rafael engoliu em seco.
— Ficou marcado. Foi a noite mais louca da minha vida.
Ela então se virou para mim. Seus olhos eram intensos, cheios de um desejo que não era mais um lampejo bêbado, mas algo consolidado, consciente. Ela não disse nada, apenas levantou a mão e tocou meu rosto. O calor da palma dela me queimou.
— Marcos está fora. Ele vai dormir por horas — disse ela, olhando de um para o outro. — A festa continua do lado de fora, mas aqui dentro... aqui dentro só a gente. E eu não quero pensar. Não quero conversar mais. Eu só quero reviver.
Ela puxou Rafael para um beijo. Não foi um beijo tímido. Foi profundo, faminto. Eu fiquei parado por um segundo, o cérebro tentando processar, o corpo já respondendo. Minha mão encontrou a cintura dela por trás, puxando-a para perto de mim, fazendo com que ela ficasse entre nós dois. Ela se virou um pouco, sem quebrar o beijo com Rafael, e me alcançou. A mão dela desceu do meu rosto para o meu pescoço, depois para o meu peito, sentindo o batimento cardíaco acelerado.
A roupa parecia um empecilho desnecessário. O vestido dela, nossas camisas. Era como se o ar estivesse eletrificado, cada toque amplificado. O vestido deslizou pelos ombros dela e caiu no chão. Ela ficou só com a calcinha, sob a luz amarela e fraca do quarto. A pele dela era linda, macia.
— A cama — sussurrou ela, e foi a única coisa que disse por um bom tempo.
Deitamos. Não havia mais hesitação. O beijo agora era nosso, os três. Confuso, úmido, cheio de línguas e mãos que exploravam. Eu senti a mão de Rafael nas minhas costas ao mesmo tempo que eu beijava o seio de Juliana. O cheiro dela misturado com o cheiro dele. Era tudo ao mesmo tempo.
Ela nos guiava. Com as mãos, com o corpo, com sussurros. Não havia hierarquia, não havia regras. Apenas um fluxo de desejo, uma corrente que passava por um e chegava no outro. Vi Rafael beijando a barriga dela enquanto eu massageava suas coxas. Vi ela fechando os olhos, a boca entreaberta, enquanto nossas mãos a percorriam toda.
Ela se virou para mim.
— Agora eu quero você — disse, e abriu as pernas.
O tempo pareceu se arrastar e acelerar ao mesmo tempo. O mundo fora daquele quarto desapareceu. A festa, os convidados, Marcos. Tudo se tornou um zumbido distante. Só existíamos nós três. O som da respiração, dos beijos, da pele contra a pele. Era muito mais intenso do que da primeira vez. A ausência do álcool deixava tudo mais nítido, mais real. O peso do que estávamos fazendo, o prazer proibido, a cumplicidade absoluta.
Eu a senti se contorcer debaixo de mim, enquanto a mão dela segurava o braço de Rafael, que a beijava com fome. E depois foi a vez dele. E a gente trocou. Sem palavras, apenas com o olhar, com um toque. Era uma dança que já sabíamos os passos, embora a tivéssemos dançado apenas uma vez. Era instintivo.
Quando terminamos, estávamos ofegantes, suados, deitados na cama bagunçada. O silêncio voltou, mas agora era diferente. Era um silêncio de saciedade, de segredos partilhados, de um novo pacto selado. Juliana se virou de lado, apoiando a cabeça na mão.
— Ninguém pode saber disso — disse ela, olhando para mim, depois para Rafael. — Ninguém. Nem mesmo o diabo.
— Concordado — respondeu Rafael, a voz gasta.
Eu apenas assenti, sem palavras.
Nos levantamos. A reconstrução foi rápida e silenciosa. Ajeitamos as roupas, o cabelo. Juliana foi ao banheiro lavar o rosto. Rafael e eu nos olhamos no espelho do armário embutido. Tínhamos o mesmo olhar de quem acaba de cometer um crime perfeito e se sente, ao mesmo tempo, culpado e invencível.
— Vamos voltar devagar — disse ela, saindo do banheiro. — Eu primeiro. Esperem uns dois minutos.
Ela abriu a porta com cuidado, espiou o corredor e sumiu. Rafael se virou para mim.
— E aí? O que você acha que acontece agora?
— Não faço a menor ideia. Mas acho que acabamos de cavar um buraco muito fundo.
Ele deu uma risada baixa, sem graça.
— Mas que porra, que buraco gostoso de se cavar.
Esperamos o tempo combinado e saímos, um depois do outro. A festa ainda rolava, mais animada agora com a chegada da noite. Fomos para a varanda, pegamos mais uma cerveja e tentamos parecer normais. O ar frio da noite na pele quente era um choque bem-vindo. Meus joelhos ainda tremiam um pouco.
Juliana estava perto da churrasqueira, conversando com duas amigas, rindo como se nada tivesse acontecido. Ela nos encontrou com o olhar e um microssegundo de sorriso escapou.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
O ANIVERSÁRIO DO MEU AMIGO DEPOIS DO RODEIO - final

Codigo do conto:
275819

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
29/10/2026

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