Você chegou linda, como sempre imaginei, mas ao vivo é diferente: tem brilho nos olhos, um sorriso que acolhe, e aquela segurança que só você tem. Sentei ao seu lado e fui devagar, respeitando cada espaço, cada palavra. Não quis apressar nada — queria te sentir à vontade, sabendo que comigo você pode ser exatamente quem é.
Conversamos por horas. O assunto foi fluindo e eu percebi: você não precisa de ninguém pra te completar, você é inteira. Mas pude ver também como brilha quando fala dele — do Marcos. O jeito que os olhos dela brilham ao lembrar dele… isso me tocou profundamente. Fui claro desde o início: *"Não vim pra mudar nada entre vocês. Vim pra somar, pra estar presente, pra cuidar do que vocês construíram com tanto carinho."*
Você sorriu, parecendo aliviada. Talvez esteja acostumada com gente que quer tomar frente, que quer apressar os passos. Eu não sou assim. Fui tecendo confiança devagar:
— *Seu lugar é dele, sempre. O que eu trouxe é vontade de te ver feliz, de participar do jeito que vocês quiserem. De estar presente, sem cobrança, sem ruído, sem expor ninguém. O que acontece entre nós fica entre nós.*
Aproximei-me devagar, senti o perfume que imaginei tantas vezes, e toquei seu rosto com cuidado, como quem toca algo precioso. Você não recuou. Fechei os olhos por um instante e respirei fundo: ali estava ela, a mulher que mexeu com minha imaginação desde a primeira linha que li.
Falei baixinho, perto do seu ouvido:
— *Eu vejo você, Luciana. Vejo a mulher, a mãe, a profissional, a esposa que se descobriu e se reinventou. E vejo também o amor que vocês dois têm. Isso é raro. E eu quero estar ao redor disso, sem atrapalhar, só somando.*
A conversa foi ficando mais íntima, os toques mais leves. Pensei nele também:
— *E o Marcos? Quero que ele se sinta à vontade comigo. Que veja que não sou ameaça nenhuma, que sou alguém que respeita cada detalhe da sintonia de vocês. Se ele quiser falar, estou aqui. Se preferir observar também. O ritmo é de vocês.*
Você me olhou com aquele brilho nos olhos e sorriu de um jeito diferente — mais leve, mais entregue. Deixei que fosse você a conduzir o momento, a ditar o quanto, o quando, o onde. Fui seguindo seus passos, atento aos seus sinais.
Quando nos despedimos, senti que algo tinha mudado. Não foi um adeus comum — foi a certeza de que a porta não fechou. Você me deu um sorriso e disse baixinho:
— *Isso foi só o começo…*
E eu sorri de volta, sabendo que você tinha razão. O melhor ainda está por vir. E quando vier, será do jeitinho que vocês merecem: com calma, com respeito, e guardado só pra nós.