Eu já tinha perdido a conta de quantas vezes havia passado em frente àquele bar e fotografado aquele macho enorme só para que pelo menos eu tivesse a chance de tocar uma punheta farta e gostosa vendo fotos dele. Se ele soubesse a vontade que eu tinha de dar uma mamada nele dentro do próprio bar, ele deixaria que eu fizesse isso diariamente só por pena. Era um estabelecimento simples, numa rua pouco movimentada da pequena cidade onde eu trabalhava. Tinha algumas mesas de plástico, um balcão, uma televisão quase sempre ligada e, no fundo, uma mesa de sinuca que parecia ser o centro de tudo. Germano estava quase sempre lá. Eu não sabia exatamente a que horas começava o dia dele, mas tinha a impressão de que passava boa parte do tempo naquele estabelecimento. Às vezes estava jogando, outras conversando com conhecidos. De vez em quando aparecia uma caminhonete ou um caminhão, e ele saía para resolver alguma coisa. Eu sabia que também trabalhava dirigindo caminhões pelos registros no Instagram que ele fazia e que eu, de forma ávida, stalkeava para saber dele. Era um homem de aparência robusta. Ombros largos, braços fortes, peito desenvolvido, cabelo curto e uma postura que chamava minha atenção imediatamente. O corpo grande e branco chamava a minha atenção e me fazia pensar como seria o formato, o tamanho e o gosto daquela piroca que estava no meio de suas pernas. Não era apenas bonito. Havia alguma coisa no conjunto: o jeito de andar, a maneira de se movimentar, a voz que eu ocasionalmente conseguia ouvir de dentro do carro quando eu passava lentamente em frente ao bar. Eu o desejava. E não era pouco. O curioso era que Germano não fazia a menor ideia. Nunca havíamos conversado. Nem sequer tínhamos sido apresentados. Para ele, eu provavelmente era apenas mais um homem que circulava pela cidade. Naquela manhã, resolvi tomar café numa padaria próxima ao meu local de trabalho. Era um estabelecimento pequeno, bastante frequentado por trabalhadores, comerciantes e motoristas que faziam uma pausa antes de começar o dia. Pedi um café e um pão na chapa. Enquanto aguardava, olhei em direção às mesas próximas à janela. E lá estava ele. Germano. Eu soube do nome dele porque havia perguntado a um dos atendentes da padaria. Lembro de ter buscado no Instagram o perfil dele até, depois de muita insistência, encontrar a conta: Ger_truck.43 Sentado sozinho, tomando café. Usava uma camiseta clara, boné azul escuro e bermuda. Tinha o celular sobre a mesa e parecia conferir alguma coisa na tela enquanto tomava pequenos goles da xícara. Fiquei surpreso. Eu o conhecia do bar, mas encontrá-lo ali, num ambiente completamente diferente, provocou uma sensação curiosa. Tentei não olhar demais. Peguei meu café e escolhi uma mesa relativamente distante. Ele continuou concentrado no celular. Em determinado momento, levantou a cabeça e olhou na direção do balcão. Nossos olhares quase se encontraram. Quase. Desviei naturalmente e continuei tomando meu café. Não queria parecer inconveniente. Poucos minutos depois, Germano terminou, levantou-se e foi até o caixa. — Bom dia — disse à atendente. Pagou a conta, pegou as chaves e saiu. Acompanhei sua saída apenas com o canto dos olhos. Quando voltei a olhar para minha xícara, percebi que estava sorrindo sozinho. Era ridículo. Eu não sabia praticamente nada sobre aquele homem. Mas ele tinha conseguido transformar uma manhã absolutamente comum em alguma coisa que eu ficaria lembrando durante o resto do dia. Naquela noite, passei novamente em frente ao bar. Germano estava na mesa de sinuca. Dessa vez, vestia uma camiseta escura. Segurava o taco com uma das mãos e conversava com outro homem. A maneira como ficava em pé fazia com que as suas panturrilhas grossas ficassem ainda mais em evidência. Reduzi discretamente a velocidade do carro. Ele se inclinou para fazer uma jogada. A bola entrou com força e nesse momento pensei no tamanho das bolas dele, como deveriam ser, a força do pêndulo e o taco no meio das pernas comendo toda buceta e, espero eu, alguns rabos, que havia naquela cidade. Não deveria ser difícil pra ele comer qualquer vagabunda que quisesse abrir as pernas para aquele homenzarrão de mais de 1,90 de altura. Um verdadeiro armário. Os outros começaram a brincar, e Germano respondeu alguma coisa que provocou risadas. Continuei meu caminho. Não entrei. Ainda não. Na verdade, eu nem sabia como começaria uma conversa com ele. E talvez fosse justamente isso que tornasse tudo tão intenso: havia uma distância enorme entre o homem que eu observava de longe e o homem que eu imaginava conhecer. Naquela noite, antes de dormir, pensei novamente na padaria. Talvez voltasse lá na manhã seguinte. Não para abordá-lo. Não para forçar um encontro. Apenas porque agora sabia que, além do bar, existia outro lugar onde nossos caminhos poderiam se cruzar. E, numa cidade pequena, às vezes os encontros mais importantes começam assim: com duas pessoas que ainda não se conhecem e que, sem perceber, começam a reconhecer a presença uma da outra.
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