Partida Ranqueada - parte 1 (findando no dota 2)



Eu tava numa daquelas noites que o corpo pede jogatina e a mente só quer se distrair. Abri o Dota 2 querendo relaxar, mesmo sabendo que na maioria das vezes me estresso mais, porque o dia tinha sido um inferno no trampo, e eu só queria extravasar de algum jeito. Entrei na fila da ranked sem expectativa nenhuma, só torcendo pra não cair com algum noob que fizesse merda e tiltasse o time logo no early game.

A tela carregou, e lá estava eu: fila formada, draft rolando. Eu sempre preferi jogar de support, e dessa vez não ia ser diferente. Escolhi meu herói já acostumado a segurar barra pesada. “Foda-se, vou carregar esse time como suporte, mesmo que eles sejam um bando de idiotas.”

Foi aí que ouvi a primeira voz na call. Grave. Segura. Não era aquele moleque histérico gritando no microfone, não. Era um tom calmo, de quem sabe o que tá fazendo.

— “Fechou, eu vou de mid. Relaxa que eu garanto essa lane.”

Só de ouvir, eu já pensei: “Esse cara tem voz de quem mete respeito até em bar cheio de bêbado.” E não é que ele escolheu um herói mid que realmente puxa a responsa? Não foi de meme, não foi de pick troll. O maluco sabia o que queria.

A partida começou, e em menos de três minutos eu já tinha notado a diferença. O cara não era só voz bonita. O filho da puta jogava bem pra caralho. Farmava redondo, não perdia last hit, lia o mapa como se tivesse visão global. Eu, no bot, tentava manter minha lane segura, mas de olho no minimapa, acompanhando cada movimentação dele.

— “Tô indo gankar top.”

Ele avisava, e em menos de dez segundos já tava lá, estourando o adversário com uma precisão que dava tesão de assistir. Eu, do outro lado do mapa, só conseguia pensar: “Porra, esse cara vai carregar a gente fácil”

Mas não falei nada, claro. Só guardei na mente aquele detalhe.

O tempo foi passando, e o time adversário começou a tiltar. No chat, dava pra sentir que eles estavam perdidos, sem saber como lidar com o ritmo que ele impunha. Cada call dele era certeira.

— “Recua, não dá dive agora. Espera eu fechar item.”
— “Suporte, eles tem visão ali, vai lá tirar a ward, estou com você”

Eu obedecia quase sem pensar, como se ele fosse o capitão natural do time. E olha… não vou mentir: tinha alguma coisa em ser comandado por aquela voz que me deixava arrepiado.

Lá pelos 30 minutos de game, a partida já tava decidida. Foi stomp. Eu tava feliz, mas não pelo jogo em si — era a adrenalina de sentir que tinha alguém ali que sabia liderar, que não se desesperava, que mandava e fazia acontecer.

No final, GG easy. Tela de vitória. Eu já ia fechar a call, como sempre faço.

Logo na sequência já na tela principal ele me convida para mais uma partida em grupo, no caso eu e ele e é claro que eu aceitei.

Jogamos outra. E depois mais uma. Quando percebi, já era madrugada até que ele me perguntou:

— “Ô, passa teu Discord aí, mais fácil do que ficar pela call do jogo.”

E eu passei. Simples assim.

Só que naquele momento eu não fazia ideia de onde essa porra ia dar.

Já era quase duas da manhã quando a gente fechou a terceira partida seguida. Eu tava cansado, mas não queria parar. Não porque eu sou viciado — ok, também sou — mas porque eu queria continuar ouvindo aquela voz do outro lado do headset.

Ele falava pouco, mas cada frase tinha peso. ele sabia dar as calls corretas:
— “Foca o carry, esquece o resto.”
— “Vem comigo, me dá visão.”
— “Boa, agora segura a wave, não avança demais.”

E eu obedecia como um cachorrinho bem treinado. Era estranho, porque no fundo eu gostava de ser a porra do suporte, mas com ele parecia que era mais do que gameplay. Eu sentia um arrepio na espinha quando ele dava ordem. Parecia que meu corpo entendia aquilo de um jeito diferente… mais sujo.

A cada jogada bem-sucedida, minha cabeça viajando: “Caralho, imagina esse cara me mandando assim fora do jogo, só que na cama? Eu ia obedecer sorrindo, ia implorar pra ele continuar chamando a porra das plays.”

Claro, eu não podia falar isso. Então, deixava escapar umas piadinhas no meio da jogatina. Quando ele salvou meu rabo numa teamfight:

— Porra, se não fosse tu eu já tava feedando, hein. Tá me carregando no colo.
— “Relaxa, tu tá jogando direitinho. Mas se ficar vacilando eu deixo tu morrer, hein.”

O tom dele era meio brincadeira

Em outra hora, eu disse rindo:
— Aí, do jeito que estamos jogando quero que você seja o meu core pessoal, é win atrás de win.
— “Desde que você faça tudo que eu mandar, a gente vai longe” disse ele

Nessa hora senti uma maldade e a gente ria. Mas eu sabia que minha risada tinha outra camada. Eu tava testando, soltando frase com duplo sentido gamer, pra ver até onde eu podia ir.

Na quarta partida, eu resolvi cutucar de vez. Tava jogando novamente de suporte e ele mergulhou no meio de três inimigos pra fazer uma jogada absurda. Eu gritei:

— Caralho, tu divou na torre igual um maluco! Assim vai ser difícil de te salvar, mas ainda bem que deu certo.

E ele respondeu

— “Fiquei na dúvida se você me seguiria na minha jogada e você veio, me salvou e ganhamos a briga e é desse tipo de suporte que eu preciso, pode deixar que vou te carregar sempre”

Então eu disse
— “Com um core desses, eu faço tudo por você, me carregando no colo é só vitória”

Ele riu e perguntou
— “Então você gosta de ser carregado no colo né”

Eu respondi
— “Claro que gosto, com essa voz que você tem, com essas habilidades, nosso mmr vai subir muito com você me carregando no seu colo”

Então ele disse
— “Olha, se você sentar no meu colo é outra coisa que vai subir e é bem grande tá”

A porra da frase ficou ecoando na minha cabeça. Ele falou brincando, mas eu só consegui imaginar eu sentando de fato no colo dele.

Quando a partida acabou, eu já tava meio bêbado de sono e tesão. A gente tinha ganhado mais uma, o streak tava lindo. Antes de sair, ele soltou:

— “Tu é do Rio também, né? Percebi pelo sotaque, onde você mora?”
— Zona Oeste, e tu?
— “Zona Oeste também. Caralho, pertinho. Qualquer dia a gente marca um rolê.”

Meu coração bateu forte, e eu fingi normalidade.
— Bora, pô. mas só se você me carregar.
Ele riu.
— “Relaxa, sou core e te carrego se precisar.”

Desligamos a call, mas eu fiquei deitado na cama, olhando pro teto, a mão já enfiada dentro da cueca. O som da risada dele na minha cabeça, a porra do jeito que ele dava ordem no jogo e sobre como terminou a conversa. Eu só conseguia pensar em como seria ter aquela voz na minha orelha sem fone nenhum, só com ele em cima de mim, mandando eu abrir as pernas e calar a boca.

Eu não sabia ainda, mas naquela madrugada o Dota tinha deixado de ser só jogo.

Depois daquela madrugada, não teve jeito: o Discord virou praticamente minha segunda casa. Todo dia eu entrava só pra ver se ele tava online. Às vezes nem tinha vontade de jogar, mas se eu via o nick dele verde, pronto — a mão já ia sozinha pro headset.

A gente começou a criar uma rotina. Quase sempre rankeada, às vezes até um lobby só de zoeira, mas o foda era a constância. E cada partida, cada conversa, parecia empurrar a gente mais pra perto.

E aos poucos, as piadas começaram a ficar mais carregadas. Era eu, sempre eu, puxando o tom e via como ele correspondia, .

Teve uma partida que eu tava de Crystal Maiden, e ele de Storm Spirit. e ele deu a call:
— Vai aparece na lane, serve de isca, quando o offlane deles aparece eu como o cu dele.
Eu respondi
— “Ok, mas bem que poderia ser o meu” e ri

Ele estava tão focado que nem havia percebido o que eu tinha falado e depois que fizemos a jogada com sucesso ele perguntou
— “O que você disse, eu não entendi”

E fui super direto
— “Você falou que iria comer o cu do offlane deles, eu disse que poderia ser o meu” e dei risada

O silêncio que seguiu foi rápido, mas denso.

E ele soltou
— “E porque não?”

Noutra vez, eu tava de Witch Doctor, curando ele direto. A cada heal que encaixava e eu salvava ele, eu mandava:
— Relaxa, vou te manter cheio de vida até o fim. Não vou deixar tu morrer nunca, vou cuidar de você direitinho como tenho sempre feito.
Ele respondeu na lata:
— “Espero o mesmo, hein. Se tu não me sustentar e não cuidar direitinho vai ficar difícil de te carregar e eu vou ter achar outro suporte.”
— Pode deixar, daddy. Sou super dedicado e sigo todas as suas calls.

Eu mandei “daddy” de sacanagem, mas puta merda… o jeito que ele parou de falar por uns segundos me fez gozar mentalmente. O jogo rolava, mas na minha cabeça a partida já tinha virado outra coisa.

E aí as conversas no jogo e fora do jogo foram ficando mais intensas:
— Cara, nunca conheci ninguém que fiz amizade aqui no dota na vida real e nunca senti tanta vontade desde que comecei a jogar com você
Ele respondeu de imediato.
— “Digo o mesmo, gostei e estou gostando do seu jeito macho mas ao mesmo tempo submisso e safado”
— "Você fez a leitura perfeita, então acho que vale a pena a gente se conhecer e você me carregar."

Eu percebia que ele ria, mas não cortava. Pelo contrário, parecia até se divertir com a minha ousadia.

As partidas iam se acumulando, e a gente com uma conexão cada vez maior:
— “Olha aí, dando kill de graça.” Ele dizia
E eu devolvia:
— "Pô, mas se for pra dar de graça, que seja pra ti e é outra coisa"

Ele ria e ficava cada vez mais a vontade.

Depois de algumas semanas nessa rotina, a coisa já tinha descambado de vez. A gente falava merda até fora de partida. Ficava no Discord só conversando, microfone aberto, como se a call fosse a sala da nossa casa. Eu e ele na call, ele comendo alguma coisa e me narrando o dia. A intimidade cresceu numa velocidade que dava até medo.

Até que uma noite, ele soltou algo que mudou o jogo:
— “Porra, sabia que tu mora a menos de 30 minutos de mim? Se a gente pegar um uber é rapidinho.”
— Sério? Então já era, bora marcar.
— “Falar tu fala, quero ver aparecer.”
— Ah, eu apareço sim. Só não vale me banir da party depois.
— “Relaxa. Se tu for bom no presencial igual é no suporte, eu deixo até a ranked aberta só pra ti.”

Aquilo ficou martelando. Ele tava abrindo espaço, era claro. Eu só precisava tomar a coragem para partir para o real de fato.

Na mesma noite, quando a gente encerrou a última partida, eu disse:
— Bora combinar isso, então. Final de semana, sem desculpa. Quero ver esse Storm Spirit fora da tela.
Ele demorou dois segundos, depois respondeu:
— “Fechado. Nesse final de semana eu te carrego.”
— Combinado. sento no seu colo e você me carrega

Ele gargalhou de novo, mas dessa vez o riso tinha peso. E eu sabia que, de algum jeito, o jogo tinha acabado de mudar de fase.


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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico tloverb

Nome do conto:
Partida Ranqueada - parte 1 (findando no dota 2)

Codigo do conto:
241101

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
28/08/2025

Quant.de Votos:
4

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