Fui parar no cacetão do meu tio
- Vou arrancar seu couro, veado do caralho! Chupa-rolas desgraçado, você vai virar macho ou eu não me chamo Josivaldo, miserável! Toma aqui se quiser deixar de ser homem, moleque abichanado, toma porrada, toma mais essa! Eu te mato, filho de uma égua! Quer me desmoralizar fazendo putaria, então toma veado! – berrava furioso meu pai enquanto descia o cacete em cima de mim dando porradas e chutes dos quais eu tentava me proteger rolando pelo chão.
- Eu posso explicar, pai! Para de me bater, eu imploro! Não me mata, perdão, não me mata! – gritava eu sob a saraivada de golpes desferidos pela mão pesada dele e pelos chutes que acertavam minhas costas me deixando quase sem respiração.
- O que é que você vai explicar, sua bicha vagabunda? Vai explicar o quê? Eu vi com meus próprios olhos, desgraçado, você chupando o caralho do macho! – gritava ele, cada vez mais colérico quando eu me sentia prestes a perder a consciência de tanto que estava apanhando.
A baixaria, que não era uma novidade no conjunto habitacional onde morávamos nos confins do bairro Cidade Tiradentes na ZL (é assim que os habitantes se referem à zona leste da cidade de São Paulo) majoritariamente ocupada por pessoas de baixa renda, acostumadas a resolverem suas desavenças em público sob os olhares curiosos e críticos da vizinhança, acontecia minutos depois do meu pai me flagrar, num canto do quintal de casa, agachado diante das pernas abertas de um sujeito marombado, famoso no bairro por ser um garanhão bem dotado, mamando sua rola grossa e suculenta como se fosse um picolé. Ele tinha acabado de esporrar seu leitinho delicioso na minha boca, e eu me empenhava em não desperdiçar nenhuma gota daquele néctar dos deuses, não notando a aproximação do meu pai de tão compenetrado que estava sugando o pauzão e acariciando as bolonas do sujeito. Quando caímos na real, já era tarde. Ele foi mais ligeiro, tirou o cacetão da minha boca e saiu correndo, enquanto a mão do meu pai se fechava ao redor do meu pescoço antes mesmo de eu conseguir me colocar em pé. O que se seguiu, foi o que mencionei, uma surra homérica que, não sei como, não quebrou nenhum dos meus ossos.
Os gritos, tanto do meu pai quanto meus, trouxeram minha mãe, um dos meus irmãos e uma irmã para o quintal para ver o que estava acontecendo. Ninguém ousou intervir no espancamento para me acudir, apenas contemplavam a cena numa passividade que era a marca registrada de cada um dos membros daquela família.
Tiranos e ditadores como meu pai são criados justamente por essa passividade inoperante de quem os cerca, deixando-os livres para alimentar e fortalecer sua tirania. Era dessa maneira que ele reinava absoluto dentro de casa, e ai daquele que ousasse questionar suas atitudes. Essa servilidade já começava pela minha mãe, uma mulher acostumada a agir sob um cabresto de um pai tirano desde a infância, sem vontade própria, sem opinião e, mesmo que tivesse alguma, jamais a expressava submetendo-se servilmente à dos outros. Os cinco filhos que gerou em rápida sequência, um primogênito, uma menina, outro menino, mais uma menina e finalmente eu ela tratou de criar na mesma obediência passiva, nos impondo ela mesma os castigos que pouco depois eram redobrados pelo nosso pai. Tornamo-nos todos inseguros, desde o primogênito até mim. Minha segunda irmã voltou para casa com dois filhos pequenos depois de um casamento de quatro anos no qual apanhou do marido cafajeste como tinha apanhado do nosso pai; diante do que presenciava, manteve-se calada e resignada, pois sabia que enfrentar nosso pai poderia lhe custar o olho da rua com os dois rebentos. Meu irmão mais velho, apesar dos trinta anos, ainda se cagava todo de medo das reações do nosso pai, por isso assistiu passivamente ele me espancar, apesar de ser o irmão que mais me defendia, exceto contra as arbitrariedades do meu pai. Minha outra irmã chegou do trabalho quando a baixaria já havia terminado, indo me encontrar no banheiro onde eu limpava o sangue espalhado pelo corpo. Ela me encarou com pena como se eu fosse um indigente e que, de alguma forma, era merecedor da surra que levei, pois era nosso pai que sempre tinha razão em todas as questões, mesmo quando não as tinha. Já o outro irmão, naquele dia, andava pelo bairro atrás de um rabo de saia no qual já havia metido o pauzão algumas vezes, e só ficou sabendo da baixaria que rolava dentro de casa através de um amigo que foi dar com a língua nos dentes. Ele aprovou sem pestanejar o castigo que meu pai me impôs, alegando que havia sido pouco pela putaria que fiz com o sujeito da pica cavalar, um antigo desafeto dele, desde os tempos do colégio quando ambos ficaram afim da mesma garota que levava os dois em banho-maria, ora trocando amassos com um, ora com o outro.
Depois da surra, com o esqueleto em frangalhos, hematomas por todo corpo, mal conseguindo me mexer, fui procurar abrigo na cama, sem jantar, só querendo esquecer daquele infortúnio. Quando meu pai abriu abruptamente a porta do quarto, pensei que ia apanhar mais uma vez e me encolhi todo.
- Amanhã você vai para a casa do seu tio Juvenal e vai ficar por lá, porque não quero mais ver a sua cara nessa casa! – ordenou meu pai. – Não quero filho veado chupador de rolas destruindo a reputação da nossa família!
Tio Juvenal era o irmão mais velho dele, o primeiro da leva de cinco filhos homens dos meus avós, e que ficou com a fazendola depois que os pais faleceram em São Sebastião dos Poções, um distrito de Montalvânia no norte de Minas Gerais próximo à divisa com a Bahia. Eu só o havia visto uma única vez, ainda na infância, quando da oficialização da partilha dos bens deixados pelos meus avós, e já não me lembrava mais dele.
- Mas eu acabei de passar no vestibular, pai! Eu não quero ir, quero ficar aqui, vai ser melhor para o meu futuro! Eu prometo que nunca mais faço aquilo, me perdoa! Eu te imploro de joelhos, se você quiser, mas não me manda embora dessa casa! – supliquei, lançando-me aos pés dele.
- Pensasse nisso antes de cair de boca na pica daquele sujeito, feito um veado de merda! Eu não criei nenhum veado, não vou abrigar sob meu teto uma bicha que sai por aí mamando rolas de machos! Você vai embora dessa casa e está acabado! Nunca mais ouse aparecer aqui ou na minha frente se não quiser que eu te arrebente por inteiro! Está avisado, amanhã! – sentenciou ditatorialmente.
Tive uma despedida seca, ninguém teve coragem de demostrar qualquer compaixão com receio de também ser punido de alguma forma. Nem mesmo minha mãe parecia comovida por ter que abrir mão de um dos filhos. Ela repetiu quase literalmente o discurso do marido.
- Devia ter pensado nas consequências antes de fazer o que fez! Homem que é homem não sai por aí chupando o pinto dos outros! – afirmou com aquela sua voz baixa e resignada, sob o olhar dominador do marido.
- Eu me arrependi, juro! Nunca mais vou fazer de novo, prometo por tudo que é mais sagrado! Não me expulsem de casa, por favor, mãe! – implorei uma última vez.
- Anda, chega de drama! Pegou suas coisas? Vamos para a rodoviária, quero ter certeza que vai sumir das nossas vidas! – interrompeu meu pai, me empurrando porta afora em direção ao carro.
Com o corpo todo dolorido embarquei numa viagem de ônibus de quase vinte e quatro horas até meu destino final. Não houve sequer um – Adeus! – um – Cuide-se! – um – Deus te proteja! – da parte do meu pai, apenas aquele olhar recriminatório e frio.
Com o corpo todo moído, eu não encontrava uma posição relaxante o que tornou a viagem um suplício sem fim. Fiquei conjecturando como seria recebido pelo meu tio, o que meu pai teria lhe dito para me mandar para junto dele, o que seria de mim naquele fim de mundo de onde todos tinham fugido à procura de melhores condições de vida. Dos quatro irmãos do meu pai, apenas o tio Juvenal continuava morando no Brasil, os três mais novos e mais instruídos eram imigrantes ilegais nos EUA trabalhando na construção civil.
Depois de tantos anos, nem ele nem eu, nos reconhecemos quando desci do ônibus mais morto do que vivo na rodoviária de Montalvânia. Passado o fluxo dos passageiros que desceram do ônibus junto comigo, fiquei um quarto de hora tentando adivinhar quem seria meu tio, até que um homem corpulento, ligeiramente barrigudo, de aparência grosseira se aproximou de mim trajando um jeans que já havia tido dias melhores, uma camisa amassada, botas de couro e um chapéu que há tempos implorava por uma substituição.
- Tavinho? – perguntou, com uma voz que parecia um trovão, enquanto me examinava da cabeça aos pés.
- Tio Juvenal? – respondi, com a boca seca.
- Você cresceu um bocado, moleque! Quantos anos faz, uns treze ou catorze, eu acho? Fez boa viagem? – continuou, me ajudando com as malas. Não estivesse eu tão acabado, teria rido de sua última pergunta, pela ironia embutida nela. Quem é que depois de uma surra como a que levei que quase me desmontou poderia ter feito uma viagem tão longa e desconfortável e considerá-la boa? Por isso nem me dei ao trabalho de responder.
Seguimos em direção a uma camionete, daquelas que já não se via mais em São Paulo, uma C-10 da Chevrolet de algum ano bem anterior ao meu nascimento. Foram mais três quartos de hora até a fazendola, um trecho no asfalto e outro sacolejando por uma estrada de terra batida que levantava um poeirão depois da camionete passar, sob um calor abrasador.
Diante da casa velha e mal conservada, olhando para toda aquela desolação, tive vontade de chorar pela primeira vez depois dos últimos acontecimentos. Passar o restante da vida, que antes havia se mostrado tão promissora, naquele lugar esquecido por Deus, foi o golpe mais duro que recebi. Eu estava perdido nesses pensamentos quando uma mulher de ancas largas, cabelos algo grisalhos amarrados num coque próximo à nuca, saiu de dentro da casa e veio ao meu encontro de braços abertos. Antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ela já me apertava contra as tetas dando palmadinhas nas minhas costas.
- Tavinho, não é? – indagou, sabedora da resposta.
- Oi! – cumprimentei acanhado. Ela era outra que seguramente sabia o motivo pelo qual eu estava batendo à sua porta.
- Esta é a Mariana, Tavinho, minha mulher! – esclareceu meu tio, omitindo que era a terceira com quem se envolveu.
- Fez boa viagem? – perguntou ela também, o que me levou a permanecer calado como da primeira vez. Era só olhar para a minha cara, para as roupas suadas e amarfanhadas que cobriam meu corpo exausto para saber que aquela tinha sido uma merda de viagem. – Deve estar cansado e faminto, São Paulo é muito longe! – acrescentou quando viu que não obteria uma resposta.
Ela me conduziu para dentro da casa que não tinha uma aparência muito melhor do que do lado de fora. A mobília deveria ser dos tempos dos meus avós, talvez ainda mais antiga. Contudo, não era com o aspecto da casa nem das pessoas que eu estava preocupado, e sim, em ter que viver ali, longe dos meus amigos e de tudo que eu conhecia.
Apresentou-me o quarto onde passaria a dormir, no final de um corredor de piso de tábuas que rangiam ao se caminhar sobre elas. Era um espaço amplo com duas janelas que davam para um quintal onde uma enorme castanheira e uma mangueira faziam sombra, impedindo que o sol da tarde tornasse o ambiente insuportavelmente quente. Anexo havia um banheiro com piso de ladrilhos hidráulicos e azulejos azuis até meia parede; a um canto uma banheira branca de louça ocupava quase todo o espaço, encimada por um chuveiro antigo.
- Espero que goste! Fiz uma faxina geral, a roupa de cama e as toalhas são todas novas, o Juvenal as comprou ontem quando fomos avisados da sua chegada. – disse ela. Soltei um – Obrigado! – tímido e resignado como me fora incutido a vida toda. – Vou preparar alguma coisa para você comer! Deixe suas coisas aí, tome um banho se quiser, e venha quando estiver pronto! – acrescentou.
- Estou sem fome! Prefiro descansar, se não se importarem! – foram as frases mais longas que pronunciei desde que cheguei àquele lugar.
- Tudo bem, descanse! Vamos ter muito tempo para conversar! – disse meu tio, antes de ambos me deixarem no quarto.
Sobre o que vamos conversar, se nem os conheço? Já devem estar com o discurso para me recriminar pronto na ponta da língua. O que vão dizer, que é para eu deixar de ser veado, que isso é pecado e que bichas estão condenadas a queimarem no fogo do inferno, que é para eu manter a minha boca longe dos caralhos dos machos? Fiquem tranquilos, nesse lugar desolado ninguém nem vai desconfiar que sou gay, muito menos haverá um pinto que eu possa chupar ou que esteja interessado em se alojar nas preguinhas do meu cu. Com isso martelando na minha cabeça, estava chegando à conclusão que teria sido melhor eu ter me suicidado logo após ter sido flagrado, pois viver naquele lugar não seria muito diferente.
Só apareci na cozinha na metade da manhã do dia seguinte, agora sim, com a barriga roncando de fome. A Mariana adiantava o almoço com a ajuda de outra senhora da mesma idade dela, Teodósia. Elas se calaram quando me viram. Não sei o que me levou a pensar que a Mariana estava contando a ela a razão do sobrinho do Juvenal estar ali. Antes que o dia acabe, São Sebastião dos Poções inteiro já vai estar sabendo que tem um veado chupador de rolas morando na fazenda, pensei comigo mesmo.
Meu tio veio sei lá de onde para o almoço, lavou as mãos e o rosto e sentou-se à mesa depois de me cumprimentar. Se trocou mais que meia dúzia de frases durante todo o almoço, o que demonstrava o quanto minha presença estava sendo incômoda, foi muito. Engoli a comida com muito esforço apesar da fome e do sabor delicioso, parecia haver um nó na minha garganta. Tirei meu prato e os talheres e os lavei na pia.
- Vou para o meu quarto! – anunciei
- Não quer dar uma volta comigo pela fazenda? Quando esteve aqui era muito pequeno para se recordar de como é! – perguntou o Juvenal. Eu quis diz que não estava afim, mas era melhor eu não me fazer de difícil já que o meu bom convívio dentro daquela casa dependia de eu ser minimamente simpático.
- Tudo bem, vou só escovar os dentes e já volto!
Entramos na camionete e o Juvenal saiu desembestado pelos caminhos esburacados de terra, me apontando aqui e acolá e explicando do que se tratava. Eu, ou só acenava com a cabeça em acordo, ou respondia com monossílabos às perguntas que me fazia. No fundo, estava aguardando pela pergunta fatídica – Por que resolvi ser gay? – Por que eu chupava rolas de machos? – Onde eu achava que isso ia me levar? – no entanto, essas perguntas não foram formuladas, mas deviam estar na cabeça dele.
Depois de rodar por mais de uma hora pela fazenda, ele tomou a direção da cidade, estacionou diante de um comércio que vendia praticamente de tudo, desde quinquilharias para fazendeiros, insumos, secos e molhados dos mais variados tipos, botas e chapéus, e até algumas peças de vestuário. Foi direto para o longo balcão de madeira, cumprimentou o sujeito que estava atrás dele e mais outros dois que bebiam umas cervejas a um canto e pediu uma bem gelada para si próprio.
- Toma uma cerveja comigo? – perguntou, me apontando a banqueta para que me sentasse.
- Não obrigado, eu não bebo nada alcoólico! – respondi. No mesmo instante pareceu-me ver passar por sua mente – Não bebe nada alcoólico, mas mama leitinho da pica de machos! – o que me fez corar e baixar o olhar.
- Faz bem! Um molecão feito você não deveria adquirir vícios logo cedo! – devolveu. – Peça o quiser, um refrigerante, um sorvete, alguma guloseima! – acrescentou, me fazendo parecer um guri.
- Estou bem, obrigado! – retruquei, sentando-me ao lado dele e continuando a observar as peculiaridades daquele comércio perdido no tempo.
Ele ficou papeando com dois sujeitos que entraram pouco depois, pelo ânimo da conversa deviam ser amigos ou algo do gênero. Apresentou-me a eles e me sujeitei a ser examinado como se fosse uma cabeça de gado que estivessem a fim de comprar.
- Não repare nas pessoas daqui, são muito curiosas com estranhos que quase nunca aparecem por aqui. Quando chega algum, logo vira assunto para conversas. – esclareceu meu tio, quando tomamos o rumo de casa.
O jantar se desenrolou com menos silêncio. Respondi algumas perguntas que a Mariana me fez, comi com mais apetite e me refugiei no quarto antes das nove horas. Não peguei no sono, tudo estava silencioso demais, só uns grilos e um ou outro sapo coaxavam próximos às janelas. Antes de adormecer, as lágrimas escorreram pelo meu rosto e um peso parecia estar esmagando meu peito.
Fui me adaptando a tudo sem questionar, apenas aceitando as coisas como elas vinham. Todas as manhãs saía com o Juvenal para resolver o que tinha que ser feito na fazenda, deixei-o me ensinar como ordenhar as vacas cujo leite ele vendia para um laticínio próximo, aprendi com um ajudante dele como alimentar os animais e lavar os estábulos, comecei a ter lições com meu tio sobre como manejar o trator que fazia diversos trabalhos nos campos cultivados, e voltava para casa nos finais de tarde cônscio de que tinha feito o meu melhor. Durante um tempo riscava todas as noites a data num calendário que havia ficado esquecido na estante do quarto; depois do quinto mês deixei de o assinalar, de nada adiantaria contar os dias como fazem os prisioneiros numa cela, pois para eles um dia a contagem chegaria ao fim, ao passo que para mim, seria eterna.
Quando se acostumaram com a minha presença, as brigas entre o Juvenal e a Mariana não precisavam mais ser camufladas. Os bate-bocas e os xingamentos aconteciam sem que nenhum dos dois se preocupasse em poupar meus ouvidos. O Juvenal costumava sair de casa pisando firme e batendo violentamente a porta, desaparecendo por algumas horas, antes de regressar com cara de poucos amigos. A Mariana vinha diretamente a mim, queixava-se de o traste ser um verdadeiro animal que ela já não estava suportando mais.
- Vou dar um pé na bunda desse miserável! Quem ele pensa que eu sou, uma empregada, uma qualquer que ele fode quando está com os colhões abarrotados de porra? Não nasci para lavar cueca de macho e não ser muito bem recompensada por isso! – resmungava pela casa.
Eu ouvia tudo em silêncio, me recolhia no quarto esperando a poeira baixar, já antevendo que aquela união estava com os dias contados. O que acabou acontecendo uns poucos meses depois quando, durante uma briga, ela partiu para cima dele empunhando uma frigideira quente que acabara de tirar do fogão. Ele a desarmou, deu meia dúzia de sopapos na cara e a mandou à puta que a pariu. Assim, sem ouvir seus lamentos, sem a menor consideração pelo tempo que coabitaram.
- Não lhe devo um centavo, sua cadela! Quer procurar seus direitos, procure! Vejamos o que vai dizer o juiz quando eu esfregar na cara dele as provas de que você esfregava essa boceta laceada no caralho do vizinho! Vejamos o que a mulher dele vai fazer com você quando souber que fazia mais uso do pinto dele do que ela! Vai cadela, vai procurar seus direitos! Mas, suma das minhas vistas se tiver um pingo de amor à vida! – ameaçou meu tio, jogando-a porta afora. Nunca me interessei em saber o que os levou ao fim do relacionamento, só constatei que os desentendimentos não eram recentes, que fatos do passado estavam ligados à separação.
E assim, me vi sozinho com aquele homem tosco, sem ambição, que tocava a vida não por esforço próprio, mas carregado pelo vento que soprava numa direção qualquer. Apesar disso, me afeiçoei a ele não sei bem porquê. Desde o dia da minha chegada ele sempre foi gentil comigo, não deixou o que sabia do meu deslize interferir na maneira como me tratava. Isso, por si só, já era um ganho, uma vez que todos meus parentes, quando souberam que eu havia chupado a pica de um macho, me condenaram e me execraram sem a menor compreensão.
A partida da Mariana nos aproximou ainda mais. Antes de ela partir eu raramente ficava na sala ou na varanda nas noites mais abafadas fazendo companhia a eles ou jogando conversa fora, seguia direto para o meu quarto depois jantar e de haver ajudado a Mariana com a louça, para não intervir nos assuntos deles. Tio Juvenal tinha uma poltrona preferida ao lado das duas janelas de canto da sala que davam vista para a varanda e para o jardim onde duas enormes buganvílias floresciam quase continuamente. Às vezes, ele ficava ali por horas, parecia meditar e fazer um balanço do que precisava ser feito na fazenda, acabava cochilando, e quando despertava, ia para a cama.
Com a chegada do verão as noites se tornaram mais abafadas, o ar estagnava e um mormaço pesado ficava pairando no ar. Tio Juvenal voltava da lida, tomava uma ducha fria, vestia um calção folgado e ficava a espera do jantar; depois, seguia para sua poltrona, abria bem as pernas grossas e peludas para arejar o sacão peludo, do qual se podia ver distintamente as duas bolonas através da abertura da perna. A primeira vez que me deparei com aquilo senti um frisson perpassando todo o corpo, havia algo de selvagem, de animalesco naquele escroto enorme. Na ocasião, a Mariana notou como fiquei impressionado com os testículos dele, e o censurou exigindo que juntasse as pernas e fosse mais recatado. Ele obedeceu, porém, minutos depois já havia se esquecido da reprimenda dela e, tomado pelo calor, voltou a abrir as pernas deixando o sacão escorregar para uma aragem mais fresca. Se ele percebeu como essa visão me inquietou, não deixou transparecer, agindo normalmente.
A virilidade do tio Juvenal nunca me passou despercebida. Como todos os gays, ao observarmos um homem interessante, jamais deixamos de olhar para a virilha deles para ter uma noção do tamanho do equipamento que carregam entre as pernas. Meu tio não era um homem bonito, contudo tinha traços muito másculos, o corpo sim era atraente tanto pelo tamanho quanto pelos músculos e, quando cheguei à fazenda não pude deixar de reparar no enorme salame que pendia junto à sua perna esquerda, uma vez que ele usava aquelas cuecas samba-canção que não seguravam a pica, deixando-a pendurada solta pelo próprio peso. Quando ele se sentava ou dava um passo mais largo, o contorno volumoso do salamão ficava perfeitamente visível. Foi assim que suspeitei que ele devia ser bem dotado, antes mesmo de tê-lo visto nu, uma vez que o tamanho e a grossura de seu dote se destacavam dentro das calças. No dia em que cheguei a essa conclusão, jamais pude imaginar que um dia aquele volumão estaria pulsando frenético dentro do meu cuzinho.
Na verdade, fui eu quem notei apenas depois da partida da Mariana, como ele me escrutinava quando eu estava distraído. Seu olhar atento vagava sobre meu corpo, em especial sobre o volume arrebitado da minha bunda, redondinha e onde quase tudo que eu vestia acabava entalado no rego guloso. A primeira vez que o flagrei excitado com meus atributos físicos, me senti ligeiramente intimidado, mas lisonjeado. Não era certamente a primeira vez que senti um olhar de cobiça como aquele sobre mim, no entanto, não sei dizer porque achei o dele mais especial que o dos outros. A idade talvez, o descaramento não camuflado, a falta de pudor, ou tudo isso somado me fazia sentir um frenesi.
Em determinada noite, fui me deitar bem mais tarde que de costume, deixando-o sozinho na poltrona a cochilar. Foi impossível conciliar o sono, voltei a me enfiar sob a ducha fria na tentativa de amainar a quentura que emanava da minha pele, a toalha parecia não conseguir me secar e vesti uma cueca ainda mais cavada que a anterior para ver se o sono vinha. A caminho da cozinha, para pegar um copo d’água, vi-o ainda sentado na poltrona e achei por bem tirá-lo daquele cochilo para que pudesse descansar mais confortavelmente na cama. Ele não percebeu minha aproximação; o que julguei ser um ronco eram na verdade grunhidos de excitação que ele soltava enquanto manipulava o caralhão se masturbando. Antes que eu pudesse dar meia volta rumo ao quarto, ele me chamou.
- Tavinho!
- Oi titio, precisa de alguma coisa? Quer que eu lhe traga um copo d’água? – perguntei disfarçando.
- Talvez você pudesse me ajudar com outra coisa! – respondeu, sem parar de manipular aquela coisa gigantesca.
- Claro tio! O que seria? – eu quase podia adivinhar a resposta, mas esperei que ele a formulasse para ter certeza de não parecer pervertido.
- Esse calor me deixa agoniado, sinto uma comichão na pica e meus colhões estão abarrotados. – revelou. – Não quero te forçar a nada, mas agora uma boca macia e gulosa trabalhando meu cacete seria providencial. – a objetividade dele me espantou, não foi ofensiva, mas tão somente genuína e direta.
- Vai ser um prazer te atender, tio! Me recebeu com tanto carinho em sua casa, se esforça para que eu me sinta confortável aqui, e tem sido muito generoso e compreensivo, mesmo sabendo o que fiz para ser expulso de casa. – devolvi sincero.
- Não quero que se sinta obrigado a me agradar, faço o que faço por você porque gosto que esteja aqui. Não me importa o que os outros acham sobre o que fez. Se isso te deu prazer e te deixou feliz, é o que importa. Seu pai tem uma cabeça muito bitolada, e já deve ter se esquecido que, quando garotos, dividíamos a mesma cama naquele quarto bem ali, disse apontando para a porta de um dos quartos do corredor e que, quando os hormônios faziam meu sangue ferver nas veias, eu empurrava meu cacete até o fundo do cu dele apesar dos protestos e de ameaçar me delatar para nossos pais. No entanto, bastava eu o atemorizar com uma boa surra para ele se submeter à minha tara de adolescente. – revelou, me deixando atônito. Meu pai que quase me matou de tanta porrada, tinha dado o cu para o irmão mais velho, e agora pousava de machão moralista, preconceituoso e tirano.
- Eu não sabia nada disso! – escapou da minha boca
- Ninguém sabe, só ele e eu! Mas, diante do que ele fez com você, achei por bem te contar. Se você fez o que fez deve ter seus motivos, deve ter se sentido atraído pelo rapaz, deve ter rolado alguma química entre vocês. Não há nada de pecaminoso nisso! Cada um deve agir conforme sua natureza, com aquilo que nasceu, e não conforme os dogmas e a moral alheia. – jamais pensei ouvir palavras tão sábias de um homem como meu tio.
- Eu adoraria te chupar, titio! O senhor é um homem sensual, cabeça aberta e um bocado sexy! – afirmei, me posicionando diante de suas pernas abertas. Ele riu quando mencionei sexy, tomou minha mão e a levou até o pauzão melado à meia-bomba. A partir dali, assumi o controle e lhe devolvi todo carinho que merecia.
O caralhão do tio Juvenal era bem maior e mais encorpado que o do garanhãozinho do bairro da ZL. Fiquei impressionado e encantado com o sacão dele, que formava um pêndulo dentro do qual dois ovos do tamanho dos de galinha exibiam seu volume libidinoso. Outra parte anatômica deslumbrante daquela verga colossal era a cabeçorra que se destacava do restante formando um gigantesco cogumelo arroxeado por onde o visgo translúcido, pegajoso e aromático escorria aos borbotões, especialmente depois da minha mão envolver a jeba grossa. Minha boca foi diretamente sobre ela, que mal cabia dentro dela apesar do esforço que fiz para abocanhá-la. O delicioso sabor do melzinho vazando logo se misturou à minha saliva e iniciei a chupeta fechando delicadamente os lábios ao redor dela. Tio Juvenal ronronou liberando um som grave que veio do fundo do tórax largo e peludo, sobre o qual espalmei a outra mão, começando a afagar aqueles pelos densos e sedosos. Ele gemeu, enfiou os dedos nos meus cabelos e deu um impulso metendo o cacetão na minha garganta. Controlando a respiração pelo nariz, voltei a chupar a chapeleta estufada, sugando e engolindo o pré-gozo. Quanto mais eu mamava, mais tio Juvenal se contorcia e grunhia liberando o êxtase que se acumulava.
- Você nasceu para isso, Tavinho! Caralho, como você mama bem! Te chamar de chupa-rolas é um elogio, moleque! Puta tesão que está me dando!
Notando o quanto ele se excitava e me cobiçava, aliado ao sabor do visgo, eu redobrei o empenho com o qual chupava aquele colosso de carne rija e latejante. Aos poucos, sem afastar a boca, fui descendo lambidas e chupadas ao longo do cacete, sentindo a pulsação forte das veias que o revestiam no toque suave dos lábios. Meu rosto ia gradualmente afundando na virilha peluda dele, o que me fazia sentir os pentelhos roçando as bochechas, até eu conseguir colocar um daqueles ovos borrachudos na boca e chupar tracionando ligeiramente o escrotão taurino. Fiquei trabalhando a verga em um vai e vem entre a chapeleta e as bolonas, beijando, lambendo e mordiscando num revezamento que acabava ora com uma, ora com outra completamente envolta pela minha boca, ao mesmo tempo que a língua as massageava me deixando alucinado. Ele não me preveniu que ia gozar e, quando notei o espasmo vigoroso que contraiu seu abdômen e o sacão, somado ao urro gutural, os jatos de porra leitosa já jorravam na minha boca, descendo pela garganta à medida que eu afoitamente os engolia. Fartei-me engolindo aquele néctar saboroso, sob o olhar deslumbrado dele, até ficar com os lábios completamente lambuzados de porra. Abri um sorriso quando terminei de mamar o leite viril, recolhendo com a língua o esperma que ficara pendurado nos cantos da boca. Ainda fiquei uns minutos recuperando o fôlego, agachado entre as coxas peludas dele enquanto ele não conseguia desviar o olhar do meu sorriso acanhado e submisso. Quando me levantei, ele me puxou para junto de si, me beijou lascivamente e passou a mão descaradamente sobre as minhas nádegas com uma sensualidade e cobiça que me arrepiaram todo. De repente, instalou-se um clima estranho, nenhum dos dois parecia saber o que dizer, como agir; o êxtase e uma excitação crescente dominavam nossos corpos.
- Boa noite, titio! – consegui balbuciar depois de um tempo, antes de seguir para o meu quarto.
- Boa noite, Tavinho! Foi sensacional, obrigado! – respondeu ele, enquanto guardava o cacetão saciado dentro do calção.
Rolei por mais de meia hora na cama, de um lado para o outro, ouvindo cada som que vinha tanto de fora, quanto dos estalos da madeira dentro de casa. O sabor do sêmen do tio Juvenal ainda se fazia sentir na minha boca, e seu cheiro peculiar parecia entrar nas narinas junto com o ar que eu inspirava. Fazia pouco mais de um quarto de hora que ouvi os passos dele seguindo em direção ao quarto, quando a casa mergulhou em total silêncio. Imerso num devaneio, imaginei-o esparramado em sua cama, também inquieto e agitado depois de haver drenado os colhões. Meu cuzinho piscava numa agitação incomum, nunca a senti tão intensa antes e, deslizando lentamente uma das mãos para dentro do reguinho, comecei a dedar as preguinhas anais, gemendo de tesão. Nada aplacava aquele furor que ardia dentro do meu corpo trêmulo.
Levantei-me e fui até o quarto do tio Juvenal, hesitei entre bater à porta ou simplesmente abri-la e entrar. O que você está fazendo, Tavinho? Ficou maluco de vez? Quer que te escorracem daqui também? O que se passa nessa sua cabecinha deslumbrada pelo caralhão do seu tio? Não é porque ele desopilou os colhões abarrotados na sua boca que esteja a fim de mais do que isso, afinal ele devia estar precisando se aliviar, uma vez que está sem sua antiga parceira. Não sei quanto tempo fiquei a remoer esse dilema diante daquela porta fechada, sem ouvir nada vindo de trás dela. O cu piscando mais do que nunca tomou a decisão por mim. Abri a porta e entrei parando aos pés da cama, identificando seu corpão na penumbra.
- Titio? Titio, Juvenal! Está dormindo? – perguntei num tom de voz baixo e cauteloso.
- Não consigo pegar no sono depois de sentir sua boca mamando meu cacete! – respondeu ele, acendendo a luz da cabeceira, quando pude identificar parte do caralhão saindo pela abertura da cueca samba-canção que estava usando.
- Posso dormir aqui com você hoje, titio? – perguntei, notando o olhar dele se arregalar sobre meu corpo.
- Não podia desejar nada melhor do que te sentir em meus braços, Tavinho! – respondeu ele.
Tirei minha cueca e me enfiei na cama ao lado dele. Ele afagou meu rosto, me puxou sobre seu tronco e me beijou demoradamente. Aninhei-me nele, acaricie-o retribuindo o beijo devasso chupando sua língua enquanto ele devorava meus lábios e amassava meus glúteos carnudos. Tomado por um frenesi incontrolável, comecei a gemer roçando meu corpo sequioso no dele.
- Ai, titio! – gemi, quando a mão áspera dele invadiu meu reguinho.
- Tudo isso é tesão, Tavinho? Está com fogo no rabo, seu moleque gostoso, chupa-rolas?
- Vai ficar bravo comigo se eu disser que sim? Adorei chupar seu cacetão suculento!
- Ninguém consegue ficar bravo com um garotão tesudo feito você, especialmente depois de ter mamado todo meu leitinho de macho! – respondeu, me apertando com força em seus braços. – Você ainda é virgem, Tavinho? – perguntou me encarando.
- Sou! Não sei o que meu pai falou sobre mim, se me pintou como se eu fosse um pervertido. Mas, eu juro que naquele dia em que ele me flagrou mamando o cacete do taradão do bairro, foi a primeira e única vez que coloquei a pica de um macho de na boca. – confessei.
- Esqueça seu pai, esqueça o que ele pensa ou fala sobre você, Tavinho! Você é um doce de molecão, merece um homem que valorize todas as tuas qualidades, que cuide de você, que te proteja, e que te ame! Eu daria tudo para ser uns trinta e poucos anos mais novo, para ser esse homem! – devolveu ele.
- Titio, não quer ser esse homem agora? Não quer me desvirginar? – indaguei sensual e cheio de esperança. Cada vez que eu o chamava de titio, ele era tomado pelo tesão conforme percebi na primeira vez que me referi a ele nesse termo.
- Não há nada que eu mais deseje! Quero desabrochar esse cuzinho como você merece! – respondeu, me beijando e enfiando um dedo na portinha do meu cuzinho assanhado para testar sua textura.
Aquele roçar de corpos incandescentes foi muito mais excitante do que eu podia imaginar. Tio Juvenal era movido a puro tesão, como macho, deflorar meu cuzinho se assemelhava a ser agraciado pelos deuses. Quando se livrou da cueca, lá estava ele outra vez, o caralhão cavalar, triscando de tão duro e querendo ser encapado pela minha fendinha estreita.
- Vai doer no começo, Tavinho! Vou fazer com cuidado, mas vai doer, quero te avisar. Não tenho nenhum lubrificante comigo, pois faz anos que venho metendo em bocetas bem laceadas.
- Eu confio em você, titio! Se eu não estiver aguentando, posso pedir para parar? – perguntei, o que o deixou ainda mais excitado a ponto de perder o controle e vir para cima de mim feito um touro reprodutor.
- Pode e deve! Não quero te machucar, quero que sua primeira vez seja muito especial! – sussurrou, montando em mim.
Ele foi erguendo minhas pernas ladeando seus flancos à medida que se encaixava entre elas. Apoiou-as na altura dos joelhos sobre seus ombros largos, o que me forçou a abri-las bastante facilitando o acesso ao meu rego que também se abriu um pouco sem, no entanto, expor meu cuzinho de tão profundamente entranhado naquele vale de carnes polpudas e pele lisinha. Ele as afastou até conseguir contemplar a rosquinha rosada com seu diminuto buraquinho cercado de pregas. Ele bufou selvagem, o instinto de macho fora exacerbado com aquela visão e meu olhar apreensivo e assustado. Como só fazia a barba uma vez por semana, quando ele começou a lamber avidamente minha rosquinha, socando a língua dentro dela, eu senti os pelos duros pinicando a pele branquinha e lisa dos glúteos polpudos e soltei um gemido longo e excitado. Tio Juvenal me lambeu o cuzinho por alguns minutos como se estivesse testando meu cio e minha vontade crescente de me entregar ao pauzão grosso dele. Eu não sabia se arfava para conseguir o ar que precisava ou se gemia externando meu prazer, de qualquer forma, ele sentiu que eu estava pronto para perder o cabaço na sua pica.
Ele a pincelou umas três vezes ao longo do rego, cada vez que a cabeçorra parava sobre a portinha do meu cu eu o travava e segurava a respiração, enquanto um arrepio descia pela minha coluna. Na última, ele forçou a fendinha toda melada pelo pré-gozo dele, as preguinhas foram se esticando abrindo o cu e me fazendo sentir dor. Quando estava prestes a expressar o que estava sentindo, ele foi se empurrando lentamente até a cabeçorra vencer a resistência dos esfíncteres e pular para dentro arregaçando meu buraquinho virgem. Me estremeci todo e soltei um grito. Ele deixou todo peso do corpão cair sobre mim, colou a boca na minha e socou forte fazendo o pauzão afundar na maciez quente do meu cuzinho enquanto o rasgava de tão faminto e afoito que estava.
- Ai meu cuzinho, titio! – exclamei tomado pelo tesão, pela dor e pelo prazer de sentir aquele caralhão pulsando forte dentro de mim.
- Seja um menino bem obediente, Tavinho! Seu titio vai te dar essa pica inteira da qual você tanto gostou! – grunhiu ele, bombando com força e vontade.
Eu sentia minhas carnes alargando, a ampola retal sendo preenchida pela tora grossa dele, as pregas se dilacerando e cu ardendo em brasa, mas tudo era regiamente recompensado pelas carícias e beijos que ele me dava, se apossando do meu corpo onde procurava alucinadamente pelo prazer. Tio Juvenal foi metendo cada vez mais forte, mais rápido, minhas mãos crispadas em suas costas suadas me mantinham acoplado a ele o que me dava um apoio seguro e me fazia sentir seus pulmões se enchendo de ar à medida que o arfar dele se intensificava.
- Vou encher seu cuzinho de leite, Tavinho! – grunhiu forte, me fazendo sentir a pulsação do caralho reverberando dentro de mim. – Vou gozar, vou gozar, Ah, veadinho tesudo, gozei! – ronronou, encharcando meu ânus com seu sêmen cremoso.
Eu, que até então entregava meu cuzinho à tara dele, sentindo o tesão e o prazer me dominarem por inteiro, não consegui mais segurar o gozo e me esporrei todo. O ar quente do quarto começou a cheirar a sexo, e eu fui relaxando a musculatura, me agarrando a ele e oferecendo minha boca aos seus beijos carinhosos e impudicos, enquanto o pauzão dele ia lentamente amolecendo na minha mucosa esfolada. Ao puxar o caralhão saciado para fora do meu ânus, ele constatou que as preguinhas rasgadas estavam sangrando, e me lançou um sorriso de puro êxtase.
- Seu cabacinho está sangrando, que coisa mais linda de se contemplar, Tavinho! – exclamou fascinado.
- Ai titio, estou tão feliz de você ter sido meu primeiro macho! – devolvi com um olhar cândido.
- Você me deixa completamente maluco, Tavinho! Vou ser seu macho toda vez que você quiser! – devolveu ele, antes de eu me enroscar no corpanzil dele.
Como o sexo estava sendo uma experiência totalmente nova para mim, principalmente o anal, eu não parava de me insinuar para o tio Juvenal, querendo um coito atrás do outro, apesar do meu cu estar todo arregaçado e sensível. Depois daquela noite ele também não conseguia passar por mim sem me tocar, sem bolinar minha bunda redondinha e carnuda dentro da qual se reencontrou com sua libido adormecida depois de anos fazendo sexo em vaginas pouco excitantes. Eu já nem ia mais para o meu quarto, todas as noites ele me levava consigo para a cama, ficava observando eu me despir e chegar junto dele, quando então me tomava nos braços até eu me entregar aos seus caprichos e desejos, só adormecendo quando o ânus estava transbordando de tanta porra que ele ejaculava dentro dele.
Os meses passaram até mais rápido depois que nossas transas viraram rotina. Um ano havia se passado desde que fui expulso de casa, mas esse trauma havia se diluído perdendo a importância, depois que encontrei o prazer no corpanzil parrudo e sexy do tio Juvenal e na sua pica cavalar.
Foi durante uma de nossas idas à cidade que conheci o filho do vizinho, Marcão, que acabara de voltar de BH onde esteve fazendo um curso técnico na área de tecnologia de alimentos, uma vez que queria implantar uma queijaria na propriedade dos pais, com o excedente do leite que produziam. Ele tinha acabado de chegar na rodoviária quando o tio Juvenal o reconheceu e parou a camionete para oferecer uma carona. Ele aceitou de pronto e os dois entabularam uma conversa animada de quem já se conhece há muito.
Eu escorreguei para o lado no banco da camionete ficando entre os dois. O Marcão, se muito, era uns cinco mais velho do que eu, era ligeiramente mais alto, mas muito mais encorpado, seus músculos saltavam pelas mangas da camiseta e estufavam as pernas do jeans com suas coxas grossas. Enquanto contava ao tio Juvenal como tinha sido o curso e sua estadia na capital, foi se esparramando no banco, abrindo bem as pernas, apoiando o cotovelo na janela sem se dar conta de que estava me espremendo entre os dois, já que meu tio também vivia com aquelas pernas musculosas sempre bem abertas, até enquanto caminhava, como se o cacetão que carregava entre elas o impedisse de as juntar. Ao gesticular espaçosamente, o braço do Marcão resvalava no meu e me fazia sentir um arrepio que ele acabou percebendo.
- Então esse garotão é seu sobrinho! – exclamou, interrompendo o que estava contando.
- Sim, é filho do meu segundo irmão que mora em São Paulo! – esclareceu meu tio, notando o interesse dele pela minha silhueta esguia e sensual.
- Meu pai já mencionou algumas vezes que você tem mais irmãos. Uns estão nos Estados Unidos, não é? – quis saber
- Os três mais novos! Estão lá tentando a sorte e se fodendo nas mãos dos gringos enquanto não conseguem se legalizar.
- E o que veio fazer por essas bandas, garotão? – perguntou-me o Marcão, o que me deixou furioso por ele se referir a mim como garotão, como se eu fosse um moleque e ele um adulto.
- Não sou nenhum garotão, faço dezenove anos dentro de algumas semanas! – devolvi ultrajado, o que o fez rir junto com meu tio.
- O Tavinho quis dar um tempo da cidade grande, não é Tavinho? E veio passar uma temporada comigo para conhecer a vida no campo. – afirmou meu tio, quando percebeu que eu não ia responder àquele sujeitinho folgado.
- Está gostando, garotão? – perguntou, só para me irritar. – Não tem todas as comodidades da cidade, nem lugares onde se divertir. Aqui nos divertimos com as coisas do dia-a-dia. – sentenciou, apertando sua perna contra a minha, o que fez eu me encolher ainda mais, ao lhe dirigir um sorriso rosnado.
- O Tavinho está sendo uma excelente companhia, estamos nos dando muito bem e ele já está craque em muitas tarefas da fazenda. – disse meu tio, ao me encarar dando uma piscadela maliciosa.
- É que eu adoro ficar com você, titio! – exclamei, sem me importar se o Marcão entendeu o duplo sentido da afirmação. Ao passo que os pelos do braço do meu tio se arrepiaram quando o chamei de titio com toda aquela sensualidade embutida na voz; o que me fez suspeitar que assim que chegássemos em casa ele ia me enrabar sobre o primeiro móvel que encontrasse pela frente.
Nós reencontramos o Marcão alguns dias depois quando fomos à cidade fazer compras. Ele estava acompanhado do pai, que eu já conhecia por tê-lo visto tomando umas cervejas com os amigos num boteco onde tio Juvenal também costumava ir quando ia à cidade pra se encontrar com produtores rurais da região e, por termos ido à fazenda deles numa visita de cortesia que meu tio costumava fazer aos vizinhos.
Ele e o pai logo caíram numa conversa animada com meu tio, a respeito do clima, de uma boa chuva que era aguardada com ansiedade, de uma ponte que precisava de reparos mas que a prefeitura não vinha consertar, o que me deixava de escanteio por não entender nada daquilo. Porém, eu notei como ele voltou a olhar para mim com aquela mesma expressão do dia em que lhe demos carona. Era um tipo de olhar perturbador que me deixava desconfortável. Eu evitava de olhar para ele, pois me sentia vulnerável diante daquele olhar que ele me lançava. Era como se ele conseguisse ler a minha alma através dele.
- Você sempre se queixa de não ter quase ninguém da sua idade para conversar e se divertir, agora tem o Tavinho! Por que não o leva por aí e mostra como a região é bonita, ou cavalga até as corredeiras do rio, é um belo passeio para uma tarde quente? – sugeriu o pai dele.
- Ele é só um molecão de cidade grande, não deve se interessar pelas coisas do campo! – respondeu de pronto o Marcão, não querendo assumir nenhum compromisso comigo. Não foi por esse motivo que fiquei puto, mas por ele ter me chamado novamente de molecão.
- Já te disse que não sou nenhum moleque! Um par de anos a mais do que eu, não fazem de você um adulto. Ao que vejo ainda vai levar um bom tempo para você se transformar num! – afirmei com a cara amarrada. Por uns instantes pairou um clima desconfortável, até o pai dele quebrar o silêncio.
- O Marcão sempre teve essa mania. Por ser o mais velho da turma de amigos e colegas de escola, sempre os chama de molecões. – esclareceu, tentando livrar a cara do filho.
- Talvez se tivesse se empenhado mais nos estudos não teria que conviver uma turma de alunos mais jovem. – insinuei, o que fez o pai dele rir e ele fechar a cara.
- Tá aí o que eu dizia para ele quando não fazia as lições de casa preferindo ir se divertir, o que resultou na repetição de ano no colégio. A segunda vez não foi culpa dele, sejamos justos, por duas vezes às vésperas das provas semestrais ele ficou doente e acabou tirando notas baixas. – revelou o pai, o que o deixou ainda mais irritado.
- O Tavinho também sai pouco de casa! Seria legal vocês fazerem companhia um para o outro! – sugeriu meu tio.
- Olha aí, filhão! Arrumou um novo amigo! – exclamou efusivo o pai dele.
- É, quem sabe um dia eu passe por lá e te levo para uma cavalgada! – desdenhou o Marcão. – Sabe ao menos subir num cavalo? – emendou irônico.
- Depende do cavalo! – respondi, fuzilando-o com o olhar
Na volta para casa questionei o tio Juvenal por querer me fazer amigo daquele sujeito. Mencionei o quanto ele me desagradava, o quanto eu o achava convencido. Meu tio disfarçou o riso para não me deixar ainda mais irritado, antes de soltar essa.
- Ele gostou de você no instante em que bateu os olhos no seu corpo, e você ficou tão impressionado com a postura máscula dele que se intimidou.
- Eu não me intimidei! Eu só o detestei logo de cara! E ele não gostou de mim, só ficou afim de zoar com a minha cara, desgraçado!
- O Marcão é um rapaz ajuizado e legal, Tavinho! Não o julgue antes de o conhecer melhor! Fazer um amigo por aqui não vai te fazer mal, pelo contrário. Você é um garotão lindo, charmoso, que deveria estar cercado de amigos da sua idade, de rapazes que valorizem a sua sensibilidade e queiram ter algo mais sério com você. Pelo que vi, o Marcão já notou essas qualidades em você e não consegue esconder o interesse. – argumentou meu tio.
- Ele pode ser legal lá para as negas dele! Não quero nada com esse sujeitinho! – devolvi. – Muito menos o que o senhor está insinuando, pois para isso já tenho o senhor e estou muito feliz com nosso relacionamento. – afirmei.
- Eu sei que o que temos é importante e muito bom, mas você precisa um homem mais novo, não um que tem idade para ser seu pai. Não estarei aqui para sempre, nem sei quanto tempo ainda vou dar no couro para poder satisfazer um garotão fogoso como você. – sentenciou.
- Não diga isso, titio! Não quero nem imaginar de ficar sem você! E quanto a me satisfazer, eu sei que você ainda tem muito fogo aqui para queimar. – retruquei, passando carinhosamente a mão sobre o cacetão dele. Ele riu, pegou minha mão e a beijou e depois a recolocou sobre o membro deixando-o endurecer enquanto dirigia pela estrada poeirenta.
Tio Juvenal acordava pela manhã movido à testosterona. Assim que despertava se aconchegava à minha bunda que, desde que passei a dormir na cama dele, estava sempre nua ou quando muito, envolta pelas tiras de uma jockstrap. Ele ia me acordando com o roçar insistente de sua ereção matinal e, ao perceber que eu despertei, se empurrava libertinamente para dentro do meu cuzinho, me ouvindo gemer a cada impulso ardente que dava contra as minhas nádegas fazendo o caralhão sumir nas minhas entranhas. Ele levava não mais de cinco minutos para gozar pela manhã, seguindo para o banheiro de onde eu podia ouvir o jato forte de sua mijada dentro do vaso, e depois se metia debaixo da ducha, para onde muitas vezes me chamava provocativamente para que ensaboasse sua pica. Enquanto eu preparava nosso café, ele voltava ao ataque, enfiando a mãozona tarada dentro da bermuda do pijama para brincar com as polpas da minha bunda e a fendinha inchada onde tinha acabado de ejacular. Como eu ficava todo arrepiado e queimando de tanto tesão, me entregava em seus braços, empinava a bunda na virilha dele e retribuía os beijos tórridos que ele me dava. Não raro, acabava sendo enrabado novamente, com as pregas já esfoladas, o que tornava o coito um prazer entremeado de dor e luxúria. Tínhamos esses momentos de liberdade antes de a Teodósia, que vinha fazer os serviços domésticos, chegar, quando então passávamos a nos comportar como tio e sobrinho.
- Ó de casa! Ó de casa! – ouvimos uma voz rouca de homem chamando e se aproximando da porta da cozinha, numa manhã em que o sol despontou bastante cedo, quando eu estava debruçado sobre a pia com as pernas ligeiramente afastadas e tio Juvenal socando vorazmente o caralhão trincando de tão duro no meu cuzinho pela segunda vez naquela manhã.
Assustado, com um espasmo abrupto meu cu travou ao redor do pauzão. A forte contração muscular justamente quando ele estocou meu rabo me fez sentir uma dor aguda que me fez estremecer todo e ganir.
- Espere um pouco, já estou saindo! – berrou meu tio, antes de continuar bombando meu cuzinho por mais alguns minutos e se despejar todo dentro dele, sacando o pauzão ainda duro, enquanto o excesso de esperma vazava pela minha fendinha arregaçada.
Ele enfiou o caralhão saciado dentro da calça e foi de encontro a quem havia chamado, ao passo que eu juntava as coxas para não perder todo o sêmen que tinha no cu; me recompunha erguendo a bermuda para cobrir a bunda e ensaiava uns passos trôpegos para não dar bandeira do que havíamos acabado de fazer.
- Veja quem está aqui, Tavinho! O Marcão veio te buscar para uma cavalgada! – anunciou meu tio. – É bom que saiam cedo, antes de o sol esquentar demais. – acrescentou, procurando decifrar através do meu olhar se eu já estava totalmente recomposto do coito.
- Não é hoje que o veterinário ficou de vir para vacinar as vacas? Acho que o senhor vai precisar mais de mim por aqui do que eu passeando à toa por aí. – afirmei, inseguro com aquela umidade que formigava no meu cuzinho.
- Vou me virar muito bem sozinho, não se preocupe! Vá fazer seu passeio, você precisa se distrair e sair um pouco de casa! – respondeu meu tio, todo animado.
Acho que ele nem pensou em como eu ia subir numa sela e cavalgar por aquelas estradas e campos com as preguinhas esfoladas e inchadas, enquanto eu recomeçava a tremer só de me imaginar abrindo as pernas ao redor do dorso do cavalo e ter meu cu prensado e saltando em cima de uma sela.
- Precisa ser hoje? Agora? – perguntei.
- Se não estiver a fim de sair comigo é só falar! – exclamou ríspido o Marcão
- Não é nada disso, Marcão! O Tavinho esteve indisposto e não dormiu bem essa noite. – disse meu tio. – É justamente por isso que vai ser bom você tomar um ar, Tavinho! Faça um esforço! Tenho certeza que vai se sentir melhor depois da cavalgada. – emendou. Eu pensei com meus botões – me sentir melhor, como, com esse cu todo estourado? – mas cedi ao apelo dele, acompanhando o Marcão até a mangueira sob a qual os cavalos estavam amarrados.
- Se importa se fizermos apenas uma caminhada? – perguntei, quando nos aproximamos dos cavalos.
- Queria te mostrar uma coisa, fica um pouco distante para uma caminhada. – respondeu desiludido. – Se não estiver afim, é só me dizer! Não vou ficar implorando! – emendou, num tom agressivo.
- Não é isso! É que ... é que eu tenho medo de subir num desses bichos. – confessei sincero.
- Tá de brincadeira! Tem medo de montar num cavalo? – perguntou espantado. Acenei tímida e afirmativamente com a cabeça. – Tudo bem, ficamos só na caminhada então!
- Obrigado!
Em meu íntimo fiquei me perguntando qual era a desse cara, por que aceitou a sugestão do pai dele para me mostrar a região, quando está na cara que só o está fazendo por obrigação. Caminhamos por cerca de meia hora, eu começava a entrar no limite das minhas forças, sentindo o cuzinho em brasa a cada novo passo que dava, aliado à insegurança de toda aquela porra do tio Juvenal vazar a qualquer instante. Chegamos a um trecho da estrada ladeada de ambos os lados por uma fileira de jatobás enormes, cujas copas se entrelaçavam formando um túnel sombreado.
- O que te motivou a se mudar para cá, para a casa do seu tio? – perguntou ele
- Curiosidade e vontade de o conhecer melhor. Só o tinha visto uma vez quando ainda bem novinho. – respondi, com a justificativa clássica inventada pelo meu tio para responder a esse tipo de pergunta, omitindo a verdadeira razão de eu estar ali.
- Sei! – esse “sei” dele pronunciado lentamente me deixou intrigado. – E, está se dando bem com o Juvenal? – essa pergunta também tinha algo de capciosa, pois eu tinha quase certeza de que ele havia somado a demora em ser atendido quando chegou junto a porta da cozinha, com o fato de meu tio depois sair apressado e muito provavelmente com o caralhão que sacou do meu cu à meia-bomba, mais o meu caminhar desajeitado, e concluído que nos interrompeu quando meu tio estava comendo meu rabo.
- Sim, ele é muito legal!
- Então o fato de ter se mudado para tão longe de casa, para uma região sem grandes atrativos para caras jovens como nós, não teve nada a ver com você ter sido expulso de casa? – indagou, me deixando sem chão.
- Como é? – questionei abismado e querendo trucidar o sujeitinho. – Não sei do que está falando!
- Te reconheci de imediato naquele dia em que seu tio me deu carona da rodoviária até minha casa. – ele só podia estar blefando. – Sua irmã, Sonia, mostrou uma foto sua para o namorado que, por coincidência, é um colega que estava fazendo o curso de tecnologia de alimentos comigo em BH. Ele é paulista e me convidou a passar um feriadão na casa dele em São Paulo. Foi aí que conheci sua irmã e parte da sua família, durante um almoço na sua casa. Num porta-retrato da sala em que a família está toda reunida para um aniversário, eu acho; você também aparecia e, como não estava nesse almoço, perguntei sobre seu paradeiro. Imediatamente seu pai respondeu que você morreu em consequência de uma doença, o que me deixou constrangido por levantar esse assunto e deixar o clima pesado. – revelou o Marcão
- Está contente agora que sabe o motivo pelo qual fui expulso de casa? Era isso que você queria, me desmascarar e me humilhar? Vai sair por aí contando para todo mundo o que foi que eu fiz para ser obrigado a procurar refúgio na casa do meu tio? – questionei, entre derrotado e envergonhado.
- Por que eu estaria contente com a sua situação? Não é porque você não vai com a minha cara que vou ficar espalhando sua vida para os outros! – respondeu indignado.
- Não sei! Para ter um trunfo contra mim em mãos!
- Por que eu teria algo contra você? Você tem cada desconfiança absurda!
Durante essa conversa ficamos parados sob a sombra das árvores. Minha vontade era sair correndo, nunca mais ter que olhar para a cara do Marcão agora que ele sabia que eu era um chupador de rolas, e também desconfiava de eu estar queimando a rosquinha no cacetão do meu tio. Comecei a andar apressado na direção de casa, deixando-o com suas conclusões.
- Espere! Aonde vai?
- Me deixa, Marcão!
- Pare! Não deixo! – exclamou, me retendo pelo braço e me prensando contra o tronco de um dos jatobás. O rosto másculo dele ficou a centímetros do meu, o olhar me penetrava fundo, ambas as mãos me mantinham colado ao tronco da árvore e sua respiração chegava a roçar meu rosto envergonhado.
- Já não conseguiu tudo o que queria, por que continuar me torturando? O que mais quer de mim?
- Você! – a resposta veio ligeira, precedendo o beijo lascivo que uniu nossas bocas e me fez sentir sua língua lambendo minha úvula. Me arrepiei todo, as pernas tremiam, o ânus encharcado de porra convulsionava.
Ele foi me soltando aos poucos, o sabor de sua boca continuava presente na minha, aquele olhar me fazia parecer um livro aberto no qual ele podia ler minha vida inteira. Ficamos ambos sem saber como agir depois da reação repentina dele.
- Era alguém importante? – perguntou, me deixando confuso.
- Quem?
- O cara, era alguém importante?
- Não! Era um babaca metido a garanhão pelo bairro, que fugiu assim que meu pai nos flagrou me deixando sozinho debaixo das porradas que levei. – revelei
- Filho da puta sortudo! – exclamou num resmungo
- O quê?
- Só para você saber, se fosse eu, não teria fugido. Teria enfrentado seu pai e assumido minha parte da responsabilidade. – asseverou
- Por que está me dizendo isso?
- Porque fiquei afim de você no instante em que entrei na camionete do seu tio no dia da carona e, desde então, não consigo te tirar dos meus pensamentos, não consigo esquecer desse rosto encantador, não consigo olhar para essa bundinha redonda e carnuda sem sentir um tesão do caralho. – confessou, apertando a ereção debaixo do jeans.
Não tive coragem de o encarar, agora meu rosto também estava em brasa, não apenas o cuzinho e, recatadamente baixei o olhar chutando umas folhas secas caídas à beira da estrada. Falamos pouco no caminho de volta. Eu reavaliava meu juízo precipitado e errôneo a respeito do Marcão, e deixava aquela primeira impressão que tive sobre seu porte másculo e viril dominar meus sentimentos. Antes de pegar os cavalos no quintal de casa para voltar para a fazenda dele, ele me deu um selinho rápido no canto da boca e partiu.
- A gente se vê! – disse, fazendo o cavalo rodopiar antes do galope no qual partiu.
Entrei em casa como que anestesiado por aquele beijo que ainda se fazia sentir nos meus lábios, tanto que passei as pontas dos dedos sobre eles, só para confirmar se ainda estavam lá, e intactos. A Teodósia que cuidava dos afazeres domésticos anunciou que o almoço estava quase pronto, e, perguntou se eu queria acrescentar mais alguma coisa antes do tio Juvenal chegar em casa.
- Como foi o passeio, por que não foram cavalgar? – perguntou ele quando me deu uma encoxada disfarçada contra a mesa que eu estava pondo.
- Aquele lugarzinho ainda está muito sensível, eu não ia aguentar sentar numa sela. Além do que, você sabe que morro de medo de subir nesses bichos. – respondi num sussurro para que os ouvidos curiosos da Teodósia não me ouvissem.
- Temos que dar um jeito nisso!
- No quê?
- Nas duas coisas! Precisa perder esse medo e aprender a cavalgar. Do cuzinho eu vou cuidar assim que terminarmos de almoçar, lá no quarto, durante o descanso! – respondeu, me encarando cheio de malícia, o que fez meu cuzinho se contorcer de tesão.
Depois que a Mariana o deixou, tio Juvenal meio que me assumiu como se eu fosse sua fêmea. O sexo entre nós era intenso, prazeroso. Como tinha uma fome insaciável, não se reprimia e me pegava pelos cantos da casa a qualquer hora e sob qualquer pretexto. Eu sentia prazer em suas investidas, gostava de sentir a umidade pegajosa dele formigando no rabo, gostava de me abrigar junto ao seu corpão parrudo, gostava daquele homem tosco simplesmente por ser um macho sem preconceitos que me acolheu no pior momento da minha vida. Será que havia espaço para mais um nesse contexto? Será que eu tinha condições de corresponder às expectativas do Marcão, outro macho impetuoso que, com um simples olhar ou sorriso, conseguia abalar toda as minhas estruturas? Paguei para ver.
Fui me encontrando com o Marcão cada vez com mais frequência, havia semanas em que quase não saíamos da casa um do outro. Os pais dele já me assimilavam como uma espécie de genro, depois que ele revelou sua bissexualidade de ativo e seu interesse por mim. Tio Juvenal também estava de boa com esse relacionamento que se intensificava a olhos vistos, e me aconselhava a seguir meu coração e também a assumir definitivamente que eu era gay e que minha felicidade só estaria completa quando deixasse o amor me guiar em direção a um homem que sentisse o mesmo por mim.
O que me prendia aquele lugar, ao meu tio e ao tesão que sentia por ele, era unicamente a minha incapacidade de tomar uma decisão. A minha expulsão de casa clamava a todo instante me mostrando o mau passo que dei no dia em que caí de boca na caceta daquele cafajeste, fazendo aquilo parecer a coisa mais abjeta e repulsiva que um homem podia fazer com outro. Era meu castigo por ser homossexual, como minha família havia deixado bem claro.
- O que mais você quer, Tavinho? Que você é gay, e por sinal, um dos mais lindos e tesudos que já conheci, não tem como modificar. Viva com essa certeza e procure ser feliz dentro dessa realidade. – aconselhava meu tio, toda vez que via o dilema estampado na minha cara.
- Liberdade! – respondi. – Liberdade para poder tomar minhas decisões sem culpa, liberdade para seguir para onde eu quero, liberdade para saber se realmente quero viver ao lado de outro homem. É isso que eu quero, titio! – respondi.
- Mas você já é dono dessa liberdade, Tavinho! Você pode ir quando e para onde você quiser, isso aqui não é uma prisão na qual seu pai te encarcerou. Se você ama o Marcão vá atrás dele, confesse seu amor, siga com ele para onde vocês quiserem. Eu sempre vou apoiar as tuas decisões.
- Como vou ser livre se nem ao menos consigo me sustentar sozinho, se dependo da sua caridade para tudo? O que vou fazer, deixar de ser depende seu para ser de outro homem que pode fazer comigo o que bem quiser? – argumentei. – Meu pai me jogou nesse lugar de poucas oportunidades justamente para ferrar com a minha vida, para aniquilar qualquer desejo de felicidade com outro homem.
- Você não está aqui por caridade, Tavinho, entenda isso de uma vez por todas! Você está aqui porque eu te quero comigo, porque eu sinto um amor enorme por você, não só como um aparentado e não só carnal por mais que alojar meu sexo na sua bundinha me deixe feliz. Tudo o que você vê a sua volta é seu. Nunca tive filhos, o destino não quis com a minha primeira esposa, a única que os desejou ter comigo; as outras só estavam interessadas nos meus bens e no meu caralho que não nega fogo. Não se sinta diminuído perante ninguém por não trabalhar formalmente, pois tudo nessa fazenda lhe pertence. Se você ama o Marcão como tenho certeza que ama, vocês dois podem construir uma vida juntos aqui, desenvolvendo as fazendas, unindo-as como devem unir seus corpos sedentos por paixão e sexo.
- Não sei o que seria de mim sem você, titio! – afirmei, atirando-me nos braços acolhedores dele.
- Digo o mesmo! Não sei o que seria de mim se você não tivesse entrado na minha vida e dado luz e sentido a ela. Seu pai é um cretino, mas ele não faz ideia do tesouro que colocou em minhas mãos. – asseverou, me fazendo chorar.
Tio Juvenal, sem eu saber, tinha demonstrado toda sua revolta com meu pai por ele ter me expulso de casa na base da porrada, questionando a moral dúbia dele e a falta de amor por um filho pelo fato de ele ser homossexual. Ele o fez enviando um vídeo no qual ele e eu fazíamos sexo selvagem e irrefreado na cama dele entregues numa aura de prazer, lembrando-o do tempo em que o enrabava furtivamente na adolescência. Quando me contou da provocação, fiquei imaginando a reação do meu pai ao me ver servindo diligentemente o mesmo macho que o fodera anos antes.
O Marcão ficava elétrico toda vez que falava da queijaria que estavam construindo na fazenda deles e, para onde eu seguia todos os dias, participando de cada detalhe e de cada avanço que a construção dava. Esse mesmo entusiasmo ele dirigia a mim quando me arrastava para um beco longe das vistas de todos e se fartava no meu cuzinho. Eu já não negava a paixão que sentia por ele, aceitava-o como meu macho e parceiro, bastando apenas oficializarmos nosso relacionamento a quem se importava com ele.
Me mudei um ano após a queijaria ficar pronta e entrar em produção para uma casa que o tio Juvenal construiu para nós dois na fazenda. Ele também havia reformado e diminuído a antiga sede que já não atendia mais às suas necessidades. Dessa forma, continuávamos próximos dele, com ele meio que supervisionando as atitudes do Marcão para comigo e se certificando de ele estar me dando o amor que achava que eu merecia. Na noite que antecedeu a mudança do Marcão para a nossa nova casa, foi a última vez que senti o caralhão do tio Juvenal pulsando e ejaculando sua virilidade no meu cuzinho. A partir daquele dia e exclusividade por esse privilégio coube inteiramente ao Marcão, a quem estou amando cada dia mais descobrindo o homem maravilhoso que está se tornando.
Nunca qualquer membro da minha família perguntou por mim, se estava feliz, se continuava vivo. Me acostumei ao desprezo deles porque vivia ao lado dos únicos dois homens que me aceitavam como sou.