As orgias do padre Bartolomeu


A noite de maio em Pinheiros ainda carregava o cheiro úmido da chuva da tarde. Dentro da casa paroquial anexa à Monte Serrat, as luzes comuns já haviam sido apagadas. Apenas uma lâmpada vermelha de baixa voltagem, pendurada no corredor dos fundos, vazava uma luz sangrenta pelas frestas das portas.

Padre Bartolomeu, ainda com a alva dobrada no braço e o colarinho clerical meio solto, subiu as escadas estreitas com passos lentos, quase rituais. Tinha acabado de celebrar a missa das 19h30. O missal ainda cheirava a incenso e a hóstia. Mas o cheiro que realmente o guiava agora era outro: suor masculino, perfume barato, uísque e testosterona.

No segundo andar, a sala de reuniões paroquial havia sido transformada. Os bancos de madeira empilhados contra a parede. No centro, três colchões de solteiro unidos com fita adesiva larga formavam uma plataforma larga. Sobre eles, lençóis pretos baratos da 25 de Março. Ao fundo, uma caixa de som Bluetooth tocava um remix lento de “Wicked Games” em volume baixo o suficiente para não atravessar as paredes grossas da construção de 1940.

Havia sete homens naquela noite. Todos entre 22 e 38 anos. Nenhum deles era do bairro. Vinham de aplicativos, de grupos fechados no Telegram chamados coisas como “Sexta no Altar” ou “Confissão sem Véu”. Alguns ainda usavam alianças no dedo anelar da mão esquerda. Outros traziam mochilas com toalha, lubrificante e camisinha, como quem vai à academia.

Bartolomeu parou na porta, observou-os. Um rapaz de pele morena e cabelo raspado nas laterais estava de quatro sobre o colchão, calça jeans arriada até os joelhos, sendo penetrado por trás por um homem mais velho, de barba rala e tatuagem de cruz invertida no ombro. O som dos quadris batendo era ritmado, quase litúrgico. Dois outros se beijavam de pé junto à janela entreaberta, as línguas se enroscando enquanto as mãos desabotoavam camisas sociais amassadas.

Ele sentiu o pau pulsar dentro da calça preta do clero. Tirou o celular do bolso. 23h53.

Digitou rápido, sem pensar muito.

“Tô de pau duro”

Enviou.

Dois minutos sem resposta.

Olhou para o rapaz que estava sendo fodido no colchão. O jovem gemia baixo, rosto enterrado no lençol. Bartolomeu imaginou Siqueira ali no lugar dele — o mesmo Siqueira que limpava o presbitério três vezes por semana, que arrumava os paramentos, que às vezes ficava até tarde “ajudando” com os inventários da pastoral.

23h55.

“Loco pra te comer”

Nada.

Ele caminhou até o canto da sala, pegou a garrafa de Jack Daniel’s que alguém trouxera e deu um gole direto no gargalo. O álcool desceu queimando. O tesão subiu junto.

23h58.

“E vc está afim de dar?”

Dessa vez a resposta veio em menos de sessenta segundos.

“Não”

Bartolomeu fechou os olhos por um instante. O “não” de Siqueira era seco, quase infantil. Mas ele conhecia o tom. Era o mesmo “não” que o garoto dizia quando Bartolomeu passava a mão na nuca dele enquanto assinavam recibos, ou quando o chamava para “conversar” na sacristia depois das 22h. Um não que tremia.

Ele guardou o celular.

Voltou os olhos para a orgia.

Um dos rapazes — o mais jovem, talvez 23 anos, corpo de academia, pau grosso e reto — se aproximou dele. Sem dizer nada, ajoelhou-se. Desabotoou a calça do padre com dedos ágeis. Quando o pau saltou para fora, já babando, o rapaz o engoliu inteiro sem preliminares. Bartolomeu segurou a nuca dele com força, empurrando os quadris para a frente, fodendo a boca como se fosse um sacrário profanado.

Do outro lado da sala, alguém aumentou o volume da música. Agora era “Take Me to Church” na versão remixada, grave e suja.

Ele gozou na garganta do rapaz sem avisar. O jovem engoliu tudo, olhos lacrimejando, depois se levantou e voltou para o colchão como se nada tivesse acontecido.

Bartolomeu respirou fundo. O peito subia e descia sob a camisa clerical ainda abotoada. Pegou o celular de novo.

Digitou mais uma mensagem para Siqueira, mesmo sabendo que não haveria resposta.

“Você vai acabar cedendo. Sempre cedem.”

Não enviou.

Apagou o texto.

Guardou o aparelho.

Olhou para os corpos se entrelaçando sob a luz vermelha. Um deles gritou alto quando foi penetrado por dois ao mesmo tempo. Outro ria, bêbado, enquanto masturbava o companheiro.

Padre Bartolomeu caminhou até a janela. Abriu mais um pouco. O ar frio da noite bateu em seu rosto quente.

Lá embaixo, o Largo da Batata estava vazio. Apenas os postes de luz e o barulho distante de um ônibus na Brigadeiro.

Ele sorriu de leve.

A missa do dia seguinte seria às 8h.

Ele já sabia qual seria o evangelho.

E qual penitência ele próprio

Três semanas depois.
Paróquia Santa Cecília, centro de São Paulo.
Meia-noite e quinze.

A transferência tinha sido rápida e silenciosa, como sempre. Dom Odilo assinou o decreto de remoção com a mesma caneta que usava para aprovar nomeações de vigários. “Pastoral urbana”, dizia o documento. “Necessidade de renovação espiritual no centro histórico”. Ninguém na Monte Serrat ousou comentar em voz alta que o padre Bartolomeu saiu carregando exatamente as mesmas caixas que trouxera dois anos antes — só que agora elas incluíam um HD externo lacrado com senha e um envelope pardo cheio de fotos impressas em papel fotográfico brilhante.

A casa paroquial de Santa Cecília era mais antiga, mais úmida, com corredores que cheiravam a mofo e cera de vela queimada. O quarto do pároco ficava no terceiro andar, isolado, com uma porta de madeira maciça que rangia como confissão mal resolvida.

Ele não esperou muito para recomeçar.

Naquela noite havia apenas quatro convidados. Menos barulho, mais intensidade.
Um deles era novo: alto, pele quase negra, dreads curtos presos num coque frouxo, 29 anos, tatuagem de São Jorge matando o dragão que descia do pescoço até o peitoral esquerdo. Chamava-se Rafael, mas no grupo usava “Anjo Caído”. Tinha chegado recomendado por um dos habitués da Monte Serrat — “o padre gosta de quem aguenta firme e não faz cena”.

Bartolomeu abriu a porta vestindo apenas a calça social preta e o colarinho romano desabotoado. Sem camisa. O peito largo, peludo, marcado por arranhões recentes que ainda estavam rosados. Rafael entrou sem dizer nada, só um aceno de cabeça. Os outros três já estavam na sala adjacente: luz baixa, cortinas fechadas, ar-condicionado no máximo para disfarçar o cheiro de sexo e álcool.

Sobre a mesa de centro, garrafa de Absolut quase vazia, copos sujos, um frasco de poppers aberto e um vidrinho de lubrificante sabor neutro com a tampa perdida.

Rafael tirou a camisa devagar, dobrando-a com cuidado militar sobre a cadeira. Quando ficou só de cueca boxer preta, Bartolomeu se aproximou por trás, colou o corpo no dele. Uma mão subiu pelo abdômen definido, apertou um mamilo com força até o rapaz soltar um grunhido baixo. A outra mão já estava dentro da cueca, segurando o pau grosso que endurecia rápido.

— Você sabe por que te chamei hoje? — murmurou o padre no ouvido dele, voz rouca de uísque e desejo.

Rafael virou o rosto de lado, roçando a barba rala na do padre.

— Porque o outro disse não.

Bartolomeu riu baixo, um som que não tinha nada de santo.

— Ele ainda vai dizer sim. Mas enquanto isso… — apertou mais forte, masturbando devagar — …você vai me ajudar a descarregar.

Sem mais conversa, empurrou Rafael contra a parede. O rapaz abriu as pernas instintivamente. Bartolomeu caiu de joelhos — não para rezar. Puxou a cueca para baixo com os dentes, deixou o pau saltar livre. Era pesado, veias saltadas, cabeça brilhando de pré-gozo. Engoliu até a garganta num movimento só, sem engasgar. Rafael segurou a cabeça do padre com as duas mãos, dedos enfiados no cabelo grisalho curto, fodendo a boca com estocadas lentas e profundas.

Do outro lado da sala, os três assistiam em silêncio, se tocando preguiçosamente. Um deles — magro, piercing no septo, uns 25 anos — já estava nu, de quatro no tapete persa gasto, sendo preparado por trás com dois dedos lubrificados por outro homem.

Bartolomeu se levantou, limpou a boca com as costas da mão. Virou Rafael de frente para a parede, mãos abertas na pintura descascada. Baixou a própria calça só o suficiente para liberar o pau. Cuspiu na palma, passou no próprio membro, depois entre as nádegas do rapaz. Não usou camisinha. Nunca usava com quem voltava mais de uma vez.

Entrou de uma vez, sem aviso. Rafael mordeu o próprio antebraço para não gritar alto demais. O padre segurou os quadris dele com força, unhas cravando na carne, e começou a bombar ritmado, fundo, batendo o osso púbico contra as nádegas musculosas. O som era molhado, obsceno, ecoando no quarto.

— Reza comigo — sussurrou Bartolomeu, mordendo o lóbulo da orelha dele. — Reza pedindo perdão.

Rafael riu entre gemidos.

— Perdoai-me, padre… porque pequei… muito… caralho…

O padre acelerou, cada estocada mais violenta. Uma mão subiu e apertou a garganta do rapaz, não o suficiente para machucar de verdade, mas o bastante para sentir o pulso disparado sob os dedos. Rafael gozou primeiro, jatos grossos batendo na parede, escorrendo devagar pela pintura bege. Bartolomeu não parou. Continuou fodendo através do orgasmo alheio até que o próprio corpo travou, os músculos das coxas tremendo. Gozou dentro, grunhindo baixo, enchendo o rapaz até transbordar.

Quando saiu, o sêmen escorreu pelas coxas escuras de Rafael, pingando no assoalho.

Bartolomeu respirou fundo, passou a mão no próprio pau ainda semi-duro, limpando o excesso. Pegou o celular na mesinha.

Abriu o chat com Siqueira. A última mensagem continuava lá, sem resposta, desde maio do ano passado.

Digitou devagar, com o polegar sujo de lubrificante.

“Hoje foi com outro. Mas pensei em você o tempo todo.
Da próxima vez não vai ter como dizer não.”

Enviou.

Guardou o aparelho.

Olhou para os quatro corpos suados, ofegantes, esperando a próxima rodada.

Sorriu.

A missa das 7h da manhã seria celebrada por ele mesmo.

E ele já sabia que, ao erguer a hóstia, sua mão ainda ia tremer levemente.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
As orgias do padre Bartolomeu

Codigo do conto:
252338

Categoria:
Grupal e Orgias

Data da Publicação:
16/01/2026

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