Eu ri, nervosa, sentindo o calor subir pelo pescoço.
— Foi... diferente de tudo que eu já vivi. Tipo, eu entrei lá achando que ia ser uma massagem relaxante com uns toques mais íntimos, sabe? Como aquelas que a gente vê no Instagram das terapeutas. Mas o Salvador... ele tem uma presença. Alto, calmo, voz baixa que parece que entra na gente. Ele me recebeu com um abraço longo, daqueles que duram o tempo certo pra você sentir que tá segura. Sem pressa. Depois sentamos no tapete, cara a cara, e conversamos quase uma hora antes de qualquer toque. Ele perguntou da minha vida, do casamento, do que eu sentia falta no sexo, do que eu tinha medo de sentir. Eu chorei um pouco, acredita? Chorei de alívio, porque ninguém nunca tinha me perguntado isso com tanta atenção.
Ster arregalou os olhos.
— E aí? Ele te deixou à vontade pra decidir o rumo?
— Sim. Ele explicou tudo: que a massagem tântrica é sobre energia, respiração, presença. Que a yoni — ele usava essa palavra o tempo todo, como se fosse sagrada — não é só pra gozar, é um portal. Que o objetivo não é orgasmo, mas expansão. Mas que, se o corpo quisesse ir pro lado mais intenso, ele acompanhava, sempre com consentimento a cada passo. Eu disse que queria experimentar tudo, sem limite prévio, mas que parava se precisasse. Ele sorriu e falou: “Seu corpo decide o ritmo, Josi. Eu só sigo.”
Ela deu um gritinho abafado.
— Ai, menina... e o quarto? Como era?
— Luz baixa, velas, incenso suave de sândalo. Música instrumental lenta, tipo batidas suaves no fundo. Ele me pediu pra tirar a roupa devagar, sem vergonha, e deitar de bruços primeiro. Começou pelas costas, ombros, com óleo quente nas mãos. Deslizava devagar, como se estivesse desenhando meu corpo inteiro. Eu sentia cada poro acordando. Depois virou de costas, e aí veio o aquecimento: barriga, coxas, virilhas... sem tocar a vulva ainda. Só contornando, subindo e descendo, fazendo círculos largos no baixo ventre. Eu comecei a respirar fundo, como ele ensinava: inspira pelo nariz, solta pela boca, devagar. Era como se a energia subisse do umbigo pro peito.
Ster se abanava com a mão.
— E quando chegou na yoni?
— Ele perguntou de novo: “Posso tocar sua yoni agora, Josi? Só se você quiser.” Eu disse sim, com a voz tremendo. Ele pingou óleo quente direto no monte de Vênus, deixou escorrer devagar. Começou pelos grandes lábios, alisando com as palmas inteiras, movimentos longos de baixo pra cima. Depois os pequenos lábios, com os dedos médio e anelar juntos, deslizando sem separar, só roçando. Eu sentia o clitóris pulsar, mas ele não tocava direto ainda. Fazia círculos ao redor, pressionava o monte de Vênus com o polegar, como uma acupressão profunda. Era uma tortura deliciosa. Meu corpo inteiro tremia.
— E orgasmos? Teve?
— Teve... mas não como a gente conhece. Primeiro veio uma onda interna, tipo um tremor que subia da barriga pro peito, sem eu precisar contrair nada. Ele entrou com dois dedos devagar, curvou pra cima procurando o ponto G — ele chamou de ponto sagrado. Movia em “vem cá” ritmado, enquanto o polegar fazia círculos minúsculos no clitóris. Eu gozei assim umas três vezes, seguidas, sem parar. Não era explosão, era... expansão. Como se meu corpo virasse oceano. Ele não acelerava, não parava de repente. Só acompanhava minha respiração. Quando eu achava que tinha acabado, ele diminuía, esperava, e voltava mais suave. Teve momento que eu chorei de novo, de tão intenso. Chorei de gratidão, de alívio, de me sentir viva de um jeito que eu nem lembrava.
Ster ficou em silêncio por um segundo, depois apertou minha mão.
— E o Marcos? Você contou pra ele?
— Ainda não. Mas eu tô diferente. Mais presente, mais desejosa. Ontem à noite, quando ele me tocou, eu guiei a mão dele devagar, respirei junto... e foi melhor que nunca. Acho que quero levar um pouco disso pro nosso casamento. Mas a experiência com o Salvador... foi só minha. Foi sobre eu me descobrir, sobre honrar meu corpo depois de tantos anos servindo os outros.
Ela sorriu, maliciosa.
— E vai repetir?
Eu respirei fundo, sentindo o calor voltar.
— Acho que sim. Da próxima vez, quem sabe eu levo o Marcos junto. Mas por enquanto... tô saboreando isso aqui dentro. Foi como abrir uma porta que eu nem sabia que existia.
Ster ergueu a xícara.
— À Josi, que aos 40 tá descobrindo que ainda tem muito prazer guardado. E que o tantra não é só massagem... é renascimento.
Brindamos. E eu sorri, sentindo o corpo ainda vibrar com a lembrança.
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