Inquietante estudo aereo! Uma jovem que me fez sentir vivo

Viajar já não me tira do sério. Com quase 50 anos, depois de décadas em engenharia, aeroportos tornaram-se extensões do escritório e até mais familiares que casa. Desta vez ia apresentar um projeto importante — algo em que tinha trabalhado meses — e, talvez por isso, decidi ir mais casual do que o habitual. Calças de linho, camisa azul clara com as mangas levemente dobradas, blazer leve. Confiante, confortável na própria pele.

Ela entrou quando eu já estava sentado.

Vestido de verão, leve, daqueles que acompanham o movimento do corpo como se dançassem com ele. Estampado suave, alças finas, sandálias simples. Cabelo solto, ainda com aquele brilho de quem tem 20 anos e o mundo inteiro pela frente.

Sentou-se ao meu lado e sorriu.

Descobri que estudava psicologia. Vinte anos. Inteligente, curiosa, observadora. Mas havia uma diferença clara entre curiosidade académica e o modo como ela me observava.

Ela não estava apenas a conversar.

Estava a experimentar.

— Gosto de homens mais velhos — disse em determinado momento, como quem comenta o clima. — São mais confiantes. Não têm pressa.

O olhar que me lançou ficou um segundo a mais do que o necessário.

A primeira turbulência foi leve, mas ela aproveitou-a como se fosse uma desculpa perfeita. A mão dela agarrou o meu braço com firmeza. Os dedos afundaram ligeiramente no tecido da minha camisa.

Não se afastou quando o avião estabilizou.

Ficou ali.

— Desculpa… fico sensível com estas coisas — murmurou, mas os olhos dela estavam calmos. Muito calmos.

Deixei a minha mão pousar sobre a dela. Não para afastar. Para segurar.

Senti o calor da pele dela. Jovem. Viva.

O espaço entre nós começou a diminuir sem que nenhum de nós assumisse ter dado o passo. As nossas pernas começaram a tocar-se sob o pretexto do espaço apertado. Ela ajustava-se no assento com movimentos suaves, quase preguiçosos, e o tecido do vestido roçava na minha perna. Não era acidente. Era convite.

Ela inspirou mais fundo.

A partir daí, o toque deixou de ser acidental.

O espaço entre as nossas pernas diminuiu milimetricamente até não existir. O tecido do vestido roçava na minha perna sempre que ela se mexia. E ela mexia-se com frequência. Devagar. Ajustando-se no assento como se procurasse conforto — mas encontrando fricção.

Eu já não estava apenas consciente do corpo dela. Estava consciente do meu próprio.

Os passageiros ao lado começaram a reparar. Eu sentia. Pequenos olhares de relance. Silêncios mais atentos. Uma tensão que não era só nossa.

Ela percebeu primeiro.

— Estão a olhar — sussurrou, quase roçando os lábios no meu ouvido.

O arrepio percorreu-me inteiro.

— Deixa que olhem — respondi, baixo.

O sorriso que ela me deu naquele momento mudou tudo.

A mão dela deslizou da minha mão para o meu antebraço… depois para o meu peito. Não de forma descarada. Apenas explorando o tecido da camisa aberta no colarinho, os dedos desenhando distraidamente a linha do meu tórax por cima do tecido.

— Engenheiros gostam de precisão… — murmurou. — Quero ver se também gostam de intensidade.

Ela aproximou-se mais. O corpo dela agora encostado ao meu sem qualquer disfarce. O calor atravessava o tecido fino do vestido. Eu podia sentir a respiração dela mudar.

Decidi responder.

A minha mão desceu lentamente pela lateral do corpo dela, sentindo a curva da cintura, a suavidade do tecido leve que parecia quase inexistente sob os dedos. Ela não recuou. Pelo contrário — inclinou-se ainda mais contra mim.

Os olhos dela fecharam-se por um instante.

O polegar dela começou a mover-se sobre o meu peito em círculos lentos. Provocadores. Calculados. Cada movimento parecia uma pergunta silenciosa.

Eu inclinei-me até os nossos rostos ficarem a centímetros.

— Tens a certeza que sabes o que estás a provocar? — perguntei.

Ela abriu os olhos devagar.

— Tenho curiosidade de descobrir até onde vai o teu controlo.

A tensão tornou-se quase insuportável.

O resto do voo passou num estado suspenso. Toques que começavam inocentes e demoravam demais. Respirações mais pesadas. Olhares que diziam tudo o que as palavras já não conseguiam esconder.

Havia uma energia quase exibicionista no ar. Como se o facto de estarmos rodeados tornasse cada gesto ainda mais intenso. Proibido. Perigoso.

Quando o avião iniciou a descida, ela estava completamente encostada a mim. A mão dela entrelaçada na minha. As nossas coxas firmemente pressionadas.

Ela inclinou-se e murmurou:

— A tensão acumulada precisa de um desfecho.

O tom da voz dela era mais grave agora. Menos brincadeira. Mais intenção.

Ao aterrarmos, levantámo-nos devagar. O contacto não se quebrou. Pelo contrário — parecia crescer com a promessa de privacidade.

Perto das casas de banho do aeroporto, ela parou. Virou-se para mim. O mundo continuava a mover-se atrás dela, mas naquele momento parecia distante.

— Sabes qual é a parte mais interessante da mente humana? — perguntou.

— Qual?

Ela deu um passo à frente. Ficámos a centímetros.

— A forma como justificamos aquilo que já decidimos fazer.

O clique da tranca do banheiro pareceu alto demais. Definitivo demais.

Por um segundo ficámos apenas a olhar um para o outro. O espaço era pequeno, iluminado por uma luz fria que contrastava com o calor que já nos consumia desde o avião.

Ela encostou-se à porta. O vestido de verão, agora ligeiramente desalinhado, moldava-se ao corpo dela como se tivesse sido feito para aquele momento. A respiração dela estava mais profunda. O peito subia e descia devagar — mas não era calma. Era antecipação.

— Ainda estás tão seguro como parecias lá em cima? — perguntou.

A voz dela estava diferente. Menos brincalhona. Mais baixa. Mais íntima.

Eu aproximei-me sem pressa. A maturidade ensina que a lentidão pode ser mais intensa do que a urgência.

Quando a minha mão encontrou a cintura dela, senti o corpo reagir instantaneamente. Não era imaginação. Era resposta. A pele dela parecia sensível sob o tecido fino.

Ela puxou-me pela camisa.

O beijo foi direto. Não havia mais teste. Não havia plateia. Só desejo acumulado.

A mão dela deslizou pelo meu peito, firme, explorando com curiosidade deliberada. Não era toque distraído. Era toque que queria provocar reação.

Eu desci os dedos pelas costas dela, sentindo a linha da coluna sob o vestido leve. Ela arqueou-se ligeiramente contra mim — um gesto quase involuntário que me fez perder parte daquele controlo que eu fingia ter.

O espelho à frente refletia tudo: dois corpos demasiado próximos, respirações que já não estavam sincronizadas, olhares que ardiam.

Ela aproximou os lábios do meu ouvido.

— Gosto de ver quando um homem deixa de fingir que está no comando.

A provocação fez o meu corpo reagir antes do pensamento. Segurei-a com mais firmeza. Não com violência — mas com intenção. Ela respondeu imediatamente, as mãos subindo pelas minhas costas, prendendo-me contra ela.

O espaço era mínimo. Cada movimento era amplificado. O menor roçar de tecido parecia eletricidade.

Havia algo quase vertiginoso naquela consciência de estarmos num lugar público. O risco tornava cada segundo mais intenso. Cada suspiro parecia alto demais. Cada pausa parecia perigosa.

A minha boca percorreu lentamente o pescoço dela. A pele reagiu. Ela respirou fundo, os dedos apertando o tecido da minha camisa.

— Não pares — murmurou.

Não havia mais teoria. Não havia mais psicologia. Só instinto.

O calor entre nós era direto, inevitável. Os corpos ajustavam-se naturalmente, procurando encaixe, pressão, proximidade. O tempo parecia suspenso.

Quando finalmente nos afastámos — não por falta de desejo, mas por excesso — ficámos imóveis, ainda colados, respirando como se tivéssemos corrido.

Ela olhou para mim com um brilho diferente.

Não era apenas excitação.

Era a satisfação de ter provocado exatamente aquilo que queria.

E eu sabia que, por mais apresentações que fizesse naquela viagem, nada teria a intensidade daquele momento roubado ao mundo.

O meu coração batia mais forte do que antes de qualquer apresentação importante. Talvez ela tivesse razão: ninguém é tão lógico quanto pensa.

Quando nos afastámos, ela passou a mão pelo cabelo, recompondo-se. O vestido voltou ao lugar, inocente como antes. Mas o olhar… o olhar já não era o mesmo.

— Acho que vou ter material interessante para estudar — disse ela, com um meio-sorriso.

Ajeitei o blazer, sentindo-me estranhamente rejuvenescido.

— E eu talvez tenha aprendido algo sobre psicologia aplicada.

Caminhámos até à saída juntos. Depois, caminhos diferentes.

Entrei no táxi a caminho da conferência com a apresentação perfeitamente memorizada na cabeça.

Mas não era o projeto de engenharia que ocupava os meus pensamentos.

Era a forma como, às vezes, basta um voo para nos lembrar que ainda estamos muito vivos.

Eu já não era um homem impressionável.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Inquietante estudo aereo! Uma jovem que me fez sentir vivo

Codigo do conto:
255752

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
28/02/2026

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