PARTE 1 — “Aquilo parecia bom demais”
Eu não esperava que começasse assim.
Eu tinha um perfil em uma rede social de encontros sexuais onde postava fotos com frequência. Era só mais um espaço onde eu aparecia de vez em quando.
Até que um dia, um cara me chamou no privado.
A conversa foi rápida.
Ele me passou o contato e disse que queria falar melhor por fora dali.
Achei normal.
Adicionei.
A gente começou a conversar…
até que ele foi direto ao ponto:
queria que eu encontrasse a namorada dele.
Na hora, não achei estranho.
Esse tipo de coisa acontece. Cada casal tem seus próprios interesses. Afinal, aquele espaço era pra isso mesmo.
Mas então ele explicou melhor.
Ele não estaria presente.
Ele assistiria.
Por vídeo chamada.
Aquilo me deu uma sensação diferente.
Não era exatamente medo… mas também não era conforto.
Era dúvida.
Mesmo assim, continuei.
Perguntei algumas vezes quais eram os limites.
O que podia, o que não podia.
Não gosto de ultrapassar limites de ninguém.
Mas ele nunca respondeu isso.
Nunca.
Como se não importasse.
Depois disso, ele me passou o contato dela.
Começamos a conversar.
E foi aí que tudo ficou… estranho.
Porque a conversa não era sobre aquilo que faríamos.
A gente falava de coisas normais.
Do dia a dia.
Das nossas cidades.
Pra minha surpresa, ela morava perto.
Perto demais.
E ele… longe.
Mas o que mais me chamou atenção foi outra coisa.
Ela não parecia estar naquela situação.
Era… leve. Natural.
Eu tinha a sensação que não era exatamente um desejo dela.
E, sendo sincero…
ela era linda.
Rosto delicado.
Cabelos longos, escuros.
Um jeito tranquilo de menina do interior falar.
Bom demais.
E foi exatamente isso que começou a me incomodar.
bom demais pra ser real.
Minha cabeça começou a trabalhar.
E se fosse uma armadilha?
E se não fosse ela?
E se fosse uma emboscada pra me roubar?
Ou pior…
E se fosse um plano?
Gravar tudo…
e depois usar isso contra mim.
Eu pensei em tudo.
Mesmo assim, marcamos.
Sexta-feira.
Mas quando o horário chegou…
eu simplesmente sumi.
Não atendi.
Não respondi.
Só vi as ligações depois.
Dos dois.
E aí veio outra sensação.
Porque se aquilo fosse real…
eu tinha acabado de sair como um covarde.
No dia seguinte, mandei mensagem.
Inventei uma desculpa.
E disse que ela podia marcar outro dia..
E a resposta foi simples:
“Então vai ser hoje. Ele quer que seja hoje.”
Sábado.
Sem muito tempo pra pensar.
Sem muito espaço pra recuar.
E, de alguma forma…
parecia que dessa vez eu não ia fugir.
?? Você teria ido… ou teria sumido de novo?
