?Por muito tempo, meu nome foi sinônimo de silêncio. Aos 35 anos, eu era a mulher que os vizinhos do prédio aqui na Baixada mal notavam no elevador. Três casamentos, três vezes em que tentei ser o porto seguro de alguém, apenas para terminar com o gosto amargo da desilusão. Eu achava que o prazer tinha validade, que meu capítulo de paixão tinha se encerrado entre paredes bege e rotinas mornas. ?Mas a terceira queda foi o empurrão que me faltava para o abismo — e descobri que eu adorava a queda. ?"Você precisa de ar," disse minha amiga. O "ar" que ela me ofereceu tinha cheiro de perfume caro, couro e uma eletricidade que eu nunca soube que existia. Lembro-me de chegar àquela porta discretamente, o coração martelando contra as costelas, as mãos frias. Entrei tímida, tentando esconder as curvas que eu mesma tinha esquecido de apreciar. ?Mas, lá dentro, o anonimato foi o meu libertador. ?Sob a luz vermelha difusa, percebi que ninguém ali se importava com o meu passado de esposa dedicada. Eles queriam a mulher que estava sob o vestido de seda preta. Quando a primeira mão desconhecida tocou meu ombro, não houve julgamento, apenas convite. A timidez derreteu como gelo em fogo. Senti um calor subindo pelas pernas, uma pulsação que começou na ponta dos dedos e se concentrou em um desejo bruto, urgente. ?Saí de lá naquela madrugada não apenas amando a experiência, mas viciada nela. ?Hoje, meu apartamento na Baixada é o meu santuário de retorno, mas minhas noites pertencem ao desconhecido. Não quero nomes, não quero promessas de café da manhã. Quero o prazer momentâneo, o toque de mãos indiferentes que me exploram com uma fome que meus maridos nunca tiveram. Sou a mulher quieta de dia, mas a que queima intensamente quando as luzes se apagam, vivendo cada centímetro dessa liberdade tardia e deliciosa.
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