Alessandra e os campeões Part 7

                     O Espelho de Bárbara
?Após Alessandra confessar seu alívio pelo sumiço de Valdir, Bárbara deixou escapar uma risada que não era de deboche, mas de quem guardava um trunfo.
?— "Você acha que foi só por você que o time se moveu, Alessandra?" — Bárbara perguntou, girando a aliança no dedo. — "O Guilherme deu a ordem, mas o Marcos, o zagueiro... ele não fez aquilo só pela 'Madrinha'. Ele fez por mim."
Alessandra quase derrubou a xícara. O choque percorreu seu corpo.
— "Como assim, Bárbara? O Marcos? Você e ele..."
— "Já faz um mês, Alessandra. Antes mesmo da final," — Bárbara confessou, sem um pingo de remorso. — "Enquanto você ficava aí toda certinha, eu já estava descobrindo o que era ser tratada como prioridade por um homem de metade da minha idade. Eu te empurrei para os braços do Guilherme porque eu precisava que você entendesse o que eu sinto. Eu precisava de uma aliada, não de uma juíza."
?Alessandra olhou para a amiga como se visse uma estranha. Bárbara não estava apenas brincando com fogo; ela já tinha incendiado a própria casa e agora queria que Alessandra fizesse o mesmo.
Alessandra perguntou, a voz baixa e cortante. — "E você me usou... você me empurrou para aquele bando de rapazes sabendo que eu sempre amei o Miguel. Por que, Bárbara? Por que fazer isso comigo?"
Bárbara deu de ombros, sem perder a pose, mas evitou o olhar direto da amiga.
— "Eu não te usei, Alessandra. Eu te dei uma saída. O Marcos me procurou porque ele queria a 'Madrinha', mas ele acabou ficando comigo. Eu fiz isso porque cansei de ser a única a carregar um segredo nesse bairro. Eu queria que você sentisse o que é ser viva de novo."
— "Eu me sentia viva com o meu marido!" — Alessandra rebateu, sentindo os olhos marejarem. — "Você transformou a minha vida em um campo de jogo. Agora eu tenho 17 homens que me olham como se eu fosse um prêmio e um caminhoneiro que só não acabou com a minha vida porque o seu 'amante' e os amigos dele o ameaçaram. Você não me ajudou, Bárbara. Você me tirou o sono."
Bárbara tentou sugerir o tal sítio, um lugar onde poderiam ficar "em paz" com os rapazes, mas Alessandra nem a deixou terminar.
— "Não me fale de sítio. Não me fale de mais mentiras. Eu vou lidar com o que aconteceu na granja, mas não espere que eu entre em outro barco furado com você."
?            A Sombra da Dúvida de Miguel
?Enquanto isso, a rotina na casa de Alessandra começava a ganhar cores estranhas. Miguel, sempre tranquilo, começou a notar pequenos detalhes que não faziam sentido. Não era algo óbvio como uma peça de roupa esquecida, mas algo muito mais sutil: o comportamento dos rapazes.
?Naquela tarde, quando Miguel passava pela praça com Alessandra para comprar pão, ele notou que Paulo e Leonardo pararam de rir no momento em que os viram. Os rapazes não apenas cumprimentaram; eles baixaram a cabeça em um sinal de respeito que parecia... solene demais. Quase como se estivessem diante de uma autoridade ou de alguém que guardava um segredo deles.
?À noite, deitado na cama, Miguel encarava o teto enquanto Alessandra fingia dormir ao seu lado.
"Será coisa da minha cabeça?", ele pensava. "Por que o Paulo faz questão de vir apertar a minha mão e olhar para a Alessandra com aquele olhar de quem pede desculpas? Por que os rapazes parece estar em silêncio quando eu passo com ela?"
?Miguel não tinha coragem de perguntar mas o instinto de homem começava a sussurrar que algo grandioso — e perigoso — havia acontecido naquela madrugada em que ele apagou no sofá.
                     A Gratidão Silenciosa
Os dias que se seguiram foram marcados por um silêncio desconfortável. A varanda, que antes era o palco das risadas de Alessandra e Bárbara, parecia vazia. Mas a amizade de décadas não se apaga com uma briga. Bárbara, sentindo o vazio da rejeição, decidiu baixar a guarda. Ela sabia que tinha cruzado a linha, mas não conseguia imaginar a vida sem a cumplicidade da amiga.
                     O Pedido de Perdão
Bárbara apareceu na porta de Alessandra com um semblante diferente, sem o cinismo habitual.
— "Alessandra, me escuta... Eu sei que eu errei. Eu perdi a mão na empolgação e acabei colocando você em um beco sem saída. Eu sinto falta da minha amiga," — disse Bárbara, com a voz embargada. — "Eu não estou arrependida do que vivemos, porque vi você renascer, mas estou arrependida de ter feito você sofrer com o Valdir. Me perdoa?"
Alessandra, que também sentia falta da única pessoa com quem podia falar a verdade, cedeu. Elas se abraçaram, mas o aviso de Bárbara veio logo em seguida, como um sussurro:
— "Eu só quero que isso acabe de vez, Alessandra. Sem chantagem, sem medo. Vamos fazer um 'último ato' para selar esse pacto e depois cada um segue sua vida. Um fechamento que ninguém possa usar contra a gente. Pensa nisso."
?               O Reencontro na Academia
?Tentando colocar a cabeça no lugar, Alessandra voltou à sua rotina de exercícios na academia do bairro. O ambiente era carregado de testosterona e música alta, mas para ela, o som parecia abafado.
?Enquanto fazia suas séries de agachamento, ela notou a presença de Paulo e Leonardo no setor de pesos livres. Eles a viram, mas não houve assobios ou piadas de mau gosto. Pelo contrário, eles acenaram com a cabeça, um cumprimento educado e distante, mantendo o "respeito de cavaleiros" que o Guilherme impôs.
?Alessandra parou por um momento, recuperando o fôlego. Seus olhos, quase involuntariamente, começaram a vagar pelos corpos dos rapazes. Ela lembrou da noite na granja, mas agora a lembrança era filtrada pelo que aconteceu depois: eles a protegeram. Eles expulsaram Valdir. Eles guardaram a honra dela como se fosse a deles.
?Ao observar o esforço de Paulo levantando uma carga pesada, as veias dos braços saltando e o suor brilhando sob as luzes da academia, Alessandra sentiu um calor familiar. Ela cruzou o olhar com Leonardo pelo espelho; ele sustentou o contato por três segundos — o tempo exato para não ser desrespeitoso, mas o suficiente para que ela visse a admiração contida ali.
?Ela sabia que era errado, mas por um minuto, a figura do "Madrinha" e dos "Campeões" pareceu algo maior do que uma simples traição. Era uma conexão de sangue e segredo. Ela admirava o vigor deles de longe, sentindo que, embora quisesse paz, o magnetismo daquele time era uma força da natureza difícil de ignorar.
                   O Dilema da Madrinha
?O mormaço do estacionamento da academia parecia aumentar a tensão. Alessandra já estava abrindo a porta do carro quando ouviu passos rápidos atrás de si. Eram Paulo e Leonardo. Eles não tinham o olhar predatório de antes; pareciam dois rapazes buscando respostas, mantendo uma distância que não a encurralasse.
?— "Dona Alessandra... espera," — Leonardo começou, a voz um pouco rouca pelo treino. — "A gente não parou de pensar naquela noite. Na granja... foi diferente. A gente queria saber se a senhora sentiu o mesmo. Se... se estaria aberta a sair com a gente de novo. Sem pressão, sem pactos, só pelo prazer. A gente sabe o que a senhora gosta."
?Alessandra respirou fundo, segurando o volante com força. O corpo dela ainda vibrava com a lembrança, mas a mente estava em outro lugar.
— "Olha... eu não vou mentir. O que aconteceu foi intenso, eu nunca tinha sentido nada parecido em toda a minha vida," — confessou ela, olhando nos olhos deles. — "Mas para vocês é fácil. Vocês são jovens, solteiros. Para mim, cada minuto de prazer vira uma hora de culpa. Eu sou mãe, eu sou esposa. O Miguel não merece isso. Eu agradeço o que fizeram por mim contra o Valdir, mas eu não posso seguir esse caminho."
?Ela viu a decepção no rosto deles, mas manteve a postura.
— "Não vou deixar de ver os jogos, meus filhos estão no time e eu gosto de vocês. Mas vamos manter o respeito, está bem?"
Eles assentiram, cabisbaixos, e se afastaram. O que Alessandra não notou foi um carro parado a três vagas de distância. Adilson, um dos amigos mais próximos de Miguel, estava com o vidro entreaberto. Ele não ouviu tudo, mas captou as palavras "...na granja..." e "...prazer..." vindas da boca dos rapazes. O choque foi imediato, e ele já sabia o que faria a seguir.
         O "Plano de Guerra" de Bárbara
?Mais tarde, na cozinha de Alessandra, Bárbara ouviu o relato do estacionamento e não se deu por vencida. Ela serviu um copo de água gelada para a amiga e soltou a proposta que vinha maturando.
?— "Alessandra, você é muito ingênua. Você acha que negando agora eles vão esquecer? Eles estão viciados em você," — Bárbara disse, encostando-se no balcão. — "Faça um último ato. Uma 'noite de despedida' dividida. Em vez de se perder com todos de uma vez, pegue dois por semana. Use toda a sua energia, acabe com eles no sexo. Se você vencer o jogo deles, se você os esgotar até eles não aguentarem mais te olhar, eles nunca mais te procuram. Você sai por cima, como a dona da situação."
?Alessandra olhou para a amiga, horrorizada.
— "Bárbara, você está querendo me transformar em uma vagabunda? Transar com 17 rapazes, dois por semana? Você enlouqueceu?"
?Bárbara deu um sorriso de lado, um olhar carregado de uma liberdade perigosa.
— "Não, Alessandra. Eu estou querendo transformar você na vagabunda mais poderosa desta cidade. Uma mulher que nenhum desses moleques vai ousar desrespeitar, porque você vai ser a lenda deles. Depois que o último passar pela sua mão, o ciclo fecha. Você volta a ser a esposa perfeita, e eles voltam a ser apenas um time . É o xeque-mate."

?                      A Sombra de Miguel
?Enquanto isso, no barzinho de esquina, Miguel ouvia Adilson. O amigo falava com cautela, mas a mensagem era clara: Alessandra estava no estacionamento conversando baixo com os jogadores sobre "algo que aconteceu na granja".
?Miguel sentiu uma dúvida, mas sua reação foi o silêncio. Ele chegou em casa, deu um beijo na testa de Alessandra e sentou-se para jantar como se nada tivesse acontecido. Mas por dentro, ele agora era um caçador. Ele não ia perguntar; ele ia observar cada passo, cada mensagem e cada saída dela com Bárbara. A paz daquela casa estava por um fio.
             A Encruzilhada do Destino
?O tempo passou como um rio silencioso. Meses se arrastaram e a poeira daquela noite na granja parecia ter baixado. Para o bairro, Alessandra era a esposa exemplar de sempre; para os rapazes, ela era a "Madrinha" respeitada, uma presença constante e silenciosa nos treinos e jogos. Mas o segredo, como uma brasa escondida sob a cinza, ainda queimava no peito de Miguel.
?                      A Confissão no Bar
?Miguel chamou Adilson para uma conversa séria após o expediente.
— "Adilson, aquela história da academia... eu não tirei da cabeça," — confessou Miguel, mexendo no copo de cerveja. — "Naquela noite na granja, eu apaguei do nada. Quando acordei, a Alessandra não estava. Ela chegou bem depois, com outra roupa, ela e a Bárbara dizendo que tinha ido tomar um banho pois estava suada e tinha dançado. Tem algo mal contado, cara."
?Adilson, tentando ser o equilíbrio, ponderou:
— "Olha, Miguel, é estranho, mas pode não ser nada. Mulher conversa, se perde no tempo... e a Bárbara é meio maluca mesmo. Se nada aconteceu nesses meses todos, talvez tenha sido só uma coincidência."
Miguel assentiu, mas o brilho de dúvida nos seus olhos não se apagou. Ele decidiu esperar o momento certo.
?                      A Grande Proposta
?A oportunidade veio na forma de um envelope oficial da empresa. Miguel chegou em casa radiante, reunindo Alessandra e os filhos na sala.
— "Recebi uma proposta, pessoal. É para gerenciar a filial em outra cidade. O salário é o triplo," — anunciou ele, os olhos brilhando de esperança. — "Com esse dinheiro, eu pago a faculdade dos meninos, e você, Alessandra... finalmente você vai poder cursar Psicologia, como sempre sonhou, sem desculpas de tempo e grana, você me ajudou pagar meus cursos anos atrás e agora vou poder retribuir. Ou a gente abre aquele estacionamento que eu sempre quis. O que vocês acham de irmos embora daqui?"
?A notícia caiu como uma bomba silenciosa. Para Alessandra, era a rota de fuga perfeita. Um recomeço onde ninguém saberia quem era a "Madrinha".
?                     O Veneno de Bárbara
?No dia seguinte, ao contar a novidade para Bárbara, Alessandra esperava apoio, mas recebeu um desafio.
— "Ir embora? Assim, sem uma despedida?" — Bárbara riu, cruzando os braços. — "Alessandra, essa é a chance de ouro. Se você vai mudar de cidade, se nunca mais vai ver esses moleques, por que não aceita o meu desafio agora? Transa com todos eles. Um por um. Faz a sua 'limpa' antes de partir. Você vai embora como uma lenda, com o corpo satisfeito e sem nenhuma pendência."
?— "Bárbara, pelo amor de Deus! Já se passaram meses! Por que você ainda bate nessa tecla? Todo mundo já esqueceu aquela noite!" — Alessandra exclamou, indignada.
?— "Ninguém esqueceu, Alessandra. Eles só estão esperando um sinal seu," — Bárbara retrucou, fria. — "Você quer ser psicóloga, né? Pois entenda a cabeça desses homens: enquanto você não fechar o ciclo, você será sempre a 'presa' deles. Se você acabar com eles no sexo antes de ir, você é quem se liberta."
?                   O Pensamento da Noite
?Naquela noite, o silêncio do quarto estava pesado. Miguel dormia ao lado, roncando levemente,Alessandra, porém, encarava o teto. As palavras de Bárbara, que antes pareciam absurdas, começaram a ganhar um contorno diferente na escuridão.
?"Se eu for embora, ninguém nunca vai saber... Seria a última vez. Eu poderia sentir aquele prazer de novo, mas desta vez eu estaria no controle. Eu terminaria com cada um deles e deixaria essa cidade para trás sem olhar para trás."
?A ideia de ser a "vagabunda poderosa" que Bárbara descreveu começou a se misturar com o sonho da faculdade de psicologia. Alessandra sentiu um calafrio. O plano de mudança do Miguel era a porta para o futuro, mas o desafio de Bárbara era a chave para trancar o passado de uma forma que ela jamais esqueceria.
CONTINUA....

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Alessandra e os campeões Part 7

Codigo do conto:
258258

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
31/03/2026

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