o quarto de vidro

O quarto está mergulhado em um silêncio denso, quebrado apenas pelo tique-taque rítmico do relógio de parede. O ar carrega o cheiro familiar de cera de assoalho misturado ao aroma cítrico do desinfetante que D. Marta traz consigo. Você está sentado na beira da cama, os olhos pesados, sentindo o peso do mundo nos ombros.

"D. Marta, eu vou deitar agora... não estou me sentindo nada bem," você murmura, a voz arrastada pelo cansaço mental. "Pode limpar o quarto se eu estiver cochilando, não me importo. Só preciso apagar."

Ela assente com um movimento de cabeça respeitoso, observando enquanto você toma o comprimido e se entrega ao travesseiro. "Pode descansar, menino. Eu cuido de tudo," ela responde com uma suavidade que beira o maternal.

O Teste e a Oportunidade
Vinte minutos depois, o sedativo cumpriu seu papel. Você é um peso morto sob os lençóis. Marta se aproxima da cama, os passos abafados pelo tapete. Ela vê a cartela de remédios sobre o criado-mudo e solta um suspiro curto. Seu olhar desce para a sua cintura, onde o volume sob a bermuda de moletom denuncia uma reação biológica alheia à sua vontade.

[Nota: O conteúdo entre colchetes a seguir representa os pensamentos íntimos da personagem, algo que ela jamais diria em voz alta.]

[Ele está em outro mundo agora. Nem se eu gritasse ele acordaria,] pensa Marta, sentindo uma pulsação estranha nas palmas das mãos. [Faz tanto tempo que não vejo um homem assim... tão entregue. Na semana passada, quando o chupei, ele nem sequer gemeu. É como se o corpo dele fosse meu, e a mente dele estivesse em outro lugar.]

Para ter certeza, ela toca o seu ombro e o balança levemente. "Menino? Está acordado?" Nenhuma resposta. Ela desliza a mão para o seu peito, sentindo o coração batendo devagar. Então, com uma audácia que ela guarda apenas para esses momentos de solidão, ela toca diretamente o volume pulsante. O pau reage, endurecendo ainda mais sob a pressão dos dedos dela.

A Entrega Silenciosa
Marta morde o lábio, sentindo o calor subir pelo pescoço. Ela se lembra da textura da pele dele na semana passada e a vontade de ir além a domina. Com movimentos precisos de quem já planejou isso no silêncio de suas noites solitárias, ela abre a gaveta e encontra a camisinha. O som do plástico sendo rasgado é o único ruído no quarto.

Ela se posiciona sobre você, sentindo o calor que emana do seu corpo adormecido. Ela se guia, sentindo a dureza do membro enquanto se acomoda, movendo-se com uma lentidão calculada para não causar nenhum solavanco que pudesse, por milagre, te despertar. Para ela, o fato de o seu corpo responder à excitação dela é o único "sim" que ela precisa para continuar. Ela chega ao ápice em silêncio, segurando um gemido contra o próprio punho, enquanto você permanece imóvel, uma presença ausente no ato.

O ar no quarto está pesado, carregado pelo cheiro de limpeza que contrasta com o calor abafado que começa a emanar do seu corpo e do dela. D. Marta está posicionada, os joelhos afundando no colchão macio, um de cada lado dos seus quadris. Ela observa o seu rosto, os olhos fechados e a boca entreaberta em um sono profundo, totalmente alheio à invasão que está prestes a ocorrer.

A Cavalgada no Silêncio
Com um movimento decidido, ela segura a base do seu membro, já devidamente encapado pelo látex que ela retirou da sua gaveta. Ela se abaixa lentamente, guiando a rigidez para dentro de si. O primeiro contato arranca dela um suspiro agudo, que ela abafa rapidamente com a mão sobre a própria boca.

[Pensamento de D. Marta: Ele é tão quente... e tão firme. Parece um pecado fazer isso enquanto ele dorme, mas olha como ele me recebe. O corpo dele sabe o que quer, mesmo que a cabeça dele esteja apagada por esse remédio.]

Ela começa a se movimentar. Não é um ritmo frenético, mas uma cadência lenta e profunda, de quem quer sentir cada centímetro. O som da pele dela batendo contra as suas coxas é abafado pelo moletom que ela apenas abaixou até os joelhos.

"Isso... menino... continua assim para a sua Marta," ela sussurra, a voz falhando, inclinando-se para frente para que os seios, escondidos sob o uniforme de algodão grosso, rocem no seu peito imóvel.

Conforme os minutos passam — dez, quinze minutos de um esforço físico que faz o suor brotar na testa dela e pingar no seu pescoço — o ritmo dela acelera. Ela segura as suas mãos, que repousam inertes ao lado do corpo, e entrelaça os dedos nos seus, apertando-os com força como se você estivesse retribuindo o gesto.

[Pensamento de D. Marta: Ele não acorda. Eu poderia fazer qualquer coisa aqui. Poderia gritar o nome dele que ele continuaria nesse mundo de sonhos. É como se eu fosse a dona dele por esses vinte minutos. Ninguém nunca me deu tanto prazer sem nem saber que estava dando.]

Perto dos vinte minutos, a respiração dela se torna um ganido contido. Ela cavalga com mais urgência, os quadris batendo com força, buscando o ápice que a solidão de anos transformou em necessidade física dolorosa. Ela sente o seu corpo ter espasmos involuntários — reflexos nervosos à estimulação constante — e interpreta isso como uma confirmação de que você, em algum lugar profundo do subconsciente, está ali com ela.

"Vai... despeja tudo em mim... agora!" ela ordena em um sussurro febril.

Ela trava o corpo, os músculos das coxas tremendo violentamente enquanto ela atinge o orgasmo. Ela desaba sobre o seu peito, sentindo o seu coração bater rítmico e alheio sob ela. Marta fica ali por um minuto, sentindo o pulsar do seu gozo dentro do látex, antes de se levantar com dificuldade, as pernas bambas, e começar a limpar os vestígios daquela possessão silenciosa.

O Confronto com o Vazio
Quando você acorda, o sol já está baixo, pintando o quarto de laranja. Sua cabeça lateja e você sente uma umidade estranha na região genital, além de um cansaço físico que não deveria estar ali após horas de sono.

Marta está terminando de passar o pano perto da porta. Ela te olha de soslaio, limpando o suor da testa com o avental.

"Dormiu bem, né? Nem se mexeu enquanto eu limpava os móveis," ela diz, com um tom de voz casual que tenta esconder a respiração ainda um pouco acelerada.

"Acho que sim... mas sinto como se tivesse corrido uma maratona," você responde, tateando o criado-mudo. "Marta, tinha algo aqui na gaveta... parece que sumiu."

[Ele notou,] ela pensa, o coração dando um salto, [mas ele não tem certeza de nada. Ele nunca vai acreditar que a velha Marta faria isso.]

"Eu não vi nada, senhor. Só tirei o pó. Talvez tenha caído atrás da cama ou o senhor tenha usado e não lembra, com esse sono todo..." Ela dá de ombros, recolhendo o balde rapidamente. "Vou terminar o lixo do banheiro."

O Rastro da Dúvida
Você caminha até o banheiro, a mente ainda nublada. Ao abrir a lixeira para jogar um papel, você vê: um preservativo usado, mal enrolado, com o líquido esbranquiçado visível através do látex. O choque é gélido. Você não se lembra de ninguém ter estado ali. A dúvida de que você possa ter feito algo durante um episódio de sonambulismo ou que simplesmente apagou algo da memória te consome.

Você pega o preservativo com nojo e confusão, enrola-o melhor em papel higiênico e o empurra para o fundo, tentando esconder a prova de uma lacuna na sua própria história.

Lá embaixo, Marta espera. Quando você se afasta, ela volta ao banheiro com o saco de lixo em mãos. Ela retira o embrulho que você fez, desfazendo-o cuidadosamente. Ela encara o conteúdo por um momento, sentindo um triunfo amargo. Ela leva o preservativo aos lábios, engolindo o conteúdo de uma vez, saboreando a última conexão física com você, antes de descartar o plástico de forma que ninguém jamais o encontre novamente. Ela volta para a cozinha, a máscara de faxineira respeitosa perfeitamente ajustada.


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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico eikawa

Nome do conto:
o quarto de vidro

Codigo do conto:
259763

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
18/04/2026

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