Maria Laura — À terceira é de vez? (3/3)

— Confesso que a narrativa me prendeu Confesso que iria ler jantar, sim Confesso que não corei, mas ficou um sorriso nos lábios.

— À terceira será de vez

"Tling-tling-tling" era a chave a tilintar, não só das tuas mãos na mala, mas também das minhas a pressionar a joia que tiveste escondida a tarde toda.

Eu pressionava, tu colaboravas, estávamos em sintonia no nosso Viavém Especial.

O que não estava em sintonia e não colaborava era a chave, que teimava em não entrar na fechadura, com a luz apagada e a tua mão desocupada, agora muito ocupada, entre as minhas virilhas.

"Concentra-te", dizia eu enquanto te desconcentrava.

Entrou, rodou, fez-se luz, dois lances de escadas. É fácil. Milhões de pessoas sobem escadas todos os dias, qual é a dificuldade?

Só porque estás à minha frente, a levantar o vestido para que eu veja o brilho da tua joia enquanto uma perna sobe em frente à outra, no que me parece um movimento em câmara lenta, degrau a degrau? É fácil.

Chegámos, as minhas mãos já não estão na tua joia, seguem, aparentemente, sem rumo por todo o teu corpo. Surpresa! Alguém não usar roupa interior em público não significa automaticamente que o sutien ficou em casa. Somos selvagens ou quê?

Nova chave, nova teima. "Concentra-te!"

Por esta altura, já todos os vizinhos devem ter percebido a algazarra em surdina das zonas comuns. Entre o tilintar das chaves, os saltos altos, de passo apressado (que parece eterno e em câmara lenta) e os gemidos a espaços, não há margem para dúvidas: alguém reencontrou o seu lenço preferido, reviu um filme e fez três revelações capazes de mudar o rumo do destino.

Porta aberta. Puxas-me para dentro: BANG!

Ecoa pelo prédio o fechar de porta apressado. Ecoa nos meus ouvidos o teu: Mnhhh.

O apartamento está escuro, mas é dia de lua cheia, está enquadrada perfeitamente nas tuas janelas, parece uma bonita manhã de Primavera na tua casa. Só falta o céu azul.

Empurras-me para o sofá – esqueceste-te das botas que ficaram no caminho – e que belo caminho estou eu a percorrer até ao chão. Confirma-se, já vejo azul, mas da pancada.

"Não!" dizes tu, mas o mal está feito e as consequências são graves. Foi um erro de principiante, qualquer outra pessoa desculparia, eu não.

Puxo-te para mim, não há sofá para ninguém e vais ter de me beijar já. Já esperei durante demasiadas fechaduras que não colaboravam, demasiados lances de escadas infinitos em câmara lenta.

Não me pediste desculpa rasteira das botas, mas eu peço pelo que vou fazer: vou-te esborratar o batom.

Enquanto nos beijamos, sinto o teu corpo em cima do meu, estás a segurar-me na cabeça, eu tenho os braços à volta do teu corpo, para não me fugires.

Quando finalmente precisas de respirar, rodamos para a esquerda, estou eu agora por cima de ti, prendes-me com as tuas pernas à volta da minha cintura.

Ainda estamos vestidos, isto tem algum jeito?

Desentrelaças as pernas, é a minha oportunidade de vingança pela rasteira, pego nos teus tornozelos e cruzo-os para rodares o corpo. Estás agora de joia virada para mim, barriga para baixo. Afasto-te as pernas e digo: mãozinhas, por favor.

Esticas as mãos para trás das costas.

"Com licença", faço-te um bonito laço à volta dos pulsos, decorativo, sem intenção de te magoar. O teu lenço preferido fica-te bem.

Começo pelos tornozelos, um beijo em cada um, para não termos ciúmes entre eles. Depois as coxas, enquanto as mãos sobem dos tornozelos até aos glúteos. E que bonitos glúteos. Vais gemendo, baixinho.

Vamos à joia? Vamos. Passo os meus dedos indicador e médio pela tua boca, precisamos de um bocadinho de saliva. Muito devagarinho, já húmida, vou puxando a joia, a luz da lua faz com que brilhe quando lhe mexo. Finalmente está cá fora.

"Boquinha, por favor", a joia mudou de sitio.

Com vergonha, tentas tapar o teu botãozinho com as mãos, atadas. Molho o teu indicador e o teu dedo médio com a minha boca e guio-os para o teu botãozinho.

Numa fracção de segundo, afasto o meu corpo para ter a certeza que não estava a sonhar. Era real: estavas deitada, pernas afastadas, saltos ainda postos, pulsos atados com um bonito laço, dois dedos enfiados no teu botãozinho e a tua joia na boca. O cabelo continuava impecavelmente penteado, com o travessão.

Afasto os teus dedos, coloco as tuas mãos numa nádega, eu encarrego-me da outra. A minha lingua percorre agora o teu botãozinho, que ora contrai, ora relaxa, ao ritmo do movimento da tua anca, para cima e para baixo.

Pergunto se te doem os joelhos, da posição.

— "Hmm hmm".

"Ainda bem" e marco a minha mão na tua nádega.

— "Mnhhhhh".

Desato-te as mãos e rodo de novo o teu corpo, tiro-te a joia da boca, e encosto o meu pénis no teu clitoris enquanto te beijo, o batom já desapareceu por completo.

Tentas prender-me com as pernas cruzadas atrás da minha cintura.

"Ainda não".

Descruzo-te as pernas, a joia volta para a tua boca, não queremos incomodar os vizinhos. Passo a minha língua vagarosamente nos lábios da tua vagina, ora de um lado, ora do outro, ora de um lado, ora do outro.

Sinto o teu odor, mnhhhh. Saboreio o teu sabor, mnhhhh.

Dois dedos no botãozinho, língua no clítoris e a tua anca para cima e para baixo enquanto pressionas a minha cabeça com as tuas mãos.

Largas um longo gemido, este ouviram de certeza.

Puxas-me para cima, tiras-me a camisa o mais depressa que consegues, as calças também desaparecem. As meias, pensei duas vezes (confesso), mas também voam cada uma para seu canto.
Jóia no botão, pénis na vagina.

Eu suo, tu suas mais, ainda de vestido e saltos postos, o travessão começa a ceder, o cabelo a desalinhar.

Levanto-te pela cintura, já estou de joelhos, em movimentos de Vaivém Especial.

Gemes pela segunda vez e eu vou gemer.

Rapidamente desencaixo do teu corpo, pénis na tua boca até começar a tremer-me o corpo. Há um pequeno fio que te escorre pela cara, passas o dedo para que não se desperdice, enquanto continuas em movimentos subtis de anca, para cima e para baixo, a sentir o teu próprio prazer.

Pedes-me para voltar a encaixar em ti, mesmo que a caminho da flacidez, para ficarmos apenas deitados um com o outro.

Sinto os teus movimentos de contracção, sinto a minha respiração, sinto o nosso suor.

Coraste?


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Maria Laura — À terceira é de vez? (3/3)

Codigo do conto:
262040

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
14/05/2026

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