Ele demorou dias para dizer. Ficou ruminando excitado. Quando tomava coragem, não aparecia oportunidade. Não era falta de desejo, mas tinhar medo de ouvir a própria voz confessando aquilo em voz alta. Quando finalmente falou, foi quase um sussurro, como quem admite um defeito antigo. Estavam na cama pouco antes do sexo. — Amor... eu… tenho pensado numa coisa. Ela levantou os olhos do celular, curiosa. — Pensado em quê? — Pensado demais na verdade. Respirou fundo e disse... — Te acho um tesão de mulher, ja se imaginou me fazendo de corno? O silêncio durou menos do que ele temia. Ela riu. Não um riso de deboche, mas um riso quente, cúmplice, como quem encaixa uma peça que sempre esteve fora do lugar. — Incrivel né... eu sempre senti isso em você amor — disse, inclinando a cabeça. — Só não tinha certeza se você iria ter coragem de dizer. Aquilo não o aliviou. Excitou. O pau ficou mais duro do que qualquer remedio poderia fazer. Transaram loucamente sem dizer uma palavra depois disso. Nos dias seguintes, ela mudou o tom. Pequenas provocações, frases jogadas no meio da rotina, olhares demorados demais. Às vezes passava por ele e dizia, quase distraída: — Você ficou diferente depois que confessou que ser corno sabia? --Sou eu na excencia, revelar foi a melhor coisa que eu fiz ate agora. Uma noite ele pediu. A voz trêmula, o rosto quente. — Me chama… Fala o que eu sou.. Ela arqueou a sobrancelha. — Chamar como? — De corno. -- Corno, você é corno só nao provou isso ainda. Ela disse. Simples. Natural. Como se sempre tivesse sido assim. E algo nele cedeu de vez. Quando se aproximavam, quando os corpos se buscavam, ela sussurrava ideias. Não descrevia, apenas sugeria. Dizia que pensava nos amigos dele fodendo ela. Dizia que imaginava como seria sentar neles pra ele ver. Dizia que ele ficava lindo ouvindo aquilo. E ele não negava. Ele pedia. Numa noite qualquer, enquanto jantavam, ela falou como quem comenta o clima: — Sabe… eu toparia de verdade. — Toparia o quê? — Dar pra um amigo seu. Ele engasgou. De surpresa. De realidade. E desejo. Ela sorriu devagar, saboreando o efeito. Nos dias seguintes, a ideia passou a existir entre eles como um terceiro corpo invisível. Ela o provocava com silêncio. Com demora. Com ausência de explicações. Até a noite em que apareceu no quarto usando apenas um roupão. Ele percebeu algo diferente no jeito que ela andava. No tempo que ela levou antes de falar. Então, sem pressa, ela desamarrou o cinto e deixou o tecido cair. A calcinha era mínima. Branca. Ousada demais. Em letras pequenas e provocativas lia-se: “Esposa de corno.” Ele sentiu as pernas falharem. — Você… você fez isso pra mim? — Fiz pra você saber — respondeu. — Que agora não é só ideia. Ele se aproximou, de joelhos. A voz quebrada, honesta, rendida, mordeu o pubis dela por cima da calcinha. — Por favor… Ela o olhou de cima. — Por favor o quê? — Me faz ser corno de verdade. Ela passou a mão no rosto dele, com carinho e domínio. — Vai ser um prazer. E ele soube, naquele instante, que não havia mais volta. Nem queria.
Faca o seu login para poder votar neste conto.
Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.
Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.
Denunciar esse conto
Utilize o formulario abaixo para DENUNCIAR ao administrador do contoseroticos.com se esse conto contem conteúdo ilegal.
Importante:Seus dados não serão fornecidos para o autor do conto denunciado.