A Noite de Angel e Kzado - Parte 1


"Pela primeira vez vocês vão ler um conto em que a continuação será escrita por outra pessoa”. sequencia será no perfil da linda Angel (angelandbrad)

— Angel, você não vai acreditar no que aconteceu semana passada…
Era assim que ela sempre começava. Com aquela voz levemente rouca, os olhos brilhando antes mesmo de chegar ao ponto. Mas dessa vez, antes que ela terminasse a frase, eu a interrompi.
— Dessa vez sou eu quem tem uma história pra te contar.
Ela riu, surpresa. Cruzou as pernas, inclinou o corpo levemente na minha direção.
— Ah é? Então me conta, Kzado…

Era uma sexta-feira com aquele calor úmido que transforma a cidade inteira numa promessa. Combinamos de jantar, nós três — ela, o marido dela, e eu. Um restaurante italiano com luz baixa, garrafas de vinho na mesa e aquele tipo de música suave que existe só pra preencher o silêncio entre as palavras importantes.
Eles chegaram juntos. Ela na frente, como sempre, porque Angel é o tipo de mulher que entra num lugar e o lugar muda de temperatura. Vestido preto justo, sandália alta, cabelo solto. O marido, elegante, sorrindo, a mão levemente nas costas dela enquanto o maître os conduzia à mesa.
Me levantei para recebê-los.
— Você está linda — disse, beijando seu rosto.
— Você está perigoso — ela respondeu, no meu ouvido, rindo.

O jantar foi leve nos primeiros trinta minutos. Conversa fácil, risos, o vinho descendo com aquela naturalidade preguiçosa que só o bom vinho tem. Segunda taça. Terceira.
Angel estava relaxada, gesticulando ao contar uma história, os olhos vivos. O marido ouvia com carinho genuíno, como quem assiste a algo que admira há anos e ainda não se cansa.
Foi então que me inclinei levemente, esperei ela terminar a história, e enquanto o garçom distraía o marido com a carta de sobremesas, coloquei discretamente sobre a mesa, ao lado da bolsa dela, um pequeno controle remoto. Discreto. E junto a ele, dentro de um pequeníssimo estojo de veludo, o vibrador sem fio.
Angel olhou para mim. Só olhou.
Eu sorri, com toda a calma do mundo.
— Tem um banheiro bem ali, em voz baixíssima. — Você volta em dois minutos e eu finjo que nada aconteceu. Ou não volta, e também fico bem.
Ela pegou a bolsa. Se levantou com uma naturalidade absurda, deu um beijinho rápido na bochecha do marido.
— Com licença, amor. Dois minutinhos.

Dois minutos e quarenta segundos. Eu contei.
Quando voltou, estava diferente. Não de um jeito que o marido perceberia — ele continuava falando sobre o vinho, completamente à vontade. Mas eu percebi. Na forma como ela se sentou, mais devagar que o normal. Na respiração ligeiramente mais contida. No jeito que seus olhos encontraram os meus antes mesmo de ela encostar na cadeira.
Coloquei o controle remoto discretamente no bolso.
— Tudo bem? — perguntou o marido.
— Ótimo, pegando a taça de vinho. — Tô ótima.
Nível um. Suave. Contínuo.
Vi o leve frêmito que ela escondeu atrás de um gole de vinho.
A conversa continuou. O marido não sabia de nada ou talvez soubesse de tudo, era difícil dizer com ele. Angel respondia às perguntas, ria nas horas certas, era brilhante como sempre. Mas de vez em quando me olhava de um jeito que era quase uma súplica e quase uma ameaça ao mesmo tempo.
Nível dois.
Dessa vez ela pousou a taça com mais cuidado que o necessário.
— Esse vinho tá muito bom, com uma voz levemente mais rouca.
Nível um de novo. Desci propositalmente.
Ela me olhou com uma cara que dizia seu maldito de um jeito que eu não esqueceria tão cedo.

Quando o jantar acabou, o marido propôs continuar a noite.
— Tem um bar aqui perto, música ao vivo, samba… que tal?
Angel me olhou. Eu ergui levemente o controle no bolso.
— Adoro a ideia.

O bar era exatamente o tipo de lugar que não te deixa parado. Música que começa no peito antes de chegar nos pés, aquele calor coletivo de corpos que se movem sem pedir licença. Conseguimos uma mesa pequena, pedimos drinks, e em dez minutos Angel já estava de pé.
Ela dançava com o marido primeiro e era lindo vê-los, aquela familiaridade gostosa de dois que se conhecem de cor. Mas de vez em quando ela escorregava levemente na minha direção. Um esbarrão que não era esbarrão. O braço roçando o meu. O cabelo passando perto do meu rosto.
Nível três.
Ela estava de costas para mim quando liguei. Vi os ombros dela subirem levemente, a respiração mudando de ritmo. Ela girou devagar, como se a música pedisse, e por um segundo ficou entre mim e o marido — o corpo dela quase encostando no meu, a mão dela pousada no peito dele, mas os olhos nos meus.
Ela se inclinou para o ouvido do marido e sussurrou algo. Ele sorriu, tentou puxá-la pelo quadril. Ela desviou com graça, aquele tipo de desvio que parece dança, e voltou para ficar de frente pra mim.
— Você é cruel — ela disse no meu ouvido, a boca quase tocando.
— Você ama — respondi.
Ela recuou um centímetro. Não mais.
— Eu tô cheia de tesão, como se fosse uma informação objetiva, factual, que eu precisasse registrar. Completamente. Cheia.
Nível quatro.
Dessa vez ela fechou os olhos por exatamente três segundos. Quando abriu, havia uma decisão neles que eu reconheci, o tipo de decisão que acontece antes das melhores histórias.
Ela voltou pro marido, sussurrou de novo no ouvido dele. Dessa vez ele não tentou tocá-la. Só sorriu de um jeito que dizia que ele sabia exatamente o que estava acontecendo e estava completamente bem com isso.
Angel me olhou por cima do ombro dele.
A música estava alta. O calor, absurdo. Ela estava ruborizada de um jeito que o vestido preto não escondia.
— O que você tá planejando? — ela perguntou, a voz baixa, chegando perto de novo.
— Nada — disse. — Só controlando o ritmo.
Ela riu. Uma risada curta, quase sem fôlego.
— Você sabe que essa história tem continuação, né?
— Sei — respondi. — Mas essa parte… é sua pra contar.

E foi aí que Angel sorriu daquele jeito e disse que sim, que a continuação ela mesma contaria.
Do jeito dela.
Com todos os detalhes que só ela sabe guardar.


Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook



Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Contos enviados pelo mesmo autor


256916 - Quando Todos Querem a Atenção Dela. - Categoria: Heterosexual - Votos: 13
254865 - O Dia em que o Mundo Virou do Avesso - Categoria: Heterosexual - Votos: 15

Ficha do conto

Foto Perfil kazal
kazal

Nome do conto:
A Noite de Angel e Kzado - Parte 1

Codigo do conto:
262680

Categoria:
Cuckold

Data da Publicação:
22/05/2026

Quant.de Votos:
1

Quant.de Fotos:
0