A cidade de Xanxeré-SC já estava desacelerando naquela noite de 08 junho 26 quando algo incomum chamou minha atenção. Eu andava de carro sem compromisso, observando o movimento das ruas, quando notei um carro circulando de um lado para outro. Não dei muita importância no início, mas, depois de vê-lo algumas vezes, acabei reconhecendo quem estava ao volante.
Por impulso, enviei uma mensagem.
A resposta demorou alguns minutos. Quando chegou, veio acompanhada de um convite para uma cerveja.
Voltei.
O posto de gasolina ainda estava movimentado. Algumas mesas ocupadas, conversas espalhadas pelo ambiente, música ao fundo e o cheiro característico de combustível misturado ao da noite fria. Peguei duas cervejas e me sentei ao lado dele.
A conversa começou casual. Falamos sobre trabalho, conhecidos, negócios e acontecimentos da cidade. Nada parecia fugir da normalidade. Ainda assim, havia algo diferente. Uma energia difícil de explicar, uma sensação constante de que ambos estavam observando mais do que diziam.
O tempo passou sem que percebêssemos.
Quando o estabelecimento fechou, seguimos caminhos diferentes. Pelo menos por alguns minutos.
Já em casa, com a tranquilidade do apartamento contrastando com a agitação dos pensamentos, enviei outra mensagem. Uma foto da geladeira abastecida e um convite quase inocente para continuar a conversa.
As respostas vieram rápidas.
Entre brincadeiras e provocações sutis, a possibilidade de uma visita surgiu naturalmente.
E então o interfone tocou.
Os minutos anteriores à sua chegada pareceram horas. Havia expectativa, curiosidade e uma ansiedade que crescia a cada segundo.
Quando ele entrou, o apartamento pareceu menor.
Sentou-se no sofá. Aceitou outra bebida. Conversamos novamente sobre assuntos banais, mas a verdade era que nenhum de nós estava totalmente concentrado na conversa.
As pausas entre uma frase e outra começaram a durar mais tempo.
Os olhares também.
A iluminação suave da sala criava sombras discretas. A televisão desligada refletia parcialmente nossos movimentos. Em alguns momentos, bastava o silêncio para preencher todo o ambiente.
O telefone tocou uma vez. (Sua esposa)
Depois tudo voltou à calma.
A madrugada avançava enquanto as defesas diminuíam.
Havia perguntas que permaneciam sem resposta. Havia intenções que nenhum dos dois parecia disposto a admitir em voz alta. Ainda assim, elas estavam presentes em cada sorriso, em cada aproximação casual, em cada segundo de silêncio compartilhado.
A atmosfera tornou-se inevitavelmente íntima.
O que aconteceu depois pertence apenas à memória dos dois. (Até fio terra fiz nele, mas meu cuzinho tá amaciando)
Mas, quando a noite finalmente chegou ao fim, havia a sensação clara de que uma linha invisível tinha sido atravessada. Não apenas pelo desejo que pairava entre nós desde o primeiro encontro daquela noite, mas pela descoberta de algo inesperado em alguém que eu acreditava conhecer.
Quando ele foi embora, o apartamento voltou ao silêncio.
Eu permaneci acordado por mais algum tempo, observando as luzes da cidade pela janela.
Algumas noites desaparecem da memória em poucos dias.
Outras permanecem vivas durante anos.
Está certamente será uma delas.
andrechapeco