Com quase 25 anos, recém-aprovado no concurso da Polícia Federal, Otávio carregava mais do que roupas na mala. Carregava um segredo que pesava e pulsava dentro dele. Estar ali ampliava a ansiedade sobre como conciliar sua natureza interna com a conduta que ele imaginava ser intrínseco à carreira policial. Otávio estava convicto que seu lado gay ou mesmo sua bissexualidade precisava ser muito bem guardada, escondida, dissimulada. Ele tinha convicção que ser gay ou bi era radicalmente incompatível com ser agente da PF. Era evidente que ele não sabia lidar com sua orientação sexual, o quanto a auto rejeição perpassava seu medo, o quanto aquela palpitação ia além da insegurança natural de estar adentrando um novo mundo.
A academia de polícia ficava nos arredores do plano piloto, parte central da cidade tão planejada que não parecia cidade. Aquilo era outra coisa, racional demais, sem a vida buliçosa e confusa que ele tinha se acostumado a viver. O segundo impacto veio quando foi direcionado para o alojamento: dormitórios compartilhados com mais 3 pessoas, chuveiros comunitários, rotina rígida de treinamento físico, aulas de tiro e armamento, aulas, muitas aulas. De defesa pessoal, de técnicas de investigação, de lutas, de táticas de abordagem, de patrulhamento, de deontologia policial e de diversos ramos do direito. Uma rotina puxada que duraria os próximos cinco meses.
Nos primeiros dias, Otávio se esforçava para não olhar para os lados, para a tentação. Mas era impossível. Depois do treinamento pesado, os colegas tiravam as camisetas suadas no pátio, corpos jovens e musculosos, como o dele, brilhando de suor. No banho, água escorrendo por peitorais definidos, abdomens marcados, coxas, pernas e paus, de diferentes formatos, tamanhos, cores. Exaustos pelo cansaço ou pelo calor ofereciam um banquete visual que ele lutava para não apreciar. Alguns eram mais ousados: ficavam nus secando o corpo devagar, conversando sobre mulheres, piadas grosseiras. Otávio sentia o pau endurecer dentro da toalha e tinha que se virar de costas ou se sentar, encontrar meios de dissimular o quanto aquela conversa naquele ambiente lhe excitava, fingindo estar vergonhado.
Otavio sabia que era bissexual desde a adolescência ainda que naquela época ele não soubesse nomear a ambiguidade confusa do desejo que sentia. Junto com o despertar da sexualidade, passou a sentir atração por moças e rapazes igualmente, um peitinho feminino, uma gostosa bunduda lhe dava tesão tanto quando um peitoral largo e peludo, um par de coxas saradas como os jogadores de futebol e as rolas então… volume de pau na sunga, no short, atraía a atenção dele como pão doce pra formiga. O que diferenciava é o prazer do proibido do sexo com homens, que agregava camadas de excitação e dava um tesão especial. Mesmo assim, ele comia mulheres com prazer genuíno — gostava do cheiro delas, da viscosidade da buceta envolvendo seu pau, da maciez do corpo feminino, do jeito que gemiam quando ele mamava suas tetas ou tacava língua na xota delas. Já o desejo por homens tinha um algo mais visceral, a pegada era mais dura, o toque mais dominante, a comunhão profunda que dois homens estabelecem quando o pau de um invade o cu do outro, a cumplicidade absoluta que um boquete oferece. É fato: da mesma forma que dizem que lésbicas sabem chupar buceta melhor, um homem conhece mais a fundo o que dá prazer no corpo de outro homem.
Naquela época ele achava que, na PF, admitir que fazia sexo com homens também seria o fim da carreira. Então ele escondia e o fato de dividir apartamento com outros colegas, criava uma dificuldade a mais: como e onde bater punheta num quarto em que raramente estava sozinho? Logo ele percebeu que a única saída era se aliviar no reservado do sanitário ou esperar todos dormirem para se masturbar debaixo das cobertas no silêncio a noite, pensando nos colegas que estavam ali tão perto e tão inacessíveis: Rodrigo, moreno parrudo do Mato Grosso, com sua bunda redonda e firme; Marcão, negro alto e surpreendentemente esguio do interior do Rio, Macaé, cheio de malandragem no seu chiado e um pau grosso que, mesmo mole, Tavinho sonhava em adivinhar como ficaria duro; e Lucas, loirinho de olhos claros, catarinense, descendente e alemães e italianos, corpo esguio, cabeça da pica circuncidada cor de rosa, o mesmo Luquinhas que às vezes demorava seu olhar tímido por um instante a mais, aquela demora que não se espera numa troca de olhares entre homens “heteros”. A mesma curiosidade que ele percebia em outros colegas, mas, no caso de Otávio, a aliança de noivado dava consistência a sua blindagem. Ainda assim, de vez em quando alguns arriscavam um roçar “acidental” de mão no seu pau, um esbarrão na sua bunda que parecia uma encoxada, no chuveiro lotado após um treino físico, no tatame durante aulas de defesa pessoal, um sorriso enigmático em qualquer lugar, a qualquer momento, como quem deseja estabelecer contato em meio a olhares oblíquos. Otávio sabia que com tanto macho reunido, alguma putaria poderia rolar, mas ninguém dava o passo. Medo. A mesma tortura silenciosa para todos.
Dois meses se passaram. Treinamento intenso, provas, hierarquia. Apesar de já ter dado umas saídas com a turma da academia, Otávio continuava invicto em Brasília — nenhuma paquera, nenhum sarro, uma foda nem pensar, nem com mulher nem com homem. A frustração já estava quase virando raiva, tesão reprimido. Até que numa sexta ele decidiu sair sozinho. Armou-se de coragem e recusou o convite pra tomar chopp com os colegas, resistiu desconversando sobre as insinuações que fizeram (Vai pra onde? Com quem? Fazer o que?). Vestiu uma calça jeans mais descolada, dobrou os punhos da camisa social, botou perfume e foi ao Beirute, o bar famoso na Asa Norte. Já tinha ido lá uma vez com a turma, curtiu a animação, sacou a vibe de point alternativo, lotado de estudantes, artistas e burocratas, tudo junto e misturado, muita gente bonita. Era ali que ele ia garimpar uma aventura que o tirasse daquele zero-a-zero. Paquerou abertamente duas garotas de uma turma de estudantes da UnB. Beijou uma delas no canto escuro, mão subindo pela coxa, sentindo a umidade da buceta por cima da calcinha. Foi um amasso gostoso, mas a moça fazia a linha “não dou no primeiro encontro” embora o bico duro dos seios mostrasse que ela tinha ficado com tanto tesão quanto ele. Pra não ficar de pau na mão e voltar pra academia com tesão sem solução, partiu pro “quem não tem cão caça com gato”. Sentiu que o desejo daquela noite poderia ser por outro caminho. No banheiro masculino, fila para o mictório. Um homem de uns 45 anos, terno bem cortado, cabelo grisalho nas têmporas, parou ao lado dele. Olharam-se de lado. Otávio captou a intenção. Entraram juntos, ele na frente, escolheu um mictório, o cara de paletó foi para o do lado. Apesar do entra e sai de gente, o homem segurou o pau grosso, já meio duro, e começou a se masturbar lentamente enquanto fingia que mijava. Otávio sentiu o próprio pau inchar. Quando o banheiro esvaziou um pouco, o homem deu a senha:
— Tá a fim? — murmurou baixo.
Otávio apenas assentiu. O cara guardou o pau, foi lavar a mão. Otávio fez o mesmo. Quando secava as mãos a última cabine vagou, o cara entrou e encostou a porta. Otávio esperou uns 2 minutos, quando se certificou que não tinha ninguém olhando, empurrou a porta e entrou na cabine. O homem trancou a porta e caiu de joelhos. Puxou o jeans de Otávio para baixo e engoliu o pau dele até o fundo da garganta. Otávio agarrou os cabelos grisalhos, gemendo baixo. A boca era quente, experiente, sugava com pressão certa, língua girando na cabeça. O homem babava, chupava as bolas, enfiava o nariz no saco suado de Otávio. Depois se levantou, virou de costas, suspendeu o terno, abaixou a calça até o meio das coxas e ofereceu a bunda peluda e macia:
— Me fode — pediu.
Otávio encapou a rola, cuspiu na mão, passou no pau e empurrou. O cu do homem era apertado, quente, pulsava. Entrou devagar, depois com força, metendo fundo enquanto tapava a boca dele para abafar os gemidos. O som molhado de carne contra carne ecoava baixo na cabine. Sexo rápido. Bruto. Animal. Não durou três minutos. Otávio gozou enfiado até o talo, a camisinha se enchendo de jatos grossos, tremendo. Quando parou de socar, o homem aproveitou a rola ainda enfiada no cu, acelerou a punheta e gozou no chão. Em silêncio se desengataram. Otávio pegou papel enrolou a camisinha e jogou no cesto. Ajeitaram a roupa e falando por mímica o cara falou pra Tavinho esperar enquanto ele saía. Assim, separados, sem trocar nomes. Otávio achou que acabava ali e suspirou aliviado, o anonimato não daria espaço pra ele sentir culpa ou vergonha. Mas o cara estava a espera dele lá fora. Veio o convite:
- Um chopp no balcão?
Otávio aceitou constrangido. Ficaram lado a lado, em pé, barulho em volta tornando a conversa surpreendentemente fluida, ninguém prestava atenção, ele foi relaxando e respondendo as perguntas. Nome? De onde? Fazendo o que em Brasília? O cara perguntava, mas também respondia, falando de si. Funcionário do Banco Central. Divorciado. Mulher voltou pro Rio com a filha. Ficou sozinho em Brasília. Se considerava bissexual como Otávio com um recorte mais específico: ativo com mulheres, passivo com homens. Aquela noite abriu a porta. Pedro, o cara, deu conselhos, dicas e toques. O que fazer e aonde não ir. Evitar a pegação da Rodoviária, arriscado demais. A sauna junto ao Setor Hoteleiro era pequena, mas segura. O grande point pra caçar a achar putaria gay era o Parque da Cidade. À noite, especialmente às quartas e sextas, a área arborizada perto do lago virava point de pegação gay. Carros estacionados com luzes apagadas, homens andando pelas trilhas escuras, olhares cúmplices. 3 chopps depois, foram embora. O cara ofereceu carona, ele quis recusar, mas Pedro insistiu:
- Táxi essa hora é caro.
Aceitou. A grana da bolsa era curta. Deixou Tavinho na rotatória em frente ao pórtico da entrada da academia. Sem troca de telefones, ele sabia que Otávio não ligaria:
- A gente se vê por aí.
Duas semanas depois, despistou os colegas e no final da tarde pegou o rumo do Parque. Conferir a dica de Pedro. Nervoso, mas excitado. Circulou pelas trilhas, viu vultos entre as árvores, preferiu se manter no passeio até que viu um cara magro se aproximar, uns 30 anos. Troca de olhares se avaliando mutuamente. O magro pegou no pau. Otávio repetiu o gesto. Um aceno de cabeça e entraram no mato. O homem chupou Otávio contra uma árvore, depois Otávio o virou e comeu de pé, rápido, selvagem, gozando na bunda dele. A camisinha saiu cheia. Assim que Otávio removeu, o cara ajoelhou, abocanhou o pau esporrado e bater punheta até gozar. Quando se levantou, sussurrou um tímido “obrigado” e saiu andando rápido. Otávio decidiu explorar um pouco mais. Viu caras transando. Não só em duplas. Trios ou mais. Homens transando com outros em volta batendo punheta. Voltou a ficar de pau duro, mas conferiu as horas e foi embora. Queria chegar a tempo de ainda pegar o jantar. Comeu no refeitório quase vazio pensando na descoberta. Um arrepio de excitação correu a coluna. Subitamente, foi até o orelhão em frente ao alojamento e ligou pra noiva. Ela ficou surpresa, não era dia dele ligar. Ele falou que estava com saudade, mas era culpa. A mesma culpa de sempre.
Voltou várias vezes. Às vezes só chupava ou era chupado. Outras vezes comia ou era comido. Anônimo, sem nomes, só corpos e desejo. Uma noite de sexta, o clima estava quente. Mais de quinze homens circulando pela área principal. Otávio chegou de bermuda folgada, sem cueca. Logo formou-se uma roda perto de um banco meio escondido pelas árvores. Cinco homens, depois sete. Todos entre 25 e 50 anos, variados: musculosos, peludos, magros, bem-dotados. Começou devagar. Um homem de barba, forte, se ajoelhou na frente de Otávio e puxou a bermuda dele. O pauzão de Otávio pulou livre, já duro, cabeça brilhando de pré gozo. O barbudo exclamou sua surpresa:
- Que pauzão! E engoliu o máximo que deu, garganta profunda, enquanto outro homem, que ele não viu quem era, chegou por atrás, sorrateiro e abriu sua bunda pra lamber seu rego. Otávio gemia, segurando a cabeça do barbudo, fodendo sua boca com estocadas lentas. Ao lado, um negro alto com pau enorme — uns 22cm, grosso como um taco de beisebol — era chupado por dois ao mesmo tempo. Um lambia a cabeça, o outro desfilava a língua no saco pesado. O negro gemia rouco, segurando as cabeças, olhando pra Otávio fixamente. Os dois se admiravam enquanto eram chupados. O cara que tava tentando enfiar a língua no cu de Tavinho, tirou lubrificante do bolso e besuntou o cu de Otávio. Ele foi deixando, tava gostoso ser chupado pelo barbudo enquanto alguém acariciava seu cu. Até que o cara levantou e começou a sarrar sua pica já encapada no rabo de Otávio. O barbudo parou de chupar e se levantou. O cara empurrou Otávio na direção do banco que de modo surpreendentemente dócil se postou de quatro após tirar a camisa e deixar o short embolado em um dos pés. Só aí viu quem ia lhe comer. Um cara de uns 40 anos, barriguinha de cerveja, pau médio, mas muito duro. Otávio sentiu a ardência deliciosa, o pau invadindo seu cu quase virgem depois de tantos meses sem ser penetrado. O homem metia forte, bolas batendo, mãos apertando a cintura dele:
— Que cu gostoso, caralho... — grunhia.
Enquanto era fodido, Otávio passou a chupar um cara que lhe ofereceu a rola. Nem olhou pro rosto do cara. Foi atraído pelo cheiro de suor de macho, uma pica de veias salientes, grossura média. Ele babava, se engasgava um pouco, mas queria mais. O negão dispensou a dupla de boqueteiros, se aproximou e esfregou o cacetão no rosto de Otávio. que largou a rola suada e abriu a boca o máximo possível para chupar o pau grosso do negão. A roda virou uma orgia completa. Corpos suados se embolando. O que tava comendo Otávio grunhiu mais alto, gozando. Tirou o pau, arrancou a camisinha e jogou no chão enquanto subia a bermuda e saía apressado. Otávio se levantou, os joelhos doendo do atrito com o cimento do banco, quando viu o negão se sentar no banco, vestir a caceta e gesticular oferecendo o pau dele. Otávio tirou o resto da roupa, embolou num montinho embaixo do banco e foi se empalando naquela chibata, sentiu muita dor, mas não recuou, ele queria tirar o atraso, maior que a dor era a vontade de dar o cu, o que ele fez com total despudor, cavalgando forte, cu apertado engolindo cada centímetro da picona preta gostosa. Nesse meio tempo, o barbudo se ajoelhou entre as pernas de Otávio e voltou a mamar o pau na boca dele. Outro homem chegou mais perto do trio e ofereceu o pau para Otávio chupar. O negão se aproximou por cima do ombro de Otávio e passou a mamar a rola junto com Otávio enquanto fodia seu cu. Gemidos baixos, tapas na bunda, sons molhados de chupadas e metidas. Cheiro de suor, sêmen, mato. Alguém gozou no peito de Otávio, porra quente escorrendo. O barbudo gozou mamando o cacetão de Otávio e foi embora. Ele sentiu o pau do negão ficar ainda mais duro e intensificou a rebolada na caceta dele, querendo sentir aquele pau pulsando de gozo no seu rabo. Otávio gemia alto, pau duro latejando, pingando.
— Me arromba... porra... mais fundo...
Otávio gozou sem tocar no pau, jatos fortes que acertaram o próprio peito e o queixo. Saiu de cima do negão e logo outro ocupou seu lugar. Otávio não foi embora. Desejou ficar. Sentiu que ali seu lugar. A orgia continuou por mais de uma hora. Homens chegaram e se foram. Trocas constantes. Otávio gastou todas as camisinhas que levou. Comeu dois caras, foi comido por mais um. Chupou, foi chupado, lambeu e enfiou a língua em cus usados. No final, exausto, se sentou no banco, pau amolecendo, respirando pesado. Se limpou com a cueca que dobrou e guardou, suja, no bolso da bermuda. A lua iluminava os corpos suados se dispersando silenciosamente na noite de Brasília. Ninguém sabia seu nome. Ninguém perguntava. Era só desejo cru, corpos se encontrando no escuro. Otávio voltou para o dormitório da academia quase uma da manhã. Tomou banho frio, sentindo o cu latejante, a rola machucada de tanto foder. Examinou o corpo a procura de marcas e respirou aliviado. Deitou-se na sua cama e tentou dormir, mas estava aceso demais para mergulhar no sono. Ali, na cama do dormitório, sozinho, os colegas ainda não tinham voltado da farra, sentiu o corpo ainda latejando sob o lençol fino. A luz fria do corredor vazava pela fresta da porta entreaberta, mas ele mal notava. Seus olhos fixavam o teto descascado precisando de pintura, enquanto a mente voltava, sem controle, para tudo que tinha acabado de fazer no matagal do parque. Meses de repressão. Meses de suor, disciplina, ordens gritadas e noites em que ele apertava os dentes, segurando o desejo como quem segura uma granada. Olhares rápidos nos chuveiros coletivos, corpos masculinos molhados, o cheiro de testosterona misturado ao sabonete. Ele sempre virava o rosto, respirava fundo e repetia o mantra: *isso passa*. Mas não passava. Até aquela noite.
Ali, deitado em sua cama, tomado pelo fluxo das lembranças muito vivas, frescas, Otávio recapitulou como foi parar ali quase sem pensar, o coração martelando mais forte que durante qualquer simulação de tiro. Entrou no matagal como quem entra em outro mundo. Olhares famintos o encontraram imediatamente. Mãos. Bocas. Dos primeiros contatos com o barbudo e o negro, a rapidez como a situação escalou e virou orgia. Corpos pressionando-se contra o dele sem cerimônia, sem nomes, sem julgamento. Ele deu. Fodeu com fome, segurando quadris firmes enquanto metia fundo, grunhindo baixo para não chamar atenção de quem não pertencia àquele ritual. Sentiu o calor apertado ao redor do pau, o suor escorrendo, o som molhado de pele contra pele. Depois, foi ele quem ofereceu o corpo. Levantou-se do banco e curvou-se contra uma árvore, pernas abertas, e deixou que qualquer homem o abrisse. Apesar de já ter sido arregaçado pelo pau do negro, aquela enfiada doeu no começo — uma dor boa, crua, real. Depois veio o prazer, profundo, animal, que subia pela espinha e explodia na cabeça. Outro veio em seguida. E outro. Ele chupou paus grossos e veiosos, joelhos na terra úmida, saliva escorrendo pelo queixo, enquanto alguém o comia por trás. Perdeu a conta. Apenas conferia se estava encapado com camisinha e liberava. Gozou mais vezes do que conseguia lembrar — na boca de um, dentro de outro, no próprio abdômen enquanto o lambiam. Quando saiu dali, as pernas tremiam. Estava dolorido, o cu latejando, o corpo marcado por manchas discretas que temia ter trabalho para esconder nos dias seguintes. Mas a cabeça… a cabeça estava leve como nunca.
Deitado agora no quarto silencioso, Otávio passou a mão lentamente sobre o peito, descendo até a barriga. Sorriu no escuro. Sentia-se vivo. Inteiro. A catarse tinha sido brutal e libertadora. Todas as amarras que ele mesmo havia colocado — medo do que diriam os colegas, medo de ser descoberto, medo de não ser “homem suficiente” para o uniforme — haviam sido rasgadas ali, entre galhos e gemidos abafados. *Eu não vou voltar pra aquilo*, pensou. Não mais. Poderia continuar sendo o policial dedicado, o aluno exemplar, o futuro agente, o futuro marido de Alice, o homem de família. Mas não mentiria mais para si mesmo. Experimentara a liberdade absoluta de desejar e ser desejado sem filtros, sem culpa, e aquele gosto era viciante. Não seria todo dia, claro. Teria cautela. Mas reprimir? Nunca mais. Virou de lado, sentindo o corpo ainda sensível, e fechou os olhos. Pela primeira vez em meses, dormiu sem peso no peito. O homem que acordaria no dia seguinte seria o mesmo… e, ao mesmo tempo, completamente outro. Mais honesto. Mais livre