Foi então que a viu.
Lúcia estava encostada no aparador, segurando uma taça de vinho tinto. Seus cabelos castanhos escuros caíam em ondas soltas sobre os ombros, mais longos do que ele se lembrava. Ela usava um vestido de seda preto, justo na cintura, que desenhava as curvas dos quadris e terminava acima dos joelhos, revelando pernas que pareciam não ter envelhecido um dia desde os dezoito anos. Roberto parou no meio do caminho, o ar preso na garganta. Era a mesma prima que ele observava secretamente nos verões da infância, a adolescente por quem ele nutria uma paixão muda e proibida, enterrada sob décadas de decoro e obrigações familiares.
Lúcia virou a cabeça, como se sentisse o peso do olhar dele sobre a pele nua do decote. Os olhos dela, escuros e amendoados, encontraram os dele. Não houve um sorriso de boas-vindas, nem um aceno de prima distante. Houve um reconhecimento lento, pesado, uma carga elétrica que atravessou a sala cheia de gente e o atingiu em cheio no estômago. Ela desviou o olhar por um segundo, levando a taça aos lábios vermelhos, mas Roberto viu a mão dela tremer levemente.
— Roberto — disse ela, quando ele se aproximou. A voz era mais grave, mais rica do que ele recordava. — Faz muito tempo.
— Trinta e cinco anos — respondeu ele, ouvindo a própria soarem rouca. — Você... você não mudou nada, Lúcia.
Ela riu, um som baixo e seco, e deu de ombros. O movimento fez o tecido da seda deslizar sobre os seios, e Roberto teve que forçar o olhar para manter o contato visual, embora a visão periférica traísse sua atenção, focada na pele alva que o vestido revelava.
momento. A distância física entre eles era de apenas alguns centímetros, mas parecia uma linha vermelha prestes a ser cruzada. — Vim sozinho.
Lúcia segurou o olhar dele, os lábios entreabertos ligeiramente. Ela tocou o braço dele, os dedos frios e delicados pousando sobre o tecido do terno. O toque foi breve, uma faísca estática, mas deixou uma trilha de calor na pele de Roberto.
— Eu tenho um quarto aqui em cima — disse ela, a voz baixa o suficiente para ser engolida pelo barulho da festa, mas alta o suficiente para cortar a razão dele ao meio. — Preciso mostrar uma coisa. Uma foto antiga que encontrei da gente na praia.
Roberto sabia que não havia foto. Sabia que aquilo era um risco estúpido, trinta e cinco anos de reputação manchada em uma noite de loucura. Mas o sangue corria nas veias com uma força que ele não sentia há décadas, pulsando nas têmporas e, mais vergonhosamente, na virilha. Ele assentiu, incapaz de formar palavras, e seguiu-a pelas escadas, os olhos fixos no balanço dos quadris dela sob o vestido preto.
O quarto era pequeno, mobiliado com antiguidades da casa da tia. Lúcia entrou primeiro e trancou a porta atrás deles, fazendo um clique seco que ressoou no silêncio do quarto. Não havia foto sobre a cômoda. Havia apenas o cheiro dela, agora intenso, envolvendo-o como uma névoa densa.
— Você ainda olha para mim como fazia naquele verão em Faro — disse ela, encostando-se nas costas dele. Roberto sentiu o calor do corpo dela contra a sua coluna, o toque suave dos seios pressionando a camisa. — Eu via você me espiando da varanda.
Roberto virou-se devagar. O espaço era apertado. Ele prendeu-a entre o corpo dele e a madeira da cômoda. As mãos dele, trêmulas, subiram para a cintura dela, sentindo a curva acentuada sob a seda.
— Eu era um garoto — murmurou ele, a voz falhando. — Era inocente.
— Você nunca foi inocente comigo, primo — sussurrou Lúcia, o rosto se aproximando, o hálito misturando-se ao dele. Ela passou a língua pelos lábios, um convite explícito. — E eu também não.
O beijo foi violento, faminto. Trinta e cinco anos de repressão explodiram naquele contato. Roberto agarrou o cabelo dela, puxando a cabeça para trás enquanto a língua dele invadia a boca dela, explorando, saboreando o gosto do vinho e do desejo. Lúcia respondeu com igual urgência, as mãos desatando o nó da gravata dele com movimentos rápidos e habilidosos, jogando o pedaço de seda no chão.
As mãos dele desceram, agarrando as nádegas dela, puxando-a contra a ereção que endurecia na calça, impossível de esconder. Lúcia gemeu baixinho, um som animal que ecoou no quarto, e esfregou a pélvis contra ele, aumentando a fricção. A mão dela desceu a barriga dele e desabotoou a calça com um clique metálico, puxando o zíper para baixo com lentidão torturante.
— Quer isso há tanto tempo — disse ela, envolvendo a haste dura dele com a mão quente. O toque foi um choque elétrico, fazendo Roberto estremecer. Ele gemeu contra o pescoço dela, mordendo a pele macia, deixando uma marca vermelha que ele sabia que ela não conseguiria esconder.
— Lúcia... — ele gemeu, o nome um pedido e uma maldição.
— Cala a boca e me fode — ordenou ela, apertando os dedos ao redor da espessura dele, movendo a pele para cima e para baixo.
Roberto não precisou de mais incentivo. Ele ergueu o vestido dela com brutalidade, revelando a combinação de renda preta que cobria muito pouco. Ele puxou o tecido fino para o lado, seus dedos encontrando a umidade escorregadia entre as pernas dela. Ela estava molhada, pronta, os lábios inchados e quentes ao toque dele. Ele introduziu um dedo, depois dois, sentindo a musculatura interna apertar em volta dele, sugando-o para dentro.
Lúcia arqueou as costas, a cabeça batendo suavemente no espelho da cômoda, os olhos fechados, a boca aberta em um silêncio de prazer. Roberto curvou-se, substituindo os dedos pela língua, lambendo o clitóris dela com movimentos circulares firmes, saboreando o gosto salgado e doce da prima. As mãos dela entrelaçaram-se no cabelo dele, pressionando o rosto dele contra a carne úmida, obrigando-o a ir mais fundo.
Ele comeu-a com fome, como um homem faminto, a barba roçando a pele sensível da coxa interna, aumentando a sensação. Lúcia gemia alto agora, sem se importar com a festa lá embaixo, os gemidos curtos e ofegantes preenchendo o quarto. Quando a língua dele tocou o ponto certo, ela estremeceu toda, as pernas tremendo, um orgasmo intenso tomando conta do corpo dela, deixando-a ofegante e fraca.
Roberto levantou-se, limpando o rosto com as costas da mão, e olhou para ela. Os olhos dela estavam vidrados, cheios de luxúria. Ele agarrou as coxas dela, erguendo-a para que ela se sentisse na borda da cômoda. O vestido ficou amontoado na cintura. Ele posicionou a ponta do pau na entrada dela, molhada e pulsante.
— Tem certeza? — perguntou ele, a última tentativa da consciência em ganhar controle.
Lúcia envolveu as pernas na cintura dele, puxando-o para perto, forçando a entrada da glande inchada dentro dela.
— Entra agora, seu covarde — sussurrou ela no ouvido dele.
Roberto empurrou os quadris para frente, sentindo a resistência inicial antes que a carne dela cedesse, engolindo-o inteiro. O aperto era delicioso, quente e escorregadio. Ele começou a mover-se, puxando quase todo o caminho para fora e depois entrando fundo, batendo contra o colo do útero dela. Cada golpe era uma libertação, uma negação dos trinta e cinco anos de fidelidade enfadonha.
O som da pele batendo na pele, o cheiro de sexo e suor, o som ofegante dos dois preenchiam o quarto. Lúcia mordia o ombro dele, as unhas cravando nas costas através da camisa, arranhando a pele. O prazer subia na espinha dele como uma maré, incontrolável e avassalador. Ele olhou para o rosto dela, contorcido em êxtase, e viu a garota de Faro, a prima proibida, e a mulher madura que ela se tornara, tudo fundido em um único ser de desejo puro.
— Vai gozar dentro de mim — gemeu ela, sentindo as contrações dele começarem. — Quero sentir tudo.
Com um rugido abafado, Roberto obedeceu. O corpo dele endureceu e ele explodiu dentro dela, jatos quentes e espessos enchendo a buceta dela, misturando-se aos fluidos dela. Ele continuou a bombear, esvaziando tudo o que tinha, até que as pernas dele falharam e ele se apoiou nela, ofegante, o coração batendo como se fosse sair do peito.
Eles ficaram ali por um momento, no silêncio pesado do quarto, apenas o som da respiração difícil e a chuva lá fora. Roberto afastou-se devagar, arrumando a roupa com movimentos trêmulos. Lúcia desceu da cômoda, ajeitando o vestido, os cabelos desgrenhados, uma mancha de suor na testa. Ela olhou para ele, e pela primeira vez na noite, houve um sorriso, mas não era debochado. Era satisfeito.
— A festa ainda está lá embaixo — disse ela, passando a mão pelo cabelo. — Você devia descer.
— E você?
— Eu vou descer em cinco minutos — respondeu ela, abrindo a porta para ele sair. — Não quero que pensem que fomos fazer algo de errado, primo.
Roberto saiu para o corredor, sentindo o cheiro dela ainda impregnado em suas mãos, em seu pau, em sua barba. Ele desceu as escadas, o som da música e das risadas subindo ao seu encontro, mas agora tudo parecia distante, irrelevante. Ele tinha cruzado a linha. Ele tinha traído trinta e cinco anos de fidelidade. E, pela primeira vez em muito tempo, ele sentia-se terrivelmente, maravilhosamente vivo.



