A Visita

Capitulo 1

O sol da cidade batia implacável nas lajes de cimento do apartamento de Carlos, transformando o espaço num forno. Carlos, um homem de trinta anos com estatura média e ombros largos, ajustou o ar condicionado, mas o velho aparelho rangia sem oferecer muito alívio. Ele vivia sozinho há anos, desfrutando da solteirice e do silêncio do seu espaço pessoal, mas essa rotina estava prestes a ser quebrada. O seu tio ligara-lhe dias antes, pedindo um favor. Alberto, um velho amigo da família, precisava de vir à cidade para uma série de exames médicos que não podiam ser feitos na aldeia remota onde vivia. Devido a uma onda de calor histórica que assolava a região, a casa de Alberto não tinha condições, e Carlos, com relutância mas com o sentido de dever familiar, aceitou hospedá-lo.

Quando a campainha tocou, Carlos abriu a porta e viu Alberto. O homem era uma figura imponente, com sessenta e cinco anos, um corpo robusto e obeso que transpirava profusamente mesmo antes de entrar. O rosto de Alberto era vermelho e marcado pelo tempo, carregando a bagagem de cinco anos de viuvez. Carlos ajudou-o a transportar as malas para o quarto de hóspedes, notando o peso do homem e a sua respiração ofegante. O cheiro que Alberto trazia consigo era uma mistura de suor, tabaco velho e terra molhada, um odor rural que contrastava com a assepsia do apartamento urbano.

Depois de instalar a bagagem, Alberto limpou a testa com um lenço grande e xadrez, olhando em redor com um misto de gratidão e desconforto. O calor era opressivo, e a roupa justa de Alberto parecia sufocá-lo. Ele hesitou junto à porta do quarto, as mãos a puxarem nervosamente a bainha da calça de algodão.

— Carlos — começou Alberto, a voz rouca e trémula —, eu sei que estou a incomodar e quero agradecer. Mas este calor... está a matar-me. Em casa, costumo andar mais à vontade. Tu não te importas de eu andar só de cuecas pela casa? É que se eu estiver vestido, acho que vou desmaiar.

Carlos parou de arrumar o sofá e olhou para o hóspede. A ideia de ver aquele homem velho e gordo em roupa interior não lhe era particularmente atraente, mas a hospitalidade falou mais alto. Além disso, no calor daquele momento, a própria roupa de Carlos parecia excessiva.

— Olha, Alberto, não te preocupas com isso — respondeu Carlos, com um aceno de cabeça descontraído. — Estás na tua casa, ou quase. Se queres andar de cuecas, anda. Até podes andar nu se te der mais jeito. Eu não ligo nenhuma. O que importa é estares fresco.

Alberto sorriu, os olhos a brilharem por um breve segundo com alívio. Não perdeu tempo. No corredor, enquanto Carlos se virava para ir buscar água, ouviu o som de um fecho éclair a descer rapidamente e o farfalhar de tecido pesado a cair no chão. Quando Carlos voltou, Alberto já estava apenas com um par de cuecas de algodão branco, um pouco amarelecidas pelo uso, que lutavam para conter a sua volumosa barriga e as coxas grossas. O volume da sua genitália era visível, formando uma saliência proeminente no tecido esticado. Carlos desviou o olhar por mera educação, entregando o copo de água, mas a imagem daquele corpo pálido e suado ficou-lhe na retina.

Os dias passaram numa lentidão pegajosa. Alberto fazia os seus exames de manhã e voltava à tarde, exausto, e se atirava no sofá com a televisão ligada. Carlos mantinha a sua rotina de trabalho, mas a presença do outro homem alterava a dinâmica do apartamento. O cheiro a Alberto impregnava-se nas almofadas, um aroma masculino e cru que Carlos, involuntariamente, começava a reconhecer. Havia uma vulnerabilidade na forma como Alberto se movia, uma falta de inibição que vinha com a idade e com a confiança que Carlos lhe tinha dado.

Um desses dias, a noite não trouxe o fresco esperado. O ar estava parado, húmido e pesado. Carlos decidiu que não valia a pena fechar as portas da varanda, embora não houvesse vento. Pegou em duas cervejas que tinha guardado no fundo do frigorífico e foi para a varanda. Alberto estava lá, sentado numa cadeira de plástico, as pernas abertas, as cuecas brancas a brilharem sob a luz da rua. A barriga dele baloiçava suavemente enquanto ele respirava, o olhar perdido nas luzes da cidade ao fundo.

Carlos estendeu-lhe uma cerveja.

— Ainda está a sufocar, hein? — comentou Carlos, sentando-se em frente dele.

Alberto aceitou a lata, o frio do metal a condensar-se na sua mão grossa. Bebeu um gole longo, a garganta a mover-se em movimentos convulsos. Depois, soltou um suspiro profundo que parecia vir do fundo da alma.

— Está mesmo, rapaz. E não é só o calor do tempo — disse Alberto, a voz baixa, quase um murmúrio. — É este calor que trago dentro de mim. Cinco anos, Carlos. Cinco anos sem tocar numa mulher. Desde que a minha Maria morreu, a minha vida parou. Na aldeia, não há ninguém. E eu... bem, com este corpo, quem é que me ia querer?

Carlos olhou para ele. À luz laranja dos postes, as cicatrizes e as rugas de Alberto pareciam mais profundas. Carlos também sentia a sua própria solidão, embora diferente. Ele era jovem, tinha a cidade ao seu dispor, mas o sexo mecânico e sem compromisso que por vezes procurava não preenchia o vazio.

— Eu também não tenho tido grande coisa — admitiu Carlos, surpreendendo-se a si próprio pela franqueza. — A vida na cidade é corrida. Às vezes é fácil deitar, mas é difícil conectar. Entendo-te, Alberto. A falta de contacto... isso é que mata.

Alberto virou a cabeça, fixando os olhos escuros em Carlos. Havia uma necessidade crua naquele olhar, uma fome que ia além da comida ou da bebida.

— Sinto saudades de testar com alguém — confessou Alberto, a mão a roçar involuntariamente a coxa grossa, perto da saliência das cuecas. — Sinto saudades do cheiro a pele, do calor de outro corpo junto ao meu. De acordar abraçado.

O silêncio que se seguiu foi carregado de eletricidade. Carlos sentiu um formigueiro na nuca. Olhou para o corpo de Alberto de uma forma diferente. Não via apenas um velho gordo; via um homem, feito de carne e desejo, tão carente como ele. A saliência nas cuecas de Alberto parecia ter crescido, um volume pesado e macio que reclamava atenção. Carlos engoliu em seco, a sua própria virilha a começar a responder a um estímulo que ele não previa. A ideia era proibida, errada aos olhos de muitos, mas naquela varanda quente e escura, os julgamentos da sociedade pareciam distantes.

Nos dias que se seguiram a essa conversa, a atmosfera mudou subtilmente. Os toques tornaram-se mais frequentes, os olhares mais demorados. Carlos reparava como Alberto o observava quando ele saía do duche, apenas com a toalha na cinta. E Carlos, por sua vez, começou a prestar atenção aos movimentos de Alberto pela casa, ao som da sua respiração, à forma como a barriga dele batia na mesa quando se inclinava. A atração crescia como uma erva daninha, alimentada pela curiosidade e pela proximidade forçada.

Numa tarde de sábado, o calor atingiu o pico. Alberto estava deitado no sofá, a dormir uma sesta, com as pernas abertas e uma mão pousada sobre a virilha. As cuecas tinham subido um pouco, revelando a base grossa e peluda do seu pénis e o saco escrotal que parecia pesado e cheio. Carlos entrou na sala silenciosamente. Devia ter saído, dar um passeio, qualquer coisa para se distrair, mas os pés colaram-se ao chão.

Aproximou-se do sofá. O cheiro a homem suado era intenso, um feromônio que atacava o cérebro de Carlos. Ele nunca tinha estado com um homem. Nunca tinha olhado para outro homem com desejo, mas ali, olhando para Alberto, sentiu uma urgência primitiva. A mão de Carlos tremeu quando a estendeu. Ele queria apenas tocar, verificar se aquela carne era real.

Os dedos de Carlos roçaram levemente a barriga de Alberto. A pele era quente, húmida, macia. Alberto estremeceu no sono e abriu os olhos, confuso, mas não se afastou. Quando viu Carlos ali, inclinado sobre ele, o medo inicial deu lugar a algo mais. O velho homem percebeu a intenção no olhar jovem. O seu coração disparou, não de pânico, mas de antecipação.

— Carlos... — sussurrou Alberto, a voz falhando. — Eu nunca... não sei fazer isso com um homem.

— Eu também não — respondeu Carlos, a voz rouca, a respiração pesada. — Mas agora... agora não me importa.

Carlos baixou a cabeça e os seus lábios encontraram a pele do pescoço de Alberto, salhada e quente. O gosto era salgado, real. Alberto soltou um gemido abafado, a sua mão grande e gorda subindo para trazer a cabeça de Carlos mais contra si. O medo pairava no ar, um receio mútuo do desconhecido, daquilo que nunca tinham experimentado, mas o desejo era uma torrente que arrastava tudo na sua passagem. As mãos de Carlos desceram, puxando a barra elástica das cuecas de Alberto, libertando a carne pesada e dura que clamava por atenção. Era o início de algo novo, assustador e irresistivelmente excitante.

Continua...

Foto 1 do Conto erotico: A Visita


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Visita

Codigo do conto:
269061

Categoria:
Bissexual

Data da Publicação:
04/08/2026

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