CHEIRO DE CASA

Guilherme tinha o mesmo sangue que eu, mas o corpo era um pouco diferente. Um pouco mais alto, mais largo nos ombros, com uma barba mal feita que ele deixava crescer por preguiça, não por vaidade. O cabelo era o mesmo castanho-escuro, os olhos também, mas os dele tinham um brilho mais cansado. A pele era mais escura que a minha, mas não muito. Éramos parecidos o suficiente para que estranhos soubessem que éramos irmãos, e diferentes o suficiente para que a gente passasse por cima disso.

Eu era o Gustavo de sempre. O mais novo. O mais quieto. O que sempre olhava mais do que falava.

A gente sempre morou junto, nunca saímos da casa dos nossos pais. Sempre tivemos uma troca silenciosa de contas, de compras, espaços e de silêncios compartilhados. Às vezes, eu olhava para ele e via o que eu seria se tivesse escolhido outro caminho. E, às vezes, eu olhava para ele e via o que eu gostaria de ser.

A noite em que tudo mudou foi uma noite como qualquer outra. Chovia um pouco lá fora, o som da água batendo na janela criando um ritmo constante que preenchia o silêncio entre a gente. Cada um no seu canto, os olhos grudados na tela de um filme que nenhum dos dois estava assistindo de verdade.

Ele estava deitado no sofá sem camisa, o peito liso e moreno. Os pelos que desciam da barriga até dentro da calça formavam um caminho que eu já tinha visto mil vezes, mas que, naquela noite, parecia diferente. Mais visível. Mais convidativo.

Ele estava usando um perfume que eu reconhecia, mas não reconhecia. Algo amadeirado, quente, que combinava com o cheiro do suor que começava a se formar no fim do dia. Eu senti a mistura no ar e, antes que pudesse controlar, inspirei fundo. O cheiro dele entrou pelos meus pulmões como se fosse o ar úmido daquela noite.

— Você tá olhando — disse ele, sem tirar os olhos da TV.

— Que?.

— Tá sim.

— Do que você tá falando, maluco?.

Ele riu baixo. Um som rouco que eu conhecia desde criança. Mas naquela noite, ele pareceu mais perto.

— Eu sei quando você tá olhando, Gustavo.

O silêncio que veio depois foi carregado. A chuva continuava. O perfume dele continuava. E eu, pela primeira vez, não desviei o olhar. Pela primeira vez, deixei que ele visse que eu estava olhando.

Naquela noite, eu guardei o cheiro dele no fundo da memória. Não era um perfume comprado. Não era suor limpo. Era o cheiro que vinha da pele depois de horas deitado, do calor acumulado embaixo da roupa, do canto do sofá onde ele sempre se aconchegava. Um cheiro que eu já conhecia, mas que eu nunca tinha provado com os olhos abertos.

Ele não disse mais nada. Mas a perna dele, que antes pendia solta, agora descansava sobre a minha coxa.

Não era um toque. Era um aviso.

E eu, que sempre soube esperar, senti que algo ia começar.

O peso da perna dele era leve, mas a presença era tudo. Eu sentia o calor dele mesmo através do tecido da calça. O cheiro dele parecia envolver a sala inteira.

— Para com isso — falei, a voz mais baixa do que eu queria.

— Com o quê?

— Você sabe.

Ele não se mexeu. Apenas virou a cabeça para me olhar. Os olhos castanhos, tão parecidos com os meus, brilhavam com uma malícia que eu nunca tinha visto antes.

— O que você acha que eu tô fazendo, Gustavo?

— Eu não sei.

— Se você não sabe o que eu tô fazendo, então ao que você tá resistindo?

Ele deu um sorriso de canto, o tipo de sorriso que ele usava quando já tinha decidido o que ia fazer.

— Você não precisa resistir, sabia?

Eu desviei o olhar. Engoli em seco.

— A gente é irmão, Guilherme.

Ele continuou me olhando.

— E isso não te dá tesão?

Meu coração acelerou.

— Não posso…

— Não pode o quê? Olhar? Querer?

Ele se sentou no sofá, agora de frente para mim. A distância entre a gente tinha diminuído. O joelho dele tocou o meu joelho.

— É o Matheus? Tá pensando nele agora?

— Eu tô sempre pensando nele. Eu amo meu namorado.

— Se rolasse algo agora, não seria traição — ele disse, e a voz estava tão firme que eu parei de respirar. — Somos irmãos. Você não trai com um irmão.

Eu olhei para ele, tentando encontrar um furo na lógica.

— Isso não faz sentido.

— Talvez não. Mas a gente pode se agarrar nisso.

Ele se aproximou um pouco mais.

— Você sente o que eu tô sentindo?

— Não sei o que você tá sentindo.

— Tesão — ele disse, a voz rouca, os olhos fixos nos meus. — Tô com muito tesão agora, Gustavo.

Ele segurou meu pulso. A mão dele era mais quente que a minha.

— A gente não precisa contar pra ninguém. E não é traição. Porque somos um sangue só. Você não trai o Matheus comigo. Trairia com um desconhecido, com alguém que poderia ser ele. Mas eu sou eu. E a gente é um do outro desde que nasceu.

Eu fiquei em silêncio.

Minha cabeça, naquele momento, não funcionava mais como um lugar de certezas. A respiração pesada dele, o cheiro forte dele, a mão no meu pulso — tudo conspirava para calar a voz da minha razão.

— Guilherme, isso não… — eu tentei falar mas ele me interrompeu.

— O Matheus não vai saber. E mesmo que soubesse, você não está dividindo o que é dele com outro homem. Sou eu. É diferente.

Guilherme segurou o meu rosto, e o toque foi tão inesperado que eu senti o corpo inteiro responder antes da mente.

— Eu posso te dar algo que ninguém mais pode.

Ele parou, esperando que eu perguntasse. Eu não perguntei. Mas ele respondeu do mesmo jeito.

— Posso te mostrar que você nunca vai se sentir sozinho.

Naquela noite, eu não falei mais sobre o Matheus. Não falei sobre traição. Não falei sobre o que era certo ou errado. Só deixei que Guilherme me puxasse para perto, que seu cheiro me envolvesse, que sua mão subisse pela minha nuca como se já tivesse feito aquilo mil vezes.

— Você não vai se arrepender — ele murmurou.

A mão do Guilherme ainda estava na minha nuca. O calor dela parecia queimar a pele. Eu não me movia. Ele também não. Apenas ficou ali, olhando para mim, esperando que eu dissesse algo que já estava dito.

— Você tá tremendo — ele disse.

— Tô nervoso.

— Não precisa estar. Sou eu, seu irmão.

— É exatamente por isso.

Ele sorriu, como se a minha resposta fosse a confirmação de tudo que ele já sabia. O sorriso dele era lento, torto, cheio de uma confiança que eu nunca tive. Ele inclinou o corpo para a frente, o rosto cada vez mais perto. A barba dele roçou a minha bochecha, e eu senti o cheiro da pele dele — o cheiro que eu conhecia desde criança, mas que agora parecia mais forte, mais denso, como se o corpo dele tivesse guardado todos os anos que a gente dividiu o mesmo teto e agora estivesse liberando tudo de uma vez.

— Não precisa resistir, Gustavo.

— Isso não tá certo.

— Tá, sim. Você só não quer admitir.

Ele segurou meu queixo com uma mão. A palma dele estava quente, a pele um pouco áspera, e os dedos firmes. Não era um gesto de força — era de posse. De quem já sabe que o outro vai ceder.

— Abre a boca.

— Guilherme...

— Abre.

Eu finalmente cedi.

Ele não hesitou. Cuspiu na minha boca, devagar, como quem oferece um presente. A saliva quente, espessa, deslizou pela minha língua e desceu pela garganta como um pedaço de mim que eu nunca tinha provado. O gosto era dele e eu engoli antes de pensar.

— Gostou? — ele perguntou.

— Não sei.

— Você sabe.

Ele me beijou depois disso. Mas não foi um beijo de irmão. Foi um beijo de quem quer tomar posse, de quem quer marcar. A língua dele encontrou a minha, e eu senti o gosto da minha própria saliva misturada à dele, e o sabor era estranhamente familiar. Como se eu estivesse provando a mim mesmo.

A mão dele deslizou pelo meu peito, os dedos encontrando o mamilo, beliscando com uma precisão que me fez arfar. A respiração dele era quente contra a minha boca, e o cheiro de saliva preenchia o espaço entre a gente.

— Tira a camisa — ele disse.

Obedeci.

Ele também tirou a dele. O peito dele era liso, moreno, os músculos desenhados sem exagero, a linha de pelos descendo da barriga até dentro da calça. Eu olhei para o meu próprio peito no reflexo da TV desligada, e vi o que ele via: dois corpos que poderiam ser o mesmo, em versões diferentes.

Ele se inclinou e passou a língua no meu ombro. A textura era quente, molhada, e o som do contato da língua com a pele ecoou no silêncio do quarto. Eu fechei os olhos.

— Você cheira como eu — ele disse, a voz rouca.

— Não, a gente não...

— Tem, sim. É o cheiro da nossa casa. Da nossa pele.

Eu não argumentei. Porque ele estava certo.

Ele me deitou no sofá, o corpo nu, a pele quente contra o couro frio. Ele ficou sobre mim, as pernas abrindo as minhas, a respiração pesada. Eu sentia o corpo dele por inteiro — o peso, o calor, a textura dos pelos da barriga dele contra a minha pele lisa.

— Você não parece ter tanta dúvida assim — ele disse, os dedos passando pela minha coxa.

— Tô confuso.

— Seu corpo não tá confuso, não.

A mão dele envolveu meu pau, e o toque foi tão inesperado que eu soltei um gemido que não consegui controlar. A mão dele era firme, quente, com a mesma calma de quem já sabe o que fazer. Eu senti a pele dele contra a minha, os dedos deslizando pelo comprimento, o polegar passando na cabeça, a umidade que já começava a escorrer.

— Você tá duro pra caralho — ele disse.

— Cala a boca.

Ele riu baixo e, em vez de responder, desceu o corpo. Senti a barba dele na minha barriga, os lábios quentes beijando a pele enquanto descia. A língua dele encontrou a ponta do meu pau, e o contato foi tão molhado, tão quente, que eu arqueei o quadril para cima.

— Na primeira vez que eu vi seu pau — ele disse, parando por um momento — eu fiquei imaginando o gosto.

— Você sempre foi um doente.

— E você sempre quis isso.

Ele abocanhou a cabeça do meu pau sem aviso. A boca quente, a língua circulando a glande, a umidade se espalhando. Eu não conseguia segurar os gemidos. O som era molhado, alto, os lábios dele escorregando pela haste enquanto eu sentia o céu da boca dele contra a ponta.

Ele esticou um braço e encontrou meu peito novamente. Enquanto engolia meu pau, beliscava meu mamilo de um jeito que me enlouquecia. Com a outra mão, ele massageava meu saco com muita habilidade.

Eu percebi que ele estava dando de tudo de si pra me dar prazer. Meu mamilo, meu pau, meu saco. Ele esfregava a cara, lambia, suspirava. Parecia que queria aquilo há anos. E ver ele louco por mim me deixou com muito mais tesão.

Em um momento, ele segurou meu pau, olhou pra ele, deu beijos e cheirou. Então passou a língua sob a grande, sentindo cada curva, cada veia que pulsava. De repente, ele engoliu meu pau de novo, num ritmo frenético, tão profundamente que eu sentia a garganta dele na cabeça da minha pica.

Eu comecei a gemer mais alto e me contorcer.

— Você vai gozar? — ele perguntou, a voz suja, os lábios ainda na minha pele.

— Vou.

— Então goza.

Eu senti o gozo subir como uma onda quente, a boca dele sugando, a língua pressionando, e quando eu gozei, foi direto na garganta. Ele não recuou. Ele chupou, engoliu, a garganta se movendo enquanto o líquido quente descia.

O meu pau ainda duro, ele segurava e apertava esperando que saísse a última gota de porra pra lamber.

Ele se levantou. O rosto estava molhado, a barba brilhando de saliva. Ele ele lambeu os lábios e me olhou.

— Agora você.

Ele se sentou no sofá, as pernas abertas, o pau duro e melado apontando para mim.

— Vem.

Eu me ajoelhei no chão. O cheiro dele era mais forte ali, perto da pele, perto da virilha quente. A mão dele segurou meu cabelo.

— Lambe.

Obedeci. A língua encontrou as bolas, subiu pelo comprimento, sentiu a textura da pele, a veia, a cabeça macia. O gosto era salgado, quente, vivo. Eu sentia o cheiro do corpo dele — tão familiar.

Ele gemeu enquanto eu chupava, a mão firme no meu cabelo, os dedos apertando quando eu descia mais fundo. O som era molhado, constante, acompanhado pela respiração pesada dos dois.

Não era um pau tão grande, mas era grosso. Meu esforço para manter a boca aberta só não era maior que o tesão que eu estava sentindo.

Foi então que eu ouvi o clique.

Guilherme tinha pegado o celular. O rosto iluminado pela tela, a câmera apontando para mim.

— O que você tá fazendo? — perguntei, parando.

— Gravando.

— Para com isso, caralho!

— É só pra mim. Relaxa.

Ele segurou meu queixo com a mão que não segurava o celular.

— Continua. Isso é nosso.

Eu hesitei por um segundo. Mas a boca dele me encontrou de novo, e o gosto dele me puxou de volta. A câmera estava ali, a luz amarela do flash me iluminando, mas eu não conseguia parar. No fundo, eu queria que ele tivesse um registro daquilo que nunca poderia acontecer de novo.

Aquele pau grosso pulsava. A mão dele guiava minha cabeça para baixo, para cima, no ritmo que ele queria. E eu sentia o gosto do meu irmão na minha língua, o calor da pele dele, o cheiro do corpo que dividiu a mesma cama comigo por tantas vezes.

Eu deixei ele usar minha boca. Mandava eu abrir mais, fechar, morder, lamber, sugar, me beijava, me cuspia... Eu só obedecia.

Então ele segurou a minha cabeça firme com uma das duas mãos e começou a socar o pau fundo na minha garganta. Meus olhos lacrimejavam. Eu gemia mas não reclamava. O pau cada vez mais fundo na minha boca, o ritmo cada vez mais rápido. Eu já estava preparado.

Quando ele gozou, foi sem avisar.

O leite espesso encheu minha boca, e eu senti a textura grossa, o sabor, e engoli. Cada jato foi uma confirmação. Eu estava provando do meu irmão, engolindo aquilo que ele tinha me dado, e aquilo parecia mais íntimo do que qualquer coisa que eu já tivesse feito.

A câmera desligou.

Ele soltou meu cabelo, jogou o celular no sofá, e me puxou para perto. Os dois nus, suados, o corpo ainda quente. O cheiro de sexo no ar pesado.

Ele encostou a testa na minha e deu um sorriso lento e calmo.

— Tá vendo? Não doeu nada.

E ele não estava errado, mas eu não disse nada. Fiquei em silêncio pensando no que tinha acabado de acontecer.

Um som da buzina cortou o silêncio como uma faca. Eu estava ainda sentado no chão, o corpo mole, o gosto do meu irmão ainda quente na garganta. Levantei rápido demais, ajeitei a camisa, passei a mão no cabelo. Não olhei para Guilherme. Não precisava. Sabia que ele estava ali. Olhei pela janela e meu coração acelerou.

— É o Matheus — eu disse, a voz um pouco rouca.

— Então vai receber teu homem — ele disse, como se não tivesse acabado de gozar da minha boca...


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Ficha do conto

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Nome do conto:
CHEIRO DE CASA

Codigo do conto:
269254

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
06/08/2026

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